Mostrar mensagens com a etiqueta Projecto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Projecto. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A minha cozinha de sonho

Já aqui o disse não há muito tempo que, para além destes devaneios sobre rodas, a minha outra faceta envolve alimentos, tachos, fogões e afins e que sou natural e acérrimo seguidor do “Masterchef Australia”, para mim o crème de la crème deste tipo de conceitos culinários para TV. Sigo, também, as contas de alguns Chefs de reconhecidos créditos, nacionais e estrangeiros, em diferentes redes sociais, os quais me inspiram nas minhas criações que, quero crer, parecem tão bem quanto sabem. Ou será ao contrário?!

Dito isto, sempre que consigo associar a vertente das rodas com a culinária, os meus olhos brilham ainda mais, começando as ideias a fervilhar e as letras a atropelarem-se no teclado. Pois e não é que, de vez em quando, lá me tropeço em alguns conteúdos relacionados? Será um sinal?
O mais recente tropeço no tema envolve a divisão SVO (Special Vehicle Operations) da Jaguar Land Rover, o departamento que se dedica à criação de gadgets, quase em tudo semelhante ao dos filmes do James Bond, mas menos secreto. Deriva de uma estranha encomenda do Chef Jamie Oliver, fenómeno global neste domínio, e que pela TV e pelos livros inspira milhões a ganhar um crescente gosto pela culinária, nomeadamente na vertente da alimentação saudável e deliciosa. O peculiar Chef britânico desafiou a marca do seu país a construir-lhe uma cozinha de características inéditas, pois as instalações de base são… um Land Rover Discovery! WHAT?!?!?!?!?!
Feita a preceito, esta unidade está equipada com tudo o que possa imaginar, de uma slow-cooker a uma torradeira (com o set de compotas nas imediações), passando por um mixer de gelados e 3 batedeiras - sim, são aquelas 4 peças montadas nos centros das jantes - para além de um conjunto de utensílios onde nem falta um pilão e almofariz, naturalmente feitos sob medida, com duas peças do motor! Isto para além de integrar um grelhador, uma máquina para cortar pasta, uma cuba em alumínio e uma bancada de trabalho extensível, com uma TV de ecrã plano na extremidade para se poder seguir ao minuto os, muitas vezes, complicados passos dos processos criativos do Chefs!


Única no mundo, esta proposta dotada de ligações externas (eléctrica e para uma bilha de gás) traduz-se no sonho tornado real de qualquer cozinheiro que goste de escapadinhas e aventuras, podendo-se, em qualquer lugar do mundo, dar azo à veia culinária, desde que se leve consigo determinados ingredientes, nomeadamente os que a natureza não proporciona, mesmo que o modelo já conte com um pequeno herbário, um conjunto de condimentos, integrados junto aos vidros traseiros e com um dispensador de azeite e vinagre.
“Apresentei à Land Rover um enorme desafio para a criação da derradeira cozinha sobre rodas. Sonhei em grande e pedi ainda mais, mas o que eles fizeram ultrapassou todas as expectativas,” comentou Jamie Oliver. “Não pensei que fosse possível colocar uma ‘slow cooker’ junto ao motor ou um dispensador de azeite na bagageira, mas eles conseguiram-no. O resultado é surpreendente e perfeitamente adaptado para mim e para a minha família. Adoramos o conceito, numa criação única que nos permite elevar as nossas aventuras culinárias a um novo patamar”.
Responsável da SVO, David Fairbairn afirmou: “Nunca imaginei que nos pedissem um conjunto sobre rodas equipado com uma batedeira, mas foi fantástico trabalhar com o Jamie, dando vida à sua ideia. Ele quis ir verdadeiramente mais além do que seria possível com este já de si versátil veículo e a nossa equipa abraçou o desafio de corpo e alma.”

O esquema abaixo descreve tudo isto mas, se quiser ver mais em pormenor as potencialidades deste veículo, assista aos 3 episódios que Jamie Olivier colocou online na sua página do Youtube, o primeiro sob o título de “I designed my own kitchen car”, o segundo “Grilling a Steak” e o terceiro “Cooking a Chicken”.
Infelizmente, sendo one of a kind, esta cozinha com rodas, que demonstra a versatilidade do Land Rover Discovery, um SUV já por si referencial no domínio da alternativa e dos passeios fora de estrada, não se encontra em qualquer concessionário da marca. Mas acho que seria uma excelente base de trabalho para uma certa empresa nacional, com sede ali para os lados do Cartaxo que, penso eu, fruto de outros exemplares inéditos que desenvolve regularmente, não se importaria nada de conceber algo semelhante. É tudo uma questão dos imaginativos criativos da Kiosque Street Food começarem a por as celulazinhas cinzentas a trabalhar et voilá, nascia o meu food truck!





Imagens: Land Rover

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Madeira, esse material tão versátil

Esculturas em madeira! Há quem as faça em pequenas peças de bijuteria, enquanto outros recriam monumentos, animais, famosos, em modo busto ou corpo inteiro – enfim! – um sem número de peças nessa dádiva da natureza cada vez mais rara no nosso país, ultimamente reduzida a cinzas sem que nada aconteça. Ano após ano, os muitos interesses instalados do chamado “negócio do fogo” continuam a ser muito maiores do que tudo o resto, mesmo que pelo caminho se devastem ou ceifem vidas inteiras, sem qualquer tipo de respeito, mostrando-se todos depois tão solidários e prontos a prestar a sua (pseudo) ajuda.

Passada esta espécie de desabafo do estado de uma alma lusa, quase tão negra como as nossas aldeias e zonas outrora verdes, vamos tentar ver o outro lado do uso da madeira, numa forma de arte com cores bastante mais alegres e com a assinatura de um nome grande, Michel Robillard. Hábil marceneiro francês dedica-se, desde tenra idade – algures pelos seus 14 anos – a dar corpo a peças de índole diversa, cruzando-se não raras vezes com o mundo das rodas.
Há muito tinha um grande sonho, de tornar a sua paixão entre os automóveis – o Citroën 2CV – num dos seus projectos. Mas não que quisesse fazer uma simples e detalhada miniatura a uma qualquer escala desse ícone da indústria, nada disso, quis sim fazer um exemplar em tamanho real e que, de preferência, se pudesse deslocar pelos seus próprios meios.
Imagens: Citroën Origins / Maquettes tous en Bois Fruitier

Robillard lançou-se, assim, no projecto “2CV en Bois”, de seis longos anos mas recentemente completado, envolvendo a criação em madeiras nobres de uma versão de 1953 do modelo. Assente num robusto chassis de um Dyane de 1966 – tudo porque a madeira é um material mais pesado do que a chapa – as madeiras usadas têm uma particularidade: são todas árvores de fruto, da “pereira para a estrutura, à macieira para o capot, nogueira para as cavas das rodas e volante, ou cerejeira para as portas e tampa da mala, para além do ulmeiro para o painel de instrumentos,” descreve, com indisfarçável orgulho, a sua obra de arte.
Tido como perfeccionista, é enorme o detalhe dado ao conceito onde, e a título de exemplo, só o capot se compõe de 22 secções, num aturado processo criativo em que usou dezenas de ferramentas de carpintaria e outras de recurso, também usadas para a concepção dos bancos, entretanto suavizados com confortáveis zonas almofadadas. Não contente com isso equipou o seu 2CV com um motor de 602 cc, jantes e pneus de origem, tal como o são os faróis, os piscas ou os inigualáveis puxadores das portas.
“Quis fazer um objecto que perdurasse no tempo muito para além de mim próprio”, reforçou, num projecto que mereceu o apoio da própria Citroën que, muito recentemente, colocou a criação de Robillard no seu Museu Virtual online Citroën Origins.  


Uma vida de dedicação
É impressionante o detalhe dado a este “2CV em Madeira”, espelho em tamanho real de diversos outros exemplares que realizou e tem expostos no seu atelier e que, não raramente, se vêem levados até às mais diversas mostras realizadas por terras de França e além-fronteiras, contribuindo, no seu conjunto, para a igualmente grande galeria de troféus.

Não raras vezes, este autêntico ourives da madeira compra modelos à escala no mercado tradicional, analisando depois com paciência de chinês o seu processo de montagem. “Para cada modelo parto de uma maquete em metal ou aço, à escala de 1:18 ou 1:43. Monto-a e, de seguida, faço os meus cálculos para as cotas que necessito e refaço-os à escala, em madeira, sendo que a minha única preocupação é trabalhá-los nos limites desse material”. Nasceram, assim e entre outros, exemplares vários do seu amado 2CV, bem como um Renault 4 CV, um Volkswagen Carocha e um Bugatti Royale, todos à escala de 1:10, “cada um deles envolvendo não menos do que 500 a 600 horas de trabalho, variável caso a caso,” acrescentando que várias das peças que os integram “necessitam de um ou mais dias inteiros de trabalho!”





Recriou, também, outros exemplares sobre rodas, como um Ferrari de F1 de Michael Schumacher, ou uma moto Harley Davidson com sidecar, esta com mais de 500 horas de concepção, com uma precisão ao detalhe tal que os raios das jantes têm apenas 20 milímetros, modelo que lhe valeu uma medalha de ouro no “Mondial de la Maquette” de 2004, realizada nos pavilhões da Porte de Versailles, em Paris.
Destaque ainda para um avião Canadaire CL-415, da Protecção Civil Francesa, ou “um camião americano de desempanagem com mais de 1.000 peças – 150 delas só para o motor – onde tudo funciona, das rodas que viram junto com o volante, até às portas que se abrem”. Demorou mais de 1 ano a dá-lo como acabado. 

Imagens: Maquettes tous en Bois Fruitier

Se quiser ver mais em pormenor estes e outros exemplares clique aqui ou assista a este pequeno vídeo, onde, na primeira pessoa, Michel Roubillard demonstra os detalhes de alguns exemplares.

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Os Hain

Não são os tresloucados membros de “Os Simpsons”, nem têm qualquer costela dos desconcertantes exemplares de “A Família Adams”, não viveram a batalha que, em tempos, os Ewing da série “Dallas” travaram nas TVs com os Carrington da rival “Dinastia” e até nem lhes passou pela mesa de jantar o rótulo “Vila Faia”, vinho que os bem mais portugueses Marques Vila produziam naquela que foi a primeira telenovela portuguesa, ao mesmo tempo que estão longe, muito longe, das duplas, triplas ou quadras da bem mais actual e diversificada “Uma Família Muito Moderna”!

Aliás, entre os Hain e as restantes famílias acima há todo um mundo de diferenças! A começar pelo facto de que os suecos são reais, de carne e osso, e os demais produtos de ficção que nos entram casa adentro sem ser para jantar! Outra particularidade é o facto de que os Hain vão deixar de se preocupar com a condução dos seus carros, podendo, assim, aproveitar mais o tempo das suas vidas noutras actividades.
Composta por 4 pessoas – o pai Alex, a mãe Paula e as duas filhas Smilla e Filippa – os Hain tornaram-se mundialmente conhecidos como a primeira família a ser escolhida para integrar o programa “Drive Me” da igualmente sueca Volvo Cars. Um processo em que se utilizam automóveis semelhantes aos nossos, em condições reais de trânsito, mas sem que nos tenhamos de preocupar com a condução do carro, pois praticamente tudo é feito de modo autónomo, uma vertente da indústria que está em plena fase de exploração pela grande maioria dos construtores de automóveis. Conheça-os melhor aqui:

Ao contrário de outros projectos, a Volvo diz apostar nas pessoas – utilizadores de veículos que, de um modo mais simplista, se pode afirmar que se conduzem sozinhos – como o elemento fundamental desta equação, definindo a tecnologia a utilizar em função do papel a desempenhar a bordo pelo condutor e não o contrário.
Este para já programa de testes baseia-se no uso de veículos equipados com a tecnologia de condução autónoma em condições reais, visando melhorar a vida das pessoas, nomeadamente a sua experiência de mobilidade, ao mesmo tempo que tem um efeito positivo na sociedade, garantindo processos mais seguros, sustentáveis e convenientes. Ao longo do presente ano deverão ser 100 os veículos deste tipo a circular em estradas públicas de Gotemburgo, num processo que, a médio prazo, se verá expandido para outras cidades do planeta.

Líder na área da segurança automóvel, a Volvo acredita que esta tecnologia irá reduzir o número de acidentes nas estradas, reduzir o tráfego e os níveis de poluição das cidades, permitindo aos condutores utilizar de outra forma o tempo que gastariam normalmente na condução.
Confesso que, apesar de acreditar na validade da tecnologia e conseguir ver para além do imediato – afinal, nos dias que correm, parece que quase nada é impossível no mundo das rodas – para mim que gosto de conduzir, de sentir o volante, pressionar os pedais, usar a caixa de velocidades e obrigar o carro a fazer o que me dá na real gana, levando-me de um ponto A para outro B, esta cena da condução autónoma faz-me algumas cócegas! A si não?
Imgens: Volvo Cars

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.