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sexta-feira, 28 de julho de 2017

Com o coração nas mãos

Actividade imprescindível para o salvamento de inúmeras vidas, o transporte de órgãos é assegurado, no nosso país, por forças militares, como a Força Aérea Portuguesa, e paramilitares, como a Guarda Nacional Republicana, complementadas, em situações de recurso, por alguns veículos de emergência médica e de entidades privadas especializadas na matéria.



GNR: Uma volta ao mundo por ano
Sabia que a GNR tem à sua responsabilidade, desde 1994, a missão de transporte de órgãos, em todo o território nacional? E que, nos últimos anos tem percorrido, em solo luso e em média, o equivalente a uma volta ao mundo - o perímetro aproximado da Terra é de cerca de 40.000 km - com esses transportes? De acordo com informação oficial, desde 2010 e até ao final do ano passado, a GNR já havia realizado 1.690 transportes, envolvendo mais de 3.000 militares, tendo percorrido mais de 270.000 quilómetros!

Aparentemente simples, o processo obriga a uma série de requisitos inerentes ao correcto transporte e acondicionamento dos órgãos, vitais para o salvamento de vidas, algumas delas já em processo de operação nas mesas dos blocos dos diversos hospitais. No âmbito destas missões, a GNR é contactada pela Unidade de Saúde que detém o órgão a ser transportado, despoletando de imediato uma patrulha que se desloca até lá, transportando o órgão nas exigidas condições térmicas até ao seu destino, ou seja, até ao bloco operatório da unidade hospitalar requisitante. A qualidade e segurança da transplantação de órgãos depende do tempo necessário para o seu transporte, competindo assim à GNR, e em respeito das condições de segurança, chegar ao destino no menor tempo possível, contribuindo deste modo para o salvamento de mais uma vida.

FAP: Elefantes e Linces nos céus de Portugal
Processo semelhante, mas utilizando o espaço aéreo, faz a FAP, normalmente destacando, para o efeito, duas das suas Esquadras, a 502 – Elefantes, que recorre a uma aeronave EADS C-295M, e a 504 - Linces que usa um Marcel-Dassault Falcon F-50, avião de menores dimensões e, por isso, mais ágil. Além da prontidão máxima dos meios aéreos e respetivas tripulações, voltou a ser crucial a rápida e ágil coordenação entre esta força e as diferentes entidades competentes.

Entre 2014 e 2016 foram 90 as missões conjuntas destas duas esquadras, representando mais de uma centena de horas de voo, somando-se às 17 missões deste tipo realizadas até final do primeiro semestre deste ano, aqui representando cerca de 45 horas de voo, destinando-se depois os órgãos aos hospitais do Continente e de ambos os Arquipélagos dos Açores e Madeira. Acrescente-se que embora maioritariamente originários de unidade saúde nacionais, por vezes algumas das missões extravasam fronteiras, como a que em Abril do ano passado obrigou a uma deslocação a Tenerife, nas Ilhas Canárias, para a recolha de vários órgãos.

Doadores por defeito
Mais uma: sabia que, assim que nascemos, todos somos potenciais dadores de órgãos e de tecidos, caso venhamos a morrer num hospital? Isto porque a lei portuguesa assenta no conceito de doação presumida, sendo que apenas os cidadãos nacionais residentes em Portugal e que se encontrem inscritos no “RENNDA - Registo Nacional de Não Dadores” se podem recusar a doar os seus órgãos e tecidos. Quer dizer, depois de morto é algo indiferente, já que terá de ser a família directa a interceder por si, mas pronto, fica aqui a informação.
Imagens: FAP (1 e 3), GNR (2) e IPST (4)

Não pretendendo entrar em colisão com a posição de cada um sobre este tema sensível, lembro que ninguém está livre de um contratempo de saúde e, assim como alguém pode precisar do seu rim, fígado, coração, pulmão, pâncreas, córnea e/ou medula, o oposto também pode ser verdade, num processo com dois sentidos. De acordo com fontes oficiais, são milhares os que precisam de um transplante, para sobreviver ou melhorar a sua qualidade de vida, e as listas de espera nos hospitais continuam a aumentar, sem que se verifique o correspondente número de dadores, que o fazem declaradamente. 
Não é que seja o tema mais agradável para quando se está de férias, mas quando tiver um bocadinho pense nisto! Afinal, um dia, essa inevitabilidade acontece, pelo que quando tiver que deixar de ler estes Trendy Wheels, até pode vir a salvar uma vida... ou duas... ou...!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Uma tendência de esquerda

O tema de hoje não é nada político, tem a ver com ultrapassagens! É algo do nosso quotidiano nas estradas e que está na ordem do dia, quanto mais não seja porque as autoridades rodoviárias estão em força, nomeadamente a GNR com a Operação Via Livre, na qual se adverte os condutores que, nas auto-estradas e noutras vias de múltiplas vias, continuam a teimar em circular nas faixas centrais ou mais à esquerda, sem que exista tráfego nas vias mais à direita.

É uma realidade a que, em tempos, fiz referência no texto “Neste meio não está a virtude” publicado noutro blog, mantendo-se tão actual como então, pois pouco ou nada os portugueses evoluíram neste capítulo. O pessoal continua a adoooooooooooooooorar as faixas centrais! Há espaço livre à esquerda e também à direita, anda-se longe dos rails de protecção, pelo que quem vier atrás, mais depressa, e o quiser passar que se desenrasque! (nota: o termo que queria usar era outro, mas isto é um blog com alguma qualidade…).
Pois, mas a partir de agora a coisa vai passar a doer e muito mesmo, depois de quase um ano de alguma permissividade por parte das autoridades. Recordo que foi em Junho do ano passado que esta infracção passou a estatuto de “muito grave” quando, então, entraram em vigor as alterações ao Código da Estrada.
Segundo a GNR, “a prática da circulação de veículos pela via do meio ou da esquerda sem que exista tráfego nas vias mais à direita, para além de constituir infração ao Código da Estrada, causa constrangimentos à segurança rodoviária e à fluidez de tráfego e potencia o cometimento de outras infracções por parte dos condutores”.
Acrescente-se que, pela sua elevada gravidade é, por isso, punível por lei e, para além aliviar as carteiras em montantes que vão dos € 60 aos € 300, quem não circular na via disponível mais à direita pode também ficar inibido de conduzir por um período de 2 meses a 2 anos. Adicionalmente, perde nada menos do que 4 pontos na carta de condução, ou seja, um terço dos pontos iniciais de alguém que tenha o cadastro limpo. Como se pode ver, é obra!


Se até ao próximo Domingo (26 de Março) a GNR se limitará, no âmbito desta Operação, a acções de sensibilização, daí até ao Domingo seguinte (2 de Abril) os operacionais dessa força vão começar a apertar o cerco com fiscalizações mais sérias. A partir de então, a coisa vai passar mesmo a doer… e muito mesmo!
Ou seja, o lema é mesmo circular pela faixa mais à direita.

“Passa por cima, ó palhaço!”
Noutro contexto e para aligeirar um pouco a temática, mas também relacionado com ultrapassagens, quem é que nunca ouviu – ou disse – algo semelhante a “Passa por cima, ó palhaço!”? Mas parece que já há quem tenha tido uma ideia de como dar uma resposta à letra… mesmo!
Conheça o Hum Rider, uma viatura dotada de uma tecnologia elevatória que promete deixar muito boa gente de boca aberta.

Tendo sido realmente criada uma unidade, o objectivo não é massificar a sua produção, já que o conceito surgiu para dar visibilidade a algo completamente diferente: a conectividade automóvel, da norte-americana Hum by Verizon. Se quiser saber mais sobre esta potencial solução para passar por cima do trânsito leia este artigo da AdWeek. Caso possa, um dia, optar por algo de características semelhantes, garanto-lhe que não vai ganhar muitos amigos!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A Vida É Frágil

A par da condução sob efeito do álcool e da falta de uso dos cintos de segurança, o excesso de velocidade mantém-se como uma das principais causas da sinistralidade rodoviária no nosso país, contribuindo de modo significativo para as estatísticas de mortos e feridos graves. Quem o afirma é a GNR, autoridade que tem intensificado as suas acções de controlo para, entre outros objectivos, tentar reduzir esses números. Só este ano, entre 5,6 milhões de condutores analisados, 107.000 circulavam (uns meros 2%) acima dos limites permitidos, registando-se, ainda assim, uma redução em 20% de multas face aos autos de há um ano, considerado o mesmo período.

Imagem: APSI - Associação para a Promoção da Segurança Infantil
Se  em auto-estrada ou fora das localidades este flagelo é, já de si, preocupante, o que dizer do que acontece nas aldeias, vilas e cidades? Aqui e invariavelmente, um significativo número de condutores continua a ter o pé pesado nas suas deslocações, ou porque está atrasado para um qualquer compromisso, ou porque, muito simplesmente, não presta atenção à sinalização e aos limites impostos, de máximos de 50 km/h ou mesmo de 30 km/h em zonas residenciais e na proximidade de estabelecimentos de ensino ou de outras zonas relevantes.

De modo a tentar sensibilizá-l@ para este tema, trago-lhe o Vídeo Trendy Wheels da Semana, da Autoridade Nacional de Transito de Israel, entretanto adaptado por cá pela GNR sob o titulo de "A vida é frágil, reduza a velocidade!":


Se ainda assim não for suficiente, junto algumas estatísticas apresentadas por diversas entidades, todas elas claras e alinhando pela mesma bitola:
  • A GNR refere que, desde o início do ano foram atropeladas 1.700 pessoas, das quais 27 perderam a vida, havendo ainda que contar-se com os feridos, de gravidade variada, muitos dos quais ficarão com sequelas;
  • A ANSR refere que 35% dos atropelamentos ocorrem no atravessamento de vias e em locais assinalados para o efeito, ou seja, em passadeiras. Representa 90% dos atropelamentos mortais e 60% dos atropelamentos com feridos dentro das localidades; 
  • A APSI alerta que todas as semanas mais de 20 crianças e jovens morrem ou ficam feridos na sequência de um atropelamento. A maioria acontece com jovens com idades entre os 10 e os 14 anos, em zonas residenciais e durante os percursos casa-escola;
Posto isto e numa altura em que estamos em modo de “Regresso Às Aulas”, convido-o a cumprir com esta elementar regra de trânsito. Vai ver que não custa nada! 

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.