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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Um ritmo que agora é Bio

Segunda parte da entrevista a Elisabete Jacinto, com a apresentação da formação Team Bio-Ritmo/MAN, que prepara a sua nova temporada de competições. Despindo as cores da Oleoban, que nos habituámos a ver atravessar os grandes desertos e outras paisagens mais densas, a (re)nova(da) equipa conta, a partir de agora, com um boost adicional de energia, inerente à marca Bio-Ritmo que passa a ser a sua imagem.


“É, de facto, uma enorme mudança de imagem. Muitas pessoas estarão à espera de ver o camião azul com o logo Oleoban, contudo, mudámos de cor e agora é o vermelho da marca Bio-Ritmo que predomina, um suplemento alimentar vocacionado para dar mais energia e ajudar a diminuir o cansaço e o stresse. Não se dirige apenas a desportistas e estudantes mas a todos aqueles que têm uma vida activa e que, por vezes, precisam de uma pequena ajuda para estar melhor em termos físicos e psíquicos,” explica a multifacetada piloto e também embaixadora da marca, sublinhando os princípios de energia, vigor e vitalidade inerente à sua exigente profissão

Ao seu lado no MAN TGS agora pintado num bem visível e energético vermelho vivo, a piloto conta com os préstimos dos seus dois co-pilotos José Teixeira e Marco Cochicho, este último com um maior grau de especialização mecânica. As provas contam com o apoio de outro MAN, o “Kat” de assistência, que intervém com peças de substituição ou nas situações mais complicadas, seguindo a bordo os mecânicos Hélder Anjos e Pedro Azevedo, numa equipa cuja coordenação no terreno é feita pelo experiente Jorge Gil.


Em termos de competição, ultimam-se os preparativos para que o Team Bio-Ritmo/MAN abrace a edição 2017 do Africa Eco Race, maratona a disputar no Norte de África de 2 a 14 de Janeiro próximo. Será a grande prova de fogo e espelho dos resultados do árduo trabalho que se tem vindo a desenvolver.

“O Africa Race é a prova mais longa e mais difícil de todo o calendário desportivo de todo-o-terreno. É natural que seja para mim um grande desafio e um sonho vencê-la. Sei que já atingi um bom nível tanto como piloto como em termos de trabalho de equipa, contudo, só quando se ganha é que se dá provas dessa qualidade,” refere, esperançada em obter um ainda melhor resultado final, depois dos excelentes registos dos últimos anos. Em sete participações conta, entre outros resultados, com dois 2ºs lugares na categoria “Camião” (em 2011 e 2012) e três 3ºs, tendo no ano de 2012 alcançado a sua melhor classificação absoluta na prova, com um brilhante 4º lugar à geral, sendo apenas batida por outro camião e dois jipes.


É do Mónaco que é dada a partida oficial da prova, já no dia 31 de Dezembro, seguindo-se o embarque de pilotos e viaturas para Nador (Marrocos). Terminados os festejos da entrada no novo ano de 2017, feitos em plena travessia do Mediterrâneo, o Team Bio-Ritmo/MAN terá pela frente 13 dias de intensa competição, conduzindo o MAN vermelho através das longas extensões de areia e dunas, atravessando de norte para sul Marrocos, a Mauritânia, apontando-se ao Lac Rose (Dakar), terminus da prova em terras senegalesas! Espera-se que de novo em grande festa para as cores lusas!

“Sei que o meu sonho não é fácil de realizar mas também sei que não há sonhos impossíveis. Esta é a minha meta e é para ela que trabalho!” afirma, convicta de não conhecer barreiras e com uma enorme capacidade de superação para ultrapassar as situações mais difíceis.

Poderá acompanhar o Africa Eco Race pelo seu Facebook ou no site da equipa.


imagens: AIFA/Jorge Cunha

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes; 
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A guerreira dos desertos

Era uma vez… é assim que começam as histórias, todas as histórias, como a da convidada de hoje do Trendy Wheels. Chama-se Elisabete Jacinto e é uma guerreira que, cavalgando num monstro do deserto, ganhou o seu estatuto e mesmo aclamação entre os seus pares – maioritariamente do sexo masculino – na actividade que abraçou e que ama como poucas mulheres no mundo actual: a de piloto de corridas de camiões!

Piloto profissional, vive e respira os ares dos desertos, quase chamando de casa ao Norte de África. Atravessou-o várias vezes de moto antes do virar do século, altura em que decidiu duplicar o número de rodas e passar a fazê-lo de camião. Define-se como “empenhada, concentrada e ambiciosa”, e move-a a vontade de atingir o topo na carreira desportiva. É o sonho de qualquer desportista, ganhar!”, referiu nesta entrevista.

Assente num já vasto currículo desportivo, com múltiplos resultados e títulos obtidos nas grandes provas de todo-o-terreno internacional, foi a partir do ano 2000 e aos 36 anos que decidiu apontar mais alto, mantendo sempre o deserto como palco de excelência. A ascensão ao patamar dos pesos-pesados das areias fez-se num pulo, passando a partir daí a conduzir camiões de grande envergadura e potência (Mercedes-Benz, Renault e, a partir de 2006, os MAN), com os quais juntou múltiplos troféus à sua já vasta vitrina de prémios.

“A  competição em camião ou em moto são realidades diferentes. As necessidades são diferentes assim como o ambiente e até a atitude com que encaramos uma prova. O único elemento comum acaba por ser o terreno por onde se passa,” explicou. “O primeiro ano em que participei de camião tive muitas dificuldades mas depois aprendi e adaptei-me. O camião não é, ao contrário do que muita gente pensa, um carro grande. Tem aspectos muito específicos e tem de se aprender a estar com ele em competição. É um veículo extremamente difícil, grande e pesado, pelo que temos de ser perfeitos na condução, caso contrário as consequências podem ser imprevisíveis.”

Organizada e apostando num bom plano de trabalho, é responsável por funções que vão para além da condução, “tarefas que permitem que a equipa funcione da melhor forma possível.” Hoje, aos 52 anos, mantém um ritmo quase frenético, dividindo-se por inúmeras acções de promoção e de condução, nomeadamente com dias a fio e deserto a dentro, ao volante do seu MAN TGS de quase 10 toneladas e com mais de 800 cavalos de potência. Este teve, até aqui, tons de azul-bebé (as cores da marca Oleoban), num companheiro de aventuras que a elevou a um estatuto nunca antes assumido por nenhuma mulher portuguesa, em provas tão diferentes como as bajas de Aragon (Espanha), Tunísia, Marrocos e, muito em especial, na exigente Eco Africa Race.





“Há um grande entusiasmo e prazer na condução. É um desafio constante. O tempo passa depressa quando vou pelo deserto fora. Depois há o cansaço que é o nosso grande companheiro. As etapas são sempre muito longas e o camião não pára de sacudir. Finalmente temos o desafio da competição, a vontade de ir sempre mais rápido e de conduzir cada vez melhor e de não perder tempo em sítio nenhum. Tudo isto é uma mistura explosiva”, explica.

Um mundo para além dos camiões
Licenciada em Geografia, com uma pós-graduação em ensino (sem o praticar), Elisabete Jacinto é, também, co-autora de manuais escolares, sendo convidada para encontros em escolas, universidades e empresas, ali abordando temas relacionados com o desporto, empreendedorismo, trabalho de equipa e gestão de risco. Conta ainda com diversas distinções, a mais importante das quais a de “Oficial da Ordem do Mérito”, atribuída em 1999 pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio.


Também já publicou livros de aventuras relacionadas com esta sua actividade de piloto profissional, destacando-se os dois volumes da banda desenhada “Os Portugas no Dakar”, onde retratou as experiências das suas primeiras participações em motos no antigo Rali Paris/Dakar, nos tempos em que este este ligava as capitais francesa e senegalesa. O texto é seu e os desenhos de Luis Pinto Coelho, num conjunto humorístico de raro efeito. Em 2010 publicou o seu primeiro livro de aventuras, relato das suas histórias sob o título de “Irina no Master Rali”, e dois anos depois, um álbum comemorativo intitulado “100 Imagens - Elisabete Jacinto - 10 anos em Camião”, ilustrando a sua carreira desportiva neste tipo de veículos, com imagens recolhidas in loco pelo fotógrafo Jorge Cunha, responsável pela agência AIFA, incluindo as que ilustram este texto. 

À pergunta “Gostaria de repetir a experiência?”, Elisabete Jacinto responde com um taxativo “sim, gostava muito de o fazer. Tenho imensas histórias para contar. O problema está que não o consigo fazer sozinha pois não tenho a mínima vocação para desenhar. De qualquer forma, tenho em agenda contar as nossas histórias caricatas enquanto equipa Oleoban mas apenas sob a forma de texto. O problema está em que o tempo nunca é suficiente”.

Imagens: AIFA/Jorge Cunha
Quanto ao futuro imediato há outras novidades para contar, mas terá de esperar pela 2ª parte desta entrevista, a publicar em vésperas da sua próxima aventura, o Africa Eco Race, maratona que, na primeira quinzena de Janeiro, a levará de novo até ao Norte de África!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.