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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Bibliomóvel: Livros que andam

A centenária Vila de Cascais está, desde o passado dia 7 de Outubro, bastante mais rica em termos de património. Não que tenha sido inaugurado qualquer novo espaço decorrente das recentes Eleições Autárquicas, mas porque nesse dia foi apresentada ao público a nova Biblioteca Móvel de Cascais, herdeira de um passado que remonta a 1953.
Imagens: Trendy Wheels/JP

Foi na Praia da Poça (Estoril) e o Trendy Wheels esteve lá, testemunhando a abertura deste espaço itinerante que até no decalque aplicado na viatura retrata o semelhante veículo que, há mais de meio século, transportava livros de conteúdo diverso para educação da população local, levando letras e imagens aos que, por uma qualquer razão, não podiam deslocar-se a bibliotecas ou desafogo financeiro para os adquirir.
Data de 18 de Março de 1911 o primeiro Decreto-Lei sobre o tema, tendo os os bibliomóveis evoluído a muito baixa velocidade, nomeadamente através dos chamados “carros ou barracas sobre rodas”. Só em 1953 surgiria em Cascais o primeiro o carro-biblioteca, numa ideia impulsionada por António Branquinho da Fonseca, escritor e conservador/bibliotecário do Museu e Biblioteca Conde Castro de Guimarães. Circulando pelas escolas do Concelho e lugares mais centrais da vila, o sucesso do projecto foi tal que, cinco anos depois, a gigante Fundação Calouste Gulbenkian – através de Azeredo Perdigão – deu início a um serviço de bibliotecas móveis de âmbito nacional, primeiro com recurso a 15 Citroën Type-H, número que cresceria até às 47 unidades, levando cultura e sorrisos às zonas mais recônditas do nosso país.
Imagens: Câmara Municipal de Cascais e Fundação Calouste Gulbenkian

É em homenagem àquele grande impulsionador que nasce, sob a égide do conceito “Livros que andam”, um novo e recheado bibliomóvel, agora pelas mãos da Fundação D. Luís I, num projecto colaborativo com o Município local. “Manusear um livro é um acto salutar, faz bem à saúde, apesar de hoje dispormos de várias formas de ler um livro”, referiu, na altura, Salvato Teles de Meneses, Presidente daquela Fundação, salientando o tal elemento de tradição, numa procura por “homenagear o escritor e, ao mesmo tempo, voltar a conquistar as pessoas para a leitura. Para tal, procurámos nas bibliotecas de Cascais o apoio necessário para se poder desencadear esta homenagem e pôr à disposição dos residentes do Concelho um acervo de livros e outros recursos de informação, nos mais diversos suportes”.
João Miguel Henriques, responsável pelo Arquivo Municipal de Cascais, acrescentou tratar-se de um “instrumento de futuro, havendo, neste momento, uma rede de bibliotecas municipais que todos os dias procuram promover o gosto pelo livro e pela leitura. Por isso esta iniciativa parece-nos tão relevante, numa altura em que, mais do que nunca, as bibliotecas têm registado um crescimento substancial do seu número de utilizadores, continuando a ambicionar chegar a mais pessoas por todo o Concelho”.
Desta vez tendo como base uma mais moderna van Hyundai H350, devidamente transformada para o efeito e dotada de equipamentos complementares, a nova Biblioteca Móvel de Cascais vai permitir o acesso ao livro e a outros suportes, inerentes à presente realidade, e à leitura em locais de grande concentração do Concelho, nomeadamente, em articulação com Associações Populares de Cultura e Recreio, centros de dia, lares de idosos e o Estabelecimento Prisional de Tires, entre outros. A saída oficial para esse périplo concelhio acontecerá no já amanhã (dia 14), podendo os locais de paragem ser consultados no portal do Cascais Cultura.


A multiplicação da espécie
Se segue o Facebook da Nave Voadora, Bibliotecas Itinerantes em Portugal decerto não é, para si, novidade saber que o leque de bibliomóveis é algo que se tem multiplicado, com os mais recentes exemplares a surgirem em locais tão díspares do nosso país, como Penacova, Proença-a-Nova, Vila Real, Terra Chã, Gondomar e Alcanena, entre muitos outros, orgulhoso e crescente grupo a que Cascais volta agora a pertencer.
Imagens: Bibliotecas Municipais de Penacova, Vila Nova de Famalicão, Alcanena e Oliveira de Azeméis

O crescimento desta rede de mobilidade das letras levou a que também se tenham tornado regulares encontros nacionais, com enorme adesão e sucesso, sendo exemplos a “Maratona de Leitura”, que em Julho último levou à Sertã vários destes exemplares, ou o “Encontro de Bibliotecas Itinerantes” do Município da Chamusca, cuja 2ª edição decorrerá nos dias 27 e 28 de Outubro, ali reunindo muitas das mais novas e antigas bibliotecas sobre rodas do país. Decorrerá sob o tema “Heterónimos de Nós” e as inscrições ainda estão abertas, pelo que se estiver interessado consulte as informações aqui.
Imagem: Município da Chamusca

Imagem: Sertã/Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes

Há muitas expressões relacionadas, sendo comum ouvir-se que “a leitura é o alimento da alma”, ou que “ler é sonhar pela mão de outrem”. Por essa razão deixo o repto: leiam, muito de preferência e, se possível, à boleia dos novos bibliomóveis!



Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Viagem ao passado Qin

Há dias, numa das minhas voltas por Lisboa, vi-me convidado, por amigos, a visitar a exposição “Terracota Army - Guerreiros de Xian”, mostra que desde Junho está patente na Cordoaria Nacional, em Belém. Ali se reúnem centena e meia de reproduções em tamanho real, integrais ou às peças, do que é o inigualável exército de terracota – soldados, cavalos e armamento – num espólio descoberto no interior do mausoléu de Qin Shi Huang, o primeiro Imperador da Dinastia Qin (247 a.C. a 221 a.C.).

Escusado será dizer que saí de lá encantado com mais este pedaço de uma história, “uma viagem ao coração de uma das mais enigmáticas descobertas arqueológicas da história da China,” como referem os responsáveis pela mesma. Entre as peças deste achado de 1974, quando um grupo de simples agricultores executava obras no sistema de abastecimento de água perto de Xian, na actual República Popular da China, contam-se 8.000 figuras de guerreiros, cavalos, carruagens e armas (em dimensões reais) construídos em terracota, uma argila cozida em forno sem ser depois vitrificada.
Dada a presença de rodas no perímetro, trago-lhe o tema neste Trendy Wheels, ilustrando os exemplares ali expostos, conceitos com objectivos diferenciados, o uso bélico e o logístico. Aquando da descoberta das estruturas originais em Dezembro de 1980, estas foram identificadas como Carruagem nºs 1 e 2, necessitando ambas de extensos trabalhos de restauro, depois de vários séculos encaixotadas em estruturas de madeira, 8 metros debaixo do solo!

Construídas em bronze fundido e com metade da sua dimensão original, replicam, com enorme detalhe, as carruagens, cavalos e soldados do Imperador:
·        Carruagem nº 1 – medindo 2,25 m de comprimento por 1,52 m de altura, esta estrutura de duas rodas conta com 4 cavalos emparelhados (com arreios em ouro e prata) e 1 lugar para o condutor. Protegido dos elementos por um enorme guarda-chuva, era conduzido por soldado munido de uma espada, defendendo o valioso conteúdo (arcos, fechas e escudos);
·        Carruagem nº 2 – com 3,17 m de comprimento por 1,06 m de altura, a estrutura puxada por 4 cavalos, igualmente adornados em ouro e prata, servia para transporte do Imperador e família. De formato quadrado, a entrada fazia-se pela traseira, dando acesso a um interior rica e geometricamente decorado. Tem 3 janelas (uma à frente e duas laterais) e um tecto simbolizando o redondo do céu, pintado com ilustrações de nuvens, dragões e uma fénix. Um condutor armado com espada era a primeira defesa do Imperador.

Adicionalmente, no fosso que retratava uma formação bélica, surgia um 3º exemplar, uma espécie de quadriga de duas rodas, puxada por duas parelhas de cavalos, onde seguia um oficial de patente mais elevada, protegido por um guarda-sol de várias varas. Sem outros detalhes quanto à sua construção, sabe-se serem várias dezenas os exemplares desenterrados no mausoléu original.
Acrescente-se que este conjunto arqueológico, reprodução da cultura militar chinesa do Século III a.C., foi declarado em 1987 Património Mundial pela UNESCO. Tem viajado pelo mundo e está em Lisboa desde o dia 10 de Junho, numa mostra que foi agora prolongada até dia 24 deste mês (deste Domingo a 8 dias), face à data original para o seu encerramento. Assim sendo, se ainda não foi, aproveite este tempinho extra e vá! Junte-se a mim e a mais de 50.000 outras pessoas, naquela máxima lusa de que “o saber não ocupa lugar”! Mais informações aqui.
Imagens: Trendy Wheels/JP

Imagem: Terracota Army - Guerreiros de Xian

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Septuagenário para todo o serviço

“Olá… sou o Type H, mas também já me chamaram H Van e HY. Nasci em Paris em 1947, logo a seguir a uma guerra que deixou a minha pátria devastada, pelo que decidi ajudá-la a reerguer-se e a tornar-se na potência que hoje é. Nasci, por isso, para trabalhos duros, sabendo que teria uma vida difícil pela frente, pelo que meti rodas à obra e nunca verguei sob o peso dessas múltiplas operações.”

Já fiz um pouco de tudo nesta vida, de transporte de materiais de construção, passageiros, gado, móveis, livros, legumes e café, a oficina móvel, até servindo de palco aos mais diversos eventos. Hoje, no alto dos meus 70 anos, gosto mais de estar em mercados de street food ou eventos desportivos, contribuindo para alegrar o pessoal, que ainda me olha com admiração. Ainda não penso em reforma, apesar de algumas dores aqui e ali, de que recupero depressa, fruto de quem me sabe curar, voltando à estrada para colocar sorrisos nos rostos de quem me vê passar. São já 70 anos mas estou aí para as curvas, apto para todo o serviço”.
Poderia ser este o discurso de apresentação de um dos maiores ícones da indústria dos veículos comerciais, o Citroën Type H, modelo que comemora este aniversário redondo. Até 1981, ano em que oficialmente terminou a sua produção, produziram-se perto de meio milhão de unidades – 473.289 para ser mais preciso – várias delas ainda hoje em circulação, seja porque os seus proprietários as souberam preservar ou porque há quem olhe para o modelo com o gigante double chevron na grelha (é aquela espécie de duplo circunflexo à frente dos modelos da marca francesa) e o recupere ou recrie, para as mais diversas operações.
Imagens: Jameson, Kiosque Street Food e Somersby

Entre as inúmeras acções previstas para celebrar a data, nomeadamente em solo gaulês, destaca-se a da Le Coq Sportif, conceituada marca francesa de artigos desportivos que, em conjunto com a Citroën, criou uma versão muito especial para os amantes do ciclismo, numa oficina móvel destinada a promover as provas por si patrocinadas. Outras irão surgir ao longo do ano.

Educar a mente e o estômago
Por cá este veículo de ar simpático também já teve as mais diversas actividades, do transporte ao pequeno comércio, com particular destaque para o lazer e a educação, até em ambientes diametralmente opostos.
Em 1958 foi a Fundação Calouste Gulbenkian que lhe deu enorme destaque, assentando no Type H muitas das suas então bibliotecas itinerantes, colocando-as a circular pelo nosso país para levar a cultura às zonas mais remotas do país, em especial aos que tinham menores recursos e pouco (ou nenhum) acesso à educação.
Mais recentemente o modelo tem reunido as preferências de outro tipo de educação, a do estômago, não sendo raras as empresas gastronómicas que o elegem para promover os seus produtos. Exemplos são os food & drink trucks da Menina e Moça, Fábrica – Coffee Roasters, Hops - Beer & CoJameson, Skinny Bagel e da Somersby, que invariavelmente surgem nos mais diversos eventos e festivais de street food do nosso país, ou noutros contextos do mais variado âmbito. Outros estão fixos nos seus poisos, como os Type H da Cheirinho e do Docicário, estacionados na “Cascais Kitschen”, a área de restauração do CascaiShopping.
Imagens: TrendyWheels/JP

Alguns dos exemplares que ilustram este texto têm assinatura da Kiosque Street Food, marca do grupo VERSO MOVE, que não tem tido mãos a medir face às inúmeras solicitações – nacionais e internacionais – para a construção de food trucks, nomeadamente os que têm como base este nosso aniversariante, recuperando chassis originais ou criando moldes em resina, com visual do modelo da Citroën.


Imagens: Kiosque Street Food
Mas não só, pois esta dupla do Cartaxo têm muito mais para mostrar, fruto do crescimento exponencial do segmento do street food, entidades que também apostam na transformação de veículos para o transporte de cavalos! Um tema que ficará para uma próxima edição.
Saiba mais sobre o Type H no portal Citroën Origins. Ali pode pô-lo a trabalhar, ouvir o bater das portas, ligar os piscas e até apertar a buzina! Conheça-o por dentro e por fora e veja os catálogos originais e a publicidade que o promovia. Há tanto para descobrir deste ilustre aniversariante. Parabéns Type H!


Imagens: Citroën (todas as restantes)





Imagens: Hops - Beer & Co. (1) e Trendy Wheels/JP (2 e 3)
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro

Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.