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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Natal 2017: Bolachas recheadas de História

Fado, literatura, monumentos, azulejaria, cidades e festas são hoje contadas através de… bolachas! Isso mesmo, deliciosos pedaços redondinhos da autoria de uma Chef Pasteleira, ilustrados por um conjunto de especialistas e que são para comer, todos eles contando muito do passado e presente do nosso país. São a proposta de Prenda de Natal desta edição, tudo com assinatura da Bites of History.

Apostando-se numa filosofia totalmente diferente do tradicional conceito de streetfood e apesar de as podermos comprar e comer no local, há aqui toda uma outra abordagem, mais abrangente e com um público-alvo específico: “Nos últimos anos o número de turistas que visita Lisboa aumentou de forma incrível, indicando que Portugal já não é só procurado pelo sol e pelas praias. Esta alteração de perfil, num turismo mais urbano, que vem durante todo o ano fazer pequenas estadias para conhecer uma cidade, foi o factor inspirador para o nascimento da Bites of History, num conceito que surgiu naturalmente da minha vocação especial para comunicação pedagógica e gosto pela Historia”.
Quem o afirma é Luísa Otto, responsável por esta marca lusa, com quem o Trendy Wheels falou recentemente e que é hoje a nossa convidada. Assumida a denominação britânica, suportada por frases-chave que visam criar uma maior proximidade com quem vem de fora, idealizou-se um inédito modo de contar partes significativas da nossa história, hábitos, música e outras realidades, recorrendo-se a bolachas, vendidas em caixas temáticas ou individualmente, que se têm traduzido num sucesso absoluto, contribuindo para a gradual rentabilização do investimento.


Quanto à escolha da viatura usada “procurámos um veículo com charme e que se diferenciasse dos outros”, explica, orgulhosa no seu Citroën 2CV Fougonnette azulinho. “A História tem que ser atractiva, emotiva e viva pelo que procurámos um carro que reúne o factor histórico/clássico, bem como o charme nostálgico e estético que provoca grande adesão”. Pretendendo obter uma transformação específica, para uma ímpar exposição das bolachas, recorreu-se a “um arquitecto para o desenho da estrutura interior, inspirada nos móveis de camisas de homem, com topos acrílicos para dar uma imagem cuidada desta nossa loja sobre rodas.” Já o branding é da responsabilidade da agência de comunicação Miss Can.
Para já com um único poiso fixo, mostra-se bem junto à Torre de Belém, em Lisboa, um dos símbolos máximos dos nossos Descobrimentos. “Começámos as vendas perto do Mosteiro dos Jerónimos e após 6 meses tivemos autorização para ir para junto da Torre de Belém”, explica. “A proximidade do rio predispõe o público para uma atitude contemplativa, fazendo uma pausa no seu circuito de visitas. Neste ambiente recebem com agrado as explicações que damos sobre os temas que abordamos nas colecções de bolachas”, refere, acrescentando que “ninguém resiste a uma boa história!”

E quanto a segredos...
Desenvolvendo este produto ímpar com um conjunto de parceiros e fornecedores – ilustradores, copy, gráfica, pastelaria – a Bites of History completa o processo no seu próprio atelier, onde se procede à decoração e ao packaging.

Mas... e o que está por detrás destas redondinhas bolachas? Claro que toda a receita tem um ou mais segredos associados, tendo a nossa entrevistada desvendado alguns: “Temos uma receita desenvolvida pela Chef Pasteleira Maria Urmal, diferenciando vários sabores desenvolvidos em função da época: no Verão apostamos na laranja e gengibre; no Natal temos a bolacha de especiarias; e na Páscoa a de chocolate com café”, estando a confecção a cargo da pastelaria Quente e Bom
Conceito 90% histórico, “compõe-se de colecções – que são também vendidas como peças individuais – ilustradas por Pedro Sousa Pereira, homem de grande cultura e criativo que aporta uma mais-valia a cada desenho, onde se descobrem sempre detalhes carregados de significado”. Já o toque de fantasia das “bolachas gráficas, nomeadamente as dos Azulejos, a do Lenço do Dia dos Namorados, o Teatro Romano, entre outras, bem como pedidos específicos de clientes, são feitas pela Rita Fjan. A colecção que explica a simbologia das decorações de Natal é da Rita Pinto.”


Uma vez decoradas e colocadas em atractivas embalagens, as bolachas seguem de modo regular para as imediações da Torre de Belém – “uma 3 vezes por semana em período de Verão” – a bordo desse icónico 2CV, expondo-se orgulhosamente ao crescente e curioso público. A dar a cara pela marca está, normalmente, a responsável pelo conceito, contando com a colaboração de dois vendedores.

“Adorable”, “wunderbar”, “magnifique”, “pieza de arte”
Ao longo destes agora dois anos de presença assídua num dos pontos mais representativos da história da nossa cidade e do próprio país, têm sido semelhantes a estas as reacções a tão ímpar conceito, entre quem nos visita. Há, naturalmente, muitas para contar, entre elas as que abaixo foram partilhadas connosco.

“Recordo com emoção uma senhora de muita idade - quase 90 anos - que ouviu falar das bolachas e, tendo achado uma ideia bonita, fez uma viagem de autocarro de uma hora e meia para as comprar. Chegou até nós com ajuda de uns polícias pois estava perdida e cansada de andar e, depois de uma longa conversa, comprou as bolachas e voltou para casa, fazendo mais hora e meia de viagem!”, refere. Outro exemplo aconteceu com “a colecção ‘Fernando Pessoa’, que provocou momentos muito emotivos entre alguns turistas brasileiros que, ao lerem excertos dos poemas que estão impressos nas caixas, correu-lhes lágrimas pelo rosto. Partilhamos uma alma unida pela língua!”, acrescentou.
“Outra história gira é de um jovem português que vive em Londres e que vem casar em Lisboa. Descobriu as nossas bolachas porque uma colega de trabalho esteve cá, comprando-lhe uma bolacha para lhe oferecer lá no escritório, em Inglaterra”. Já a primeira colecção personalizada para um cliente, “foi encomendada por uma empresa de eventos do Peru. A sua directora veio a Lisboa a procura de um lugar para organizar congresso e naturalmente foi visitar a Torre de Belém. Descobriu as nossas bolachas e depois de regressar a casa encomendou-nos colecções personalizadas para o seu evento”.

Sete colecções rumo à internacionalização
São, assim e para já, 7 as colecções da Bites of History – “Monumentos de Lisboa”, “Heróis do Mar”, “Azulejos”, “Fado”, “Fernando Pessoa”, “Porto” e “Natal”. “Essas caixas têm 4 bolachas ilustrativas do tema e os textos de suporte nas peças gráficas do packaging. Os conjuntos são vendidos por € 12,50, mas temos outras avulso, criadas especificamente para eventos, exposições, museus e empresas, e exemplares que representam ícones da nossa cultura. A embalagem individual tem sempre um cartão com a reprodução da imagem e o texto de suporte e são vendidas a € 3,50.”
Em termos de preferências, “os estrangeiros gostam sobretudo da colecção ‘Monumentos de Lisboa’ e da ‘Heróis do Mar’ e das unitárias da ‘Torre de Belém’, ‘Sé de Lisboa’, ‘Eléctrico 28’ e ‘Caravela Portuguesa’. Note-se que este projecto foi desenvolvido para turistas, grupo que contempla muitos Portugueses que as compram para levar para fora. Já a colecção ‘Natal’ é adquirida por todos, sem distinção”.

E agora que estamos em modo de festividades e em véspera de pedidos de desejos para o ano novo, o que poderemos esperar do futuro da Bites of History? “Apesar de ainda estarmos em fase de rentabilização do projecto, em que investimos um valor na ordem dos € 50.000, queremos ter mais duas licenças em Portugal", referiu Luísa Otto, acrescentando que "ao mesmo tempo estamos a preparar a internacionalização!”.
Será, decerto, mais uma iniciativa lusa se sucesso além-fronteiras, mas enquanto tal não acontece e já que decerto andamos (quase) todos em "modo compras", que tal dar um saltinho à Torre de Belém e interiorizar a nossa história numa deliciosa bolacha Bites of History? Fica a sugestão!
Imagens: Bites of History e Trendy Wheels/JP

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Natal 2017: Presente do passado para o futuro

Tal como muito do que se compra no comércio tradicional ou nas grandes superfícies, na aproximação do Natal ou das datas de aniversário, as roupas e brinquedos das marcas de automóveis e motos tornam-se em prendas interessantes, nomeadamente para quem faz gaudio de ter esta ou aquela miniatura nas diferentes escalas, este ou aquele blusão, boné ou t-shirt, ou mesmo aquela caneta, relógio ou mala de executivo.

Exemplares não faltam e se na anterior edição vos trouxe peças dedicadas às duas rodas, nesta trago alguns exemplos do mundo das quatro rodas, associados à Citroën, uma das mais populares marcas do mercado, deixando para a próxima edição outra bem mais exclusiva.
Do lado dos franceses há uma panóplia de novos conteúdos Citroën Lifestyle, naturalmente que inspirados no universo da marca do double Chevron – aquele duplo circunflexo que faz o seu intemporal logótipo – apontando quer aos miúdos quer aos mais graúdos. Das novas miniaturas em madeira e em metal, às ímpares colecções de roupa e acessórios de moda, está tudo disponível na sua boutique online, tal como os exemplares das corridas. As entregas são possíveis em 8 países europeus, incluindo Portugal.

A exclusiva colecção “Citroën Origins by Arthur” para homem e criança integra, entre outros, dos pijamas (dos 6 aos 12 anos, por € 29, e do S ao XL, por € 45 €), mais os boxers (de € 18 a € 20, consoante o destinatário) e, claro, as meias – como é que podiam faltar?!?! – por € 8 para criança e € 10 para adulto. Já o espírito universitário “C3 Feel” surge nas t-shirts (dos 10 aos 16 anos, € 16) ou na bolsa escolar em semi-couro (€ 25 €). 
A série “Urban Vibe” tem como novidades a mala de computador (€ 39), a bolsa para tablet (€ 17), a mochila (€ 45) e o saco de desporto (€ 35). A colecção em flanela “Ë” – a marca diz que se deve pronunciar “E trema” – conta com duas novidades, um quentinho colete (do S ao XXL, € 69) com duplo fecho americano, logótipo reflector e bolsa interior para smartphones XXL, mais o correspondente boné (€ 19). A série "Citroën Racing" conta com bonés (€ 15), t-shirts (€ 25), pólos (€ 45) camisas (€ 59), polares (€ 69) e blusões (€ 159), tudo à imagem do vestuário usado por toda a equipa nos ralis do Campeonato do Mundo, mais as miniaturas... de fricção (€ 6).

No reino dos brinquedos o grande destaque vai para as 5 irresistíveis viaturas em madeira de faia, individualmente vendidas por € 12 ou em conjunto por € 48, ou seja, neste modo uma sai de borla! Há também um saco, em algodão, com 11 litros de capacidade para guardar esses e outros brinquedos. Outra proposta interessante é o Citroën Petite Rosalie (€ 119), um carrinho azul a pedais, em metal, para petizes de 1 a 3 anos, e inspirado no modelo original, produzido entre 1932 e 1938. Nos coleccionáveis dos adultos há novas miniaturas retro, vintage, concept-cars e modelos novos, de produção ou competição (dos € 4,5 aos € 36), sendo o ponto alto o livro “Traction Avant Citroën”, que conta a história desse modelo emblemático.




Imagens: Citroën
Veja tudo isto e muito mais no portal Boutique Citroën Lifestyle e boas compras! 
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Madeira, esse material tão versátil

Esculturas em madeira! Há quem as faça em pequenas peças de bijuteria, enquanto outros recriam monumentos, animais, famosos, em modo busto ou corpo inteiro – enfim! – um sem número de peças nessa dádiva da natureza cada vez mais rara no nosso país, ultimamente reduzida a cinzas sem que nada aconteça. Ano após ano, os muitos interesses instalados do chamado “negócio do fogo” continuam a ser muito maiores do que tudo o resto, mesmo que pelo caminho se devastem ou ceifem vidas inteiras, sem qualquer tipo de respeito, mostrando-se todos depois tão solidários e prontos a prestar a sua (pseudo) ajuda.

Passada esta espécie de desabafo do estado de uma alma lusa, quase tão negra como as nossas aldeias e zonas outrora verdes, vamos tentar ver o outro lado do uso da madeira, numa forma de arte com cores bastante mais alegres e com a assinatura de um nome grande, Michel Robillard. Hábil marceneiro francês dedica-se, desde tenra idade – algures pelos seus 14 anos – a dar corpo a peças de índole diversa, cruzando-se não raras vezes com o mundo das rodas.
Há muito tinha um grande sonho, de tornar a sua paixão entre os automóveis – o Citroën 2CV – num dos seus projectos. Mas não que quisesse fazer uma simples e detalhada miniatura a uma qualquer escala desse ícone da indústria, nada disso, quis sim fazer um exemplar em tamanho real e que, de preferência, se pudesse deslocar pelos seus próprios meios.
Imagens: Citroën Origins / Maquettes tous en Bois Fruitier

Robillard lançou-se, assim, no projecto “2CV en Bois”, de seis longos anos mas recentemente completado, envolvendo a criação em madeiras nobres de uma versão de 1953 do modelo. Assente num robusto chassis de um Dyane de 1966 – tudo porque a madeira é um material mais pesado do que a chapa – as madeiras usadas têm uma particularidade: são todas árvores de fruto, da “pereira para a estrutura, à macieira para o capot, nogueira para as cavas das rodas e volante, ou cerejeira para as portas e tampa da mala, para além do ulmeiro para o painel de instrumentos,” descreve, com indisfarçável orgulho, a sua obra de arte.
Tido como perfeccionista, é enorme o detalhe dado ao conceito onde, e a título de exemplo, só o capot se compõe de 22 secções, num aturado processo criativo em que usou dezenas de ferramentas de carpintaria e outras de recurso, também usadas para a concepção dos bancos, entretanto suavizados com confortáveis zonas almofadadas. Não contente com isso equipou o seu 2CV com um motor de 602 cc, jantes e pneus de origem, tal como o são os faróis, os piscas ou os inigualáveis puxadores das portas.
“Quis fazer um objecto que perdurasse no tempo muito para além de mim próprio”, reforçou, num projecto que mereceu o apoio da própria Citroën que, muito recentemente, colocou a criação de Robillard no seu Museu Virtual online Citroën Origins.  


Uma vida de dedicação
É impressionante o detalhe dado a este “2CV em Madeira”, espelho em tamanho real de diversos outros exemplares que realizou e tem expostos no seu atelier e que, não raramente, se vêem levados até às mais diversas mostras realizadas por terras de França e além-fronteiras, contribuindo, no seu conjunto, para a igualmente grande galeria de troféus.

Não raras vezes, este autêntico ourives da madeira compra modelos à escala no mercado tradicional, analisando depois com paciência de chinês o seu processo de montagem. “Para cada modelo parto de uma maquete em metal ou aço, à escala de 1:18 ou 1:43. Monto-a e, de seguida, faço os meus cálculos para as cotas que necessito e refaço-os à escala, em madeira, sendo que a minha única preocupação é trabalhá-los nos limites desse material”. Nasceram, assim e entre outros, exemplares vários do seu amado 2CV, bem como um Renault 4 CV, um Volkswagen Carocha e um Bugatti Royale, todos à escala de 1:10, “cada um deles envolvendo não menos do que 500 a 600 horas de trabalho, variável caso a caso,” acrescentando que várias das peças que os integram “necessitam de um ou mais dias inteiros de trabalho!”





Recriou, também, outros exemplares sobre rodas, como um Ferrari de F1 de Michael Schumacher, ou uma moto Harley Davidson com sidecar, esta com mais de 500 horas de concepção, com uma precisão ao detalhe tal que os raios das jantes têm apenas 20 milímetros, modelo que lhe valeu uma medalha de ouro no “Mondial de la Maquette” de 2004, realizada nos pavilhões da Porte de Versailles, em Paris.
Destaque ainda para um avião Canadaire CL-415, da Protecção Civil Francesa, ou “um camião americano de desempanagem com mais de 1.000 peças – 150 delas só para o motor – onde tudo funciona, das rodas que viram junto com o volante, até às portas que se abrem”. Demorou mais de 1 ano a dá-lo como acabado. 

Imagens: Maquettes tous en Bois Fruitier

Se quiser ver mais em pormenor estes e outros exemplares clique aqui ou assista a este pequeno vídeo, onde, na primeira pessoa, Michel Roubillard demonstra os detalhes de alguns exemplares.

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José Pinheiro
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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Bibliomóvel: Livros que andam

A centenária Vila de Cascais está, desde o passado dia 7 de Outubro, bastante mais rica em termos de património. Não que tenha sido inaugurado qualquer novo espaço decorrente das recentes Eleições Autárquicas, mas porque nesse dia foi apresentada ao público a nova Biblioteca Móvel de Cascais, herdeira de um passado que remonta a 1953.
Imagens: Trendy Wheels/JP

Foi na Praia da Poça (Estoril) e o Trendy Wheels esteve lá, testemunhando a abertura deste espaço itinerante que até no decalque aplicado na viatura retrata o semelhante veículo que, há mais de meio século, transportava livros de conteúdo diverso para educação da população local, levando letras e imagens aos que, por uma qualquer razão, não podiam deslocar-se a bibliotecas ou desafogo financeiro para os adquirir.
Data de 18 de Março de 1911 o primeiro Decreto-Lei sobre o tema, tendo os os bibliomóveis evoluído a muito baixa velocidade, nomeadamente através dos chamados “carros ou barracas sobre rodas”. Só em 1953 surgiria em Cascais o primeiro o carro-biblioteca, numa ideia impulsionada por António Branquinho da Fonseca, escritor e conservador/bibliotecário do Museu e Biblioteca Conde Castro de Guimarães. Circulando pelas escolas do Concelho e lugares mais centrais da vila, o sucesso do projecto foi tal que, cinco anos depois, a gigante Fundação Calouste Gulbenkian – através de Azeredo Perdigão – deu início a um serviço de bibliotecas móveis de âmbito nacional, primeiro com recurso a 15 Citroën Type-H, número que cresceria até às 47 unidades, levando cultura e sorrisos às zonas mais recônditas do nosso país.
Imagens: Câmara Municipal de Cascais e Fundação Calouste Gulbenkian

É em homenagem àquele grande impulsionador que nasce, sob a égide do conceito “Livros que andam”, um novo e recheado bibliomóvel, agora pelas mãos da Fundação D. Luís I, num projecto colaborativo com o Município local. “Manusear um livro é um acto salutar, faz bem à saúde, apesar de hoje dispormos de várias formas de ler um livro”, referiu, na altura, Salvato Teles de Meneses, Presidente daquela Fundação, salientando o tal elemento de tradição, numa procura por “homenagear o escritor e, ao mesmo tempo, voltar a conquistar as pessoas para a leitura. Para tal, procurámos nas bibliotecas de Cascais o apoio necessário para se poder desencadear esta homenagem e pôr à disposição dos residentes do Concelho um acervo de livros e outros recursos de informação, nos mais diversos suportes”.
João Miguel Henriques, responsável pelo Arquivo Municipal de Cascais, acrescentou tratar-se de um “instrumento de futuro, havendo, neste momento, uma rede de bibliotecas municipais que todos os dias procuram promover o gosto pelo livro e pela leitura. Por isso esta iniciativa parece-nos tão relevante, numa altura em que, mais do que nunca, as bibliotecas têm registado um crescimento substancial do seu número de utilizadores, continuando a ambicionar chegar a mais pessoas por todo o Concelho”.
Desta vez tendo como base uma mais moderna van Hyundai H350, devidamente transformada para o efeito e dotada de equipamentos complementares, a nova Biblioteca Móvel de Cascais vai permitir o acesso ao livro e a outros suportes, inerentes à presente realidade, e à leitura em locais de grande concentração do Concelho, nomeadamente, em articulação com Associações Populares de Cultura e Recreio, centros de dia, lares de idosos e o Estabelecimento Prisional de Tires, entre outros. A saída oficial para esse périplo concelhio acontecerá no já amanhã (dia 14), podendo os locais de paragem ser consultados no portal do Cascais Cultura.


A multiplicação da espécie
Se segue o Facebook da Nave Voadora, Bibliotecas Itinerantes em Portugal decerto não é, para si, novidade saber que o leque de bibliomóveis é algo que se tem multiplicado, com os mais recentes exemplares a surgirem em locais tão díspares do nosso país, como Penacova, Proença-a-Nova, Vila Real, Terra Chã, Gondomar e Alcanena, entre muitos outros, orgulhoso e crescente grupo a que Cascais volta agora a pertencer.
Imagens: Bibliotecas Municipais de Penacova, Vila Nova de Famalicão, Alcanena e Oliveira de Azeméis

O crescimento desta rede de mobilidade das letras levou a que também se tenham tornado regulares encontros nacionais, com enorme adesão e sucesso, sendo exemplos a “Maratona de Leitura”, que em Julho último levou à Sertã vários destes exemplares, ou o “Encontro de Bibliotecas Itinerantes” do Município da Chamusca, cuja 2ª edição decorrerá nos dias 27 e 28 de Outubro, ali reunindo muitas das mais novas e antigas bibliotecas sobre rodas do país. Decorrerá sob o tema “Heterónimos de Nós” e as inscrições ainda estão abertas, pelo que se estiver interessado consulte as informações aqui.
Imagem: Município da Chamusca

Imagem: Sertã/Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes

Há muitas expressões relacionadas, sendo comum ouvir-se que “a leitura é o alimento da alma”, ou que “ler é sonhar pela mão de outrem”. Por essa razão deixo o repto: leiam, muito de preferência e, se possível, à boleia dos novos bibliomóveis!



Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Clássicos: Elegância em ambiente de realeza

É em ambientes de reis e rainhas, príncipes e princesas, que complemento o artigo de há uma semana, em que trouxe os ecos de dois eventos realizados em lados opostos do Atlântico, Cascais e Pebble Beach (EUA). Desta feita mostro-lhe dois outros encontros europeus que, semelhantes no conceito e na projecção que ambos já têm a nível internacional, contam com um histórico bastante diferente.

Nas margens do Lago Como…
É normalmente em Maio de cada ano que entusiastas de veículos clássicos, de 2 e 4 rodas e oriundos de todo o planeta, se reúnem no âmbito do Concorso d’Eleganza Villa d’Este. Este evento histórico – a primeira edição remonta a 1929 – decorre nos terrenos da histórica Villa Erba, nas margens do Lago Como (Itália), transformada num espaço único e exclusivo, onde os presentes podem admirar os mais icónicos veículos de diferentes eras.

Agora com o alemão Grupo BMW como patrono, a edição de 2017 decorreu sob o conceito “Around the World in 80 Days – Voyage through an Era of Records”, ali reunindo 51 automóveis raros provenientes de 16 países, de 30 marcas, bem como 40 motos de diferentes décadas, acção que ainda envolveu um valioso leilão da responsabilidade da RM Sotheby.
Começando pelo Concorso di Motociclette, sagrou-se vencedora uma Puch 250 Indien-Reise (1933), que arrebatou o troféu de “Best of Show”, enquanto o público preferiu entregar o seu troféu à Ducati Café Racer, um estudo da reputada marca italiana, hoje propriedade da Audi.

Na avaliação principal, o júri atribuiu o cobiçado “Trofeo BMW Group/Best of Show” a um Alfa Romeo Giulietta SS Prototipo, Coupé, Bertone (1957). Já o galardão do público foi duplamente dividido, pois adultos e crianças (até aos 16 anos) puderam votar de modo independente nos seus preferidos. No grupo dos petizes, o eleito para receber o “Trofeo BMW Group Ragazzi” foi o Alfa Romeo 6C 1750 Gran Turismo, Cabriolet, Castagna (1932), enquanto o “Coppa d’Oro Villa D’Este” dos mais velhos foi para um Lurani Nibbio, Open Single-Seater, Riva (1935). Destaque ainda para os exercícios de estilo, aqui com o Renault Trezor Concept a arrebatar o cobiçado “Design Award”.

Imagens: BMW Group/Villa d'Este

Assista ao vídeo e aprecie a beleza das imagens, do espaço onde se realizou este sumptuoso evento, certificado pela UNESCO como "Património Mundial da Humanidade" .

… e no Chateau de Chantilly
Bem mais recente – tem apenas 4 anos mas já conta com um reconhecimento igualmente planetário – é o Chantilly Arts & Elegance - Richard Mille, que decorre num ambiente ainda mais principesco, no sumptuoso castelo da localidade que lhe dá nome.
Imagem: Mathieu Bonnevie/Chantilly Arts & Elegance

Apesar da tenra idade, o quórum ali reunido no início de Setembro é exemplificativo do sucesso que já ostenta: 16.300 espectadores (mais 20% do que em 2016) viram-se atraídos pelos 82 veículos históricos expostos (de Pré e Pós-Guerra),
Uma das suas particularidades é o desfile de viaturas que saíram dos ateliers de design de diferentes marcas – nesta edição foram 5 – exercícios de estilo que, à semelhança dos eventos anteriores, se viram acompanhados por criações de conceituados costureiros: o novíssimo DS 7 Crossback “Présidentiel” (uma versão especial concebida para a Presidência francesa) mostrou-se com uma criação de Eymeric François, enquanto Ann Demeulemeester e Haider Ackermann vestiram, respectivamente, as manequins que desfilaram ao lado do Aston Martin Vanquish Zagato Volante e do McLaren 720 S.
Mas os vencedores do galardão “Best of Show” do Concours d’Elégance seriam o Citroën CXperience Concept, com uma criação da estilista Yang Li, e o Renault Trezor Concept, com o conceituado Balmain a mostrar um exemplar da sua Maison. No Concours d’Etat, os vencedores foram o Bugatti 57 S Atlantic (1936) e o Ferrari TR 58 (1958), respectivamente nas categorias de Pré e Pós-Guerra.


Imagens: Julien Hergault/Chantilly Arts & Elegance

Este vídeo dá-lhe uma ideia do muito que havia para ver neste monumento histórico, também ele repleto de história, quanto mais não seja por, alegadamente, ter sido o berço de uma das mais célebres iguaria da doçaria francesa, pelas mãos de Fritz Carl Vatel, pensa-se que no ano de 1663. Um feito que a casa italiana dos Médicis, da região de Florença, tem outra opinião completamente diferente, pois chamam a si a criação, com quase um século de diferença, de algo a que chamaram neve di latte!
Depois disto tudo, seria caso para dizer que para o ano há mais, mas à sua dimensão há ainda muitos outros encontros agendados, dentro e fora de portas lusas, até final do ano. É só estarem atentos às diferentes agendas, seguindo as redes sociais dos muitos grupos ou especialistas de modelos clássicos

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
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1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Adrenalina no Grande Ecrã

Hoje vamos ao cinema, ou melhor dizendo, o Trendy Wheels traz-lhe 5 sugestões sobre rodas para ver no Grande Ecrã. São propostas para diferentes gostos, de desenhos animados a ficção mais ou menos científica, mas com muita acção, muitos cavalos e velocidades estonteantes à mistura, num pacote de distracção para diferentes idades.


Baby Driver - Alta Velocidade
Comecemos por Baby, um jovem com fantásticos dotes para a condução e inseparável da batida da sua música no seu peculiar emprego: condutor de serviço em fugas de assaltos. Uma história que envolve – claro – uma paixão por uma miúda, a qual leva o personagem interpretado por Ansel Elgort a equacionar o seu futuro, mesmo que os chefes da coisa não queiram prescindir deste precioso aliado. 

Se o Subaru Impreza WRX e outras máquinas lhe alimentam a adrenalina ao longo do filme, é a personagem interpretada por Lily James quem lhe faz acelerar o coração, mesmo contra a vontade o Chefão (Kevin Spacey), num filme em que também entram Jamie Foxx e John Hamm. Estreou ontem, dia 3 de Agosto.

Valerian e a Cidade dos 1000 Planetas
Passando-se num futuro algo distante – lá para o Século XXVIII – o conceito automóvel com rodas que conhecemos é coisa esquecida, mas pelo facto de a Lexus patrocinar este título, contribuindo com a nave SKYJET SJ 1800 (ver mais pormenores em “Um veículo para o ano2740”) pode incluir-se nestas sugestões.
Imagem: Lexus 

Valerian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne) são o casalinho maravilha, agentes que viajam até Alpha, metrópole de múltiplas espécies que em tempos orbitou a Terra mas que, dado o seu crescendo, teve de ser largada a vaguear pelo espaço. Há algo de anormal por lá e eles têm de descobrir o quê e resolver a coisa, num mundo virtual/real em que até Rihanna – no papel da sensualíssima Bubble - tem (mais) uma fantástica performance.

Já o vi em 2D, a 27 Julho (dia da estreia e a convite da marca - obrigado Lexus)  mas dado o grafismo visualmente espectacular desta proposta de Luc Besson, baseada na banda desenhada com o mesmo nome, aconselho que se assista nas variantes 3D ou mesmo na mais recente tecnologia 4DX, decerto merecendo os euros extra que nos cobram.

Carros 3
Foi já há 11 anos – impressionante!!! – que se viu, pela primeira vez, este pequeno no Grande Ecrã. Herói dos peculiares habitantes com rodas de Radiator Springs e multi-campeão da Taça Pistão, Faísca McQueen vê-se neste terceiro filme da saga surpreendido por uma nova geração de adversários, extremamente rápidos, espelhados no arrogante Jackson Storm. 

Um grave acidente e a consequente depressão quase o afastam das pistas, mas inspirado pelo fabuloso Hudson Hornet e com o treino da sensual Cruz Ramirez, o Nº 95 mostra que não está acabado, testando a sua coragem na maior corrida da Taça Pistão. Estreou a 20 de Julho na versão original, com Owen Wilson a dar voz ao protagonista, ou na dobrada, com Pedro Granger, Ana Catarina Afonso e José Raposo à cabeça de um elenco que conta com outras vozes de conceituados pilotos nacionais, como Joana Lemos, Tiago Monteiro e Elisabete Jacinto. Pode também vê-lo em 3D.

Overdrive – Os Profissionais
É deveras educacional esta edição Trendy Wheels, hoje só com boas ideias de potenciais profissões neste Portugal à beira-mar plantado. Se o Baby ensina como fugir de assaltos, na vertente de roubo de carros de colecção são Andrew e Garrett os heróis a seguir! Dois irmãos, com uma inteligência e destreza fora do comum, contribuem para uma maior rotação de automóveis de sonho, limpando os seus anteriores donos de tão pesado fardo, ganhando uns cobres pelo caminho.

Filme ideal para petrolheads e amantes de superdesportivos, pois de um Bugatti de 1937 a um Ferrari 250 GTO de 1962 há um pouco de tudo. Scott Eastwood, que até é filho do monstro do cinema Clint Eastwood, e Freddie Thorp são os manos, Gaia Weiss e Ana de Armas as miúdas de serviço, e Simon Abkarian e Clemens Schick os mauzões da fita. Estreou no final de Junho, pelo que despache-se a ir buscar pipocas e demais coisas que fazem bué barulho quando estamos no escurinho no cinema. Com tanta aceleração dificilmente se ouve o crunch crunch constante.

Transformers – O Último Cavaleiro
Se o filme acima já é antigo qb, este tem uma semana extra, pelo que despache-se! É o 5º episódio da saga de acção e efeitos especiais Transformers – viaturas mais ou menos reais com avançados dotes de máquinas bélicas, que tão depressa estão no grupo dos bons como no dos maus - colocando os humanos quase subjugados pelas máquinasOptimus Prime é o líder dos pacíficos Autobots, que até são nossos amigos, tendo neste filme duas missões: saber de onde vem e, uma vez envenenado pela sua criadora, decidido a acabar com a Terra, aqui com a ajuda dos Decepticons

Anthony Hopkins e Mark Wahlberg são dois nomes fortes no elenco humano, enquanto as máquinas, alguns deles do gigante industrial norte-americano General Motors, contam com as vozes de Peter Cullen (Optimus Prime), Frank Welker (Megatron) e Erik Aadahl (Bumblebee), entre muitos outros. Aliás, máquinas de sonho é algo que (também) não falta neste Episódio V. Senão vejamos: Aston Martin DB11, Chevrolet Camaro e Corvette, Ford Mustang, Lamborghini Centenario LP770-4, Lexus RX 450h, McLaren 570S, Mercedes-AMG GT-R, etc, etc etc e até um pacato Citroën DS 21 de 1963 que depois... 

Pronto! Penso que seja suficiente para os gastos dos próximos dias, entre uma ida à praia, um piquenique ou uma visita a qualquer uma das maravilhas – naturais ou históricas – de que o nosso Portugal é tão rico. Bons filmes!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
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