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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Electricidade III: Silêncio! A corrida verde vai começar...

Corridas de automóveis eléctricos, uma realidade que, não há muitos anos, só se presenciava nas pistas de Scalextric que a rapaziada montava na sala, nos carros telecomandados, nos jogos das múltiplas plataformas ou em filmes de cunho mais futurista. Só que, fruto da real evolução do conceito, a coisa foi ganhando, gradual e silenciosamente, bastante velocidade, com base no investimento dos construtores que apostam nas tais soluções eléctricas e/ou híbridas, tema a que me referi na passada edição do Trendy Wheels.
Imagem: Fórmula E

O conceito que temos hoje como mais tradicional das corridas, assente nos tradicionais cheiros dos diferentes combustíveis nas boxes dos circuitos, bem como os sonoros roncos dos motores, irá, assim dar lugar a soluções mais amigas do ambiente e a suaves silvos dos blocos de baterias de emissões zero, tudo porque a electricidade já se propaga – com bastante substância e tecnologia associada, diga-se! – ao desporto motorizado internacional, mexendo no há muito instituído. 
Em tempos vista como inatingível, quais deuses do Olimpo ou pináculo da tecnologia automóvela todo-poderosa Fórmula 1 tem-se visto, ao longo dos últimos três anos, seriamente ameaçada pela chegada – e gradual sucesso e visibilidade – do Campeonato FIA de Fórmula E que até faz disputar os seus ePrix - acrónimo para "electric Grand Prix" - bem no centro das grandes cidades. Algumas até já foram palcos de Grandes Prémios de F1 e aonde esta desejaria regressar, objectivo hoje de impossível concretização por razões ambientais, de poluição atmosférica e sonora, apenas se mantendo no activo o GP do Mónaco, desenhado nas ruas e avenidas da icónica capital deste Principado, por uma simples razão: dólares!
Com essa leva de pessoas aos ePrix desenhados nos centros das urbes do planeta - infelizmente ainda nenhuma delas por cá - tem sido gradual e sustentado o sucesso da Fórmula E, até porque também não se obriga os espectadores a deslocações até pistas mais fora de mão. Tanto que são cada vez mais as marcas presentes na série, abandonando anos de presença na F1 e noutras modalidades. Uma delas é a distinta Jaguar, marca de luxo de origem britânica que para esta nova temporada de 2017/18 fez um reforço significativo de investimento na série, onde participa com o seu próprio monolugar, mas este ano estreando o i-Pace eTROPHY, um novo troféu monomarca 100% eléctrico, com base no seu modelo i-Pace, como programa de apoio aos diferentes ePrix.
Imagens: Jaguar

Fórmula E, Temporada 4
Pergunta para queijinho: quem irá bater o, até agora, invencível Renault e.dams Formula E Team? É esta uma das questões à entrada da nova temporada da Fórmula E, pois foi esta associação francesa que conquistou os troféus de equipas das três anteriores edições, somando-se outro de pilotos em 2015/16, um domínio assinalável nesta nova realidade das corridas de monolugares... eléctricos!
Imagem: Renault

Campeonato que, ao contrário dos demais, se inicia num ano para terminar no seguinte, esta edição 2017/18 até já arrancou, pelo menos nos bastidores, com as habituais novidades em termos de movimentações de pilotos e de equipas. Teremos 20 carros em pista, dois por cada uma das 10 formações que partem ao assalto dos dois novos títulos (Pilotos e Equipas). Estes monolugares são 100% eléctricos e de chassis e pneus idênticos, sendo dois por piloto e por corrida, pois se na F1 as corridas envolvem trocas de pneus, na Fórmula E troca-se... de carro! A operação é feita sensivelmente a meio das corridas, altura em que as baterias terão esgotado a quase totalidade da sua carga útil, uma particularidade em que se está a trabalhar para que, a curto/médio prazo, deixe de acontecer, face à maior autonomia das futuras baterias, passando a permitir cumprir-se a totalidade de um ePrix. Uma coisa é certa: manter-se-á sempre como pedra-chave desta competição a correcta gestão da energia por cada piloto, de modo a não se ficar sem combustível... perdão, sem electricidade!
Vendo a Fórmula E como o veículo por excelência para promover as suas gamas eléctricas, híbridas e plug-in, regista-se, como adiantei acima, um crescente envolvimento directo das marcas automóveis, sendo que na temporada que está prestes a iniciar-se são 4 os construtores oficialmente inscritos – Audi, DS, Jaguar e Renault – mais a BMW a fazer uma época de transição como parceira da equipa norte-americana Andretti, para assumir em pleno as rédeas do projecto em 2018/19.
Somem-se as (ainda) quase desconhecidas marcas chinesas Faraday, NIO e Techeetah, a monegasca Venturi e a indiana Mahindra e teremos 20 monolugares verdes a rechear as grelhas de partida e a dar espectáculo em pista. Não acredita? Então veja o vídeo no final deste texto). 
Imagens: Fórmula E
Imagens: BMW, Mercedes-Benz




A febre do ambiente
A demonstrar que esta febre ambiental está a alastrar e a mostrar-se cada vez mais importante para as contas do sector automóvel, confirmou-se, entretanto, a chegada dentro de duas épocas (em 2019/20) das eternas rivais alemãs Mercedes-Benz Porschedesertando de outros campeonatos baseados em combustíveis fósseis, onde estiveram por largos anos e onde acumularam, em conjunto, centenas de troféus e títulos. Na anterior (2018/19) entrará em cena Nissan, tomando o lugar da meia-irmã Renault (que passará a dedicar-se em exclusivo à F1), algo visto como natural, dado o posicionamento diferenciado de ambas e também porque pelo facto de pertencerem ao mesmo grupo industrial, seria inviável e indesejável o seu confronto directo. Ou seja, a presente época apresenta-se como a hipótese de ouro para que os franceses alcancem um poker de títulos!
Outra sensação desta 4ª época da Fórmula E, que está prestes a iniciar-se, é o anunciado regresso da Suíça ao desporto automóvel internacional, país que há mais de 60 anos baniu as grandes competições dentro das suas fronteiras, curiosamente devido ao muito trágico acidente ocorrido na vizinha França, nas 24 Horas de Le Mans de 1955. Findo esse luto motorizado e fruto do conteúdo verde desta competição 100% eléctrica, será Zurique a cidade que irá ter ePrix no centro da cidade, a realizar a 10 de Junho próximo.
Mas os suíços não serão os únicos a testemunhar a modalidade pela primeira vez no seu país, pois também chilenos, brasileiros e italianos terão os seus primeiros ePrix verdes de sempre, respectivamente nas cidades de Santiago do Chile, S. Paulo e Roma. Arrancando a 2 de Dezembro em Hong Kong (China), logo com uma jornada dupla, nesta temporada de 2017/18 repetem-se, ainda, os circuitos citadinos de Marraquexe, Cidade do México, Paris, Berlim e Nova Iorque (duas corridas), num ciclo de 14 ePrix que terminará em Montreal, em Julho, igualmente num fim-de-semana com dois eventos.
Imagens: Fórmula E


Saiba tudo aqui sobre uma modalidade com que até pode interagir directamente, oferecendo bónus de energia ao(s) seu(s) piloto(s) favorito(s), processo feito através de uma plataforma própria, recorrendo ao hashtag #fanboost. Alerto que até há um português - António Félix da Costa (imagem acima) - neste campeonato, como piloto oficial da BMW, pelo que toca a puxar pelas cores lusas!
Entretanto, se quiser um cheirinho do que sucedeu nos primeiros 3 anos de vida deste Campeonato de Fórmula E, basta apreciar o seguinte conjunto de imagens:

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Electricidade II: O acordar da ‘Bela Adormecida’

Como referi na última edição, só no final do século passado e depois de um demasiado prolongado sono induzido, derivado dos interesses e desenvolvimentos entretanto instalados noutros domínios, as viaturas alimentadas a baterias eléctricas voltaram a mostrar-se. As preocupações ambientais tornaram-se parte das agendas de um planeta cada vez mais adoentado, a braços com os efeitos dos gases com efeito de estufa, oriundos não só dos veículos alimentados a combustíveis fósseis, como das próprias fábricas que os produziam, entre outras origens.
Imagem: smart

Em modo puro, híbrido ou plug-in, aqui associados a um motor a gasolina (na maioria dos casos) ou diesel mas com tecnologias mais avançadas no domínio da redução do CO2, óxidos de azoto e outros elementos poluentes, presentemente quase não há marca que não tenha - ou preveja ter - um modelo com algum conceito eléctrico associado na sua gama. Algumas há que querem migrar por completo para essa realidade, assim se definam as linhas mestras do mercado automóvel do futuro, enquanto outras ainda dizem que “nim”, injectando com maior ou menor velocidade opções eléctricas nas suas ofertas e outras (ainda) não vêem, ou não querem ver, essa inevitabilidade transposta para a sua imagem de marca.
Bastante avançadas no processo estão as japonesas Nissan e Toyota, tendo, respectivamente, no Leaf e no Prius verdadeiros best-sellers: o primeiro é o eléctrico mais vendido do mundo; o segundo tem o mesmo estatuto entre os híbridos. Isto numa altura em que surgem outras que já nasceram ligadas à corrente, caso da Tesla, gigante norte-americano que, aparentemente surgido do nada, abanou, qual terramoto de elevada escala, o mundo automóvel para esta inevitável realidade, obrigando a concorrência a mexer-se para não se perderem no comboio do desenvolvimento eléctrico. Um trio que reforça significativamente, a cada dia e de acordo com os planos traçados, a sua aposta eléctrica.
Imagens: Nissan, Toyota

Imagens: BMW, Renault, Opel, Tesla

Aquando desse acordar, também a Chevrolet apostava num modelo, o Volt, para a sua aventura eléctrica, gémeo do europeu Ampera da Opel, enquanto a BMW lançava com enorme sucesso o citadino i3 e o desportivo i8, altura em que a Renault se concentrava nos citadinos Zoe, Twizy e no comercial Kangoo. Um trio que ganhou estatuto de case studies neste cometimento para com a tal descoberta de Thales de Mileto, de há mais de 2.500 anos! 
E não se duvide em absoluto que já se esteve muito mais longe andarmos todos de eléctrico no curto/médio prazo pois, de repente, escancararam a porta (quase) todos os restantes protagonistas do mercado, como o demonstram os novos projectos desvendados nos Salões de Frankfurt (em Setembro) e Tóquio (decorre neste momento). 
Honda é quem parece ter, de repente, encontrado todos os interruptores da casa, electrificando ambas as suas gamas: nas 2 rodas tem a fantástica moto Riding Assist-e e as scooters PCX Electric e Hybrid; nas os brilhantes concepts Urban EV e Sports EV, expostos ao lado do não menos estonteante NeuV, veículo que dizem dotado de Inteligência Artificial, este mostrado ao mundo no início do presente ano. Outro exemplar eléctrico que deixou de boca aberta o mundo das 2 rodas foi a Yamaha Motoroid, um autêntico peso-leve da categoria, com pouco mais de 310 kg!
Imagem: Honda 

Imagens: Honda e Yamaha

Mas há muitos outros a querer reforçar esse feudo eléctrico, casos da smart com o Vison EQ Concept, da Suzuki e o seu e-Survivor e da Mitsubishi com o avançado e-Evolution, para além da família ID da Volkswagen ou do Concept EQa da Mercedes-Benz. Já a Volvo, entretanto, também desvendou a sua estratégia eléctrica, anunciando que a partir de 2019, todos os modelos da sua gama irão contar com um motor eléctrico a bordo, acabando com o reinado dos blocos puramente a gasolina ou gasóleo. 
Imagens: smart, Suzuki, Mitsubishi

Imagens: Volvo, Mercedes-Benz, Volkswagen

Entretanto, ao mercado está já a chegar a tripla Hyundai IONIQ, berlina que se apresenta já com as versões electric (100%) e hybrid (2 motores complementares, um eléctrico e outro a gasolina), ficando para mais tarde a variante plug-in, num outro patamar da electricidade aliada a um ainda mais avançado motor tradicional. Mais detalhes aqui.
Imagem: Hyundai 
Até entre os produtores de superdesportivos não há como fugir ao tema, como o espelham o Project One, da divisão de competição AMG, feito em resposta ao Concept Study Mission E da Porsche, demonstrando que a coisa não é só fazível nos modelos do dia-a-dia! Tanto que a electricidade propaga-se já, com bastante substância, ao próprio desporto automóvel, mexendo no há muito instituído como inatacável!
Imagens: AMG-Mercedes, Porsche


Planeta Terra… até quando?
O mundo – ou pelo menos já parte significativa dele – hoje fala, final e abertamente, de energias alternativas, nomeadamente de electricidade e combustíveis biológicos, como reais substitutos dos combustíveis fósseis derivados do carvão ou do petróleo, tendo sido dados enormes passos na sua aplicação aos mais diversos níveis e sectores, nomeadamente nos veículos em que circulamos no nosso quotidiano ou que operam nas diferentes indústrias.
Imagem: all free download



Pelo acima exposto, são inúmeras as soluções de variável componente eléctrica e/ou híbrida nos automóveis, motos e bicicletas do nosso quotidiano, tendência que também se alastra aos veículos pesados e maquinaria das diferentes indústrias, aqui se apostando no bioetanol e/ou no gás natural, palco onde também a electricidade ganha adeptos, como o Trendy Wheels já teve oportunidade de abordar em anteriores edições.
É este conceito de pegada verde que encima muitas das discussões do presente, alertando-se que não é só no produto final que ela tem que se mostrar, devendo manifestar-se também na totalidade dos processos de produção, de manutenção e de reciclagem dos cada vez mais sofisticados materiais e das hoje avançadíssimas baterias, mas ainda com bastante impacto no ambiente. Apesar dos avanços ainda estamos longe da solução definitiva que deixe o planeta Terra de sorriso no rosto, principalmente pelas decisões dos poderes instituídos e governações, sector onde os lobbies têm demasiado peso, fazendo-as andar ao sabor dos ventos... não necessariamente dos bons!
Imagem: Tesla

Tornam-se, por isso, por demais importantes iniciativas como o Greenfest, as acções da EcoKart, ou o "Salão do Automóvel Híbrido e Eléctrico e da Mobilidade Sustentável", cuja primeira edição decorreu em Outubro na Alfândega do Porto, bem como todas as demais em que, de algum modo, se tente estancar esta autêntica ferida aberta que está a sugar a vida neste nosso planeta. Todas pretendem desmistificar o conceito e utilização de veículos eléctricos e híbridos, ou outras soluções de serviços de cariz mais ambiental, semeando-se a mudança de atitudes através da partilha e da cidadania activa que promovam uma economia mais verde.
Veremos o que o futuro nos reserva entre os ainda muitos factores que o podem condicionar. Um deles começa por si, pois as suas acções, por mais pequenas que sejam, também contam, para que possamos partilhar um mundo melhor com as gerações que estamos a preparar, incutindo-lhes uma maior consciencialização
Imagem: Greenfest 2017

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Electricidade I: Uma longa gestação

Por variadas razões e apesar da sua presença nos mais variados domínios do nosso quotidiano, a electricidade tem demorado muito mais do que o suposto a solidificar-se nos veículos que conduzimos. Isto apesar das suas bases terem surgido nos anos 30 do Século XIX, sendo que só agora, em pleno Século XXI, as ofertas se começam a generalizar nos diferentes mercados de 2, 3 e 4 rodas!
Imagem: all free download

Voltemos um pouquinho atrás no tempo! Segundo os canhanhos da história, as coisas começaram a dar choque algures entre 1832 e 1839 com um heterogéneo grupo de supostos “pais da criança”, não havendo uma certeza absoluta de quem foi verdadeiramente o primeiro: o escocês Robert Anderson, o holandês Professor Sibrandus Stratingh e seu assistente Christopher Becker, ou o húngaro Ányos Jedlik  , todos criaram veículos movidos a electricidade. Seguiram-se vários outros, entre americanos, franceses e ingleses, e muitos passos foram dados nos primeiros 50 anos da aplicação de baterias eléctricas a carruagens e automóveis, até 1899, ano em que surge o "La Jamais Contente", um carro de corrida eléctrico concebido pelo belga Camille Jénatzy que até estabeleceu um novo recorde mundial de velocidade terrestre, com a estonteante velocidade de 68 km/h… imagine-se!
Outros avanços deram-se nos anos seguintes, surgindo em Nova Iorque uma frota de táxis eléctricos e as invenções da empresa norte-americana Frederik R. Wood & Sons, como o 1902 Wood Phaeton, uma carruagem eléctrica com uma autonomia de 29 km e velocidade máxima de 23 km/h, um ano depois de um tal de Ferdinand Porsche mostrar ao mundo uma proposta híbrida, com um motor de combustão interna e outro eléctrico, o Lohner-Porsche Mixte, ano em que Thomas Edison começou a trabalhar em baterias mais duradouras.


Hummmm…!!! Nesta altura poder-se-á perguntar: “Então isso não é o que tem surgido ultimamente? O que é que aconteceu neste interregno de tempo?” Pois… as respostas são relativamente simples, assentando, na sua génese, na descoberta de petróleo no Estado do Texas (EUA) e noutros buracos do planeta, processo depois associado ao poder dos lobbies, face aos chorudos lucros do ouro negro, para que a electricidade não vingasse. Junte-se o desenvolvimento das redes viárias, estradas de maior extensão que os eléctricos da altura não conseguiam percorrer com uma carga (tinham pouco mais do que autonomias urbanas), a invenção do motor de arranque por Charles Kettering (em 1912), acabando com o reinado da manivela, e o arranque da produção em massa de automóveis com motores de combustão, iniciada por Henry Ford (em 1913), tornando-os muito mais baratos para o comum cidadão – um destes custava menos de metade de um eléctrico – e os ingredientes eram mais do que suficientes para anestesiar a electricidade no automóvel, até praticamente os tornarem extintos, por volta de 1935.
Só no final do Século XX, com o crescendo das preocupações ambientais, nomeadamente para com os gases com efeito de estufa, oriundos dos diferentes veículos e das fábricas que os produziam – entre outras origens – e as baterias de electricidade viam-se despertadas desse sono profundo, regressando às mesas de discussão, em soluções de modo puro, híbrido ou plug-in, uma vez mais associados a um motor a gasolina (na maioria dos casos) ou diesel, dotados gradualmente de tecnologias mais avançadas para a redução dos gases poluentes.  
Imagens: Wikipedia Commons
Os exemplos entretanto surgidos são mais que muitos, entre os que apostaram directamente nesta solução, ou os que redireccionaram, em doses variáveis, as suas estratégias e planos de marketing, rumo a um futuro eléctrico. Este é, por isso, um mais um tema a necessitar de algum desenvolvimento extra, esmiuçando-se mais um pouco esta fantástica descoberta de Thales de Mileto filósofo, astrónomo e matemático grego que viveu na Grécia Antiga, entre os anos de 634 a 548 a.C. Foi ele quem testemunhou aquela que foi a primeira manifestação de electricidade estática da história, após esfregar um pedaço de âmbar numa pele de carneiro. Daí para cá passaram... dois milénios e meio!!! Surpreendente, não?!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
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2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

EcoKart: Velocidade solidária

Realizou-se há dias, no Estoril, o “Greenfest 2017”, aquele que é um dos maiores eventos nacionais no domínio da sustentabilidade, palco onde empresas, autarquias, escolas e cidadãos se juntaram, com o objectivo de mostrar e sensibilizar para aquela que é uma questão cada vez mais incontornável da sociedade e das nossas vidas.
Imagem: Trendy Wheels/JP

Entre os que animaram a 10ª edição deste evento co-organizado pela Câmara Municipal de Cascais e com o alto patrocínio da Presidência da República, contribuindo para levar a bom porto do único planeta onde ainda podemos viver, esteve a EcoKart Portugal, plataforma que tem o objectivo comum de ajudar a encaminhar Portugal para uma mobilidade mais verde e desportos motorizados não poluentes.
Foi nos jardins do Casino Estoril que realizaram as já famosas "EcoVoltas Solidárias" a bordo do primeiro kart eléctrico de 2 lugares feito em Portugal. Conduzido por experimentados pilotos, novos e menos jovens sentiram algumas das emoções mais racing desta iniciativa, depois de depositada a moedinha num gigante mealheiro colocado no local, conjunto de donativos que seriam, depois, entregues às duas entidades apoiadas nesta acção: a Aldeias de Crianças SOS, que acompanha crianças e jovens em situação vulnerável, promovendo o seu pleno desenvolvimento e autonomia, e a Nuvem Vitória, projecto de voluntários que, à noite, nos hospitais, contam histórias a crianças internadas, de modo a garantir-lhes um soninho um pouco mais descansado.
Imagens: EcoKart Portugal

Noutro ponto, dentro do Centro de Congressos do Estoril, palco onde se realizaram muitos colóquios e palestras sobre o tema, a EcoKart Portugal distribuía prémios a todos os que respondiam correctamente a um pequeno quiz sobre mobilidade eléctrica. Fê-lo com o apoio da OK! Teleseguros, um dos seus mais recentes parceiros neste domínio, aquela que é a primeira seguradora nacional a apresentar um pacote de seguro específico - o OK! Auto Elétricos - para automóveis movidos a esta energia! Se já é dos que tem ou está a pensar comprar ter um veículo contacte-os e veja tudo o que têm para lhe propor.
Voltando ao inquérito, as respostas dadas, nomeadamente pelas camadas mais jovens, demonstram que muitos se mostram conscientes desta maratona em que todos nos encontramos e na qual todos temos responsabilidades, passadas, presentes e futuras, depois de todo o desnorte por que se pautou o último século e meio, e que levou ao estado assustador em que hoje se encontra o planeta Terra. Mas, se por um lado há muitos a querer tentar arranjá-lo, do outro os cifrões ainda falam demasiado alto, pois havendo dinheiro envolvido, as coisas tendem a seguir o seu cheiro, apesar de a lógica apontar para o contrário!


Acrescente-se que a EcoKart Portugal não tem olhado a esforços para esta dinamização massiva para com esta mobilidade eléctrica e também no domínio do altruísmo, tendo ao longo do ano levando as suas "EcoVoltas Solidárias" a várias localidades e eventos. São exemplos as acções realizadas no “Festival da Criança” no Estoril, na “Energy Week” do ISEL, na “Base Aberta de Monte Real - Base Aérea nº 5”, ou noutras integradas na “Semana Europeia de Mobilidade”, em Santo Amaro de Oeiras (integrada na iniciativa “Marginal Sem Carros”), Carnide, Gaia, Salvaterra de Magos e Marinhais, em todas elas recolhendo donativos que entrega, na íntegra, a instituições de missão social locais. 
Uma agenda que se renova a cada dia, estando a próxima iniciativa agendada já para amanhã (dia 12) na Universidade de Aveiro, dando-se início ao outro habitual périplo, por liceus e universidades nacionais, aqui se apoiando a Florinhas do Vouga, uma IPSS daquela cidade.

Um futuro em 2 rodas com motor
Também presentes no “Greenfest 2017” estiveram, entre outras, duas empresas da zona que se dedicam à promoção e comercialização de bicicletas eléctricas, garantindo aos presentes a experimentação – alguns deles em estreia absoluta – de alguns dos seus exemplares.

Nascida em Cascais em 2014 para contribuir para o movimento da mobilidade eléctrica no nosso país, a BeElectric surgiu neste evento de mãos dadas com a EcoKart, dinamizando as suas propostas entre os presentes. Não só propõe veículos específicos de várias marcas, como também kits portáteis que se aplicam numa bicicleta comum, transformando-a numa variante a electricidade.
Da mesma região é a bi green, que promove o exercício físico, democratizando a prática do ciclismo, de modo a tornar o mundo num lugar mais acessível, mais plano e sobretudo mais verde, ali dando a conhecer as marcas de bicicletas e scooters eléctricas que representa.
Imagem: Be Electric

Imagem: bi green


Muito mais há a dizer sobre esta temática inerente aos nossos veículos, algo que ficará para uma próxima edição, pois esta já vai algo longa, embora mas não tanto como a gestação da dita electricidade. Aposto que não sabe que o negócio dos carros eléctricos tem já... 100 anos! Ah pois é bebé!!!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Ultrapassar limites com estilo

Quantas vezes, com um determinado destino em mente, nomeadamente em cidade, chegou perto do mesmo, mas por condicionantes do espaço envolvente, teve de palmilhar a pé mais umas quantas centenas de metros? Isso acontece em zonas de acesso restrito, agora que os centros urbanos estão cada vez mais vocacionados para peões, tentando-se tudo para que estes deixem os carros nas orlas das cidades, ou por outras razões, como a sua edificação, obrigando a encontrar alternativas para se chegar aos locais pretendidos!

Mas isso vai ser, muito em breve, coisa do passado, pois as marcas automóveis estão cada vez mais a alargar os seus horizontes e a propor equipamentos extra (em formato de opcional ou acessório) que permitem que esses limites não travem a sua jornada, permitindo-lhe chegar confortavelmente ao destino, mesmo que tenha de deixar a sua viatura estacionada algures. No caso da Peugeot isso é já mesmo o presente, tornando-se, assim, na primeira marca automóvel a disponibilizar este serviço em Portugal. Fá-lo através de duas das suas mais recentes novidades neste domínio: a trotinette com assistência eléctrica dobrável e-Kick by MICRO e a bicicleta eléctrica dobrável e-Bike eF01
Há muito também apostando no negócio de 2 e 3 rodas, entre motos e bicicletas, tradicionais e eléctricas (sector que, por cá, já está a aumentar de expressão), a marca do Leão está a contribuir para a eliminação dessas condicionantes da vida aos clientes que comprem os novos SUV 3008 e 5008, presumindo-se que, muito em breve, estas propostas se vejam alargadas a outros modelos do seu catálogo.

Numa clara diferenciação e aposta de mobilidade individual, garante-se uma experiência de utilização simultaneamente activa, fluída e fácil, optimizando-se as deslocações em meio urbano, complementares aos limites da deslocação permitida ao automóvel. Ambas recarregam-se em dockstations amovíveis, que se colocam livremente no porta-bagagens daqueles automóveis, sempre que estes estejam em movimento, processo que também pode fazer-se numa tomada caseira (em cerca de uma hora).
A compacta e-Kick
Compacta e pesando apenas 8,5 kg, a trotinette e-Kick by MICRO integra algumas inovações importantes, como seja o dispositivo de assistência eléctrica Motion Control que optimiza o uso em função das solicitações do utilizador, enquanto um travão motor, em complemento ao clássico, regenera a energia da bateria. Tem uma autonomia de 12 km e pode atingir 25 km/h.

Destaque ainda para o seu guiador, estético e prático, permitindo que se dobre em segundos, adoptando um volume compacto, podendo-se levá-la a rolar sobre uma das rodas, o seu transporte debaixo do braço e mesmo em transportes públicos. Veja como neste vídeo:

Acrescente-se que a e-Kick foi há dias distinguida com o galardão “Red Dot Product Design 2017”, reputado selo de design atribuído por especialistas internacionais, gerando uma combinação vencedora com o também galardoado Peugeot 3008, este ano eleito “Carro do Ano 2017”, em Portugal e numa abrangência europeia.
e-Bike eF01: dobrada em 10 segundos
Um pouco mais volumosa mas também uma boa solução, a e-Bike eF01 é uma bicicleta dobrável de assistência eléctrica com design muito moderno e com funcionalidades notáveis. Um mecanismo patenteado de bloqueio central permite a sua dobragem em apenas 3 movimentos e em menos de 10 segundos, num veículo que até tem um patenteado mecanismo de memória de posição do selim e um quadro em alumínio inovador, concebido pelo conceituado Peugeot Design Lab.
A eF01 (“e” de eléctrica, “F” de dobrável e “01” de topo na gama) pesa uns meros 17 kg, tem um motor eléctrico de 200 W e uma ampla autonomia de 30 km, mais que suficiente para deslocações sem stress, carregando-se em 120 minutos.

Acrescente-se que a e-Kick custa € 1.220 e a e-Bike € 1.779, acrescendo € 371 e € 330 das respectivas estações de carga. Estes equipamentos podem ainda ser registados na app móvel MYPEUGEOT, permitindo o controlo, em tempo real, dos níveis de carga da bateria e autonomia, bem como obter informações meteorológicas e de navegação.
A mobilidade individual está, definitivamente, a mudar e nunca mais vai ser a mesma.
Imagens: Peugeot

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
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1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
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segunda-feira, 24 de abril de 2017

O herói do piquenique

Actividade usualmente feita a dois, num elã mais romântico, ou em família ou grupo de amigos, num encontro de pura diversão, um piquenique é um escape ideal para limpar os efeitos, por vezes nefastos, de uma semana de trabalho. Hoje o Trendy Wheels apresenta-lhe uma proposta de três rodas, diferente de tudo o que já viu, ideal para essa escapadinha gastronómica.

Este exemplar da italiana Agnelli Milano Bici, produtora de veículos eléctricos de 2 e 3 rodas, é ideal para o efeito, se bem que apenas permita um utilizador, obrigando a que @(s) acompanhante(s) se tenham de deslocar noutros meios de transporte para o local desse encontro.
Sim, concordo que parece um tanto ou quanto estranho olhar para esta espécie de Citroën 2CV a quem cortaram uma parte, somando-se-lhe uma também semi-estrutura de bicicleta, assumindo-se como um curioso triciclo com um compartimento ideal para a indispensável toalha de piqueniques, mais o cesto recheado com os acepipes que conquistam qualquer formiga. Não há, assim, como negar que ele se adequa na perfeição para esta actividade gastronómica ao ar livre, na frescura de uma mata ou floresta, à beira mar ou num qualquer recanto mais natural deste nosso planeta.

Nasceu em 2015 esta marca que conta no seu catálogo com um conjunto de produtos de mobilidade eléctrica, alternativas mais elegantes às bicicletas tradicionais. A variada gama idealizada por Luca Agnelli inclui bicicletas, tandems e side-cars com um cunho marcadamente ambiental, entre propostas já em comercialização e outras ainda em estudo, como este 2CV Paris.

Imagens: Agnello Milano Bici

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
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