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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Natal 2017: Kirobo Mini, o amiguinho japonês

Se era pequenin@ em meados dos anos 90 lembrar-se-á, decerto, do Tamagotchi. um amigo electrónico – tipo porta-chaves – de origem japonesa, com que a criançada e alguns adultos lidavam como se de um animalzinho de estimação se tratasse. Havia que cuidar dele, alimentá-lo e dar-lhe bastante atenção, já que se não o fizesse ele ficava triste, podendo até morrer! Entretanto parece que a coisa deu um novo salto, sendo que as versões mais recentes até permitem comunicação entre os Tamas, gerando-se famílias com direito a filhos e tudo! Brrrrrrrrr!!!!

Noutro domínio mais evoluído, considerando que as (pseudo)emoções dos Tamas eram fabricadas, trago-lhe hoje um novo e bem mais avançado amiguinho, o Kirobo Mini, conceito de robô concebido pela Toyota e que conta com um impressionante nível de realidade e inteligência, a vários níveis.
Herdeiro do seu antecessor Kirobo, robô que fez parte do programa espacial nipónico (ver mais abaixo), esta pequenina proposta de apenas 10 cm de altura tem como objectivo melhorar as relações entre as máquinas e os humanos, num planeta onde, quer se queira ou não, essa inter-relação é cada vez mais real (vejam-se a “Sophia” e o “Einstein” que estiveram no recente WebSummit, em Lisboa). Apresenta-se, por isso, como um parceiro de comunicação em miniatura, companheiro que pelas suas diminutas dimensões cabe na palma da mão, podendo ser levado pelo seu dono lá por casa, nas viagens de carro e em praticamente qualquer lugar.



Quando sentado o Kirobo Mini vira a cabeça para quem lhe estiver a dirigir a palavra e responde acenando e mexendo os braços. Pode iniciar uma conversa casual e, através de reconhecimento facial, tem a capacidade de ler e responder às emoções do ser humano, apreender as suas preferências e reagir de acordo com eventos passados, numa companhia personalizada. Pode também melhorar as suas capacidades de interacção com o seu dono de carne e osso, usando serviços conectados das suas casas e dos próprios veículos da marca japonesa.
Após um período de pré-vendas que arrancou em Tóquio em Maio último, desde essa altura a procura pelo pequeno robô de companhia cresceu exponencialmente, por parte de clientes que pretendem obter novas experiências, levando a marca a criar um portal dedicado "With Kirobo Mini Friend Park" onde se podem partilhar os vários momentos passados com ele. Mais recentemente, em Novembro, passou a estar à venda através da rede Toyota daquele país, por cerca de 39.800 Ienes (cerca de € 300), acrescendo uma mensalidade de 350 Ienes (cerca de € 2,7) caso o utilizador queira ter acesso à aplicação dedicada para telemóvel.

Pois, agora as notícias menos boas: se pensou comprar um Kirobo Mini, tal só é possível no Japão e não está prevista a sua chegada a outros países, pelo menos no curto/médio prazo. De acordo com Victor Marques, Director de Relações Públicas da Toyota no nosso país, “são muitas as potencialidades, nomeadamente de conectividade, do Kirobo Mini com a casa e com o carro, algo que, neste momento, só é possível no Japão. Por essa razão, bem como pelo facto de não estar certificado para venda noutro país, não há quaisquer planos para que a sua venda se estenda a outros mercados”.

Do espaço para sua casa
Como se viu no vídeo acima, o Kirobo Mini é uma evolução caseira de outro robô famoso, o Kirobo, que fez parte do programa espacial nipónico, numa alargada co-produção denominada “Kibo Robot Project”.

Com 34 cm de altura e pesando cerca de 1 kg, resultou da conjugação de duas expressões – “Kibo” (significa “esperança” em japonês) e “Robô” – o Kirobo nasceu da conjugação de esforços de um conjunto de entidades, unidas em prol da exploração espacial: o Centro de Pesquisa para Ciência Avançada e Tecnologia da Universidade de Tóquio e a Robo Garage, co-responsáveis pelo hardware e pelas características de mobilidade, a Toyota no programa de reconhecimento vocal e a Dentsu nos conteúdos de conversação e gestão do projecto, contando com o apoio da plataforma “VoiceText” da Hoya Service, para a síntese da conversação, num processo naturalmente supervisionado pela Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (JAXA).
Foi a 4 de Agosto de 2013 que o Kirobo rumou à Estação Espacial Internacional (ISS) a bordo de uma cápsula lançada, a partir do Centro Espacial de Tanegashima (Japão). Naturalmente fluente em japonês, foi um companheiro de excelência de Koichi Wakata, aquele que viria a ser o primeiro comandante japonês da 39ª Expedição dessa plataforma multicontinental. Fruto desse feito, viu-se galardoado com dois títulos registados no Guinness World Records, o de “primeiro robô de companhia no espaço” e a de “robô que manteve uma conversação a maior altitude”, entre outras distinções do foro tecnológico.

Após 18 meses em órbita, o Kirobo regressou à sua terra natal para se tornar presença assídua em eventos tecnológicos e culturais realizados por todas as principais cidades nipónicas, interagindo com crianças e adultos. Em Janeiro de 2016 tornou-se numa das atracções do Miraikan (Museu Nacional da Ciência Emergente e Inovação) em Daiba, na capital japonesa.
Hoje, fruto do sucesso entretanto acumulado pelo seu descendente, prevê-se que o Kirobo Mini e outros futuros potenciais familiares se venham a multiplicar nas casas japonesas. Fica a questão do timing que demorará a extravasar fronteiras e a chegar aos restantes mercados, Portugal incluído!
Imagens: Toyota e Kibo Robot Project

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

CineRAIL: O comboio no grande ecrã

Do revolucionário filme “Arrivée d’un train en gare à La Ciotat” (“Chegada de Um Comboio à Estação de La Ciotat”), dos Irmãos Lumière, no longínquo ano de 1895, até ao actual sucesso de bilheteira “Um Crime no Expresso do Oriente”, a mais recente recriação para o cinema feita a partir da obra icónica de Agatha Christie, o comboio tem sido protagonista de um sem número de películas, ora assumindo um papel mais preponderante, ora apenas de suporte, mas deixando sempre a sua marca bem vincada.
Imagem: CP - Comboios de Portugal

Apesar de outros exemplos da autoria dos irmãos Louis e Auguste, filhos do fabricante de películas Antoine Lumière, seria esta película que viria a imortalizar a denominada 7ª Arte, fruto da sua exibição pública a 28 de dezembro de 1895, dentro da primeira sala de cinema do mundo. A sua estreia demonstrou a validade do conceito, pelo simples facto de muitos espectadores, assustados com o realismo das imagens, terem saltado dos seus lugares da plateia para o fundo da sala, com medo de serem atropelados pela locomotiva que se aproximava dos seus olhos a grande velocidade.
Estes cerca de 60 segundos de emoção mudaram o mundo, numa arte que, até ao presente e em já mais de um século, trouxe ao grande ecrã (e, depois, à televisão, o pequeno) inúmeros de filmes sobre e com comboios. Os exemplos são muitos, entre os títulos acima, de “O Grande Assalto ao Comboio”, icónico filme mudo de 1903, ao desconcertante “A Rapariga no Comboio” (2016), película que vi há dias, mais as inúmeras cowboiadas, onde havia quase sempre um ou pouca-terra, pouca-terra na paisagem, seguindo-se diversos filmes dramáticos, de acção, catástrofe, aventura, comédia, terror, animação, etc, num actor sobre rodas que, como se pode ver, adapta-se a qualquer género.
“Desde esse primeiro encontro com o icónico filme dos Irmãos Lumière que o cinema tem desfrutado de um companheirismo inigualável com comboios, estações e metropolitanos, cada um deles transmitindo, de um modo especial, a imagem da nossa sociedade e das nossas fantasias. Podem representar o nosso quotidiano nos transportes, a nossa fuga para férias, a dor da despedida, a alegria do reencontro, etc, numa aventura de vida, com doses diferentes de drama e felicidade, misturando a vida, o amor e a morte, como convém a qualquer bom argumento”, refere a organização.
Imagem: Wikipedia/Frères Lumière

Há mais de 20 anos que o CineRail apresenta uma selecção de filmes sobre o tema, propostas na sua grande maioria originais e oriundas de todo o planeta, sendo que muitas delas de produção independente que integram os concursos de curtas-metragens, avaliadas por um júri internacional composto por artistas e profissionais. “Ao todo, já foram exibidos mais de dois milhares de curtas-metragens, entre criações inéditas, filmes clássicos ou novidades, demonstrando a perfeita conjugação do mundo ferroviário com o do cinema”.

Depois de Paris... Lisboa!
Pois se é fã desta conjugação temática cinema/comboios e vive na capital ou está por essas paragens no final do mês tenho uma sugestão: o “CineRAIL - Festival Internacional de Cinema Ferroviário 2017”, evento que, pela primeira vez na sua história realiza uma edição fora de território francês, exibindo por cá filmes de todo o mundo subordinados à temática ferroviária.
Imagens: CineRail e oficiais (filmes)

Decorre de 27 a 29 de Novembro no Cinema São Jorge (Av. Liberdade, Lisboa) esta iniciativa, naturalmente apoiada pela CP - Comboios de Portugal e pela UIC – União Internacional dos Caminhos-de-Ferro, dividindo-se por 3 sessões por dia (10h00, 14h00 e 17h00), exibindo-se mais de meia centena de películas. A lista oficial só será apresentada no primeiro dia, mas sabem-se já o nome de duas películas a exibir: “A Carruagem”, filme do fotógrafo/cineasta português João Vasco e da compositora Anne Victorino d'Almeida, vencedor da anterior edição (2015) do CineRAIL, integrando a sessão de abertura (às 18h00 do dia 27), para à noite se exibir “O Comboio de Sal e Açúcar” (21h15), uma colaboração luso moçambicana do ano passado, com realização de Licínio Azevedo, duas propostas de âmbito diametralmente oposto.
No filme luso vários passageiros partilham o espaço e a privacidade de uma carruagem de metropolitano. Para além deles, ali se transportam sonhos e desejos, a possibilidade de encontros imprevistos e de conflitos indesejados, num refúgio que se pode mostrar, por vezes, como uma simples ilusão. Já a segunda película retrata uma perigosa viagem de comboio, entre Nampula e o Malawi, em plena guerra civil moçambicana. Única esperança para centenas de pessoas que arriscam a própria vida para garantir a subsistência das suas famílias, a viagem faz-se a 5 km/h por troços de linha sabotados, deixando completamente vulneráveis todos os que nele viajam e que procuram esperança em tempo de guerra.
Em termos de competição oficial, este CineRAIL 2017 divide-se por várias categorias – comunicação corporativa, sustentabilidade ambiental, segurança, publicidade, comunicação interna e património histórico – sendo o ponto alto o “Grande Prémio CP” e, também o “Prémio do Público” atribuído pela UIC. Os competidores serão anunciados oportunamente no site oficial e os vencedores serão anunciados aquando da entrega de prémios (a partir das 18h45 do dia 29), que antecipa a cerimónia de encerramento. A entrada no Festival é livre.
Imagens: Oficiais
Caso tenha conseguido prender a sua atenção até aqui convido-@, agora, a assistir aos trailers de alguns dos filmes referidos: o icónico “Chegada de Um Comboio à Estação de La Ciotat”, “Um Crime no Expresso do Oriente”, o vencedor luso “A Carruagem” e o emocionalmente violento “O Comboio de Sal e Açúcar”.
Adicionalmente, deixo-lhe duas outras referências: porque já estamos em plena época natalícia, o “Polar Express”, animação de 2014 para os mais pequenos – e não só – que retrata uma mágica viagem de um jovem em modo de auto-descoberta e o filme/documentário “Lumière – L’Aventure Commence” dedicado a esses dois irmãos franceses que, a partir da invenção do cinematógrafo, nos permitem, desde então, desfrutar das maravilhas do cinema e alhearmo-nos, por momentos - e dependendo do número de baldes de pipocas à volta - do mundo lá fora!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Rugidos, sussurros & cantorias

Fruto da massificação do automóvel, surgindo a cada dia exemplares cada vez mais parecidos entre si, os estrategas das diferentes marcas procuram colocar o selo da diferenciação nos seus modelos, de modo a que os seus clientes obtenham algo que nunca antes tenham visto noutros automóveis. Dos formatos da carroçarias às conjugações de cores, dos desenhos dos faróis aos detalhes nas superfícies vidradas e até às próprias antenas, nada pode ser deixado ao acaso!
Imagens: Ford

Uma das mais recentes tendências recai na sonoridade dos motores ou dos automóveis como um todo, pretendendo-se (re)criar elementos identificativos ímpares, dotando-so de uma particularidade que nenhuma outra viatura tenha tido até à data. Algo que provoque nas pessoas uma reacção assertiva do tipo “aquele carro que ali vem é o modelo X ou Y”, sem que para ele se tenha sequer de se olhar. Outros há que, por inerência dos portentos dos motores que os alimentam, se tenham que baixar os incomodativos graves que sacodem a vizinhança da cama, nomeadamente de manhã, quando se sai para o trabalho. Há ainda os que, tendo nascido demasiado silenciosos, são alvo de uma intervenção que lhes dota de uma de espécie de cordas vocais, quase os pondo… a cantar!
Claro que para os menos atentos a esta coisa do mundo automóvel, um som de um motor quase não se distingue do outro, a não ser que a coisa seja tão acutilante que, por vezes, até provoque um involuntário virar de cabeça, acompanhado de interjeições mais ou menos abertas – correndo-se as vogais do “ahhhhhhh!!!!” ao “uhhhhhhh!!!” – ou mesmo do tipo “lá está o pintas a dar nas vistas!”. Já os mais conhecedores petrolheads conseguirão quase sempre identificar o número de válvulas e a cilindrada do motor, o modelo e até a geração a que pertence o exemplar que aí vem!
Imagens: Nissan

É, por isso e neste caso em particular, tudo uma questão de sons, surjam eles em excesso, mais equilibrados ou em quase completa ausência, como nos mais recentes modelos eléctricos, viaturas que, se estivermos distraídos, só nos apercebemos da sua proximidade pelo suave silvo que emitem, pois pouco ou nenhum barulho fazem quando em movimento.

Amansar o bichinho, a bem da vizinhança!
Mas é indesmentível que o ronronar de um bom automóvel, nomeadamente um desportivo, provoca invariavelmente um sorriso a quem o vê… ou não, dependendo da hora a que esse suave purr passe a um sonoro ROARRRRRRRRRRRRRRR!

Modelo que se encontra, invariavelmente, neste patamar é, o Ford Mustang, nomeadamente quando acordam em simultâneo os múltiplos cavalos dos seus motores – em Portugal há-o equipado com um V8 com uma coudelaria de 418 cv e um quatro cilindros com outra de 314 cv – sendo um vê se te avias de acordares em sobressalto das camas de quem viva nas suas proximidades!
Como os dos vizinhos de um ex-empregado da Ford nos EUA, que invariavelmente o chamavam à atenção pela sonora rouquidão matinal do seu tão peculiar modelo. Ciente dessa realidade, propôs à marca a aplicação do modo “Good Neighbour” (ou "Bom Vizinho"), uma espécie filtro electrónico que limita um pouco esse híper-vitaminado acordar. Algo que se irá tornar realidade na geração 2018 do modelo, fazendo com que o Mustang seja primeiro automóvel do mundo em que os condutores podem, através dessa solução, programar diferentes sons do motor para horários específicos, transformando o seu rugido de assinatura num bem mais suave ronronar.

Já agora, na eventual impossibilidade de poder ter à sua porta um exemplar deste pony car do catálogo da marca – os seus preços variam dos € 49.500 aos € 102.200, fora eventuais extras e despesas de transporte e legalização – pode, ao menos, ter consigo a sonoridade do bloco V8 quando o seu telemóvel tocar. Clique aqui para saber como descarregar, sem custos, o respectivo ringtone (válido para para Android ou iPhone).

De quase afónico a cantor lírico
Voltando ao domínio dos silenciosos automóveis eléctricos, o mais recente exemplo de evolução sonora vem da Nissan, marca que no recente Salão de Tóquio surpreendeu os visitantes com a introdução do projecto "Canto", termo de origem latina com que pretende definir o som dos seus futuros veículos electrificados.

Com o objectivo de proporcionar um som distinto da Nissan face aos seus pares no mercado, a Nissan desenvolveu este conceito derivado do latim e que significa "Eu canto", o qual varia em tom e intensidade dependendo se o automóvel está a acelerar, a desacelerar ou a recuar. É activado a velocidades entre os 20 a 30 km/h, dependendo dos requisitos de cada mercado, demonstrando vitalidade e confiança, numa representação da sólida posição da marca japonesa no mercado dos automóveis electrificados.
Projectado em prol da segurança, servindo de alerta para a envolvente onde circula, o “Canto” dos futuros modelos eléctricos da Nissan será perfeitamente audível, sem que se torne perturbador para peões, residentes e passageiros, pretendendo-se que enriqueça as ruas e avenidas de uma cidade, com a tal sonoridade distinta. 

Tudo para que, um dia, se possa dizer ou assumir no subsconsciente, mesmo sem olhar: “O automóvel que aí vem é um Nissan”!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A minha cozinha de sonho

Já aqui o disse não há muito tempo que, para além destes devaneios sobre rodas, a minha outra faceta envolve alimentos, tachos, fogões e afins e que sou natural e acérrimo seguidor do “Masterchef Australia”, para mim o crème de la crème deste tipo de conceitos culinários para TV. Sigo, também, as contas de alguns Chefs de reconhecidos créditos, nacionais e estrangeiros, em diferentes redes sociais, os quais me inspiram nas minhas criações que, quero crer, parecem tão bem quanto sabem. Ou será ao contrário?!

Dito isto, sempre que consigo associar a vertente das rodas com a culinária, os meus olhos brilham ainda mais, começando as ideias a fervilhar e as letras a atropelarem-se no teclado. Pois e não é que, de vez em quando, lá me tropeço em alguns conteúdos relacionados? Será um sinal?
O mais recente tropeço no tema envolve a divisão SVO (Special Vehicle Operations) da Jaguar Land Rover, o departamento que se dedica à criação de gadgets, quase em tudo semelhante ao dos filmes do James Bond, mas menos secreto. Deriva de uma estranha encomenda do Chef Jamie Oliver, fenómeno global neste domínio, e que pela TV e pelos livros inspira milhões a ganhar um crescente gosto pela culinária, nomeadamente na vertente da alimentação saudável e deliciosa. O peculiar Chef britânico desafiou a marca do seu país a construir-lhe uma cozinha de características inéditas, pois as instalações de base são… um Land Rover Discovery! WHAT?!?!?!?!?!
Feita a preceito, esta unidade está equipada com tudo o que possa imaginar, de uma slow-cooker a uma torradeira (com o set de compotas nas imediações), passando por um mixer de gelados e 3 batedeiras - sim, são aquelas 4 peças montadas nos centros das jantes - para além de um conjunto de utensílios onde nem falta um pilão e almofariz, naturalmente feitos sob medida, com duas peças do motor! Isto para além de integrar um grelhador, uma máquina para cortar pasta, uma cuba em alumínio e uma bancada de trabalho extensível, com uma TV de ecrã plano na extremidade para se poder seguir ao minuto os, muitas vezes, complicados passos dos processos criativos do Chefs!


Única no mundo, esta proposta dotada de ligações externas (eléctrica e para uma bilha de gás) traduz-se no sonho tornado real de qualquer cozinheiro que goste de escapadinhas e aventuras, podendo-se, em qualquer lugar do mundo, dar azo à veia culinária, desde que se leve consigo determinados ingredientes, nomeadamente os que a natureza não proporciona, mesmo que o modelo já conte com um pequeno herbário, um conjunto de condimentos, integrados junto aos vidros traseiros e com um dispensador de azeite e vinagre.
“Apresentei à Land Rover um enorme desafio para a criação da derradeira cozinha sobre rodas. Sonhei em grande e pedi ainda mais, mas o que eles fizeram ultrapassou todas as expectativas,” comentou Jamie Oliver. “Não pensei que fosse possível colocar uma ‘slow cooker’ junto ao motor ou um dispensador de azeite na bagageira, mas eles conseguiram-no. O resultado é surpreendente e perfeitamente adaptado para mim e para a minha família. Adoramos o conceito, numa criação única que nos permite elevar as nossas aventuras culinárias a um novo patamar”.
Responsável da SVO, David Fairbairn afirmou: “Nunca imaginei que nos pedissem um conjunto sobre rodas equipado com uma batedeira, mas foi fantástico trabalhar com o Jamie, dando vida à sua ideia. Ele quis ir verdadeiramente mais além do que seria possível com este já de si versátil veículo e a nossa equipa abraçou o desafio de corpo e alma.”

O esquema abaixo descreve tudo isto mas, se quiser ver mais em pormenor as potencialidades deste veículo, assista aos 3 episódios que Jamie Olivier colocou online na sua página do Youtube, o primeiro sob o título de “I designed my own kitchen car”, o segundo “Grilling a Steak” e o terceiro “Cooking a Chicken”.
Infelizmente, sendo one of a kind, esta cozinha com rodas, que demonstra a versatilidade do Land Rover Discovery, um SUV já por si referencial no domínio da alternativa e dos passeios fora de estrada, não se encontra em qualquer concessionário da marca. Mas acho que seria uma excelente base de trabalho para uma certa empresa nacional, com sede ali para os lados do Cartaxo que, penso eu, fruto de outros exemplares inéditos que desenvolve regularmente, não se importaria nada de conceber algo semelhante. É tudo uma questão dos imaginativos criativos da Kiosque Street Food começarem a por as celulazinhas cinzentas a trabalhar et voilá, nascia o meu food truck!





Imagens: Land Rover

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Suzuki Ignis: Pequena grande surpresa

Orgulhosamente só, num sector automóvel onde as alianças se fazem e desfazem mais depressa do que seria de esperar, a já centenária japonesa Suzuki Motor Corporation tem sabido ultrapassar as vicissitudes de ter que fazer quase tudo em casa. Claro que também já esteve ligada a dois gigantes da indústria – os grupos General Motors e Volkswagen – que participavam no seu capital, mas hoje prefere apostar em pontuais acordos tecnológicos, como o importante que fechou, no início do ano, com outro portento mundial, a vizinha nipónica Toyota.

Apesar de contar com modelos de maiores dimensões, é por demais reconhecida a sua aposta nos pequenos citadinos e nos micro-carros, numa fama que é exponencial no seu país natal, assente no rácio qualidade vs preço acessível. Um dos exemplos é o Suzuki Ignis 1.2 GLX SHVS 2WD, o convidado desta edição Trendy Wheels, SUV que se insere nesse lote de sucesso local e internacional, sendo um daqueles automóveis que, uma vez chegado ao pé dele, dá vontade de apreciar e explorar. É a chamada grande surpresa num formato pequeno.
É, de facto pequenino embora alto por fora, este crossover citadino de forte personalidade, mas enorme por dentro, para além de que, mesmo em termos tecnológicos, não fica a dever muito a outros pares semelhantes contra quem concorre no mercado, alguns propostos a preços bem superiores.

A começar pelos inovadores sistemas de conectividade e soluções de segurança activa, passando pelo moderno motor Dualjet de 1,2 litros, que tem associado um sistema híbrido caseiro – o SHVS (Smart Hybrid Vehicle by Suzuki) – dispositivo eléctrico que dá um kick extra ao motor a gasolina na aceleração e desaceleração, com uma muito positiva influência nos baixos consumos. Espevitadinho com os seus 90 CV, mais um shot de 4 CV extra gerados pelo SHVS, e também por ser um peso pluma de uns meros 810 quilinhos, dá-se um toque de acelerador e aí vai ele!

Irreverente ou sóbrio? Sem dúvida, o primeiro!
Assumindo um design completamente novo face aos seus antecessores com o mesmo nome, o Ignis destina-se a dois tipos de clientela: jovens encartados, com um toque de irreverência, ou people de mente mais aberta, tem as propostas em deliciosas carroçaria a três cores, com esta versão que me foi dada a testar em dois tons metalizados, em Branco Pérola a contrastar com o Preto do tejadilho, mais os detalhes em Azul Neon; já para os mais conservadores há opções mais sóbrias, até em cor única.

Foi o irreverente que me saiu na rifa que, aliás, tem bem mais a ver comigo, uma proposta que, uma vez aberta a porta, acede-se a um habitáculo surpreendentemente espaçoso, a partir do qual se vê (quase) tudo lá para fora. Até a bagageira é grandinha q.b., que nos seus 260 a 514 litros (aqui com os bancos rebatidos) permite arrumar a mais diversa tralha do nosso dia-a-dia ou viagens, como nas fotos. A flexibilidade a bordo é tal que facilmente queremos por este SUV a trabalhar e explorar a cidade ou a sua envolvente.
Pequenino como é, o Ignis cabe em todo o lado, até com a ajuda de uma câmara de visão traseira para as manobras de marcha-atrás (só não tem os pi-pis de distância, pois não há sensores), enquanto outra câmara ou, melhor dizendo, radar, identifica as marcações no piso e a distância para com o carro da frente, alertando-nos com um algo estridente “piiiiiiiiiiiiiiiii” e, também, no painel, a amarelo e vermelho, em cada um dos casos. No pára-arranca tem o opcional sistema de start/stop, tão silencioso que nem se dá por ele, e se tiver um furo ou um pneu, por qualquer outra razão, perder pressão, o sistema alerta-nos para esse facto. Por falar nisso, aqueles estão montados em jantes de 16 polegadas, estas com uma inserção “Ignis” no tal Azul Neon.

… e mais isto e mais aquilo…
Claro que esses detalhes celestes do exterior encontram eco lá dentro, da consola central, à base da caixa de 5 velocidades, saídas da ventilação e puxadores das portas, num espaço, já o disse, abundante e com toques de tecnologia, do semi-moderno painel de instrumentos, onde uma simplista animação indica para onde está a ir a energia exigida ao motor, ao sistema de conectividade inerente ao ecrã táctil de 7 polegadas para as funções de áudio, navegação, ligação ao telemóvel (Android Auto, CarPlay e Mirror Link) e outras de configuração deste pequeno grande Ignis.
Depois, este nível de equipamento GLX desta unidade integra ainda computador de bordo, bancos dianteiros aquecidos e faróis de LED, que se iluminam quando desbloqueia o carro à distância, mostrando ao seu dono um ar sorridente do tipo “sim, estou aqui à tua espera!”! Há ainda o controlo de velocidade com limitador, ar condicionado automático e até arranque sem chave, associado à abertura de portas que se pode fazer nos puxadores, só precisando de ter a dita consigo senão, nada feito!
E quanto custa isto tudo? Tendo em conta as actuais campanhas em vigor para a gama Ignis – a Suzuki oferece um desconto directo de € 1.575 e outra de financiamento de € 1.000 – o PVP deste convidado do Trendy Wheels (ainda sem as despesas administrativas, taxas e pintura metalizada) é de € 14.734.
Não deixa de ser um valor simpático para um mini-SUV, face a outras propostas à venda, mas com este recheio todo é caso para dizer que, quem o comprar vai muito bem servido. Para mais informações sobre este SUV citadino, também disponível com tracção às 4 rodas e caixa automática, aceda à página da Suzuki Auto.

Quanto a mim, claro que já tive de o devolver ao dono, mas ficou a promessa de que dentro em breve irei trazer um outro elemento da família. Qual? Há esperar para ver… perdão... ler!
Imagens: Trendy Wheels/JP e Suzuki 

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Tlim, plip, toc toc toc… CRASH!!!

“Ao volante o telefone pode matar” é o título da mais recente campanha de sensibilização francesa para com o uso indevido do telemóvel enquanto se conduz. É-o por terras de França, mas podia ser noutro país qualquer… como Portugal!

É certo que a grande maioria dos automóveis novos já permitem que se emparelhem os smartphones com os seus equipamentos de info-entretenimento, processo que espelha, com variáveis graus de capacidade, os ecrãs dos ditos cujos nos tablets colocados nas consolas centrais, facilitando o acesso a um conjunto de tarefas que os mais cépticos ainda continuam a ver como dispensáveis, pelo menos enquanto os carros estiverem em andamento e, principalmente, se feitas pelos condutores. Mas há outra questão, pois também é verdade que muitos ainda conduzem automóveis sem essas soluções tecnológicas, pelo que é ainda demasiado recorrente a prática do volante numa mão e o telefone na outra. E isso tem um custo, quase sempre demasiado elevado, nomeadamente quando envolve vidas humanas!
Ler ou escrever uma mensagem, de um simples SMS a outra numa qualquer app de conversação, ou mesmo aceder àquele e-mail que esperávamos com impaciência e que, finalmente, acabou de cair na nossa caixa de correio, alertado pelo tlin, plip, toc & afins é algo que pode ter um desfecho catastrófico, se feito ao volante, tal como o é postar ou partilhar uma imagem ou estado de alma numa qualquer rede social. Estudos demonstram que esses rápidos desvios de olhar demoram, no mínimo, 5 loooooooooooongos segundos, o que equivale 70 metros cobertos pelo carro nessa desatenção para com a estrada, se feita a uma velocidade de 50 km/h em meio urbano, ou a quase 170 metros em auto-estrada, circulando a 120 km/h. Isto supondo que os limites de velocidade são cumpridos, o que também nem sempre acontece, o que aumenta exponencialmente as distâncias em que as atenções não estão centradas no vidro correcto!

Equiparando-se já às estatísticas do álcool e do excesso de velocidade e consciente do significativo incremento desses acidentes – e suas consequências – derivados do crescente (ab)uso dos nossos inseparáveis aparelhos, para muitos quase extensões tecnológicas de corpos e mentes, a francesa Sécurité Routière encomendou à agência La Chose uma campanha que tivesse um elevado impacto visual. É algo que se traduz, de imediato, nas imagens que ilustram esta edição Trendy Wheels, nelas retratando-se brutalmente a morte com a simples pressão de um comando, do esborrachar de um peão numa passadeira, ao atropelamento de um ciclista numa qualquer via ou mesmo um violento impacto contra outro automóvel. 

Uma app “Modo Condução”
A suportar esta campanha baseada no hashtag #TousTouchés, em especial esta realidade do uso dos telemóveis ao volante, a responsável rodoviária gaulesa desenvolveu uma app específica para quando um utilizador se senta ao volante.
Imagens: Sécurité Routière

Semelhante ao “Modo Avião” que somos obrigados a activar sempre que viajamos, o utilizador activa o “Modo Condução”, função que desactiva os alertas de recepção de chamadas e SMS, mas registando-as para posterior consulta uma vez chegado ao destino. Em simultâneo é enviada uma mensagem automática a quem o tentou contactar, informando-o de que a pessoa está a conduzir e não pode atender/ responder. Simples mas para já apenas disponível na plataforma Google Play.
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Electricidade I: Uma longa gestação

Por variadas razões e apesar da sua presença nos mais variados domínios do nosso quotidiano, a electricidade tem demorado muito mais do que o suposto a solidificar-se nos veículos que conduzimos. Isto apesar das suas bases terem surgido nos anos 30 do Século XIX, sendo que só agora, em pleno Século XXI, as ofertas se começam a generalizar nos diferentes mercados de 2, 3 e 4 rodas!
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Voltemos um pouquinho atrás no tempo! Segundo os canhanhos da história, as coisas começaram a dar choque algures entre 1832 e 1839 com um heterogéneo grupo de supostos “pais da criança”, não havendo uma certeza absoluta de quem foi verdadeiramente o primeiro: o escocês Robert Anderson, o holandês Professor Sibrandus Stratingh e seu assistente Christopher Becker, ou o húngaro Ányos Jedlik  , todos criaram veículos movidos a electricidade. Seguiram-se vários outros, entre americanos, franceses e ingleses, e muitos passos foram dados nos primeiros 50 anos da aplicação de baterias eléctricas a carruagens e automóveis, até 1899, ano em que surge o "La Jamais Contente", um carro de corrida eléctrico concebido pelo belga Camille Jénatzy que até estabeleceu um novo recorde mundial de velocidade terrestre, com a estonteante velocidade de 68 km/h… imagine-se!
Outros avanços deram-se nos anos seguintes, surgindo em Nova Iorque uma frota de táxis eléctricos e as invenções da empresa norte-americana Frederik R. Wood & Sons, como o 1902 Wood Phaeton, uma carruagem eléctrica com uma autonomia de 29 km e velocidade máxima de 23 km/h, um ano depois de um tal de Ferdinand Porsche mostrar ao mundo uma proposta híbrida, com um motor de combustão interna e outro eléctrico, o Lohner-Porsche Mixte, ano em que Thomas Edison começou a trabalhar em baterias mais duradouras.


Hummmm…!!! Nesta altura poder-se-á perguntar: “Então isso não é o que tem surgido ultimamente? O que é que aconteceu neste interregno de tempo?” Pois… as respostas são relativamente simples, assentando, na sua génese, na descoberta de petróleo no Estado do Texas (EUA) e noutros buracos do planeta, processo depois associado ao poder dos lobbies, face aos chorudos lucros do ouro negro, para que a electricidade não vingasse. Junte-se o desenvolvimento das redes viárias, estradas de maior extensão que os eléctricos da altura não conseguiam percorrer com uma carga (tinham pouco mais do que autonomias urbanas), a invenção do motor de arranque por Charles Kettering (em 1912), acabando com o reinado da manivela, e o arranque da produção em massa de automóveis com motores de combustão, iniciada por Henry Ford (em 1913), tornando-os muito mais baratos para o comum cidadão – um destes custava menos de metade de um eléctrico – e os ingredientes eram mais do que suficientes para anestesiar a electricidade no automóvel, até praticamente os tornarem extintos, por volta de 1935.
Só no final do Século XX, com o crescendo das preocupações ambientais, nomeadamente para com os gases com efeito de estufa, oriundos dos diferentes veículos e das fábricas que os produziam – entre outras origens – e as baterias de electricidade viam-se despertadas desse sono profundo, regressando às mesas de discussão, em soluções de modo puro, híbrido ou plug-in, uma vez mais associados a um motor a gasolina (na maioria dos casos) ou diesel, dotados gradualmente de tecnologias mais avançadas para a redução dos gases poluentes.  
Imagens: Wikipedia Commons
Os exemplos entretanto surgidos são mais que muitos, entre os que apostaram directamente nesta solução, ou os que redireccionaram, em doses variáveis, as suas estratégias e planos de marketing, rumo a um futuro eléctrico. Este é, por isso, um mais um tema a necessitar de algum desenvolvimento extra, esmiuçando-se mais um pouco esta fantástica descoberta de Thales de Mileto filósofo, astrónomo e matemático grego que viveu na Grécia Antiga, entre os anos de 634 a 548 a.C. Foi ele quem testemunhou aquela que foi a primeira manifestação de electricidade estática da história, após esfregar um pedaço de âmbar numa pele de carneiro. Daí para cá passaram... dois milénios e meio!!! Surpreendente, não?!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.