terça-feira, 31 de outubro de 2017
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
Electricidade I: Uma longa gestação
Por
variadas razões e apesar da sua presença nos mais variados domínios do nosso
quotidiano, a electricidade tem demorado muito mais do que o suposto a solidificar-se
nos veículos que conduzimos. Isto apesar das suas bases terem surgido nos anos
30 do Século XIX, sendo que só agora, em pleno Século XXI, as ofertas se começam
a generalizar nos diferentes mercados de 2, 3 e 4 rodas!
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Imagem: all free download |
Voltemos
um pouquinho atrás no tempo! Segundo os canhanhos
da história, as coisas começaram a dar
choque algures entre 1832 e 1839 com um heterogéneo grupo de supostos “pais da criança”, não havendo uma
certeza absoluta de quem foi verdadeiramente o primeiro: o escocês Robert Anderson, o holandês Professor Sibrandus Stratingh e seu
assistente Christopher Becker, ou o
húngaro Ányos Jedlik , todos criaram veículos movidos a electricidade. Seguiram-se
vários outros, entre americanos, franceses e ingleses, e muitos passos foram
dados nos primeiros 50 anos da aplicação de baterias eléctricas a carruagens e automóveis,
até 1899, ano em que surge o "La Jamais
Contente", um carro de corrida eléctrico concebido pelo belga Camille Jénatzy que até estabeleceu um
novo recorde mundial de velocidade terrestre, com a estonteante velocidade de 68
km/h… imagine-se!
Outros
avanços deram-se nos anos seguintes, surgindo em Nova Iorque uma frota de táxis
eléctricos e as invenções da empresa norte-americana Frederik R. Wood & Sons, como o 1902 Wood Phaeton, uma
carruagem eléctrica com uma autonomia de 29 km e velocidade máxima de 23 km/h, um
ano depois de um tal de Ferdinand
Porsche mostrar ao mundo uma proposta híbrida, com um motor de combustão
interna e outro eléctrico, o Lohner-Porsche Mixte, ano em que Thomas Edison começou a trabalhar em
baterias mais duradouras.
Hummmm…!!!
Nesta altura poder-se-á perguntar: “Então
isso não é o que tem surgido ultimamente? O que é que aconteceu neste
interregno de tempo?” Pois… as respostas são relativamente simples, assentando, na sua génese, na descoberta de petróleo no Estado do Texas (EUA) e noutros buracos do planeta, processo depois associado
ao poder dos lobbies, face aos chorudos
lucros do ouro negro, para que a electricidade não vingasse. Junte-se
o desenvolvimento das redes viárias, estradas de maior extensão que os eléctricos
da altura não conseguiam percorrer com uma carga (tinham pouco mais do que autonomias urbanas), a invenção do motor de arranque por Charles Kettering (em 1912), acabando com o reinado da manivela, e o arranque da produção em
massa de automóveis com motores de combustão, iniciada por Henry Ford (em 1913), tornando-os muito mais baratos para o comum cidadão – um
destes custava menos de metade de um eléctrico – e os ingredientes eram mais
do que suficientes para anestesiar a
electricidade no automóvel, até praticamente os tornarem extintos, por volta de
1935.
Só no final do Século XX, com o crescendo das preocupações ambientais, nomeadamente para com os gases com efeito de estufa, oriundos dos diferentes veículos e das fábricas que os produziam – entre outras origens – e as baterias de electricidade viam-se despertadas desse sono profundo, regressando às mesas de discussão, em soluções de modo puro, híbrido ou plug-in, uma vez mais associados a um motor a gasolina (na maioria dos casos) ou diesel, dotados gradualmente de tecnologias mais avançadas para a redução dos gases poluentes.
Os exemplos entretanto surgidos são mais que muitos, entre os que apostaram directamente nesta solução, ou os que redireccionaram, em doses variáveis, as suas estratégias e planos de marketing, rumo a um futuro eléctrico. Este é, por isso, um mais um tema a necessitar de algum desenvolvimento extra, esmiuçando-se mais um pouco esta fantástica descoberta de Thales de Mileto filósofo, astrónomo e
matemático grego que viveu na Grécia Antiga, entre os anos de 634 a 548 a.C. Foi ele quem testemunhou aquela que foi a primeira manifestação de electricidade estática da
história, após esfregar um pedaço de âmbar numa pele de carneiro. Daí para cá
passaram... dois milénios e meio!!! Surpreendente, não?!
Cumprimentos
distribuídos irmãmente e até breve!
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Imagens: Wikipedia Commons |
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas,
decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades
respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.
sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Madeira, esse material tão versátil
Esculturas
em madeira! Há quem as faça em pequenas peças de bijuteria, enquanto outros recriam
monumentos, animais, famosos, em modo busto ou corpo inteiro – enfim! – um sem
número de peças nessa dádiva da natureza cada vez mais rara no nosso país, ultimamente
reduzida a cinzas sem que nada aconteça. Ano após ano, os muitos interesses
instalados do chamado “negócio do fogo” continuam a ser muito maiores do que
tudo o resto, mesmo que pelo caminho se devastem ou ceifem vidas inteiras, sem
qualquer tipo de respeito, mostrando-se todos depois tão solidários e prontos a prestar
a sua (pseudo) ajuda.
Passada
esta espécie de desabafo do estado de uma alma lusa, quase tão negra como as
nossas aldeias e zonas outrora verdes, vamos tentar ver o outro lado do uso da
madeira, numa forma de arte com cores bastante mais alegres e com a assinatura de
um nome grande, Michel Robillard. Hábil
marceneiro francês dedica-se, desde tenra idade – algures pelos seus 14 anos – a
dar corpo a peças de índole diversa, cruzando-se não raras vezes com o mundo das
rodas.
Há
muito tinha um grande sonho, de tornar a sua paixão entre os automóveis – o Citroën
2CV – num dos seus projectos. Mas não que quisesse fazer uma simples e
detalhada miniatura a uma qualquer escala desse ícone da indústria, nada disso,
quis sim fazer um exemplar em tamanho real e que, de preferência, se pudesse
deslocar pelos seus próprios meios.
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Imagens: Citroën Origins / Maquettes tous en Bois Fruitier |
Robillard
lançou-se, assim, no projecto “2CV en Bois”,
de seis longos anos mas recentemente completado, envolvendo a criação em
madeiras nobres de uma versão de 1953 do modelo. Assente num robusto chassis de
um Dyane de 1966 – tudo porque a madeira é um material mais pesado do que a chapa
– as madeiras usadas têm uma particularidade: são todas árvores de fruto, da “pereira para a estrutura, à macieira para o
capot, nogueira para as cavas das rodas e volante, ou cerejeira para as portas
e tampa da mala, para além do ulmeiro para o painel de instrumentos,”
descreve, com indisfarçável orgulho, a sua obra de arte.
Tido
como perfeccionista, é enorme o detalhe dado ao conceito onde, e a título de
exemplo, só o capot se compõe de 22
secções, num aturado processo criativo em que usou dezenas de ferramentas de
carpintaria e outras de recurso, também usadas para a concepção dos bancos,
entretanto suavizados com confortáveis zonas almofadadas. Não contente com isso
equipou o seu 2CV com um motor de 602 cc, jantes e pneus de origem, tal como o
são os faróis, os piscas ou os inigualáveis puxadores das portas.
“Quis fazer um
objecto que perdurasse no tempo muito para além de mim próprio”, reforçou, num
projecto que mereceu o apoio da própria Citroën que, muito recentemente,
colocou a criação de Robillard no seu Museu Virtual online Citroën Origins.
Uma vida de
dedicação
É
impressionante o detalhe dado a este “2CV
em Madeira”, espelho em tamanho real de diversos outros exemplares que realizou
e tem expostos no seu atelier e que,
não raramente, se vêem levados até às mais diversas mostras realizadas por
terras de França e além-fronteiras, contribuindo, no seu conjunto, para a
igualmente grande galeria de troféus.
Não
raras vezes, este autêntico ourives da madeira compra modelos à escala no
mercado tradicional, analisando depois com paciência de chinês o seu processo
de montagem. “Para cada modelo parto de
uma maquete em metal ou aço, à escala de 1:18 ou 1:43. Monto-a e, de seguida,
faço os meus cálculos para as cotas que necessito e refaço-os à escala, em
madeira, sendo que a minha única preocupação é trabalhá-los nos limites desse material”.
Nasceram, assim e entre outros, exemplares vários do seu amado 2CV, bem como um
Renault 4 CV, um Volkswagen Carocha e um Bugatti Royale, todos à escala de
1:10, “cada um deles envolvendo não menos
do que 500 a 600 horas de trabalho, variável caso a caso,” acrescentando
que várias das peças que os integram “necessitam
de um ou mais dias inteiros de trabalho!”

Recriou, também, outros exemplares sobre rodas, como um Ferrari de F1 de Michael Schumacher, ou uma moto Harley Davidson com sidecar, esta com mais de 500 horas de concepção, com uma precisão ao detalhe tal que os raios das jantes têm apenas 20 milímetros, modelo que lhe valeu uma medalha de ouro no “Mondial de la Maquette” de 2004, realizada nos pavilhões da Porte de Versailles, em Paris.
Destaque
ainda para um avião Canadaire CL-415, da Protecção Civil Francesa, ou “um camião americano de desempanagem com
mais de 1.000 peças – 150 delas só para o motor – onde tudo funciona, das rodas
que viram junto com o volante, até às portas que se abrem”. Demorou mais de
1 ano a dá-lo como acabado.
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Imagens: Maquettes tous en Bois Fruitier |
Se quiser ver mais em pormenor estes e outros exemplares clique aqui ou assista a este pequeno vídeo, onde, na primeira pessoa, Michel Roubillard demonstra os detalhes de alguns exemplares.
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas,
decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades
respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
Moda lusa a bordo de um ícone
Automóveis
e moda – já o disse aqui em diversas ocasiões – são áreas com um número cada
vez maior de pontos de ligação. Uns nascem no processo de criação de um determinado
modelo, outros a posteriori, sob as
vestes de propostas customizadas com vista a um determinado objectivo,
normalmente de imagem, decorrente das associações que se estabeleçam com esta
ou aquela marca ou empresa. Por cá, um dos exemplos mais recentes juntou a MINI ao estilista português Nuno Gama.
Prevendo
a criação de duas unidades com base no MINI Clubman, a parceria “MINI x NUNO GAMA Design Project” resultou em duas propostas segundo a visão do estilista, num resultado final que
foi recentemente desvendado na sua Maison, no Príncipe Real (Lisboa). Automóveis
únicos, assumem-se outros tantos posicionamentos, fruto da originalidade dos seus
interiores, com o MINI Clubman Gentleman by
Nuno Gama a apostar em elementos mais tradicionais e o MINI Clubman Sport by Nuno Gama com um cunho mais
desportivo.
A
representante nacional da marca de origem britânica refere que estes exemplares
únicos e exclusivos irão estar, em breve, à venda, embora não sejam dados mais detalhes
desse processo nem a que preços.
Acrescente-se
que como apoio à busca de novos talentos na moda nacional, no âmbito deste
projecto realizou-se um concurso de apuramento de jovens designers em início de
carreira, que provassem ter o melhor perfil para desenvolverem um estágio de um
ano, junto da equipa do estilista. Uma experiência única que foi conquistada
por Daniela Freitas e Fábio Maio, já em funções na Maison
Nuno Gama.
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Imagens: MINI e Nuno Gama (Facebook) |
Cumprimentos
distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas,
decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades
respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
Paraciclismo II: O sonho de bronze de Costa
Se
a primeira metade de 2017 do paraciclista Luis Costa foi repleta de viagens e medalhas, o trimestre que se seguiu não foi
menos vazio de histórias para contar, quase todas elas com final feliz, em
especial a última, no âmbito dos Campeonatos do Mundo da África do Sul, onde
alcançou o que considerou como um sonho. Mas vamos por partes...
Fim-de-semana de bronze ao peito!
Retomemos essa aventura onde parámos na anterior edição, com uma segunda metade de
2017 que começou com nada menos do que duas subidas ao pódio, num evento da Taça do Mundo em Emmen (Holanda), resultados que, apesar da sua dimensão, não o satisfizeram por completo!
A primeira medalha de bronze decorreu do 3º lugar obtido no Contra-Relógio,
prova em que ficou a apenas 58 segundos do vencedor, o holandês Tim de Vries,
seu eterno adversário! “Confesso, por
isso, que me soube a pouco, embora ficasse satisfeito pela minha evolução em Contra-Relógios,
já que fiz as duas voltas ao percurso sensivelmente iguais, a uma média final
de 40 km/h.
Segundo o lema “Esforço,
dedicação, devoção e glória” do seu Sporting Club de Portugal, “clube que orgulhosamente represento”,
apostou em fazer melhor no dia seguinte, na Prova de Fundo, mas também aqui foi
o resultado foi idêntico, numa jornada em “fiquei
um pouco frustrado pela forma como deixei escapar a prata, pois trabalhei muito
durante esta prova para tentar alcançar o Tim, que depois fugiu sem que o
conseguisse alcançar. Percorri os últimos 100 metros com algum avanço sobre
Alfredo de los Santos, mas infelizmente os braços não aguentaram o esforço
final e ele passou-me mesmo em cima da linha de chegada”, concluindo com um
desalentado mas real desabafo de que “só
acaba no fim, é essa a realidade!”
Campeão Nacional, mas este ano sem
certificado!
De regresso a Portugal, Luis Costa abraçou, depois, os Campeonatos Nacionais de Almeirim, alcançando duas vitórias – no
Contra-Relógio e na Prova de Fundo – na sua classe. Dois resultados que, em
condições normais, lhe valeriam o seu novo título de Campeão Nacional.
Só que, este ano, fruto das novas regras da modalidade, Luis
Costa não pode ser declarado Campeão Nacional, já que é sendo o único atleta da
sua classe, não tendo, por isso, direito a receber e usar na próxima época a
camisola de Campeão Nacional. “É injusto?
Talvez, mas regras são regras e não as vou contestar. Mas, a partir de agora,
vou competir com o equipamento verde e branco do meu clube, algo que muito me
orgulha de igual modo”.
A fechar o ano nacional de competições, disputou em Albergaria e Alcobaça as duas derradeiras provas da Taça de Portugal, vencendo em
ambas a sua classe. “Sobretudo aproveitei
para fazer novos testes à condição física, ficando muito satisfeito com a minha
forma, fruto das muitas ‘tareias’ que levei nas semanas anteriores, numa altura
em que já ansiava pelos Mundiais.”
O corolário de toda uma época
E eis que chega o ponto alto da temporada, o Campeonato do Mundo de
Paraciclismo da Africa do Sul, em Pietermaritzburg, evento que começou com uma
série de percalços mas que viria a tornar-se no seu maior orgulho, encerrando
toda uma época de esforço e dedicação.
“Não começou, de facto, nada bem essa participação,
primeiro com um problema mecânico na handbike durante os treinos oficiais para o
Contra-Relógio. O desviador de velocidades ‘decidiu’ ser esse o momento ideal para
deixar de funcionar em condições, o que me limitou as performances, não deixando
engrenar alguns carretos mais altos, essenciais nas descidas de grande
inclinação desse percurso”. Em resultado disso, o atleta luso
viria a chocar violentamente com um adversário, “quando seguia a mais de 40 km/h. Ele não me viu e virou à direita no
momento exacto em que eu o ultrapassava!” Como resultado Luis Costa,
capotava e resvalava de costas no asfalto. “Apesar
disso e milagrosamente, a handbike não sofreu nem um risco para além dos que já
tinha”.
Vá que as redes sociais também servem para pedidos de ajuda e
um proprietário de uma loja de bikes
local lhe arranjou um desviador electrónico novo para que, no dia seguinte, ele
pudesse fazer o reconhecimento ao percurso da Prova em Linha e depois, os
eventos oficiais. “Foi só montar e
testar, funcionando a 100%, sem necessidade de nova programação do sistema.
Fiquei delirante, agradecendo aos anjos que lá em cima olham por mim, mesmo
quando me deixam esfolar as costas todas no alcatrão”.
Depois de tantos problemas, Luis Costa apresentou-se à
partida “decidido a provar que todo o
investimento em tempo, compreensão, dinheiro e trabalho de todas as pessoas que
de qualquer modo contribuíram para que aqui chegasse em grande forma, não fosse
desperdiçado! O percurso era ao meu gosto, mesmo com subidas de ‘partir o
coração’”, explicou. “Trabalhei muito
para isto, num ano em que me preparei desde início para esta prova onde podia
mostrar o meu valor, a mim próprio e ao mundo!”
“Desde a
primeira das 3 voltas percebi que estava andar mesmo forte, ultrapassando vários
dos atletas que partiram antes de mim, ao mesmo tempo que via que o Alex
Zanardi e o Tim de Vries, dupla que partiu depois de mim e naturais candidatos
à vitória, não me estavam a ganhar muito tempo. Também assisti aos saltos do meu treinador, José
Marques, a cada passagem minha na meta, quase à beira de um ataque cardíaco,
porque se apercebeu de que eu estava no rumo das medalhas, algo também me deu ainda
mais força para dar tudo por tudo até ao fim e não deixar escapar a
oportunidade”.
De facto ela não escapou, gerando “um turbilhão de emoções. Mais do que ganhar a medalha de bronze num
Campeonato do Mundo, foi a forma como o consegui, ficando a apenas 47 segundos
do Zanardi, algo que ainda se
revestiu de maior importância para mim, pois não há muito tempo eu perdia 5
minutos pra ele neste tipo de prova! E dado que ambos temos apoios e materiais
de diferente dimensão, acho que não é preciso dizer mais nada!”
“Estar ali
naquele pódio, na competição mais importante do calendário mundial – a par dos
Jogos Paralímpicos, claro! – ao lado do homem que todos consideram o maior
atleta de sempre no paraciclismo e que foi a minha inspiração para me decidir a
praticar este desporto, é surreal!”
Tão surreal que, no dia seguinte, na Prova em Linha com cerca
de 60 km partiu de faca nos dentes em busca de novo pódio, “sempre a acreditar que tudo é possível.” Mas nova subida ao pódio
fugiu-lhe por pouco, muito pouco, já que terminou com o mesmo chrono do
vencedor. “Sim, fui 4º mas terminei no
grupo dos melhores, deixando o 5º classificado a mais de 20 segundos!” É
caso para dizer que já não falta tudo!
Tudo somado…
O difícil mas recheado ano de 2017 de Luis Costa terminou,
assim, com 4 medalhas de prata em provas C1, mais 3 medalhas de bronze em
eventos da Taça do Mundo, e a enorme
medalha de bronze que trouxe do Campeonato do Mundo.
“Acabei o ano no
3º lugar do ranking da minha classe na Taça do Mundo e em igual posição no da UCI, apenas atrás desses dois colossos Campeões do Mundo, o Tim de Vries (na
Prova em Linha) e o Alex Zanardi (no Contra-Relógio), dois amigos e fantásticos
adversários.”
“É uma honra,” sublinha o nosso
atleta paralímpico que, pelo 4º ano consecutivo, integra o top 10 mundial da modalidade algo de muito significativo, depois da
sua estreia em competições oficiais em 2013: “Dado que em 3 deles acabei nos lugares do pódio, só tenho motivos para
estar orgulhoso da minha evolução e super-motivado para tentar fazer ainda
melhor nos próximos anos”.
Um vasto conjunto de resultados que deve ao seu total empenho e dedicação, mas também e significativamente, ao Professor Gabriel Mendes, técnico da Federação Portuguesa de Ciclismo, e ao seu incansável treinador José Marques, para além, claro, do apoio familiar encabeçado pela sua companheira Inês Neves. Outra peça importante é o conjunto de entidades que, à sua medida, o apoiam neste ambicioso projecto, da própria federação ao Comité Paralímpico de Portugal, passando pelo SCP e demais empresas que lhe prestam os mais variados serviços.
E o é que vem a seguir? Há que esperar pelas “cenas dos próximos capítulos”, aqui no Trendy Wheels. Isto porque “o Costa” – como é conhecido pelos
amigos – ainda tem algo (muito mais) para dizer…
Cumprimentos
distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas,
decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades
respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.
sexta-feira, 20 de outubro de 2017
Paraciclismo I: Luis Costa na elite mundial
O
paraciclismo nacional está, uma vez mais, de parabéns! Modalidade que, entre
nós, tem crescido em importância e em (alguns) novos representantes, apesar dos
diminutos apoios que lhe são dados e à ainda ínfima cobertura que merece das
televisões e da imprensa (dita) especializada em acontecimentos desportivos, há
um nome que se destaca entre os demais: Luis Costa.
Temática
que já aqui abordei no Trendy Wheels
algumas vezes, de modo a dar um empurrãozinho
à modalidade em termos de visibilidade, bem como ao próprio e às suas pretensões
de se tornar Campeão do Mundo, Campeão Paralímpico… ou ambos! Coisa pouca, se
pensarmos nos obstáculos bem maiores que,
há anos, teve de ultrapassar no domínio pessoal, depois de um acontecimento que
– no dia do seu 30º aniversário – o obrigou a repensar toda a sua vida. Mas
como desistir não faz parte do seu modo de vida, dedicou-se de corpo e alma ao
paraciclismo, definindo como um dos objectivos elevar cada vez mais alto a nossa
bandeira nos mastros dos quatro cantos do mundo, expresso nos resultados obtidos
além-fronteiras.
“Que nunca por
vencidos se conheçam”
é um dos lemas de vida deste atleta que, agora com 44 anos, está aí para as
curvas e para as rectas, sempre à força de braços com a sua “menina”, numa dedicação sem igual a uma
modalidade que já lhe ofereceu enormes alegrias, sempre vistas como mais
significativas do que os desaires. A mais recente foi uma medalha de bronze nos
Mundiais da África do Sul, em Setembro último, orgulhosamente ocupando um lugar
seu por direito no pódio de uma das provas, na companhia de dois dos seus
maiores ídolos – o holandês Tim de Vries, vencedor da maioria das provas, e Alex
Zanardi, ex-piloto de monolugares (Fórmula 1, Indy, etc) – e também adversários
ao longo da presente época.
Voltando
ao nosso entrevistado, finda a azáfama de nove longos meses, Luis Costa está presentemente
menos activo em termos de presença em provas oficiais, mantendo-se em modo de
descompressão de uma época muito exigente mas também saborosa. Foi neste
intervalo, entre uma sessão de treinos e as exigências da sua desgastante profissão,
que deu uma longa entrevista ao Trendy
Wheels.
Tão
longa que a tenho de dividir por várias edições, começando, assim pelo balanço de
2017, época que o atleta luso considera ter sido “um grande ano. Estive nos lugares cimeiros em todas as competições
internacionais em que participei, batendo-me com os melhores do mundo nas provas
de categoria C1 da UCI, depois nos eventos da Taça do Mundo e, por último, no Campeonato
do Mundo da África do Sul, em Pietermaritzburg,” resumiu-nos.
Ele
que também acumula um palmarés invejável no paraciclismo nacional, colecionando
muitas vitórias na sua categoria (H5/Handbikes) e os correspondentes títulos. Um
conjunto de resultados “que valorizo
igualmente, apesar de continuar a ser o único atleta da minha classe. Encho-me
de orgulho pelo facto de, com eles, poder continuar a dinamizar a modalidade em
Portugal.”
Quatro pratas a abrir a temporada
À
semelhança dos anos anteriores, 2017 voltou a obrigá-lo a um exigente plano de
treinos, cuidadosamente elaborado pelo Professor
Gabriel Mendes, técnico da Federação Portuguesa de Ciclismo, e contando com
os préstimos do seu treinador José
Marques: “Diria que o José é o
orientador no terreno e o Gabriel é o génio matemático que desenvolve as ‘fórmulas’
que dão origem a campeões”, refere.
Tudo
começou em Abril com uma tripla deslocação a Itália, para duas Taças da Classe
1 e uma mais valiosa Taça do Mundo. No Contra-Relógio da Verola Paracycling Cup houve “num
misto de emoções: por um lado fiquei feliz pelo 2º lugar, a escassos 3 segundos do Tim de Vries, por
outro com um sabor amargo pela diferença final”. Já a Prova de Fundo pregou-lhe
um susto quando “sensivelmente a meio, a
pulsação disparou de um ritmo ‘normal’ (em esforço) de 160 batidas por minuto
para as 196 bpm, com uma ligeira dor no abdómen. Tendo em conta que o meu tecto
máximo é de 173 bpm e mesmo para lá chegar preciso fazer um esforço extremo,
prossegui em prova, em agonia mas sem desistir, alcançando nova prata, mas já a
3m29s do vencedor, uma eternidade em relação às expectativas, nomeadamente após
a prestação da véspera.”
“Uma semana depois corri a Brixia Paracycling Cup. Já recuperado,
lancei-me estrada fora no Contra-Relógio, obtendo o 2º tempo da minha classe (e
também da geral das handbikes) a apenas 35 segundos do Tim, resultado que me
deixou muito motivado, significando uma grande evolução da minha parte em
relação às épocas anteriores, onde perderia normalmente 1m30s ou mais neste
tipo de exercício”. Depois, na Prova em Linha, veio a 4ª medalha de prata do ano, uma
jornada“sem ataques frenéticos ou alterações
cardíacas anormais. Fui 2º, a 20 segundos do Tim, com um ritmo elevado (média
final acima de 35 km/h), controlando os meus restantes adversários, em especial
o francês Loïc Vergnaud que deixei a 4 minutos! Foram duas prestações que me
deixaram com óptimas expectativas para o que viria a seguir”.
Em meados de Maio viu-se, de novo, por terras italianas, em Maniago, para a primeira prova da Taça do Mundo, prova que o nosso
entrevistado resume como “24,3 km de
sofrimento, a dar tudo por tudo à procura de um lugar no top-5, algo muito
difícil quando se defronta os melhores do mundo”, acrescentando, logo
depois, uma nota de que “se fosse fácil
não servia para mim”!
Contando com uma grande ajuda no capítulo técnico da Joker 8, roda que a PROTOTYPE Racing Parts, uma das entidades que o apoia, lhe cedeu no ano passado, Luis Costa alcançou esse objectivo…
em dobro! Primeiro no Contra-Relógio, “prova
que fiz com o coração na boca e a levar com os berros do Seleccionador Nacional
que me seguia na viatura, e que me conseguiu ‘ressuscitar’ para terminar forte,
apesar do 4º lugar ter fugido por poucos segundos”. Mas também acabou logo à
frente do 6º e 7º, Alfredo de los Santos e Oscar Sanchez (dois paraciclistas do
Team USA), o último dos quais foi medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio. “Acho que isso diz tudo do nível a que se
andou nessa prova. E fazer 24 km com média final de 38 km/h, a ‘pedalar’ com os
bracinhos… experimentem!” Na prova em linha, a chegada foi feita ao sprint, com novo 5º lugar e o mesmo
tempo do vencedor, jornada em que na fase final “perdi uns metros preciosos que já não consegui recuperar. Faz parte.
Sempre a aprender.”
Taças por lá e por cá…
Mas seria na Taça do
Mundo de Ostende (Bélgica) que se deparou com o primeiro revés do ano: “Um dia teria que acontecer e foi nessa
prova que tive uma avaria mecânica - um dos cabos elétricos do sistema quebrou
- logo ao primeiro km do contra-relógio me fez ficar sem mudanças. Fiz os
restantes 14 km com a mudança que ficou engrenada, obrigando-me a ‘pedalar’ a
grande rotação, lutando contra o vento, sem que pudesse usar os carretos mais
leves. Desgastou-me até ao limite das minhas forças e Fiquei de rastos física e
psicologicamente, mas estes azares fazem parte da competição”, numa prova
onde foi, de novo, o 5º melhor.
Com o contributo de mecânicos
tugas improvisados e da equipa francesa Cofidis, que lhe dispensou um cabo
eléctrico novo, o problema ficou resolvido e na prova em linha lutou até ao
fim pela vitória, “em nova chegada ao
sprint onde fui 3º, com o mesmo tempo do vencedor. Fiquei super feliz com essa medalha
de bronze, a minha 5ª em Taças do Mundo [nota: obteve 4 de prata em 2016], pois foi conseguida defrontando quase
todos os melhores do mundo”, só aqui faltando à chamada o seu ídolo Zanardi.
“Percebemos como foi dura a batalha
quando comemoramos uma medalha de bronze como se fosse a de ouro,” acrescentou.
Dias depois estava já em Portugal para disputar
o 20º Prémio de Viana do Castelo, a sua
primeira prova da época em território nacional. “Venci a classe e fiquei satisfeito pelo
2º lugar da geral, numa chegada feita ao sprint com o vencedor, Johnny Marques,
da classe D (surdos). Fizemos juntos a quase totalidade da corrida, isolados
desde as primeiras voltas, mas as pernas dele foram mais fortes do que os meus
braços”.
Seguiu-se a primeira prova da Taça de Portugal em Águeda, em
meados de Junho, importante teste antes da ida até à
Holanda para o evento final da Taça do Mundo. Numa altura em que Portugal ardia
e provocou a tragédia conhecida de todos e que, infelizmente, ficará na
história, “a corrida fez-se sob um calor
intenso e com um céu encoberto pelo fumo dos incêndios, num percurso rápido mas
pouco adequado às handbikes”. A tarde começou com um furo ainda antes das
coisas aquecerem, para depois saltar a corrente em 18 das 20 voltas ao percurso,
sendo salvo pelo “bendito sistema
eléctrico que permite recuperar a corrente facilmente.”

Ficou, assim, concluída a primeira parte de um ano que viria
a ter um desfecho impressionante, com todos os condimentos de um episódio de
suspense, com sangue suor e (algumas) lágrimas. Aventuras já a desvendar já na
próxima edição.
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Imagens: Luis Costa, UCI/Andrew McFaden, Fotogliso, Planeta Ciclismo,
Vito Cartafalsa, Loredana Colombari, Paratee-Psylos/Setefan Nies, GP ABimota;
Quadros: UCI
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Cumprimentos
distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas,
decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas
aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.
quarta-feira, 18 de outubro de 2017
Segurança Volvo: Objectivo “Zero”
Se
há marca automóvel que associamos de imediato à palavra "segurança", essa referência é a Volvo. É uma aposta indissociável da
sua vida de nove décadas, seguindo duas máximas, hoje complementares: a
original, dos seus fundadores Assar Gabrielsson e Gustav Larson, quando
afirmavam que “Os automóveis são
conduzidos por pessoas. Por isso, tudo o que fizermos na Volvo deve contribuir,
antes de mais, para a sua segurança”, e outra mais recente, sublinhando a sua
visão “Safety Vision 2020” de que “Em 2020 ninguém deverá morrer ou
ficar ferido com gravidade num novo Volvo”.
Foi
com esta proposta de criação de um mundo ideal que o Trendy Wheels esteve presente numa Conferência de Imprensa realizada
no Centro de Formação da Volvo Car Portugal, em Porto Salvo (Oeiras), para uma
acção complementar a dezenas de outras que, no âmbito do 90º aniversário da
marca sueca, se têm realizado em todo o mundo, encabeçadas por quem vive e
percebe a temática da segurança, e que todos os dias é transposta para os seus
automóveis, como Lotta Jakobsson,
Responsável Técnica de Prevenção de Ferimentos em Acidentes, do Centro de
Segurança da Volvo em Gotemburgo, que esteve em Portugal para uma série de eventos.
Das
pesquisas iniciadas em 1970 neste domínio até ao presente, muito há a contar,
pois há elementos que hoje temos nos nossos automóveis – mesmo que não sejam da
Volvo e que, por vezes, nem nos demos conta que estão lá – e que foram criações
originais da marca, ao longo dos tempos. Falo do cinto de segurança de 3
pontos, invenção de 1959 de Nils Bohlin, com a particularidade dos direitos de
utilização terem sido cedidos a outras marcas, dos bancos de criança virados
para trás (1972), inspirados no posicionamento dos astronautas dentro das
cápsulas espaciais, ou a sonda lambda (1976) num primeiro e enorme contributo
para o ambiente com a redução de emissões de gases poluentes.
Mas
também dos sistemas de protecção aos impactos laterais (1991) e do pescoço
(1998), mitigando o denominado “efeito chicote” nas batidas de frente ou
traseiras, os airbags de cortina
(1998), sistemas de protecção em caso de capotamento (2002) e de informação do
ângulo morto (2003), passando pelo City Safety (2008), de mitigação das
pequenas colisões em cidade e de protecção de peões (2010), mais a protecção de
ocupantes em caso de despiste (2014), entre dezenas de outros mais recentes
conteúdos do pacote Connected Safety (2016) ou mesmo o sistema Pilot Assist,
embrião dos passos da Volvo com vista à condução autónoma.
Do ovo aos
mais recentes dummies
Muitos
dos conteúdos acima resultam de enormes investimentos feitos nas instalações
onde se realizam e analisam os resultados dos testes de impacto, processos cada
vez mais complexos que permitem, a cada dia, aproximarem-se desses ambiciosos
objectivos de zero mortes e zero ferimentos graves a bordo de um Volvo. Se
inicialmente até se recorria a um simples ovo, hoje são usados avançados dummies, recriações do ser humano que se aproximam, em muito, de
parte significativa da sua estrutura, usados nas centenas de crash-tests, de todo o tipo, aplicando-se os resultados obtidos no desenvolvimento de todo um conjunto de novas soluções, depois integradas nos modelos
que vão sendo lançados no mercado.
Com
quase 3 décadas de experiência acumulada na investigação e desenvolvimento em
segurança automóvel, Lotta Jakobbson explicou em detalhe o significado e as
várias fases do denominado “Circle of
Life” que a Volvo Cars utiliza nessa análise e desenvolvimento de soluções.
“Com uma base de dados estatística de
acidentes recolhidos pela Equipa de Pesquisa de Acidentes Rodoviários da Volvo,
abrangendo mais de 39.000 veículos e 65.000 passageiros, o ‘Circle of Life’
começa pela fase de análise de dados reais”, explica. “Em seguida, os requerimentos de segurança e desenvolvimento de produto
incorporam os dados provenientes desta análise prévia, com vista à sua inclusão
na fase de produção dos protótipos, a que se seguem as fases de verificação
constante e, no final, a entrada em produção dos veículos que comercializamos”.
Para
Lotta Jakobsson, “o compromisso da marca
sueca com a segurança está bem vivo e os novos modelos são disso exemplo,
mantendo-se inalterada a filosofia dos nossos fundadores, o foco nas pessoas e em
como tornar as suas vidas mais fáceis e mais seguras. Pretendemos, pelo ano de
2020 atingir a nossa Safety Vision, para que ninguém perca a vida ou fique
gravemente ferido num novo Volvo”.
Um
exemplo de como a Volvo quer que todos olhemos para a vida, com as alegrias que
ela nos pode proporcionar e o brilhante futuro que poderemos ter pela frente, é
ilustrado no vídeo “Moments”, no qual
se sublinha a enorme importância daquele momento que nunca acontece! Mais do
que as palavras, as imagens falam por si.
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Imagens: Volvo Cars |
Cumprimentos
distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas,
decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas
aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.
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