Seja
por razões de saúde, novas ou genéticas, ou fruto dos mais variados exageros e
disparates que se fazem, por vezes com resultados catastróficos, muitos são os
que vivem as suas vidas agarrados a
uma cadeira de rodas. São vários os estados de espírito dos implicados, contribuindo, melhor ou pior, para que se possa tentar ultrapassar, ou pelo menos, saber tirar o
melhor partido dessa indesejada rasteira da vida.
Izzy
e Ailbhe Keane são dois exemplos de como se pode olhar para o mundo com outros
olhos, ao mesmo tempo que se alegram as vidas de terceiros. São irlandesas e também irmãs,
com a particularidade de que Izzy nasceu com uma deficiência denominada Espinha
Bífida, que a paralisa da cintura para baixo. Sempre acompanhada
da irmã mais velha e à medida que cresciam, ambas aperceberam-se de que as
cadeiras de rodas pouco ou nada evoluíam ao nível visual, basicamente compondo-se
de um conjunto de tubos de metal, frios e sem graça! Nada que ajudasse a
alegrar a vida de quem com elas passa o seu quotidiano.
Um
dia, aproveitando a formação em Belas Artes de Ailbhe, curso em que no
último ano apresentou, na sua tese final, o projecto “Alimentar as vidas das pessoas que vivem com uma limitação de saúde a
longo prazo”, decidiram-se por dar um passo em frente e criar tampões
diferentes para decoração das cadeiras de rodas. Nascia assim a marca Izzy
Wheels.
“Se não te podes levantar,
destaca-te!” é
um dos claims destas duas activas empreendedoras
irlandesas, reforçando que “a
nossa missão passa por desfazer as associações negativas para com as cadeiras de rodas, permitindo às pessoas que as utilizam celebrar a sua individualidade. Queremos mostrar
ao mundo que as cadeiras de rodas podem ser muito mais do que um equipamento médico,
podendo tornar-se numa peça de auto-expressão artística”, acrescentam, apresentando
para o efeito um vasto conjunto de propostas, que agradam a diferentes tipos de
pessoas.
Neste
Trendy Wheels apresentamos alguns exemplares, mas muitos mais podem ser vistos
no portal
da marca, ou na sua página de Facebook.O catálogo compõe-se de dezenas de desenhos,
dos mais variados ilustradores e designers, podendo ser adquiridos, na sua grande maioria, por €
139,00 (para diâmetro de 50 cm; também as há de 45 cm para crianças). Permite-se, também, o uso de outras imagens que, dependendo do trabalho
associado, poderá representar outros preços. Os montantes não incluem portes, que variam consoante o destino (€ 10 para envios para o nosso país).
"Ter rodas elegantes na cadeira que combinam com a tua roupa ou que mostram os teus interesses pode ser um bom pretexto para se estabelecer uma conversa."
Caso
tenha um caso na família ou no seu grupo de amigos, apresente-lhe a Izzy Wheels. Pode também ser uma fantástica
e diferente prenda de aniversário, ou Natal. Decerto irá conseguir arrancar um sempre
valioso sorriso extra!
Cumprimentos
distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas,
decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades
respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.
Assistir
a um jogo entre duas equipas é algo bastante comum, nomeadamente entre os
aficionados das diferentes modalidades, com várias centenas – por vezes
milhares – de espectadores nas bancadas, a torcer pela equipa do seu coração. Uma
verdade nos desportos ditos convencionais, pois os números de assistentes noutros
encontros que envolvam atletas com algum grau de deficiência são bastante mais
baixos, embora o espectáculo seja de idêntica e, por vezes, até mais envolvente
dimensão.
É
esta vertente desportiva que o Trendy
Wheels hoje aborda, apontando ao Basquetebol
em Cadeira de Rodas (BCR), modalidade onde até contamos com uma Selecção Nacional, que está neste
momento a preparar-se um Campeonato Europeu. Sabia? Desse lado são, decerto, poucos
os que o sabem, eventualmente tantos quantos os que souberam do renovado brilhantismo
da equipa APD-Braga BCR,
que em 2017 voltou a conquistar tudo o que havia para ganhar em terras lusas no
domínio do BCR. Do Campeonato Nacional, com um domínio absoluto em que os seus atletas venceram
todos os jogos, à Taça de Portugal e Super Taça, tudo correu de feição à formação
minhota. Como se tal não chegasse, ainda conquistou o Torneio de Encerramento
da temporada.
Se
é amante do BCR ou simples curioso com algo que, infelizmente, merece pouca ou
nenhuma cobertura por parte das nossas televisões e publicações, incluindo as
de âmbito desportivo, convido-o, agora, a assistir a um confronto de titãs, jogo
que opôs os agora pluri-Campeões Nacionais à formação do GDD Alcoitão, na atribuição
da 24ª Taça de Portugal de Basquetebol em Cadeira de Rodas. Foi na Figueira da
Foz, no passado dia 27 de Maio.
Da fisioterapia ao
desporto
Actividade
nascida após a 2ª Guerra Mundial, para reabilitação de deficientes motores
resultantes do conflito, o Basquetebol em Cadeira de Rodas (BCR) evoluiu depois
para desporto federado, granjeando tradição no movimento paralímpico, sendo ali
modalidade desde os Jogos de Roma (1960). Nele aplica-se a grande maioria das
regras da Federação Internacional de Basquetebol, conjugadas com as adaptações da
International Wheelchair Basketball Federation.
Duas
equipas de 5 jogadores defrontam-se num campo convencional, respeitando-se
todas as suas marcações e medidas. O chiar das rodas das cadeiras, dotadas de
adaptações específicas, substitui o dos ténis no piso de madeira,
mantendo-se os robustos atletas a entregarem-se a lutas sem igual pelo melhor
resultado. As pontuações são dadas de acordo com os graus de deficiência (de 1
a 4,5) por equipa, de acordo com o potencial funcional dos jogadores ao longo dos
diversos aspectos do encontro.
Em
Portugal, a história do BCR começa, também, nos hospitais de reabilitação, junto
dos militares que sofreram lesões, nomeadamente vertebro-medulares, na Guerra Colonial.
O Hospital Ortopédico de Sant´Ana (Parede) e o Centro de Medicina de
Reabilitação de Alcoitão foram as instituições pioneiras na promoção e
desenvolvimento deste desporto entre nós.
A
formação da APD-Sintra é a mais titulada, com 11 ceptros de Campeã Nacional, 11
Taças e 14 Super Taças. Os restantes troféus dividem-se pelas formações da APD-Lisboa
(4/4/4), GDD-Alcoitão (4/3/2) e APD-Leiria (3/2/1). Quanto à APD-Braga,
dominadora das duas últimas épocas, a sua vitrina integra os troféus de 3
Campeonatos, 4 Taças e 2 Super Taças, entre outras medalhas e distinções.
Imagens: APD-Braga BCR
Defendendo
todos esses títulos na próxima época do Nacional de BCR, irão contar com
algumas novidades que estão na calha. Conheça-as aqui.
PORTUGAL!!!
PORTUGAL!!! PORTUGAL!!!
Como
se referiu acima, Portugal tem-se preparado para o Europeu de Basquetebol em Cadeira de Rodas - Divisão C, a disputar
em Brno (República Checa) de 25 a 28 Julho próximo. Ali o conjunto luso tentará
alcançar um dos dois primeiros lugares, resultado que lhes permitirá regressar ao
escalão B da modalidade, perdido há um ano em Serajevo (Bósnia Herzegovina).
Orientada
por Marco Galego e seus pares, a equipa lusa tem realizado vários treinos e encontros
particulares para os jogos desse Europeu, entre os quais os dois de apuramento para as
meias-finais, onde se irá defrontar a Bélgica (de hoje a um mês) e depois a Grécia (no
dia 27 de Julho). Num campeonato em que também são candidatos a Irlanda,
Hungria, Sérvia e os anfitriões da República Checa, seguem-se as meias-finais
entre as equipas apuradas, a definição do 4º e 3ºs classificados e, finalmente,
o jogo entre os futuros Vice-Campeão e Campeão da Europa – Divisão C.
Com
9 participações em Europeus de BCR, três dos quais organizados por cá – Tavira
(1999) e Lisboa (2005 e 2015) – Portugal tem alternado entre os escalões C e B.
Os nossos melhores resultados foram alcançados em 2007, em Dublin (Irlanda),
com um 1º lugar na Série C que garantiu a subida, no ano seguinte, ao escalão B,
e depois em 2015, a jogar em casa, com um 2º lugar final que também valeu a
subida de escalão à formação lusa, lugar entretanto perdido no ano passado.
Em
Brno estarão os seguintes os 12 guerreiros lusos: Pedro Gonçalves (3,5 base), do Sporting CP/APD Sintra, é o Capitão de
uma Equipa que tem Filipe Carneiro
(2,0 extremo), Gabriel Costa (4,0 poste),
Henrique Sousa (1,0 extremo), José Miguel (3,0 extremo/poste) e Márcio Dias (4,5 poste) oriundos da APD-Braga,
num grupo que se completa com Ângelo
Pereira (2,5 base/extremo) da APD-Lisboa, Christophe da Silva (1,0 extremo) do CS Meaux, Hugo Maia (2,5 extremo) do GDD Alcoitão, Iderlindo Gomes (4,0 poste) da APD Leiria, Marco Gonçalves (1,5 extremo) do GDD Alcoitão e Pedro Bártolo (2,5 base) do CP Mideba.
A equipa técnica é composta por Marco
Galego (Selecionador Nacional), Ricardo
Vieira (Selecionador Adjunto), Augusto
Pinto (Team Manager) e Nuno Fonseca
(Osteopata).
Imagens: Federação Portuguesa de Basquetebol
Vamos,
então, juntar-nos de novo e apoiar Portugal! Siga neste link as actividades da Selecção Portuguesa de Basquetebol em Cadeira de Rodas e saiba mais detalhes deste
Europeu aqui e aqui. Acompanhe os nossos Campeões,
atletas que através do desporto demonstram que existe muito mais para além da
deficiência física.
1...2...3!
Pooooor... PORTUGAL!
Cumprimentos
distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas,
decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades
respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.