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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Natal 2017: Kirobo Mini, o amiguinho japonês

Se era pequenin@ em meados dos anos 90 lembrar-se-á, decerto, do Tamagotchi. um amigo electrónico – tipo porta-chaves – de origem japonesa, com que a criançada e alguns adultos lidavam como se de um animalzinho de estimação se tratasse. Havia que cuidar dele, alimentá-lo e dar-lhe bastante atenção, já que se não o fizesse ele ficava triste, podendo até morrer! Entretanto parece que a coisa deu um novo salto, sendo que as versões mais recentes até permitem comunicação entre os Tamas, gerando-se famílias com direito a filhos e tudo! Brrrrrrrrr!!!!

Noutro domínio mais evoluído, considerando que as (pseudo)emoções dos Tamas eram fabricadas, trago-lhe hoje um novo e bem mais avançado amiguinho, o Kirobo Mini, conceito de robô concebido pela Toyota e que conta com um impressionante nível de realidade e inteligência, a vários níveis.
Herdeiro do seu antecessor Kirobo, robô que fez parte do programa espacial nipónico (ver mais abaixo), esta pequenina proposta de apenas 10 cm de altura tem como objectivo melhorar as relações entre as máquinas e os humanos, num planeta onde, quer se queira ou não, essa inter-relação é cada vez mais real (vejam-se a “Sophia” e o “Einstein” que estiveram no recente WebSummit, em Lisboa). Apresenta-se, por isso, como um parceiro de comunicação em miniatura, companheiro que pelas suas diminutas dimensões cabe na palma da mão, podendo ser levado pelo seu dono lá por casa, nas viagens de carro e em praticamente qualquer lugar.



Quando sentado o Kirobo Mini vira a cabeça para quem lhe estiver a dirigir a palavra e responde acenando e mexendo os braços. Pode iniciar uma conversa casual e, através de reconhecimento facial, tem a capacidade de ler e responder às emoções do ser humano, apreender as suas preferências e reagir de acordo com eventos passados, numa companhia personalizada. Pode também melhorar as suas capacidades de interacção com o seu dono de carne e osso, usando serviços conectados das suas casas e dos próprios veículos da marca japonesa.
Após um período de pré-vendas que arrancou em Tóquio em Maio último, desde essa altura a procura pelo pequeno robô de companhia cresceu exponencialmente, por parte de clientes que pretendem obter novas experiências, levando a marca a criar um portal dedicado "With Kirobo Mini Friend Park" onde se podem partilhar os vários momentos passados com ele. Mais recentemente, em Novembro, passou a estar à venda através da rede Toyota daquele país, por cerca de 39.800 Ienes (cerca de € 300), acrescendo uma mensalidade de 350 Ienes (cerca de € 2,7) caso o utilizador queira ter acesso à aplicação dedicada para telemóvel.

Pois, agora as notícias menos boas: se pensou comprar um Kirobo Mini, tal só é possível no Japão e não está prevista a sua chegada a outros países, pelo menos no curto/médio prazo. De acordo com Victor Marques, Director de Relações Públicas da Toyota no nosso país, “são muitas as potencialidades, nomeadamente de conectividade, do Kirobo Mini com a casa e com o carro, algo que, neste momento, só é possível no Japão. Por essa razão, bem como pelo facto de não estar certificado para venda noutro país, não há quaisquer planos para que a sua venda se estenda a outros mercados”.

Do espaço para sua casa
Como se viu no vídeo acima, o Kirobo Mini é uma evolução caseira de outro robô famoso, o Kirobo, que fez parte do programa espacial nipónico, numa alargada co-produção denominada “Kibo Robot Project”.

Com 34 cm de altura e pesando cerca de 1 kg, resultou da conjugação de duas expressões – “Kibo” (significa “esperança” em japonês) e “Robô” – o Kirobo nasceu da conjugação de esforços de um conjunto de entidades, unidas em prol da exploração espacial: o Centro de Pesquisa para Ciência Avançada e Tecnologia da Universidade de Tóquio e a Robo Garage, co-responsáveis pelo hardware e pelas características de mobilidade, a Toyota no programa de reconhecimento vocal e a Dentsu nos conteúdos de conversação e gestão do projecto, contando com o apoio da plataforma “VoiceText” da Hoya Service, para a síntese da conversação, num processo naturalmente supervisionado pela Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (JAXA).
Foi a 4 de Agosto de 2013 que o Kirobo rumou à Estação Espacial Internacional (ISS) a bordo de uma cápsula lançada, a partir do Centro Espacial de Tanegashima (Japão). Naturalmente fluente em japonês, foi um companheiro de excelência de Koichi Wakata, aquele que viria a ser o primeiro comandante japonês da 39ª Expedição dessa plataforma multicontinental. Fruto desse feito, viu-se galardoado com dois títulos registados no Guinness World Records, o de “primeiro robô de companhia no espaço” e a de “robô que manteve uma conversação a maior altitude”, entre outras distinções do foro tecnológico.

Após 18 meses em órbita, o Kirobo regressou à sua terra natal para se tornar presença assídua em eventos tecnológicos e culturais realizados por todas as principais cidades nipónicas, interagindo com crianças e adultos. Em Janeiro de 2016 tornou-se numa das atracções do Miraikan (Museu Nacional da Ciência Emergente e Inovação) em Daiba, na capital japonesa.
Hoje, fruto do sucesso entretanto acumulado pelo seu descendente, prevê-se que o Kirobo Mini e outros futuros potenciais familiares se venham a multiplicar nas casas japonesas. Fica a questão do timing que demorará a extravasar fronteiras e a chegar aos restantes mercados, Portugal incluído!
Imagens: Toyota e Kibo Robot Project

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 10 de março de 2017

O regresso à Lua

Vai para 50 anos – foi a 20 de Julho de 1969 – a primeira vez que o Homem colocou o pé na Lua, satélite natural da Terra e nosso vizinho mais próximo no âmbito do Sistema Solar. Estávamos no auge da denominada corrida espacial entre a então União Soviética e os EUA e se os soviéticos terão sido os primeiros a fazer chegar à sua superfície várias sondas não tripuladas (em 1959), foram os americanos quem se estreou na pegada lunar humana, pelo pé de Neil Armstrong, uma década depois, ali se eternizando a expressão “um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a Humanidade”.
Imagem: PTScientists

A partir de então foram vários os veículos rolantes – denominados rovers – que se passearam pela Lua, dos soviéticos Lunokhod aos norte-americanos Lunar Roving Vehicles das missões Apollo 15, 16 e 17, todos eles do início dos anos ’70. Depois disso, pouco ou quase nada voltou a acontecer na Lua (ou pelo menos que tenha vindo a publico), deixando-se ao abandono aquele corpo celeste que inspira corações, define marés e nos maravilha com os seus eclipses, ao mesmo tempo que nos deixa em suspense sobre o que haverá no seu lado obscuro. Em parte porque a atenção da exploração espacial apontou para bem mais longe, para Marte, onde outros rovers já disputam distâncias no sucesso da exploração do denominado planeta vermelho.
Mas – e voltando à nossa vizinha – há novidades para muito breve, pois está na sua fase final o “Google Lunar XPRIZE”, competição destinada a entidades de capitais privados, que prevê a colocação, já este ano, de novos rovers a circular na superfície lunar. São 5 os projectos finalistas, de um total de 33 inicialmente inscritos, podendo conhecê-los mais em pormenor nos seguintes links:
- SpaceIL (Israel),
- Moon Express (EUA),
- Synergy Moon (equipa Internacional),
- Team Indus (Índia) e
- Hakuto (Japão).
Há um deles de que se ouvirá falar ainda este ano, logo que se confirmar o lançamento para o espaço, numa acção que, decerto, terá uma ampla cobertura mediática.
Imagens: Google Lunar XPRIZE

A Audi na exploração espacial
Um dos projectos que entretanto ficou pelo caminho – pelo menos no âmbito deste concurso, não invalidando que as pesquisas e desenvolvimentos levem, num futuro próximo, a equivalente resultado final – é da autoria dos alemães da PTScientists, entidade que conta com a colaboração da Audi nesta sua aventura espacial.

Denomina-se “Mission to the Moon” e inclui dois Audi lunar quattro, veículos que seriam transportados até à Lua a bordo do ALINA (Autonomous Landing and Navigation Module). Tripulados a partir da Terra, aqueles dois exemplares contam com tracção eléctrica às quatro rodas, painéis solares oscilantes, baterias recarregáveis e câmaras de ultra alta definição. O envolvimento da marca dos quatro anéis pretendia, assim, sublinhar o seu espírito de pioneirismo, num constante desafio ao impossível, contribuindo para a continuidade da história.
Conheça mais em pormenor o projecto da Audi para a exploração da superfície da Lua aqui; se quiser saber mais, veja os diferentes episódios dos preparativos para esta aventura aqui.
Imagens: PTScientists

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.