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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Viagem em formato XXS

A imaginação de Tatsuya Tanaka não parecer ter limites, já que o híper-criativo japonês não para de surpreender o mundo, a todo e cada dia, com as mais (ir)reais recriações de situações do quotidiano. Recorrendo a peças em tamanho real e miniaturas dos mais diversos objectos e pessoas, alimenta o seu “Miniature Calendar” com as fotos resultantes dessas composições, num interminável processo que, como qualquer calendário que se preze, tem uma diferente referência todos os dias.


Já em Março último me havia referido ao mesmo, na peça Calendário em Miniatura, ali mostrando algumas das recriações em que o mesmo recorreu a temas do mundo das rodas, sendo que, desde então, têm sido publicadas muitas mais nas plataformas dedicadas.
Tendo em conta o potencial da coisa e atentando à importância do mercado nipónico, fortemente assente nos modelos das marcas locais, a Volkswagen Japão associou-se a Tanaka, pedindo-lhe para criar uma viagem até ao Salão de Tóquio, onde a marca japonesa apresentou, entretanto, as suas mais recentes novidades. Tendo como base um VW Carocha original, o imaginativo fotógrafo recriou, ao longo de 12 dias, o percurso desse modelo até ao certame nipónico, levando-o a atravessar campos, praias e cidade, ilustrando um sem número de situações que, na maioria dos casos, até nem nos são nada estranhas!

Sob o nome de "Miniature Drive", criou-se, assim, todo um mundo de faz-de-conta em que livros e teclados de computador são prédios, canetas e palhinhas retratam candeeiros de rua, roupa e lãs formam o relevo campestre, alimentos e embalagens recriam parques de diversões, edifícios e outras realidades. Pode ver tudo isso nas fotos que ilustram este artigo e ainda um mini-filme dos preparativos para uma dessas sessões, clicando aqui.



Se quiser saber mais sobre este a criatividade deste fotógrafo de miniaturas nascido em Kumamoto, em 1981, autor destas composições e perspectivas únicas sobre coisas normais do nosso quotidiano, siga-o no Facebook e no portal dedicado Miniature Calendar.
É caso para dizer que, mesmo que não se entenda uma palavra que seja de japonês, as imagens falam por si!
Imagens: Miniature Calendar/Tatsuya Tanaka

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Madeira, esse material tão versátil

Esculturas em madeira! Há quem as faça em pequenas peças de bijuteria, enquanto outros recriam monumentos, animais, famosos, em modo busto ou corpo inteiro – enfim! – um sem número de peças nessa dádiva da natureza cada vez mais rara no nosso país, ultimamente reduzida a cinzas sem que nada aconteça. Ano após ano, os muitos interesses instalados do chamado “negócio do fogo” continuam a ser muito maiores do que tudo o resto, mesmo que pelo caminho se devastem ou ceifem vidas inteiras, sem qualquer tipo de respeito, mostrando-se todos depois tão solidários e prontos a prestar a sua (pseudo) ajuda.

Passada esta espécie de desabafo do estado de uma alma lusa, quase tão negra como as nossas aldeias e zonas outrora verdes, vamos tentar ver o outro lado do uso da madeira, numa forma de arte com cores bastante mais alegres e com a assinatura de um nome grande, Michel Robillard. Hábil marceneiro francês dedica-se, desde tenra idade – algures pelos seus 14 anos – a dar corpo a peças de índole diversa, cruzando-se não raras vezes com o mundo das rodas.
Há muito tinha um grande sonho, de tornar a sua paixão entre os automóveis – o Citroën 2CV – num dos seus projectos. Mas não que quisesse fazer uma simples e detalhada miniatura a uma qualquer escala desse ícone da indústria, nada disso, quis sim fazer um exemplar em tamanho real e que, de preferência, se pudesse deslocar pelos seus próprios meios.
Imagens: Citroën Origins / Maquettes tous en Bois Fruitier

Robillard lançou-se, assim, no projecto “2CV en Bois”, de seis longos anos mas recentemente completado, envolvendo a criação em madeiras nobres de uma versão de 1953 do modelo. Assente num robusto chassis de um Dyane de 1966 – tudo porque a madeira é um material mais pesado do que a chapa – as madeiras usadas têm uma particularidade: são todas árvores de fruto, da “pereira para a estrutura, à macieira para o capot, nogueira para as cavas das rodas e volante, ou cerejeira para as portas e tampa da mala, para além do ulmeiro para o painel de instrumentos,” descreve, com indisfarçável orgulho, a sua obra de arte.
Tido como perfeccionista, é enorme o detalhe dado ao conceito onde, e a título de exemplo, só o capot se compõe de 22 secções, num aturado processo criativo em que usou dezenas de ferramentas de carpintaria e outras de recurso, também usadas para a concepção dos bancos, entretanto suavizados com confortáveis zonas almofadadas. Não contente com isso equipou o seu 2CV com um motor de 602 cc, jantes e pneus de origem, tal como o são os faróis, os piscas ou os inigualáveis puxadores das portas.
“Quis fazer um objecto que perdurasse no tempo muito para além de mim próprio”, reforçou, num projecto que mereceu o apoio da própria Citroën que, muito recentemente, colocou a criação de Robillard no seu Museu Virtual online Citroën Origins.  


Uma vida de dedicação
É impressionante o detalhe dado a este “2CV em Madeira”, espelho em tamanho real de diversos outros exemplares que realizou e tem expostos no seu atelier e que, não raramente, se vêem levados até às mais diversas mostras realizadas por terras de França e além-fronteiras, contribuindo, no seu conjunto, para a igualmente grande galeria de troféus.

Não raras vezes, este autêntico ourives da madeira compra modelos à escala no mercado tradicional, analisando depois com paciência de chinês o seu processo de montagem. “Para cada modelo parto de uma maquete em metal ou aço, à escala de 1:18 ou 1:43. Monto-a e, de seguida, faço os meus cálculos para as cotas que necessito e refaço-os à escala, em madeira, sendo que a minha única preocupação é trabalhá-los nos limites desse material”. Nasceram, assim e entre outros, exemplares vários do seu amado 2CV, bem como um Renault 4 CV, um Volkswagen Carocha e um Bugatti Royale, todos à escala de 1:10, “cada um deles envolvendo não menos do que 500 a 600 horas de trabalho, variável caso a caso,” acrescentando que várias das peças que os integram “necessitam de um ou mais dias inteiros de trabalho!”





Recriou, também, outros exemplares sobre rodas, como um Ferrari de F1 de Michael Schumacher, ou uma moto Harley Davidson com sidecar, esta com mais de 500 horas de concepção, com uma precisão ao detalhe tal que os raios das jantes têm apenas 20 milímetros, modelo que lhe valeu uma medalha de ouro no “Mondial de la Maquette” de 2004, realizada nos pavilhões da Porte de Versailles, em Paris.
Destaque ainda para um avião Canadaire CL-415, da Protecção Civil Francesa, ou “um camião americano de desempanagem com mais de 1.000 peças – 150 delas só para o motor – onde tudo funciona, das rodas que viram junto com o volante, até às portas que se abrem”. Demorou mais de 1 ano a dá-lo como acabado. 

Imagens: Maquettes tous en Bois Fruitier

Se quiser ver mais em pormenor estes e outros exemplares clique aqui ou assista a este pequeno vídeo, onde, na primeira pessoa, Michel Roubillard demonstra os detalhes de alguns exemplares.

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Uma estrela no futebol

Os estádios de futebol são, na grande maioria das vezes, a imagem da essência do próprio clube que representam, seja pelas cores e pela construção, como pelas mensagens associadas, mais ou menos visíveis a olho nu. Se, no âmbito do Euro 2004, Portugal viu nascer um conjunto de novos palcos para o denominado Desporto-Rei, envolvendo múltiplos milhões de euros, hoje diferentemente rentabilizados, outros países, no âmbito das provas internacionais entretanto neles realizadas, também vêem surgir novos estádios, para gáudio dos fervorosos adeptos.

Um dos mais recentes exemplos da megalomania clubística surgiu em Atlanta (EUA), com a inauguração, no passado dia 26 de Agosto, do Mercedes-Benz Stadium, uma mega-estrutura que é agora casa do Atlanta Falcons, equipa de futebol norte-americano da NFL, e do Atlanta United FC, formação de futebol mais tradicional, que do lado de lá do Atlântico é mais conhecido como soccer.
Com um custo estimado de 1.250 milhões de euros, a palavra de ordem neste espaço multi-eventos é “tecnologia”, nomeadamente na concepção e operação do seu tecto retráctil que, uma vez fechado, apresenta, a quem o vê dos ares, a estrela de 3 pontas da marca alemã. Composto por 8 painéis móveis, com um peso de 500 toneladas cada, demora entre 9 a 12 minutos a abrir (ou a fechar). Integra, no seu rebordo interior, um dos maiores ecrãs de vídeo do mundo do desporto, em forma de halo, ocupando uma área de cerca de 6.000 metros quadrados! Mas, melhor do que as palavras, são as imagens:

Outra característica única do novo estádio é a estátua que recebe os visitantes na porta principal, a maior escultura de uma ave do mundo. Criação do artista húngaro GaborMiklos Szoke, o assustador e imponente falcão surge pousado sobre uma bola de futebol americano feita em bronze, parecendo protegê-la com as suas poderosas garras. A estrutura tem 12,5 metros de altura e as suas asas uma envergadura de 20,7 metros, naquilo que os especialistas consideram uma maravilha da engenharia, considerando que o conjunto envolve nada menos do que 33 toneladas de aço! Se quiser ver o processo de montagem em 3D desta obra de arte clique aqui.
Caso o clube do seu coração tenha um qualquer bichinho como mascote partilhe este texto com o mesmo. Quem sabe não se inspiram e, um dia – assim haja orçamento para tal – nasça uma águia e/ou um leão ali prós lados da Segunda Circular, um dragão a norte ou outros espécimes algures pelo nosso Portugal.
Imagens: Atlanta Falcons/Mercedes-Benz Stadium

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José Pinheiro
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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Um muro de viagens & sonhos

Numa altura em que a concorrência aperta cada vez mais, nomeadamente pelo esmagamento de preços por parte dos operadores low cost, as principais companhias aéreas do planeta dividem-se em esforços para conquistar as diferentes franjas de mercado, que levem a que os potenciais passageiros escolham os seus aviões. A norte-americana Delta é uma dela, apostando em curiosas promoções dos locais para onde voa regularmente.

A mais recente criação é um enorme muro, que faz esquina entre a duas avenidas – a North 10th Street e a Wythe Avenue – duas ruas da zona de Williamsburg, em Brooklyn, e que, de uma noite para a outra, mudou totalmente de roupagem, apresentando aos transeuntes uma curiosa interpretação de nada mais do que 133 referências que se usam para identificar os diferentes aeroportos internacionais onde faz escala, numa extensa lista que até inclui o “LIS” atribuído à nossa capital. Mais do que as palavras, ficam as imagens desta criação da agência Wieden + Kennedy New York, com uma mãozinha na pintura da Colossal Media e com recurso à criatividade do artista Celyn Brazier.

Já agora, no que se refere ao desenho do código nacional, se o “L” e o “I” são mais imediatos, ilustrando, respectivamente, a Torre de Belém e o Castelo de S. Jorge, já o “S” é de mais difícil interpretação, embora retrate uma pessoa a curtir a noite alfacinha, envolvido por diferentes notas musicais (supõe-se que do Fado ou dos inúmeros espaços de diversão nocturna).
Os restantes também são compostos por pormenores dos vários destinos para onde os aviões daquela operadora voam a partir da cidade de Nova Iorque, pelo que se quiser entreter – do tipo passatempo de férias – tente identificá-los. Para facilitar, até pode fazê-lo por aqui, um link criado para o inerente merchandsing entretanto criado, com t-shirts, canecas, bonés, identificadores de bagagem ou quadros com cada um dos diferentes 133 códigos, de Lisboa a qualquer outro aeroporto.

Esta é a segunda aposta da Delta neste muro de destinos, depois de uns meses antes ter criado um outro conceito em que as pessoas até faziam selfies junto a imagens de diferentes cidades, publicando-as depois nas redes sociais, enquadrando-se nas mesmas como se lá estivessem estado! Outra acção fez-se em Los Angeles, expondo pela cidade exemplares da streetart mundial, nela convidando os habitantes a viajar para ver os originais. Imaginação parece não faltar para aqueles lados.

Imagens: Delta e Zazzle

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José Pinheiro
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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Pete Eckert: Um turista no mundo da visão

São 5 os sentidos que o ser humano foi dotado, se bem que – é comum dizer-se – algumas pessoas conseguiram desenvolver um extra, uma capacidade adicional de antecipar determinadas situações. Mas… e se um deles falhar?

É algo com que a maioria não se preocupa, pois, como em tantas outras coisas na vida, segue-se a filosofia do “isso só acontece aos outros” e claro que não se pensa que nos pode suceder isto ou aquilo, pois isso não é viver. Devemos antes aproveitá-la ao máximo, tirando partido do que temos.
Vem isto a propósito de Pete Eckert, fotógrafo profissional que é… invisual! Isso mesmo, um dos seus sentidos falhou-lhe por completo, fruto de uma Retinitis Pigmentosa, doença degenerativa que leva à completa cegueira, sendo presentemente incurável! Imagine-se – se é que se consegue... – o que é para alguém formado em escultura e desenho industrial, cujo sonho era estudar arquitectura em Yale, ser-lhe dito de que a situação era real, galopante e irreversível.
Diagnosticado com a dita e após alguns anos de luta psicológica, Eckert veio a dedicar-se a algo impensável para a maioria: a fotografia! Ajudado pela sua mulher Amy e por um novo amigo, Uzu, um cão-guia que se revelou precioso não só como companheiro, mas também como protector. Com uma enorme dose de empenho na vontade de aprender cada vez mais, o alemão tornou-se num conceituado profissional, apesar desta sua condição.

Imagens: Volkswagen

O mais recente exemplo do seu trabalho chega pelas mãos da Volkswagen, marca que acaba de lançar o Arteon, o seu novo coupé de 4 portas. A sua nomenclatura divide-se entre “Art” (a arte das suas linhas harmoniosas e a emoção gerada) e “eon”, inerente ao posicionamento premium do modelo, ou seja, tudo o que Eckert precisava para criar mais um conjunto de imagens imortais.

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Motores no corpo humano

Primeiro foram os reality shows, com o “Big Brother” à cabeça, a colocarem grupos de desconhecidos numa casa, seguindo-se as variantes com os mais in & out da nossa praça, com doses variáveis de hot & spicy. Daí saltou-se para os concursos, da culinária à moda ou dança, sobreviventes em ilhas paradisíacas ou ex-casais, com mais ou menos trapinhos e com algum (muito) álcool à mistura, entre outras temáticas. A génese é semelhante, obrigando-se um grupo a viver 24 horas num espaço único e longe dos seus, expondo as suas capacidades – ou falta delas – aos mais variados níveis, com todo o stress inerente a essas (ir)realidades.
Imagem: Tiago Neves/CarZoom
Um dos conceitos ainda não importado para o nosso burgo – será uma questão de tempo… – é o das tatuagens, vertente com crescente número de adeptos, sendo o norte-americano "Ink Master" a sensação do momento. Vai já na sua 9ª temporada, mas foi a 8ª que acabou de ser exibida na nossa TV, nos canais alternativos da SIC, opondo duas equipas comandadas pelos pros do tema Chris Nuñez e Oliver Peck, com Dave Navarro no papel de moderador da luta, cabendo-lhe o claim no final de cada desafio de múltiplas horas: "Time's up! Machines down! No more ink!"
São centenas os desenhos e tattoos que têm sido feitos ao longo da série, nos diferentes estilos e tendências, por um conjunto de concorrentes carregadinhos de tinta, com graus de personalidade variável e distribuindo recorrentes arvalhadas, liminarmente disfarçadas com os respectivos “piiiiiiiiiiiiiiis”, como se não houvesse amanhã.
Imagens: Spike/Ink Master (1 a 3) e Inked (4)
Claro que já houve vários exemplares dos mundos dos motores e das rodas, destacando-se a criação que deu a vitória a Ryan Ashley nessa temporada 8, reproduzida ao longo de 24 horas, divididas por quatro sessões, no peito de um petrolhead voluntário que ganhou, assim, uma enorme e fantástica tattoo de borla! Com um trabalho que não era, de todo, a sua praia – um desenho da categoria “New School / Anos 90", com hotrods e montes de cor e de cromados – a jovem norte-americana deitou por terra as esperanças do porto-riquenho Gian Karle, seu rival na Grande Final da temporada “Peck vs Nuñez”, numa árdua tarefa que lhe havia sido exigida por Kelly Doty, a terceira finalista desta edição. 

Árdua mas não impossível, como o comprova a imagem mais à esquerda (foto acima). Primeira mulher a ostentar o título de “Ink Master”, Ryan levou para casa um prémio de 100.000 dólares e um automóvel Dodge Charger, teve direito a uma crónica (e correspondente capa) numa edição – foi a de Abril último – da conceituada revista Inked (foto acima, imagem mais à direita) e uma colaboração numa das tattoo-shops de um dos dois jurados do programa! Conheça-a e a parte do seu trabalho neste vídeo.
Imagens: Spike/Ink Master

Tatuar um automóvel com… 1.000 marcadores!
Entre os conteúdos auto usados ao longo das temporadas do “Ink Master”, os protagonistas e candidatos ao título supremo não se limitam a usar as suas tintas e maquinas de tatuar, longe disso! Electricidade, fita de fechar caixotes, tijolos e blocos de gelo, tudo serve para avaliar a sua alma criativa e demais capacidades, contribuindo, ou não, para a sua escalada rumo ao título.
Imagem: Spike/Ink Master
Até mesmo… marcadores de tinta permanente! Isso mesmo, foi num episódio em que os então sobreviventes do “Team Peck” e do “Team Nuñez”, ainda em jogo, tiveram de tatuar… um automóvel! Foram-lhes dadas 6 horas, liberdade de expressão – associada ao modelo em questão – e nada menos do que 1000 marcadores para a decoração de dois Dodge Charger. O resultado foi este:

Petrolheads lusos
Por cá a criatividade em torno das máquinas, motores, rodas e velocidade também é uma realidade, sendo muitos - entre amigos e (des)conhecidos - os que ostentam no corpo algo que, de algum modo lhes alimenta o ego, numa temática quase infindável.
Imagem: Tiago Neves/CarZoom (1, 2 e 9) Tattoos.pt (3 a 8, 10 e 11) 


Depois, dependendo da parte do corpo a que se destinam e do número de sessões necessárias, fruto da dimensão, detalhe, cor (do preto/cinza ao branco ou a tons mais ou menos saturados) e o variável profissionalismo dos mestres desta arte do corpo, há um equivalente custo associado, indo de uns quantos euros até alguns milhares. Como em tudo na vida!
Imagem: Spike/Ink Master


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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Uma sex-symbol em Paris

Pois… até pode parecer um título de uma revista cor-de-rosa, das que andam a toda a hora atrás das pessoas, mesmo dos que já não estão entre nós, mas não é nada disso. É só um alerta, caso seja amante de arte e nomeadamente da fotografia, que, a partir do próximo dia 8 de Junho, Marilyn Monroe irá estar em Paris.

É ela a estrela maior de uma exposição denominada “La Dernière Séance”, numa mostra de 59 imagens deste ícone americano, na intimidade da sua última sessão de fotos, realizada apenas um mês antes da sua morte, captadas pelas lentes do célebre fotógrafo Bert Stern para a revista Vogue. A exposição terá lugar nas instalações do DS WORLD PARIS, bem no centro de Paris, edifício propriedade da marca francesa DS Automobiles e que é habitualmente residência dos mais variados eventos, marcadamente de cariz cultural, mergulhando o visitante num universo de glamour, da natureza e da emoção.
Marca automóvel francesa conhecida pelo requinte e pela essência dos seus produtos, a DS associa-se a esta mostra “Marilyn, La Dernière Séance”, que ilustra a relação particular que a actriz teve, desde sempre, com a fotografia e os fotógrafos e que, de certo modo, contribuiu para definir o mito que muitos conhecemos, um ícone cultural e sex-symbol por excelência, mulher muito à frente do seu tempo, tendo feito evoluir significativamente a imagem feminina.
Captadas há 55 anos, em 1962, o seu conjunto é o resultado de um convite de Bert Stern a que, contra todas as expectativas, Marilyn Monroe disse “sim”. Ao longo de dois dias e uma noite, a actriz rendeu-se, pela última vez, às objetivas de um fotógrafo, notável sessão fotográfica hoje conhecida como “La Dernière Séance”.
Imagens: DS Automobiles/©The Bert Stern Trust, Courtesy Staley-Wise Gallery New York

Acrescente-se que aquele espaço já foi palco das mais variadas actividades nomeadamente fotográficas, como as exposição “Les Parisiennes en DS» do artista Baudouin, ou “Yves Saint Laurent, dans l’intimité du créateur”, de Pierre e Alexandra Boulat,
Caso planeie uma ida à capital francesa e este tema possa fazer parte do seu roteiro, deixo algumas informações adicionais. A morada do DS WORLD PARIS, no nº 33 da rue François 1er, Paris 8e; o período da mostra, que vai de 8 de Junho a 6 de Janeiro; os horários, das 10h00 às 19h30 de 2ª a Sábado; e o modo mais fácil para lá chegar, via Métro, saindo nas estações Franklin Roosevelt (linhas 1 e 9), Alma Marceau (9) ou George V (1). Ah, sim, a entrada é livre. Boa viagem!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Jogos de luz e sombra

“YET” (CONTUDO) é o nome da mais recente filosofia da Lexus e que sublinha a exposição “LEXUS YET” que esteve em destaque no “Salone Del Mobile 2017” (por cá refere-se à “Semana de Design de Milão”). Desenvolvida em parceria com Neri Oxman, arquitecta, designer e professora, mas também responsável pelo MIT Media Lab, e o Grupo Mediated Matter, o seu elemento principal assume-se como uma instalação multidimensional imersiva de luz e sombra.


Trata-se de um novo exemplo de como a indústria automóvel se envolve noutros domínios que não só os das rodas, mostrando a sua polivalência, como a dos seus próprios designers. Abre, ao mesmo tempo, portas a que outros profissionais especializados e, muitas vezes, desconhecidos, apresentem os seus próprios conceitos.
Andando nestas lides há vários anos e nos últimos 10 estando ligada ao evento milanês, a Lexus expôs este ano a sua nova filosofia que pretende quebrar as fronteiras da criatividade através da fusão de elementos, à partida, incompatíveis, como a “natureza” e a “tecnologia”, segundo o seu lema “Não comprometa, harmonize”, revelando possibilidades para além da imaginação.


Grande Prémio para o projecto “PIXEL”
Pelo 5º ano consecutivo, a sua estrutura serviu de inspiração a uma acção direcionada a designers de todo o mundo, convidados a dar a sua interpretação à filosofia “YET”. De um total de 1.152 candidaturas ao galardão “Lexus Design Award 2017”, provenientes de 63 países, a marca japonesa escolheu 12 finalistas, expondo as suas criações ao público que visitou o Museu de Design e Arte, em Parco Sempione, no centro da capital italiana do móvel e do design, num certame que decorreu entre 4 e 9 de Abril.


Mas como vencedor só há um, o Grande Prémio foi para o conceito “PIXEL”, do japonês Hitoto Yoshizoe, aparelho que permite experimentar a existência de Luz e Sombra – os tais dois conceitos diametralmente opostos – com total consciência.
Recorrendo à combinação de um conjunto de palas, criou-se uma gama de efeitos Luz e Sombra, em que a repetição interna do reflexo transforma a maioria das imagens em quadrados, convertendo estes dois elementos antagónicos num formato claro e responsivo que permite viver plenamente o fenómeno.
Trabalhando na fronteira entre estes dois contrastes, o autor pretendeu chegar ao espectador de uma forma única, provando que os extremos se tocam, com Luz e Sombra, dentro e fora, de um lado e de outro, funcionando a tela existente entre os dois opostos como um instrumento que divide, transforma e liga… em simultâneo.
“O Lexus Design Award apresenta sempre várias questões fascinantes que atraem jovens designers, indo de encontro ao que eles consideram ser os desafios e oportunidades mais importantes para o design do presente,” explica Alice Rawsthorn, júri do Lexus Design Award 2017 e crítica de arte.
Resta dizer que Hiroto Yoshizoe é formado pela Musashino Art University, vivendo em Tóquio, onde trabalha na área de Direção de Arte e Design como designer espacial dedicado a instalações comerciais. Concentra-se na interpretação de conceitos como mudança, movimento e tempo no espaço, para criar abordagens modernas e analógicas. Saiba mais sobre o projecto PIXEL.
Imagens: Lexus, MIT Media Lab, Grupo Mediated Matter

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Cidade cinética

Há a expressão ir brincar com carrinhos, em que os miúdos agarram numas quantas miniaturas e vão fazer corridas ou até montar uma pequena pista, e depois há a coisa levada ao extremo, quando alguém se propõe construir uma cidade e colocar várias centenas de pequenos carrinhos a circular no seu interior. Como no projecto “Metropolis II”, do artista plástico Chris Burden.
Imagem: LACMA

Não é, de facto, um brinquedo esta escultura cinética intensa que retrata a azáfama do caótico trânsito de uma grande urbe, composta por um conjunto de vigas de aço, conjugadas com diferentes materiais. Sobre eles assenta um elaborado entrançado de estradas e autoestradas de seis faixas, num espaço que, se já não fosse complicado por si só, ainda se vê completado por linhas de comboio, igualmente à escala. Circulam, assim, a par com centenas os carrinhos, processo que no espaço de hora representa cerca de 100.000 carros às voltas nessa densa teia metálica!
Comentando esta urbe de faz de conta, o entretanto falecido autor referia então que “o ruído, o fluxo contínuo de comboios e carros a alta velocidade produzem, em quem assiste, o stress de quem vive numa cidade dinâmica, activa e agitada do século XXI.”

Inicialmente montada no estúdio do autor em 2011, processo de desenvolvimento que levou quatro longos anos, a impressionante estrutura foi depois reinstalada no LACMA - Los Angeles Country Museum of Art (EUA). Uma exposição que ainda hoje está ali patente, pelo que se for a LA, não deixe de a visitar (mais detalhes aqui).
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Ilusão (quase) realista

Acordar de manhã, dar umas quantas agradáveis espreguiçadelas e pensar que há que sair da cama para mais um dia, mesmo que lá fora esteja um calorzinho um quanto estranho. Vá de abrir o estore, olhar lá para fora e ver… um carro feito em LEGO estacionado mesmo atrás do seu?!? Um colorido helicóptero de múltiplas peças pousado no relvado em frente?!? Hummmm… acho que o melhor é voltar para a cama!


Ou talvez não, pois essa realista ilusão de óptica é obra do arquitecto e fotógrafo italiano Domenico Franco, que no seu múltiplo trabalho criativo conjugou a realidade das estradas e monumentos de Roma com as peças da conceituada marca dinamarquesa, elaborando o conjunto de fotos que ilustram esta edição Trendy Wheels, num projecto denominado “LEGO outside LEGOLAND”.


Imagens: Domenico Franco

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Nos rastos de 4 monumentos

Se olhar para as imagens que ilustram esta edição Trendy Wheels decerto identificará, com alguma facilidade, os monumentos que delas constam! É inegável a imponência do nova-iorquino Empire State Building, a beleza da parisiense Torre Eiffel, a majestosa arquitectura da britânica Tower Bridge ou as linhas inimitáveis da Cidade Proibida, na China!


Agora, se lhe disser para atentar em mais pormenor ao modo como estes quatro quadros foram pintados, irá descobrir – principalmente se andar de bicicleta – que o traço é em muito semelhantes aos rastos que atravessam o chão de sua casa quando se esquece de limpar as rodas no regresso de um passeio por terrenos mais enlameados. Pois é… foram pintados com recurso a pneus!
Trata-se da colecção “Tyre Tracks” da 100 Copies Bicycle Art, sendo que cada peça – como o nome indica limitada a uma edição de 100 cópias – esteve recentemente à venda, esgotando quase de imediato. Foram, por isso, poucos os felizardos que contam nas suas salas, quartos e escritórios com um (ou mais) destes exemplares pintados com recurso a diferentes rodados de bicicletas, numa imaginativa solução que, entretanto, foi alvo de reconhecimento, sendo-lhe atribuídos de diversos prémios internacionais.


De acordo com o seu autor, o quadro “The Cyclist's Empire” celebra a ascensão de Nova Iorque como cidade ciclável, nele usando 7 tipos diferentes de cortes de pneus de bicicleta para desenhar o Empire State Building. Já o Bicycle Mon Amour retrata a Torre Eiffel, icónico monumento que se apresenta ao olhar da maioria dos utilizadores de bicicletas, independentemente dos boulevards de Paris onde se encontrem, aqui usando-se 12 diferentes padrões de rodas de bicicleta.


“God Save The Bike” é o título do quadro da Tower Bridge, monumento que se mantém de pedra e cal independentemente do tráfego, das vontades do tempo ou das subidas e descidas do Tamisa, recebendo os amantes das duas rodas nas suas vias dedicadas. Se olhar com atenção descobre 11 tipos de rastos de pneus, o mesmo volume de materiais que se usou na concepção do “The Unforbidden Cyclist”, que retrata a realidade chinesa – e em especial a Cidade Proibida – de promoção da bicicleta com meio de transporte, algo culturalmente tão popular por aquelas bandas como o arroz.
 
Imagens: 100 Copies Bycicle Art

Pois é, mas se os 100 quadros originais de cada tema já estão esgotados, pode ainda candidatar-se a adquirir um lote de esquiços, desenhos preparativos das telas finais. Os seus autores estão a disponibilizá-los – já numa 2ª edição – por 480 dólares (cerca de € 460). Podem ser adquiridos no portal da 100 Copies, juntamente com muitos outros exemplares que retratam a temática das rodas.
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
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