Mostrar mensagens com a etiqueta Pessoas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pessoas. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Luis Costa: Lembranças da África do Sul

Dando continuidade a uma longa conversa com Luis Costa, houve dois temas fortes inerentes à sua trajectória ascendente no paracliclismo internacional: a conquista de uma medalha numa das provas do Campeonato do Mundo, em 2017 e na África do Sul, e outra batalha que ele e outros atletas paralímpicos travam fora das suas realidades desportivas e que pretendem ver ganha: a do igual reconhecimento e apoio face aos seus pares olímpicos.

Começando pela primeira vertente, dá que pensar que se trata do evoluir de um bichinho que apenas acordou em 2013 quando Costa enfrentou, pela primeira vez, o seu ídolo de então, um tal de Alessandro Zanardi, ex-piloto de automobilismo que perdeu ambas as pernas num acidente, de onde, milagrosamente, saiu com vida e com uma enorme vontade de dar a volta de 180 º à sua aparentemente destroçada vida. É com o agora paraciclista italiano que tem uma história curiosa, uma de muitas destes seus quatro anos na modalidade.
“É um pequeno grande momento, bem recente, e que ainda só contei a algumas pessoas. Todos sabem que me inspirei no grande Alex Zanardi para começar a competir no paraciclismo, passando a lutar contra ele desde 2013, desde a minha primeira prova internacional. Mas só lho disse pessoalmente no final do Contra-Relógio dos Mundiais da África do Sul, quando estava a descontrair nos rolos e a sonhar de olhos abertos por ter alcançado aquela medalha de bronze. O Alex foi ter comigo e felicitou-me pelo 3º lugar e pela minha magnífica progressão. Disse-lhe ter sido ele a minha inspiração algo que, sempre muito humilde, agradeceu para depois me perguntar em tom divertido: ‘Deixa-me adivinhar… e agora que estás entre os melhores o teu objetivo é dares-me um pontapé no rabo, não é?’, ao que lhe respondi ‘Naturalmente Alex, tal como todos os outros aqui presentes’. Ele deu uma gargalhada e disse-me para eu não lhe levar a mal, mas que preferia que isso ficasse para outra prova e não naquele fim de semana! Um momento que jamais esquecerei, história que mais tarde vou gostar de contar aos meus netos.”

Ao mesmo tempo Luis Costa recordou a dupla sensação de ter terminado o Contra-Relógio com a conquista de uma medalha e depois, a Prova de Fundo, a milímetros de idêntico resultado, para mais quando os resultados mostram que, nesta última, terminou o trajecto com o mesmo tempo do vencedor.
“Foram duas situações de sentimentos opostos. No final do Contra-Relógio tive que esperar uns bons 15 a 20 minutos até ter a certeza que a medalha de bronze era minha e só então ‘explodi’! Saltei para o colo do Telmo Pinão [nota: o segundo atleta luso da comitiva que viajou para a África do Sul] e comecei a gritar de alegria. Já ganhei muitas medalhas de ouro, prata e bronze, mas nenhuma delas tem o valor de uma num Campeonato do Mundo.”
Quanto ao 4º lugar na Prova de Fundo “esse teve um sabor a frustração. Sentia-me muito forte, fui quem que mais trabalhou durante a prova, respondendo a todos os ataques, anulando uma fuga, estando maior parte do tempo na frente a impor o ritmo que fez com ficássemos só quatro atletas na disputa do sprint final… mas esqueci-me de me poupar um pouco nos últimos quilómetros para poder lutar pelo pódio e, com isso paguei por esse erro. Perder essa medalha de bronze por meia roda depois de tanto esforço, foi duro de engolir. Mas faz parte e aprendi mais uma lição.”


Ensinamentos que o nosso medalhado irá aproveitar nos próximos eventos, agora que o seu calendário desportivo está praticamente definido: “2018 e 2019 são os anos em que decorrem as qualificações para Tóquio, sendo que o objetivo passa por conquistar pontos suficientes para garantir a primeira vaga para Portugal. Como já o disse, irei tentar fazê-lo participando em todas as Taças do Mundo, no Campeonato do Mundo e mais algumas provas internacionais que façam parte do calendário oficial da UCI, com o objectivo de subir aos pódios dessas provas, especialmente no Mundial, onde acredito poder fazer de novo história para o paraciclismo português”.
“Quanto a 2019 os objetivos serão idênticos, mesmo que no final de 2018 já tenhamos uma vaga assegurada para Portugal para Tóquio 2020, pois os pontos dos dois anos acumulam e eu quero contribuir para que tenhamos pelo menos 2 vagas, semelhante ao que alcançámos no Rio de Janeiro, em 2016. Isto porque nada me garante que se só tivermos uma vaga, seja eu a ocupá-la, sendo esta uma decisão do Selecionador Nacional. Por isso, quantas mais vagas, melhor.”

“Os paralímpicos não são atletas de segunda”
Objectivos que partilha, interiormente, com outras duas lutas, uma pela igualdade de tratamento na imprensa e outra junto das entidades governamentais: “É um desejo que tenho há muito de, por um lado, podermos contar com a cobertura da imprensa nacional, nomeadamente a desportiva, que hoje ainda pouco ou nada liga ao paraciclismo, algo que até senti em particular depois da conquista da medalha de bronze nos Mundiais da África do Sul.”

“Infelizmente não posso mudar o que seria mais importante: a mentalidade futebolística deste país, mas se tivesse poder para tal, obrigava todos os jornais desportivos a publicar, em cada edição, pelo menos uma página sobre desporto adaptado. Acredito que isso mudaria muita coisa mesmo! É que as pessoas e as empresas não se podem interessar por algo que não conhecem…”
Outra luta de que Luis Costa não tem desistido é a de se alcançar a igualdade de verbas olímpicas, face aos atletas sem limitações físicas: “Incompreensivelmente os apoios continuam a ser diferentes para os atletas do projecto olímpico e os atletas do paralímpico, isto apesar das promessas deixadas após os Jogos do Rio, em 2016, em que se anunciou pretender-se acabar com essa discriminação, aproximando-nos de outros países como Espanha, adoptando-se um gradual equilíbrio das verbas atribuídas”.
“Só que apesar da aprovação pelo Governo da equivalência dos denominados ‘Prémios de Mérito Desportivo’ [nota: valor que é pago a atletas que obtêm medalhas em provas de Campeonatos da Europa, Mundiais e Jogos Olímpicos/Paralímpicos], indicando o que parecia ser um bom caminho para a uma equivalência das Bolsas de Preparação dos atletas integrados nos programas paralímpicos às dos atletas olímpicos, foi recentemente chumbada uma proposta de alteração de lei que iria permitir adoptar-se um processo progressivo que, tudo indicava, ficaria equilibrado após os Jogos de Tóquio.”
Apresentada pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, a proposta previa que em 2021 os montantes ficassem, finalmente, equiparados, após uma sequência de três anos de aumentos faseados, terminando com a diferença nos valores das bolsas praticados até à data. Votada a favor pelo BE, CDS-PP e PCP, a proposta não passaria por um lado devido à abstenção do PSD mas, principalmente, pelos votos contra do PS, partido que, inicialmente, até deixou promessas de mudanças na lei. Ou seja, “infelizmente a discriminação continuou, sendo ainda mais preocupante porque se segue às promessas feitas pelo partido que agora ignorou as pretensões dos atletas paralímpicos quando chegou a hora de alterar a lei”.
Note-se que, à data, a bolsa dos atletas paralímpicos corresponde sensivelmente a um terço do valor recebido pelos desportistas olímpicos: por exemplo, um atleta olímpico de Nível 1 recebe 1.375 euros, mas o equivalente paralímpico recebe 518 euros (ver quadro). No que se refere ao Plano de Preparação, o valor atribuído aos atletas olímpicos – neste momento num total de 49 nomes – ronda os € 30.000 anuais, verba que nos paralímpicos é de apenas € 8.750, a dividir por 38 atletas com algum tipo de deficiência, estando 20 deles em modalidades de atletismo adaptado.
Números que parecem indicar que um atleta sem qualquer deficiência física gasta mais na sua preparação do que um paralímpico! “Não será antes ao contrário?”, questiona o nosso entrevistado. “A título de exemplo, saberão quanto já gastei na minha handbike, que uso para representar este país e que foi paga por muitos dos que vão ler este texto? Vários largos milhares de euros…”

#PortugalComOsParalimpicos
Em face do descontentamento e burburinho criado no meio, entretanto parecem ter havido novos desenvolvimentos, “fruto de novas negociações entre o Governo e o Comité Paralímpico de Portugal, antevendo-se que sempre possa vir a existir alguma progressão nos valores de ano para ano até 2021, mas só o saberemos ao certo quando o contrato-programa para ‘Tóquio 2020’ for assinado, daqui por uns dias.”

Enquanto tal não acontece, alerto para a causa que foi criada – através da hashtag dedicada #PortugalComOsParalimpicos – que sublinha a motivação e convicção na igualdade de oportunidades para ambos os atletas, através da qual se convidam os Portugueses a juntarem-se-lhe, de modo a acabar de vez com esta discriminação.
Curiosamente, olhando para os resultados de uns e outros a coisa até se apresenta numa estrutura completamente inversa, dado que nos últimos Jogos Paralímpicos do Rio, em 2016 os paralímpicos – vistos por muitos como atletas alegadamente diminuídos – subiram ao pódio por 4 vezes, quando os olímpicos conseguiram uma única medalha. Uma estatística que, somada à das restantes olimpíadas do presente milénio, se mostra ainda mais significativa: os atletas paralímpicos conquistaram 36 medalhas no conjunto dos últimos cinco Jogos, face às apenas 8 dos olímpicos, sendo que também o ouro está mais presente no pescoço dos aqui inconformados atletas, numa escala de 9 contra 1. Elucidativo!

Mas nada disto vai influenciar o foco principal do nosso atleta plurimedalhado nos objetivos que o atleta, paraciclista do Sporting/Tavira Paracycling, traçou para os próximos anos e que define como “Simples! Quero conquistar um lugar nos Jogos Paralímpicos Tóquio 2020, alcançando pelo caminho os melhores resultados possíveis, que dignifiquem o meu clube e o país que represento, ao mesmo tempo que retribuo o apoio de todos os que têm estado ao meu lado”.
Objectivos e prestações que Luis Costa e muitos outros, no domínio das rodas ou fora delas, pretendem atingir de modo a contribuir para o orgulhoso hastear da bandeira lusa ou para a contínua projecção do nome Portugal mais além. Veremos se, no novo ano e nos vindouros quem de direito lhes dará o devido crédito. São estes os votos do Trendy Wheels para o novo ano! 
Feliz 2018 para tod@s... e uma nova tattoo para Luis Costa em 2020!
Imagens: Luis Costa - Paraciclista

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Luis Costa: Objectivo Tóquio 2020

O novo ano está aí à porta, significado isso que faltarão 32 meses para que Luis Costa esteja de armas e bagagens por terras do Japão, para aí disputar os Jogos Paralímpicos “Tóquio 2020”. Até parece ainda muito mas, mesmo a esta distância temporal, o atleta paralímpico de raízes alentejanas está já em preparativos para esse objectivo, dividindo o seu tempo entre as mais diversas acções, tentando captar as atenções para uma modalidade ainda demasiado esquecida ou mesmo desconsiderada por quem teria o dever de a divulgar e promover.

Dando algum eco extra ao paraciclismo, o Trendy Wheels tem-no acompanhado nessa sua ambiciosa mas não impossível jornada, rumo à conquista de uma medalha – e a ser que seja a de ouro – já nos próximos Jogos Paralímpicos de Verão, a decorrer de 25 de Agosto a 6 de Setembro de 2020 no Japão. Com uma agenda repleta, este alentejano natural de Castro Verde divide-se “entre treinos dedicados, entrevistas de promoção da modalidade ou acções junto dos meus apoiantes”, ao mesmo tempo que defende “a igualdade entre todos os atletas olímpicos, com ou sem qualquer grau de deficiência, algo que, infelizmente e mesmo ao nível das autoridades governamentais, se ficou pelas palmadinhas nas costas e promessas feitas em 2016, aquando do nosso regresso dos Jogos do Rio”.
Tudo é conjugado num espaço temporal que estica ao limite do (quase) impossível, entre a vida pessoal e profissional, mantendo-se perfeitamente integrado numa exigente força de intervenção, como inspector da PJ, mesmo com a sua limitação física. Obtidos à força de uma enorme vontade de chegar mais longe, “esse conjunto de resultados e medalhas internacionais, obtidas desde que em 2013 me estreei na modalidade, são dedicados à minha família, em especial à minha companheira Inês e aos meus filhos”, juntando um agradecimento especial “ao Selecionador Nacional José Marques e ao Professor Gabriel Mendes, que gastam neurónios, perdem tempo, acreditam e fazem-me acreditar nas minhas capacidades e que conseguiram transformar um atleta desconhecido num dos melhores do mundo da sua classe!”

Noutro patamar destaca “as centenas de pessoas e empresas que me ajudaram a pagar a handbike de topo que tenho actualmente e às entidades que me têm apoiado, caso do Sporting Clube de Portugal, da Federação Portuguesa de Ciclismo e do Comité Paralímpico de Portugal, grupo que me tem permitido continuar a ter condições para me dedicar a este desporto.”

“Quero representar Portugal no Japão”
Se 2017 foi um ano repleto de sucessos pessoais e desportivos, com o ponto alto na medalha de bronze conquistada nos Mundiais da África do Sul – referi-o na série de textos que aqui se publicaram em Outubro – os anos de 2018 e 2019 antevêem doses adicionais de trabalho com vista essa renovada visita ao circuito paralímpico, quatro anos depois da sua promissora estreia no Brasil.

“Foi, de facto, um ano em cheio e seguem-se outros de muito mais trabalho. Encontro-me integrado no ‘Programa de Preparação Paralímpica Tóquio 2020’, pelo que tenho que arregaçar as mangas para contribuir que Portugal garanta, novamente, vagas para os próximos Jogos e eu seja um dos escolhidos para o representar”, refere Luis Costa com um indisfarçável orgulho. “Dependendo da altura do ano, por norma começo a treinar pelas 08h30, variando a duração entre uma hora e meia e quatro horas. A seguir vou trabalhar até às 19h00 e em certos dias, depois dessa hora, ainda faço mais um treino de ginásio e só depois vou para casa. Com sorte pelas 22h00 poderei descansar”.
Uma realidade que difere da que tem a maioria dos seus adversários internacionais, agora que “o Costa” – como é conhecido entre os seus pares – está de pleno direito no grupo dos candidatos às medalhas. “Sim, nesse particular sou um pouco prejudicado em comparação com a maioria, adversários se dedicam em exclusivo a este desporto. Eu tenho que adequar a minha vida profissional com a vertente desportiva, com a vantagem de aqui contar com uma chefia bastante compreensiva, facilitando-me determinadas situações.”
Não obstante essas diferenças, o atleta que elegeu Portimão como base de trabalho tem sabido tirar todo o partido da sua preparação e da sua handbike, alcançando os lugares de topo da Categoria H5 em que se insere, estando invariavelmente no grupo dos candidatos ao pódio nas competições internacionais em que participa. “Em eventos desse nível aprende-se sobretudo a lidar com a pressão criada pelas expectativas dos resultados. Sabemos que os portugueses, mesmo que não liguem ao que fazemos no resto do ano, nesse dia querem ver a bandeira nacional no mastro mais alto. Actualmente, não tenho problemas ao enfrentar os ditos ‘gigantes’ nas grandes competições, como o italiano Alex Zanardi, o holandês Tim de Vries ou o norte-americano Alfredo de los Santos, entre muitos outros excelentes nomes do paraciclismo, pois afinal já atingi esse patamar, tornando-me num deles, não é verdade? Existe sim um grande respeito pelo valor de todos, mais pelo que fazem em competição e não por terem melhores apoios - que os têm de facto - ou mesmo pelo melhor material, sendo que aqui estou no mesmo nível, graças à ajuda das centenas de pessoas e de algumas empresas que investiram em mim e na minha handbike, a quem não me canso de agradecer”.
O objectivo passa, assim por subir mais um patamar e de candidato às medalhas internacionais Costa quer passar a ser candidato às vitórias. “É um facto que estou no paraciclismo há menos tempo do que alguns dos meus adversários directos, mas se já demonstrei que consigo andar ao mesmo nível, porque não pensar mais alto e nas vitórias, batendo-os de um modo mais regular?” Será o somatório desses resultados que irão permitir que Luis Costa atinja os mínimos de qualificação paralímpica que o levarão até Tóquio.

Não surpreende que Luis Costa vá, assim, ter uma temporada de 2018 das mais exigentes de sempre, dividindo-se entre as taças e campeonatos internacionais da UCI que lhe garantem as tais pontuações que precisa para se qualificar para os Jogos Paralímpicos de Tóquio, juntando-lhe as participações nos eventos nacionais, onde “ao mesmo tempo que testo em ambiente competitivo, promovo a modalidade, nomeadamente junto dos mais novos e entre aqueles que têm limitações físicas de variada ordem”.
“Com um início de ano em que se equacionam duas outras potenciais provas em terras lusas, em Março, tudo irá começar em Espanha já em Janeiro, no ‘Motorland Invernal, evento realizado no circuito de F1 de Aragón. Depois, de Abril a Junho, o meu calendário de competições irá contemplar mais 8 eventos, quatro deles fora de Portugal”, refere, acrescentando que de Julho a Setembro “tenho 8 outras provas, com destaque para o Campeonato do Mundo de Paraciclismo, em Itália (Agosto), seguida de uma deslocação ao Canadá, fora três outros eventos internacionais!”

É, por isso, tempo de começar a fazer as malas e levar a sua “menina” aos cantos do mundo, parte dos temas desta longa entrevista com Luis Costa em que se abordaram outros temas quentes e também algumas saudáveis recordações. Novos conteúdos que terão de ficar para uma próxima edição, a publicar já nesta 6a Feira. 
Imagens: Luis Costa - Paraciclista

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Natal 2017: Bolachas recheadas de História

Fado, literatura, monumentos, azulejaria, cidades e festas são hoje contadas através de… bolachas! Isso mesmo, deliciosos pedaços redondinhos da autoria de uma Chef Pasteleira, ilustrados por um conjunto de especialistas e que são para comer, todos eles contando muito do passado e presente do nosso país. São a proposta de Prenda de Natal desta edição, tudo com assinatura da Bites of History.

Apostando-se numa filosofia totalmente diferente do tradicional conceito de streetfood e apesar de as podermos comprar e comer no local, há aqui toda uma outra abordagem, mais abrangente e com um público-alvo específico: “Nos últimos anos o número de turistas que visita Lisboa aumentou de forma incrível, indicando que Portugal já não é só procurado pelo sol e pelas praias. Esta alteração de perfil, num turismo mais urbano, que vem durante todo o ano fazer pequenas estadias para conhecer uma cidade, foi o factor inspirador para o nascimento da Bites of History, num conceito que surgiu naturalmente da minha vocação especial para comunicação pedagógica e gosto pela Historia”.
Quem o afirma é Luísa Otto, responsável por esta marca lusa, com quem o Trendy Wheels falou recentemente e que é hoje a nossa convidada. Assumida a denominação britânica, suportada por frases-chave que visam criar uma maior proximidade com quem vem de fora, idealizou-se um inédito modo de contar partes significativas da nossa história, hábitos, música e outras realidades, recorrendo-se a bolachas, vendidas em caixas temáticas ou individualmente, que se têm traduzido num sucesso absoluto, contribuindo para a gradual rentabilização do investimento.


Quanto à escolha da viatura usada “procurámos um veículo com charme e que se diferenciasse dos outros”, explica, orgulhosa no seu Citroën 2CV Fougonnette azulinho. “A História tem que ser atractiva, emotiva e viva pelo que procurámos um carro que reúne o factor histórico/clássico, bem como o charme nostálgico e estético que provoca grande adesão”. Pretendendo obter uma transformação específica, para uma ímpar exposição das bolachas, recorreu-se a “um arquitecto para o desenho da estrutura interior, inspirada nos móveis de camisas de homem, com topos acrílicos para dar uma imagem cuidada desta nossa loja sobre rodas.” Já o branding é da responsabilidade da agência de comunicação Miss Can.
Para já com um único poiso fixo, mostra-se bem junto à Torre de Belém, em Lisboa, um dos símbolos máximos dos nossos Descobrimentos. “Começámos as vendas perto do Mosteiro dos Jerónimos e após 6 meses tivemos autorização para ir para junto da Torre de Belém”, explica. “A proximidade do rio predispõe o público para uma atitude contemplativa, fazendo uma pausa no seu circuito de visitas. Neste ambiente recebem com agrado as explicações que damos sobre os temas que abordamos nas colecções de bolachas”, refere, acrescentando que “ninguém resiste a uma boa história!”

E quanto a segredos...
Desenvolvendo este produto ímpar com um conjunto de parceiros e fornecedores – ilustradores, copy, gráfica, pastelaria – a Bites of History completa o processo no seu próprio atelier, onde se procede à decoração e ao packaging.

Mas... e o que está por detrás destas redondinhas bolachas? Claro que toda a receita tem um ou mais segredos associados, tendo a nossa entrevistada desvendado alguns: “Temos uma receita desenvolvida pela Chef Pasteleira Maria Urmal, diferenciando vários sabores desenvolvidos em função da época: no Verão apostamos na laranja e gengibre; no Natal temos a bolacha de especiarias; e na Páscoa a de chocolate com café”, estando a confecção a cargo da pastelaria Quente e Bom. 
Conceito 90% histórico, “compõe-se de colecções – que são também vendidas como peças individuais – ilustradas por Pedro Sousa Pereira, homem de grande cultura e criativo que aporta uma mais-valia a cada desenho, onde se descobrem sempre detalhes carregados de significado”. Já o toque de fantasia das “bolachas gráficas, nomeadamente as dos Azulejos, a do Lenço do Dia dos Namorados, o Teatro Romano, entre outras, bem como pedidos específicos de clientes, são feitas pela Rita Fjan. A colecção que explica a simbologia das decorações de Natal é da Rita Pinto.”


Uma vez decoradas e colocadas em atractivas embalagens, as bolachas seguem de modo regular para as imediações da Torre de Belém – “uma 3 vezes por semana em período de Verão” – a bordo desse icónico 2CV, expondo-se orgulhosamente ao crescente e curioso público. A dar a cara pela marca está, normalmente, a responsável pelo conceito, contando com a colaboração de dois vendedores.

“Adorable”, “wunderbar”, “magnifique”, “pieza de arte”…
Ao longo destes agora dois anos de presença assídua num dos pontos mais representativos da história da nossa cidade e do próprio país, têm sido semelhantes a estas as reacções a tão ímpar conceito, entre quem nos visita. Há, naturalmente, muitas para contar, entre elas as que abaixo foram partilhadas connosco.

“Recordo com emoção uma senhora de muita idade - quase 90 anos - que ouviu falar das bolachas e, tendo achado uma ideia bonita, fez uma viagem de autocarro de uma hora e meia para as comprar. Chegou até nós com ajuda de uns polícias pois estava perdida e cansada de andar e, depois de uma longa conversa, comprou as bolachas e voltou para casa, fazendo mais hora e meia de viagem!”, refere. Outro exemplo aconteceu com “a colecção ‘Fernando Pessoa’, que provocou momentos muito emotivos entre alguns turistas brasileiros que, ao lerem excertos dos poemas que estão impressos nas caixas, correu-lhes lágrimas pelo rosto. Partilhamos uma alma unida pela língua!”, acrescentou.
“Outra história gira é de um jovem português que vive em Londres e que vem casar em Lisboa. Descobriu as nossas bolachas porque uma colega de trabalho esteve cá, comprando-lhe uma bolacha para lhe oferecer lá no escritório, em Inglaterra”. Já a primeira colecção personalizada para um cliente, “foi encomendada por uma empresa de eventos do Peru. A sua directora veio a Lisboa a procura de um lugar para organizar congresso e naturalmente foi visitar a Torre de Belém. Descobriu as nossas bolachas e depois de regressar a casa encomendou-nos colecções personalizadas para o seu evento”.

Sete colecções rumo à internacionalização
São, assim e para já, 7 as colecções da Bites of History – “Monumentos de Lisboa”, “Heróis do Mar”, “Azulejos”, “Fado”, “Fernando Pessoa”, “Porto” e “Natal”. “Essas caixas têm 4 bolachas ilustrativas do tema e os textos de suporte nas peças gráficas do packaging. Os conjuntos são vendidos por € 12,50, mas temos outras avulso, criadas especificamente para eventos, exposições, museus e empresas, e exemplares que representam ícones da nossa cultura. A embalagem individual tem sempre um cartão com a reprodução da imagem e o texto de suporte e são vendidas a € 3,50.”
Em termos de preferências, “os estrangeiros gostam sobretudo da colecção ‘Monumentos de Lisboa’ e da ‘Heróis do Mar’ e das unitárias da ‘Torre de Belém’, ‘Sé de Lisboa’, ‘Eléctrico 28’ e ‘Caravela Portuguesa’. Note-se que este projecto foi desenvolvido para turistas, grupo que contempla muitos Portugueses que as compram para levar para fora. Já a colecção ‘Natal’ é adquirida por todos, sem distinção”.

E agora que estamos em modo de festividades e em véspera de pedidos de desejos para o ano novo, o que poderemos esperar do futuro da Bites of History? “Apesar de ainda estarmos em fase de rentabilização do projecto, em que investimos um valor na ordem dos € 50.000, queremos ter mais duas licenças em Portugal", referiu Luísa Otto, acrescentando que "ao mesmo tempo estamos a preparar a internacionalização!”.
Será, decerto, mais uma iniciativa lusa se sucesso além-fronteiras, mas enquanto tal não acontece e já que decerto andamos (quase) todos em "modo compras", que tal dar um saltinho à Torre de Belém e interiorizar a nossa história numa deliciosa bolacha Bites of History? Fica a sugestão!
Imagens: Bites of History e Trendy Wheels/JP

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

L45: Um nº 1 muito original

Há veículos que, pelas suas características, se tornam autênticos objectos de colecção, sendo naturalmente alvo de cobiça pelos seus donos originais, que depois de os terem inadvertidamente vendido no passado, os pretendem recuperar para o seu espólio, exibindo-os orgulhosamente a quem visite os seus museus ou exposições para que os mesmos se vejam cedidos ou emprestados sobre determinadas condições, nomeadamente de segurança.
Imagens: Bonhams

Curiosamente, não é o caso do nosso convidado de hoje, um centenário – soma já 103 anos – Peugeot L45 Grand Prix Two Seater que acaba de mudar de mãos pela sexta vez no seu historial, 68 anos depois daquela que fora a sua última transacção. Trata-se, nada mais, nada menos, do que da primeira unidade L45 produzida (chassis e motor de competição com 4,5 litros) pela marca francesa a que, curiosamente, não pertence desde que o vendeu meros dois anos após o ter feito!
Criado pela Peugeot para o ACF Grand Prix, uma corrida de 20 voltas disputada a 4 de Julho de 1914 num novo circuito de 37,6 km, desenhado nos arredores de Lyon, poucas semanas antes do eclodir da 1ª Guerra Mundial, terá surgido discretamente nas boxes como carro de reserva, de uma equipa oficial que a marca ali inscreveu, com três outros exemplares semelhantes. Depois de uma utilização mais ou menos despercebida, voltava a surgir nesses mesmos moldes nos EUA, país de onde não mais saiu, inscrito para as 500 Milhas de Indianápolis de 1916, integrado numa equipa privada, significando que a Peugeot o havia entretanto vendido, no caso a um barão da madeira, de seu nome Lutcher Brown.
Seguiram-se quatro outros proprietários do dito, Ralph de Palma, Frank P. Book, Ralph Mulford (o próprio que havia sido o piloto de Lutcher Brown na corrida de Indianápolis) e ainda Arthur H. Klein. Isto até que, em 1949, Lindley Bothwell, um produtor de laranjas da região de S. Francisco, o comprava para si, integrando-o, posteriormente, no que haveria de se tornar na denominada “Bothwell Collection”.
Perfeitamente preservado ao longo dos tempos esteve na sua posse até ao passado dia 11 de Novembro, dia em que o ramo de Los Angeles da leiloeira britânica Bonhams, nomeada responsável pela nova transacção deste exemplar verdadeiramente único, o vendeu. Assumiu ali a numeração “Lote 408”, insípida face aos pergaminhos que enverga – é o Chassis nº 1 e tem o Motor nº 1, como se comprova pelas respectivas placas nele cravadas – tendo este histórico carro de corridas sido arrematado por 7,26 milhões de dólares (aproximadamente 6,18 milhões de euros), tornando-se no mais caro Peugeot de sempre! Ah sim, Bothwell comprara-o por… 2.500 dólares.

Curiosidade: o novo proprietário não quis ser identificado mas, quase em simultâneo, a Peugeot refere, numa das suas plataformas oficiais, que “o Peugeot L45 será sempre bem-vindo a Sochaux caso o seu proprietário aceite expô-lo aos mais de 60.000 visitantes, nacionais e estrangeiros, que anualmente visitam o Musée de l’Aventure Peugeot”. É caso para pensar se não terá sido a própria…!





Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Viagem em formato XXS

A imaginação de Tatsuya Tanaka não parecer ter limites, já que o híper-criativo japonês não para de surpreender o mundo, a todo e cada dia, com as mais (ir)reais recriações de situações do quotidiano. Recorrendo a peças em tamanho real e miniaturas dos mais diversos objectos e pessoas, alimenta o seu “Miniature Calendar” com as fotos resultantes dessas composições, num interminável processo que, como qualquer calendário que se preze, tem uma diferente referência todos os dias.


Já em Março último me havia referido ao mesmo, na peça “Calendário em Miniatura”, ali mostrando algumas das recriações em que o mesmo recorreu a temas do mundo das rodas, sendo que, desde então, têm sido publicadas muitas mais nas plataformas dedicadas.
Tendo em conta o potencial da coisa e atentando à importância do mercado nipónico, fortemente assente nos modelos das marcas locais, a Volkswagen Japão associou-se a Tanaka, pedindo-lhe para criar uma viagem até ao Salão de Tóquio, onde a marca japonesa apresentou, entretanto, as suas mais recentes novidades. Tendo como base um VW Carocha original, o imaginativo fotógrafo recriou, ao longo de 12 dias, o percurso desse modelo até ao certame nipónico, levando-o a atravessar campos, praias e cidade, ilustrando um sem número de situações que, na maioria dos casos, até nem nos são nada estranhas!

Sob o nome de "Miniature Drive", criou-se, assim, todo um mundo de faz-de-conta em que livros e teclados de computador são prédios, canetas e palhinhas retratam candeeiros de rua, roupa e lãs formam o relevo campestre, alimentos e embalagens recriam parques de diversões, edifícios e outras realidades. Pode ver tudo isso nas fotos que ilustram este artigo e ainda um mini-filme dos preparativos para uma dessas sessões, clicando aqui.



Se quiser saber mais sobre este a criatividade deste fotógrafo de miniaturas nascido em Kumamoto, em 1981, autor destas composições e perspectivas únicas sobre coisas normais do nosso quotidiano, siga-o no Facebook e no portal dedicado “Miniature Calendar”.
É caso para dizer que, mesmo que não se entenda uma palavra que seja de japonês, as imagens falam por si!
Imagens: Miniature Calendar/Tatsuya Tanaka

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

CineRAIL: O comboio no grande ecrã

Do revolucionário filme “Arrivée d’un train en gare à La Ciotat” (“Chegada de Um Comboio à Estação de La Ciotat”), dos Irmãos Lumière, no longínquo ano de 1895, até ao actual sucesso de bilheteira “Um Crime no Expresso do Oriente”, a mais recente recriação para o cinema feita a partir da obra icónica de Agatha Christie, o comboio tem sido protagonista de um sem número de películas, ora assumindo um papel mais preponderante, ora apenas de suporte, mas deixando sempre a sua marca bem vincada.
Imagem: CP - Comboios de Portugal

Apesar de outros exemplos da autoria dos irmãos Louis e Auguste, filhos do fabricante de películas Antoine Lumière, seria esta película que viria a imortalizar a denominada 7ª Arte, fruto da sua exibição pública a 28 de dezembro de 1895, dentro da primeira sala de cinema do mundo. A sua estreia demonstrou a validade do conceito, pelo simples facto de muitos espectadores, assustados com o realismo das imagens, terem saltado dos seus lugares da plateia para o fundo da sala, com medo de serem atropelados pela locomotiva que se aproximava dos seus olhos a grande velocidade.
Estes cerca de 60 segundos de emoção mudaram o mundo, numa arte que, até ao presente e em já mais de um século, trouxe ao grande ecrã (e, depois, à televisão, o pequeno) inúmeros de filmes sobre e com comboios. Os exemplos são muitos, entre os títulos acima, de “O Grande Assalto ao Comboio”, icónico filme mudo de 1903, ao desconcertante “A Rapariga no Comboio” (2016), película que vi há dias, mais as inúmeras cowboiadas, onde havia quase sempre um ou pouca-terra, pouca-terra na paisagem, seguindo-se diversos filmes dramáticos, de acção, catástrofe, aventura, comédia, terror, animação, etc, num actor sobre rodas que, como se pode ver, adapta-se a qualquer género.
“Desde esse primeiro encontro com o icónico filme dos Irmãos Lumière que o cinema tem desfrutado de um companheirismo inigualável com comboios, estações e metropolitanos, cada um deles transmitindo, de um modo especial, a imagem da nossa sociedade e das nossas fantasias. Podem representar o nosso quotidiano nos transportes, a nossa fuga para férias, a dor da despedida, a alegria do reencontro, etc, numa aventura de vida, com doses diferentes de drama e felicidade, misturando a vida, o amor e a morte, como convém a qualquer bom argumento”, refere a organização.
Imagem: Wikipedia/Frères Lumière

Há mais de 20 anos que o CineRail apresenta uma selecção de filmes sobre o tema, propostas na sua grande maioria originais e oriundas de todo o planeta, sendo que muitas delas de produção independente que integram os concursos de curtas-metragens, avaliadas por um júri internacional composto por artistas e profissionais. “Ao todo, já foram exibidos mais de dois milhares de curtas-metragens, entre criações inéditas, filmes clássicos ou novidades, demonstrando a perfeita conjugação do mundo ferroviário com o do cinema”.

Depois de Paris... Lisboa!
Pois se é fã desta conjugação temática cinema/comboios e vive na capital ou está por essas paragens no final do mês tenho uma sugestão: o “CineRAIL - Festival Internacional de Cinema Ferroviário 2017”, evento que, pela primeira vez na sua história realiza uma edição fora de território francês, exibindo por cá filmes de todo o mundo subordinados à temática ferroviária.
Imagens: CineRail e oficiais (filmes)

Decorre de 27 a 29 de Novembro no Cinema São Jorge (Av. Liberdade, Lisboa) esta iniciativa, naturalmente apoiada pela CP - Comboios de Portugal e pela UIC – União Internacional dos Caminhos-de-Ferro, dividindo-se por 3 sessões por dia (10h00, 14h00 e 17h00), exibindo-se mais de meia centena de películas. A lista oficial só será apresentada no primeiro dia, mas sabem-se já o nome de duas películas a exibir: “A Carruagem”, filme do fotógrafo/cineasta português João Vasco e da compositora Anne Victorino d'Almeida, vencedor da anterior edição (2015) do CineRAIL, integrando a sessão de abertura (às 18h00 do dia 27), para à noite se exibir “O Comboio de Sal e Açúcar” (21h15), uma colaboração luso moçambicana do ano passado, com realização de Licínio Azevedo, duas propostas de âmbito diametralmente oposto.
No filme luso vários passageiros partilham o espaço e a privacidade de uma carruagem de metropolitano. Para além deles, ali se transportam sonhos e desejos, a possibilidade de encontros imprevistos e de conflitos indesejados, num refúgio que se pode mostrar, por vezes, como uma simples ilusão. Já a segunda película retrata uma perigosa viagem de comboio, entre Nampula e o Malawi, em plena guerra civil moçambicana. Única esperança para centenas de pessoas que arriscam a própria vida para garantir a subsistência das suas famílias, a viagem faz-se a 5 km/h por troços de linha sabotados, deixando completamente vulneráveis todos os que nele viajam e que procuram esperança em tempo de guerra.
Em termos de competição oficial, este CineRAIL 2017 divide-se por várias categorias – comunicação corporativa, sustentabilidade ambiental, segurança, publicidade, comunicação interna e património histórico – sendo o ponto alto o “Grande Prémio CP” e, também o “Prémio do Público” atribuído pela UIC. Os competidores serão anunciados oportunamente no site oficial e os vencedores serão anunciados aquando da entrega de prémios (a partir das 18h45 do dia 29), que antecipa a cerimónia de encerramento. A entrada no Festival é livre.
Imagens: Oficiais
Caso tenha conseguido prender a sua atenção até aqui convido-@, agora, a assistir aos trailers de alguns dos filmes referidos: o icónico “Chegada de Um Comboio à Estação de La Ciotat”, “Um Crime no Expresso do Oriente”, o vencedor luso “A Carruagem” e o emocionalmente violento “O Comboio de Sal e Açúcar”.
Adicionalmente, deixo-lhe duas outras referências: porque já estamos em plena época natalícia, o “Polar Express”, animação de 2014 para os mais pequenos – e não só – que retrata uma mágica viagem de um jovem em modo de auto-descoberta e o filme/documentário “Lumière – L’Aventure Commence” dedicado a esses dois irmãos franceses que, a partir da invenção do cinematógrafo, nos permitem, desde então, desfrutar das maravilhas do cinema e alhearmo-nos, por momentos - e dependendo do número de baldes de pipocas à volta - do mundo lá fora!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.