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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

L45: Um nº 1 muito original

Há veículos que, pelas suas características, se tornam autênticos objectos de colecção, sendo naturalmente alvo de cobiça pelos seus donos originais, que depois de os terem inadvertidamente vendido no passado, os pretendem recuperar para o seu espólio, exibindo-os orgulhosamente a quem visite os seus museus ou exposições para que os mesmos se vejam cedidos ou emprestados sobre determinadas condições, nomeadamente de segurança.
Imagens: Bonhams

Curiosamente, não é o caso do nosso convidado de hoje, um centenário – soma já 103 anos – Peugeot L45 Grand Prix Two Seater que acaba de mudar de mãos pela sexta vez no seu historial, 68 anos depois daquela que fora a sua última transacção. Trata-se, nada mais, nada menos, do que da primeira unidade L45 produzida (chassis e motor de competição com 4,5 litros) pela marca francesa a que, curiosamente, não pertence desde que o vendeu meros dois anos após o ter feito!
Criado pela Peugeot para o ACF Grand Prix, uma corrida de 20 voltas disputada a 4 de Julho de 1914 num novo circuito de 37,6 km, desenhado nos arredores de Lyon, poucas semanas antes do eclodir da 1ª Guerra Mundial, terá surgido discretamente nas boxes como carro de reserva, de uma equipa oficial que a marca ali inscreveu, com três outros exemplares semelhantes. Depois de uma utilização mais ou menos despercebida, voltava a surgir nesses mesmos moldes nos EUA, país de onde não mais saiu, inscrito para as 500 Milhas de Indianápolis de 1916, integrado numa equipa privada, significando que a Peugeot o havia entretanto vendido, no caso a um barão da madeira, de seu nome Lutcher Brown.
Seguiram-se quatro outros proprietários do dito, Ralph de Palma, Frank P. Book, Ralph Mulford (o próprio que havia sido o piloto de Lutcher Brown na corrida de Indianápolis) e ainda Arthur H. Klein. Isto até que, em 1949, Lindley Bothwell, um produtor de laranjas da região de S. Francisco, o comprava para si, integrando-o, posteriormente, no que haveria de se tornar na denominada “Bothwell Collection”.
Perfeitamente preservado ao longo dos tempos esteve na sua posse até ao passado dia 11 de Novembro, dia em que o ramo de Los Angeles da leiloeira britânica Bonhams, nomeada responsável pela nova transacção deste exemplar verdadeiramente único, o vendeu. Assumiu ali a numeração Lote 408, insípida face aos pergaminhos que enverga – é o Chassis nº 1 e tem o Motor nº 1, como se comprova pelas respectivas placas nele cravadas – tendo este histórico carro de corridas sido arrematado por 7,26 milhões de dólares (aproximadamente 6,18 milhões de euros), tornando-se no mais caro Peugeot de sempre! Ah sim, Bothwell comprara-o por… 2.500 dólares.

Curiosidade: o novo proprietário não quis ser identificado mas, quase em simultâneo, a Peugeot refere, numa das suas plataformas oficiais, que “o Peugeot L45 será sempre bem-vindo a Sochaux caso o seu proprietário aceite expô-lo aos mais de 60.000 visitantes, nacionais e estrangeiros, que anualmente visitam o Musée de l’Aventure Peugeot. É caso para pensar se não terá sido a própria…!





Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Volvo em aventura eco-marítima

Nove meses, 5 continentes, 12 cidades, 3 oceanos, mais de 45.000 milhas náuticas e 7 equipas mistas, em género e país de origem, com 8 a 10 elementos, incluindo alguns velejadores portugueses, a bordo de 7 embarcações de características idênticas, uma delas com bandeira lusa, a meias com a das Nações Unidas. São estes alguns dos números em torno da Volvo Ocean Race, iniciativa náutica que teve, ao longo dos últimos 5 dias, um stopover na doca de Pedrouços (Lisboa), escala do final da 1ª de um total de 11 Etapas.

Patrocinadora deste evento de reconhecimento mundial, a Volvo Cars ali realizou uma série de acções de suporte, entre elas a apresentação do seu próprio navio-almirante, a V90 Cross Country Volvo Ocean Race, proposta não tanto para enfrentar os mares mas sim para explorar as estradas e, muito em especial, fazê-lo fora delas. 
Presente como convidado nesse evento, o Trendy Wheels ficou a conhecer ambos os lados desta sua multi-premiada proposta para o segmento das carrinhas premium, nomeadamente a versão especial que assinala o arranque da edição 2017/18 desta jornada através de 3 grandes mares do nosso planeta, e, muito em particular, o reforço de investimento de € 300.000 a ela inerente, em prol do programa “Volvo Ocean Race’s Science Programme”, iniciativa de inovação, exploração e descoberta científica, fruto da reserva de € 100 do PVP de cada uma das 3.000 unidades que a marca está segura de conseguir vender em todo o mundo e sem grande esforço, que compõem o lote de produção inicial.
Como tenho vindo a referir em edições recentes, se é grande a preocupação com o ar que respiramos, também o tem de ser – e muito – para com a saúde dos nossos mares e oceanos, que, entre outros elementos, vive cada vez mais impregnado de plásticos e derivados poluentes. Sob a égide do estudo “Turn the Tide on Plastic” da Mirpuri Foundation, as sete enormes e idênticas embarcações à vela Volvo Ocean 65 estão, todas elas, equipadas com uma multitude de sensores que, desde a sua saída de Alicante (Espanha), no passado dia 22 de Outubro, até chegarem a Haia (Holanda) a 30 de Junho de 2018, permitem uma vasta recolha de importantes dados ao longo do tão extenso percurso.


Acreditando-se que 99% dos materiais plásticos presentes nos oceanos é invisível ao olho humano, irá, assim, analisar-se a concentração de microplásticos, os níveis de salinidade, o dióxido de carbono dissolvido e o de clorofila nas algas, medições que irão ajudar a criar uma visão mais abrangente deste enorme foco de poluição e o seu já desmesurado impacto nos nossos oceanos. Adicionalmente, a análise de temperatura das águas e sua variação, pressões barométricas, correntes e velocidades do vento irão contribuir para tornar mais fidedignas as previsões meteorológicas e mais evoluídos os modelos climáticos usados pelos cientistas a nível global para tentar antecipar tudo o que a natureza proporciona, nomeadamente os fenómenos mais devastadores, cada vez mais comuns.
"Estamos muito orgulhosos em apoiar o 'Volvo Ocean Race’s Science Programme', através do qual será possível a melhorar a nossa compreensão da saúde dos oceanos, aquele que é o nosso maior recurso natural," comentou Stuart Templar, Director de Sustentabilidade da Volvo Cars. "Como empresa, trabalhamos para minimizar o nosso impacto no mundo em nosso redor, pelo que a abordagem inovadora deste projecto, no qual se lida com um enorme problema ambiental, proporcionou-nos um grande desafio, sublinhando a importância de que ao mesmo tempo rumamos a um futuro eléctrico.”


Imagens: Trendy Wheels/JP



CC + VOC = Optimizado para a aventura
Evolução de conceito da Volvo V90 que conduzi em Julho último – pode ler esse texto aqui – esta renovada carrinha acrescenta-lhe duas características: a filosofia “Cross Country” da marca, permitindo-se ampliar os horizontes pelas diferentes soluções mecânicas e de conteúdos aplicadas a diversos dos seus modelos, permitindo-se chegar a locais eventualmente impensáveis para uma viatura como a V90, com estas enormes mas elegantes dimensões, somada à vertente “Volvo Ocean Race”, numa combinação que gera um automóvel ímpar, que partilha a mesma natureza aventureira e espírito pioneiro da jornada náutica que, até ao passado dia 5, teve este stopover num local de onde, há uns bons séculos, saíram as caravelas com que Portugal deu novos mundos ao mundo! Okok… para os mais preciosistas, eu sei que foi um bocadinho mais ao lado!

Desenvolvida em Torslanda (Suécia) por um grupo dedicado de engenheiros, esta Volvo V90 Cross Country Volvo Ocean Race assenta a sua essência numa palavra – “versatilidade” – traduzindo-se numa carrinha para o quotidiano, inerente à tradicional equação “casa/trabalho/compras/escolas”, somada àquela escapadinha de final do dia, de fim-de-semana ou de férias, a solo ou em grupo. Adoptando a tracção integral, maior altura ao solo e chassis optimizado da V90 Cross Country que consta do seu catálogo tradicional, que já permite enfrentar praticamente todos os tipos de pisos e condições atmosféricas, conta aqui com mais uns quantos mimos e elementos diferenciadores, como a grelha exclusiva, as jantes de 20 polegadas e diversas protecções exteriores e detalhes interiores únicos.
Mas não se pense que por contar com este ar quase angelical, fruto do único tom exterior Branco Crystal, com pormenores contrastantes Cinza Kaolin Grey e Laranja Flare, esta V90 é para colocar numa redoma de vidro para não se sujar. Nada disso! Chova ou faça sol, ela reclama por constantes viagens e desafios, fruto das inúmeras soluções que apresenta aos seus proprietários, que se pretendem aventureiros por natureza, como nos foi explicado por Dan Olson, Vice-Presidente de Veículos Especiais e Acessórios, da Volvo Cars, um dos mentores por detrás deste projecto, a meias com Stephan Green e Cindy Wang. Entre outros, incluem-se uma lanterna ultra-resistente aos impactos e à água, feita em alumínio aeroespacial, piso da bagageira inspirado no soalho dos iates de luxo, com materiais duradouros e de fácil limpeza/lavagem (com recurso a uma máquina de limpeza portátil, que é parte do equipamento) e, por isso, resistentes a líquidos e sujidade, protecções para os bancos, para quando se chega enlameado e transpirado de uma corrida, molhado de um dia de pesca desportiva ou de uma qualquer actividade aquática, e ainda um saco impermeável dedicado, para guardar os mais diversos equipamentos, idealmente os mais sujos!, tudo conteúdos que nos foram mostrados in loco.

Imagens: Volvo Cars
Imagens: Trendy Wheels/JP


Isto porque os interiores em couro Charcoal ou Blond/Charcoal, com elementos contrastantes – detalhes em fibra de carbono ou as costuras no mesmo tom laranja do exterior – mantêm o pedigree e as soluções de conveniência habituais da marca sueca e, afinal, há que não estragar o conjunto, sublimado por pormenores de design único, como as fitas do cinto de segurança, também elas em Laranja Flare, fazendo um mix perfeito com um ambiente de condução que se pretende desportivo, elegante e luxuoso. Naturalmente que tudo isto com a assinatura “Volvo Ocean Race” bastante visível!



Para terminar, Aira de Mello, Directora de Relações Públicas e Marketing da Volvo Portugal anunciou que esta edição especial chegará a Portugal em Janeiro do próximo ano e terá dois motores diesel (D4 e D5) e outros tantos a gasolina (T5 e T6), com um preço estimado de entrada de € 71.500.

Imagens: Volvo Cars



Se quiser saber mais sobre a aventura Volvo Ocean Race 2017/18 clique no link, podendo ver aqui o percurso desta edição que as 7 equipas pretendem cumprir, e que ontem abalou de Lisboa rumo à Cidade do Cabo, na África do Sul, evoluindo dali até ao destino a atingir a meio do próximo ano. Convido-@ ainda a ver este vídeo de uma dessas formações, no qual se detalha muitas das particularidades desta aventura dos mares.
Imagens: Volvo Ocean Race

Imagens: Beau Outteridge/Turn the Tide on Plastic

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Electricidade III: Silêncio! A corrida verde vai começar...

Corridas de automóveis eléctricos, uma realidade que, não há muitos anos, só se presenciava nas pistas de Scalextric que a rapaziada montava na sala, nos carros telecomandados, nos jogos das múltiplas plataformas ou em filmes de cunho mais futurista. Só que, fruto da real evolução do conceito, a coisa foi ganhando, gradual e silenciosamente, bastante velocidade, com base no investimento dos construtores que apostam nas tais soluções eléctricas e/ou híbridas, tema a que me referi na passada edição do Trendy Wheels.
Imagem: Fórmula E

O conceito que temos hoje como mais tradicional das corridas, assente nos tradicionais cheiros dos diferentes combustíveis nas boxes dos circuitos, bem como os sonoros roncos dos motores, irá, assim dar lugar a soluções mais amigas do ambiente e a suaves silvos dos blocos de baterias de emissões zero, tudo porque a electricidade já se propaga – com bastante substância e tecnologia associada, diga-se! – ao desporto motorizado internacional, mexendo no há muito instituído. 
Em tempos vista como inatingível, quais deuses do Olimpo ou pináculo da tecnologia automóvela todo-poderosa Fórmula 1 tem-se visto, ao longo dos últimos três anos, seriamente ameaçada pela chegada – e gradual sucesso e visibilidade – do Campeonato FIA de Fórmula E que até faz disputar os seus ePrix - acrónimo para "electric Grand Prix" - bem no centro das grandes cidades. Algumas até já foram palcos de Grandes Prémios de F1 e aonde esta desejaria regressar, objectivo hoje de impossível concretização por razões ambientais, de poluição atmosférica e sonora, apenas se mantendo no activo o GP do Mónaco, desenhado nas ruas e avenidas da icónica capital deste Principado, por uma simples razão: dólares!
Com essa leva de pessoas aos ePrix desenhados nos centros das urbes do planeta - infelizmente ainda nenhuma delas por cá - tem sido gradual e sustentado o sucesso da Fórmula E, até porque também não se obriga os espectadores a deslocações até pistas mais fora de mão. Tanto que são cada vez mais as marcas presentes na série, abandonando anos de presença na F1 e noutras modalidades. Uma delas é a distinta Jaguar, marca de luxo de origem britânica que para esta nova temporada de 2017/18 fez um reforço significativo de investimento na série, onde participa com o seu próprio monolugar, mas este ano estreando o i-Pace eTROPHY, um novo troféu monomarca 100% eléctrico, com base no seu modelo i-Pace, como programa de apoio aos diferentes ePrix.
Imagens: Jaguar

Fórmula E, Temporada 4
Pergunta para queijinho: quem irá bater o, até agora, invencível Renault e.dams Formula E Team? É esta uma das questões à entrada da nova temporada da Fórmula E, pois foi esta associação francesa que conquistou os troféus de equipas das três anteriores edições, somando-se outro de pilotos em 2015/16, um domínio assinalável nesta nova realidade das corridas de monolugares... eléctricos!
Imagem: Renault

Campeonato que, ao contrário dos demais, se inicia num ano para terminar no seguinte, esta edição 2017/18 até já arrancou, pelo menos nos bastidores, com as habituais novidades em termos de movimentações de pilotos e de equipas. Teremos 20 carros em pista, dois por cada uma das 10 formações que partem ao assalto dos dois novos títulos (Pilotos e Equipas). Estes monolugares são 100% eléctricos e de chassis e pneus idênticos, sendo dois por piloto e por corrida, pois se na F1 as corridas envolvem trocas de pneus, na Fórmula E troca-se... de carro! A operação é feita sensivelmente a meio das corridas, altura em que as baterias terão esgotado a quase totalidade da sua carga útil, uma particularidade em que se está a trabalhar para que, a curto/médio prazo, deixe de acontecer, face à maior autonomia das futuras baterias, passando a permitir cumprir-se a totalidade de um ePrix. Uma coisa é certa: manter-se-á sempre como pedra-chave desta competição a correcta gestão da energia por cada piloto, de modo a não se ficar sem combustível... perdão, sem electricidade!
Vendo a Fórmula E como o veículo por excelência para promover as suas gamas eléctricas, híbridas e plug-in, regista-se, como adiantei acima, um crescente envolvimento directo das marcas automóveis, sendo que na temporada que está prestes a iniciar-se são 4 os construtores oficialmente inscritos – Audi, DS, Jaguar e Renault – mais a BMW a fazer uma época de transição como parceira da equipa norte-americana Andretti, para assumir em pleno as rédeas do projecto em 2018/19.
Somem-se as (ainda) quase desconhecidas marcas chinesas Faraday, NIO e Techeetah, a monegasca Venturi e a indiana Mahindra e teremos 20 monolugares verdes a rechear as grelhas de partida e a dar espectáculo em pista. Não acredita? Então veja o vídeo no final deste texto). 
Imagens: Fórmula E
Imagens: BMW, Mercedes-Benz




A febre do ambiente
A demonstrar que esta febre ambiental está a alastrar e a mostrar-se cada vez mais importante para as contas do sector automóvel, confirmou-se, entretanto, a chegada dentro de duas épocas (em 2019/20) das eternas rivais alemãs Mercedes-Benz Porschedesertando de outros campeonatos baseados em combustíveis fósseis, onde estiveram por largos anos e onde acumularam, em conjunto, centenas de troféus e títulos. Na anterior (2018/19) entrará em cena Nissan, tomando o lugar da meia-irmã Renault (que passará a dedicar-se em exclusivo à F1), algo visto como natural, dado o posicionamento diferenciado de ambas e também porque pelo facto de pertencerem ao mesmo grupo industrial, seria inviável e indesejável o seu confronto directo. Ou seja, a presente época apresenta-se como a hipótese de ouro para que os franceses alcancem um poker de títulos!
Outra sensação desta 4ª época da Fórmula E, que está prestes a iniciar-se, é o anunciado regresso da Suíça ao desporto automóvel internacional, país que há mais de 60 anos baniu as grandes competições dentro das suas fronteiras, curiosamente devido ao muito trágico acidente ocorrido na vizinha França, nas 24 Horas de Le Mans de 1955. Findo esse luto motorizado e fruto do conteúdo verde desta competição 100% eléctrica, será Zurique a cidade que irá ter ePrix no centro da cidade, a realizar a 10 de Junho próximo.
Mas os suíços não serão os únicos a testemunhar a modalidade pela primeira vez no seu país, pois também chilenos, brasileiros e italianos terão os seus primeiros ePrix verdes de sempre, respectivamente nas cidades de Santiago do Chile, S. Paulo e Roma. Arrancando a 2 de Dezembro em Hong Kong (China), logo com uma jornada dupla, nesta temporada de 2017/18 repetem-se, ainda, os circuitos citadinos de Marraquexe, Cidade do México, Paris, Berlim e Nova Iorque (duas corridas), num ciclo de 14 ePrix que terminará em Montreal, em Julho, igualmente num fim-de-semana com dois eventos.
Imagens: Fórmula E


Saiba tudo aqui sobre uma modalidade com que até pode interagir directamente, oferecendo bónus de energia ao(s) seu(s) piloto(s) favorito(s), processo feito através de uma plataforma própria, recorrendo ao hashtag #fanboost. Alerto que até há um português - António Félix da Costa (imagem acima) - neste campeonato, como piloto oficial da BMW, pelo que toca a puxar pelas cores lusas!
Entretanto, se quiser um cheirinho do que sucedeu nos primeiros 3 anos de vida deste Campeonato de Fórmula E, basta apreciar o seguinte conjunto de imagens:

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Paraciclismo II: O sonho de bronze de Costa

Se a primeira metade de 2017 do paraciclista Luis Costa foi repleta de viagens e medalhas, o trimestre que se seguiu não foi menos vazio de histórias para contar, quase todas elas com final feliz, em especial a última, no âmbito dos Campeonatos do Mundo da África do Sul, onde alcançou o que considerou como um sonho. Mas vamos por partes...

Fim-de-semana de bronze ao peito!
Retomemos essa aventura onde parámos na anterior edição, com uma segunda metade de 2017 que começou com nada menos do que duas subidas ao pódio, num evento da Taça do Mundo em Emmen (Holanda), resultados que, apesar da sua dimensão, não o satisfizeram por completo!

A primeira medalha de bronze decorreu do 3º lugar obtido no Contra-Relógio, prova em que ficou a apenas 58 segundos do vencedor, o holandês Tim de Vries, seu eterno adversário! “Confesso, por isso, que me soube a pouco, embora ficasse satisfeito pela minha evolução em Contra-Relógios, já que fiz as duas voltas ao percurso sensivelmente iguais, a uma média final de 40 km/h.
Segundo o lema “Esforço, dedicação, devoção e glória” do seu Sporting Club de Portugal, “clube que orgulhosamente represento”, apostou em fazer melhor no dia seguinte, na Prova de Fundo, mas também aqui foi o resultado foi idêntico, numa jornada em “fiquei um pouco frustrado pela forma como deixei escapar a prata, pois trabalhei muito durante esta prova para tentar alcançar o Tim, que depois fugiu sem que o conseguisse alcançar. Percorri os últimos 100 metros com algum avanço sobre Alfredo de los Santos, mas infelizmente os braços não aguentaram o esforço final e ele passou-me mesmo em cima da linha de chegada”, concluindo com um desalentado mas real desabafo de que “só acaba no fim, é essa a realidade!”




Campeão Nacional, mas este ano sem certificado!
De regresso a Portugal, Luis Costa abraçou, depois, os Campeonatos Nacionais de Almeirim, alcançando duas vitórias – no Contra-Relógio e na Prova de Fundo – na sua classe. Dois resultados que, em condições normais, lhe valeriam o seu novo título de Campeão Nacional.

Só que, este ano, fruto das novas regras da modalidade, Luis Costa não pode ser declarado Campeão Nacional, já que é sendo o único atleta da sua classe, não tendo, por isso, direito a receber e usar na próxima época a camisola de Campeão Nacional. “É injusto? Talvez, mas regras são regras e não as vou contestar. Mas, a partir de agora, vou competir com o equipamento verde e branco do meu clube, algo que muito me orgulha de igual modo”.
A fechar o ano nacional de competições, disputou em Albergaria e Alcobaça as duas derradeiras provas da Taça de Portugal, vencendo em ambas a sua classe. “Sobretudo aproveitei para fazer novos testes à condição física, ficando muito satisfeito com a minha forma, fruto das muitas ‘tareias’ que levei nas semanas anteriores, numa altura em que já ansiava pelos Mundiais.”


O corolário de toda uma época
E eis que chega o ponto alto da temporada, o Campeonato do Mundo de Paraciclismo da Africa do Sul, em Pietermaritzburg, evento que começou com uma série de percalços mas que viria a tornar-se no seu maior orgulho, encerrando toda uma época de esforço e dedicação.

“Não começou, de facto, nada bem essa participação, primeiro com um problema mecânico na handbike durante os treinos oficiais para o Contra-Relógio. O desviador de velocidades ‘decidiu’ ser esse o momento ideal para deixar de funcionar em condições, o que me limitou as performances, não deixando engrenar alguns carretos mais altos, essenciais nas descidas de grande inclinação desse percurso”. Em resultado disso, o atleta luso viria a chocar violentamente com um adversário, “quando seguia a mais de 40 km/h. Ele não me viu e virou à direita no momento exacto em que eu o ultrapassava!” Como resultado Luis Costa, capotava e resvalava de costas no asfalto. “Apesar disso e milagrosamente, a handbike não sofreu nem um risco para além dos que já tinha”.

Vá que as redes sociais também servem para pedidos de ajuda e um proprietário de uma loja de bikes local lhe arranjou um desviador electrónico novo para que, no dia seguinte, ele pudesse fazer o reconhecimento ao percurso da Prova em Linha e depois, os eventos oficiais. “Foi só montar e testar, funcionando a 100%, sem necessidade de nova programação do sistema. Fiquei delirante, agradecendo aos anjos que lá em cima olham por mim, mesmo quando me deixam esfolar as costas todas no alcatrão”.
Depois de tantos problemas, Luis Costa apresentou-se à partida “decidido a provar que todo o investimento em tempo, compreensão, dinheiro e trabalho de todas as pessoas que de qualquer modo contribuíram para que aqui chegasse em grande forma, não fosse desperdiçado! O percurso era ao meu gosto, mesmo com subidas de ‘partir o coração’”, explicou. “Trabalhei muito para isto, num ano em que me preparei desde início para esta prova onde podia mostrar o meu valor, a mim próprio e ao mundo!”
“Desde a primeira das 3 voltas percebi que estava andar mesmo forte, ultrapassando vários dos atletas que partiram antes de mim, ao mesmo tempo que via que o Alex Zanardi e o Tim de Vries, dupla que partiu depois de mim e naturais candidatos à vitória, não me estavam a ganhar muito tempo. Também assisti aos saltos do meu treinador, José Marques, a cada passagem minha na meta, quase à beira de um ataque cardíaco, porque se apercebeu de que eu estava no rumo das medalhas, algo também me deu ainda mais força para dar tudo por tudo até ao fim e não deixar escapar a oportunidade”.

De facto ela não escapou, gerando “um turbilhão de emoções. Mais do que ganhar a medalha de bronze num Campeonato do Mundo, foi a forma como o consegui, ficando a apenas 47 segundos do Zanardi, algo que ainda se revestiu de maior importância para mim, pois não há muito tempo eu perdia 5 minutos pra ele neste tipo de prova! E dado que ambos temos apoios e materiais de diferente dimensão, acho que não é preciso dizer mais nada!”
“Estar ali naquele pódio, na competição mais importante do calendário mundial – a par dos Jogos Paralímpicos, claro! – ao lado do homem que todos consideram o maior atleta de sempre no paraciclismo e que foi a minha inspiração para me decidir a praticar este desporto, é surreal!”
Tão surreal que, no dia seguinte, na Prova em Linha com cerca de 60 km partiu de faca nos dentes em busca de novo pódio, “sempre a acreditar que tudo é possível.” Mas nova subida ao pódio fugiu-lhe por pouco, muito pouco, já que terminou com o mesmo chrono do vencedor. “Sim, fui 4º mas terminei no grupo dos melhores, deixando o 5º classificado a mais de 20 segundos!” É caso para dizer que já não falta tudo!

Tudo somado…
O difícil mas recheado ano de 2017 de Luis Costa terminou, assim, com 4 medalhas de prata em provas C1, mais 3 medalhas de bronze em eventos da Taça do Mundo, e a enorme medalha de bronze que trouxe do Campeonato do Mundo. 

“Acabei o ano no 3º lugar do ranking da minha classe na Taça do Mundo e em igual posição no da UCI, apenas atrás desses dois colossos Campeões do Mundo, o Tim de Vries (na Prova em Linha) e o Alex Zanardi (no Contra-Relógio), dois amigos e fantásticos adversários.”
“É uma honra,” sublinha o nosso atleta paralímpico que, pelo 4º ano consecutivo, integra o top 10 mundial da modalidade algo de muito significativo, depois da sua estreia em competições oficiais em 2013: “Dado que em 3 deles acabei nos lugares do pódio, só tenho motivos para estar orgulhoso da minha evolução e super-motivado para tentar fazer ainda melhor nos próximos anos”
Um vasto conjunto de resultados que deve ao seu total empenho e dedicação, mas também e significativamente, ao Professor Gabriel Mendes, técnico da Federação Portuguesa de Ciclismo, e ao seu incansável treinador José Marques, para além, claro, do apoio familiar encabeçado pela sua companheira Inês Neves. Outra peça importante é o conjunto de entidades que, à sua medida, o apoiam neste ambicioso projecto, da própria federação ao Comité Paralímpico de Portugal, passando pelo SCP e demais empresas que lhe prestam os mais variados serviços.
E o é que vem a seguir? Há que esperar pelas “cenas dos próximos capítulos”, aqui no Trendy Wheels. Isto porque “o Costa” – como é conhecido pelos amigos – ainda tem algo (muito mais) para dizer…
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Paraciclismo I: Luis Costa na elite mundial

O paraciclismo nacional está, uma vez mais, de parabéns! Modalidade que, entre nós, tem crescido em importância e em (alguns) novos representantes, apesar dos diminutos apoios que lhe são dados e à ainda ínfima cobertura que merece das televisões e da imprensa (dita) especializada em acontecimentos desportivos, há um nome que se destaca entre os demais: Luis Costa.

Temática que já aqui abordei no Trendy Wheels algumas vezes, de modo a dar um empurrãozinho à modalidade em termos de visibilidade, bem como ao próprio e às suas pretensões de se tornar Campeão do Mundo, Campeão Paralímpico… ou ambos! Coisa pouca, se pensarmos nos obstáculos bem maiores que, há anos, teve de ultrapassar no domínio pessoal, depois de um acontecimento que – no dia do seu 30º aniversário – o obrigou a repensar toda a sua vida. Mas como desistir não faz parte do seu modo de vida, dedicou-se de corpo e alma ao paraciclismo, definindo como um dos objectivos elevar cada vez mais alto a nossa bandeira nos mastros dos quatro cantos do mundo, expresso nos resultados obtidos além-fronteiras.
“Que nunca por vencidos se conheçam” é um dos lemas de vida deste atleta que, agora com 44 anos, está aí para as curvas e para as rectas, sempre à força de braços com a sua “menina”, numa dedicação sem igual a uma modalidade que já lhe ofereceu enormes alegrias, sempre vistas como mais significativas do que os desaires. A mais recente foi uma medalha de bronze nos Mundiais da África do Sul, em Setembro último, orgulhosamente ocupando um lugar seu por direito no pódio de uma das provas, na companhia de dois dos seus maiores ídolos – o holandês Tim de Vries, vencedor da maioria das provas, e Alex Zanardi, ex-piloto de monolugares (Fórmula 1, Indy, etc) – e também adversários ao longo da presente época.

Voltando ao nosso entrevistado, finda a azáfama de nove longos meses, Luis Costa está presentemente menos activo em termos de presença em provas oficiais, mantendo-se em modo de descompressão de uma época muito exigente mas também saborosa. Foi neste intervalo, entre uma sessão de treinos e as exigências da sua desgastante profissão, que deu uma longa entrevista ao Trendy Wheels.
Tão longa que a tenho de dividir por várias edições, começando, assim pelo balanço de 2017, época que o atleta luso considera ter sido “um grande ano. Estive nos lugares cimeiros em todas as competições internacionais em que participei, batendo-me com os melhores do mundo nas provas de categoria C1 da UCI, depois nos eventos da Taça do Mundo e, por último, no Campeonato do Mundo da África do Sul, em Pietermaritzburg,” resumiu-nos.
Ele que também acumula um palmarés invejável no paraciclismo nacional, colecionando muitas vitórias na sua categoria (H5/Handbikes) e os correspondentes títulos. Um conjunto de resultados “que valorizo igualmente, apesar de continuar a ser o único atleta da minha classe. Encho-me de orgulho pelo facto de, com eles, poder continuar a dinamizar a modalidade em Portugal.”

Quatro pratas a abrir a temporada
À semelhança dos anos anteriores, 2017 voltou a obrigá-lo a um exigente plano de treinos, cuidadosamente elaborado pelo Professor Gabriel Mendes, técnico da Federação Portuguesa de Ciclismo, e contando com os préstimos do seu treinador José Marques: “Diria que o José é o orientador no terreno e o Gabriel é o génio matemático que desenvolve as ‘fórmulas’ que dão origem a campeões”, refere. 

Tudo começou em Abril com uma tripla deslocação a Itália, para duas Taças da Classe 1 e uma mais valiosa Taça do Mundo. No Contra-Relógio da Verola Paracycling Cup houve “num misto de emoções: por um lado fiquei feliz pelo 2º lugar, a escassos 3 segundos do Tim de Vries, por outro com um sabor amargo pela diferença final”. Já a Prova de Fundo pregou-lhe um susto quando “sensivelmente a meio, a pulsação disparou de um ritmo ‘normal’ (em esforço) de 160 batidas por minuto para as 196 bpm, com uma ligeira dor no abdómen. Tendo em conta que o meu tecto máximo é de 173 bpm e mesmo para lá chegar preciso fazer um esforço extremo, prossegui em prova, em agonia mas sem desistir, alcançando nova prata, mas já a 3m29s do vencedor, uma eternidade em relação às expectativas, nomeadamente após a prestação da véspera.”
 “Uma semana depois corri a Brixia Paracycling Cup. Já recuperado, lancei-me estrada fora no Contra-Relógio, obtendo o 2º tempo da minha classe (e também da geral das handbikes) a apenas 35 segundos do Tim, resultado que me deixou muito motivado, significando uma grande evolução da minha parte em relação às épocas anteriores, onde perderia normalmente 1m30s ou mais neste tipo de exercício”. Depois, na Prova em Linha, veio a 4ª medalha de prata do ano, uma jornada“sem ataques frenéticos ou alterações cardíacas anormais. Fui 2º, a 20 segundos do Tim, com um ritmo elevado (média final acima de 35 km/h), controlando os meus restantes adversários, em especial o francês Loïc Vergnaud que deixei a 4 minutos! Foram duas prestações que me deixaram com óptimas expectativas para o que viria a seguir”.
Em meados de Maio viu-se, de novo, por terras italianas, em Maniago, para a primeira prova da Taça do Mundo, prova que o nosso entrevistado resume como “24,3 km de sofrimento, a dar tudo por tudo à procura de um lugar no top-5, algo muito difícil quando se defronta os melhores do mundo”, acrescentando, logo depois, uma nota de que “se fosse fácil não servia para mim”!
Contando com uma grande ajuda no capítulo técnico da Joker 8, roda que a PROTOTYPE Racing Parts, uma das entidades que o apoia, lhe cedeu no ano passado, Luis Costa alcançou esse objectivo… em dobro! Primeiro no Contra-Relógio, “prova que fiz com o coração na boca e a levar com os berros do Seleccionador Nacional que me seguia na viatura, e que me conseguiu ‘ressuscitar’ para terminar forte, apesar do 4º lugar ter fugido por poucos segundos”. Mas também acabou logo à frente do 6º e 7º, Alfredo de los Santos e Oscar Sanchez (dois paraciclistas do Team USA), o último dos quais foi medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio. “Acho que isso diz tudo do nível a que se andou nessa prova. E fazer 24 km com média final de 38 km/h, a ‘pedalar’ com os bracinhos… experimentem!” Na prova em linha, a chegada foi feita ao sprint, com novo 5º lugar e o mesmo tempo do vencedor, jornada em que na fase final “perdi uns metros preciosos que já não consegui recuperar. Faz parte. Sempre a aprender.”


Taças por lá e por cá…
Mas seria na Taça do Mundo de Ostende (Bélgica) que se deparou com o primeiro revés do ano: “Um dia teria que acontecer e foi nessa prova que tive uma avaria mecânica - um dos cabos elétricos do sistema quebrou - logo ao primeiro km do contra-relógio me fez ficar sem mudanças. Fiz os restantes 14 km com a mudança que ficou engrenada, obrigando-me a ‘pedalar’ a grande rotação, lutando contra o vento, sem que pudesse usar os carretos mais leves. Desgastou-me até ao limite das minhas forças e Fiquei de rastos física e psicologicamente, mas estes azares fazem parte da competição”, numa prova onde foi, de novo, o 5º melhor.

Com o contributo de mecânicos tugas improvisados e da equipa francesa Cofidis, que lhe dispensou um cabo eléctrico novo, o problema ficou resolvido e na prova em linha lutou até ao fim pela vitória, “em nova chegada ao sprint onde fui 3º, com o mesmo tempo do vencedor. Fiquei super feliz com essa medalha de bronze, a minha 5ª em Taças do Mundo [nota: obteve 4 de prata em 2016], pois foi conseguida defrontando quase todos os melhores do mundo”, só aqui faltando à chamada o seu ídolo Zanardi. “Percebemos como foi dura a batalha quando comemoramos uma medalha de bronze como se fosse a de ouro,” acrescentou.


Dias depois estava já em Portugal para disputar o 20º Prémio de Viana do Castelo, a sua primeira prova da época em território nacional. Venci a classe e fiquei satisfeito pelo 2º lugar da geral, numa chegada feita ao sprint com o vencedor, Johnny Marques, da classe D (surdos). Fizemos juntos a quase totalidade da corrida, isolados desde as primeiras voltas, mas as pernas dele foram mais fortes do que os meus braços”.
Seguiu-se a primeira prova da Taça de Portugal em Águeda, em meados de Junho, importante teste antes da ida até à Holanda para o evento final da Taça do Mundo. Numa altura em que Portugal ardia e provocou a tragédia conhecida de todos e que, infelizmente, ficará na história, “a corrida fez-se sob um calor intenso e com um céu encoberto pelo fumo dos incêndios, num percurso rápido mas pouco adequado às handbikes”. A tarde começou com um furo ainda antes das coisas aquecerem, para depois saltar a corrente em 18 das 20 voltas ao percurso, sendo salvo pelo “bendito sistema eléctrico que permite recuperar a corrente facilmente.”


Ficou, assim, concluída a primeira parte de um ano que viria a ter um desfecho impressionante, com todos os condimentos de um episódio de suspense, com sangue suor e (algumas) lágrimas. Aventuras já a desvendar já na próxima edição.
Imagens: Luis Costa, UCI/Andrew McFaden, Fotogliso, Planeta Ciclismo, Vito Cartafalsa, Loredana Colombari, Paratee-Psylos/Setefan Nies, GP ABimota; Quadros: UCI


Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
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