Mostrar mensagens com a etiqueta Clássicos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Clássicos. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Clássicos: Elegância em ambiente de realeza

É em ambientes de reis e rainhas, príncipes e princesas, que complemento o artigo de há uma semana, em que trouxe os ecos de dois eventos realizados em lados opostos do Atlântico, Cascais e Pebble Beach (EUA). Desta feita mostro-lhe dois outros encontros europeus que, semelhantes no conceito e na projecção que ambos já têm a nível internacional, contam com um histórico bastante diferente.

Nas margens do Lago Como…
É normalmente em Maio de cada ano que entusiastas de veículos clássicos, de 2 e 4 rodas e oriundos de todo o planeta, se reúnem no âmbito do Concorso d’Eleganza Villa d’Este. Este evento histórico – a primeira edição remonta a 1929 – decorre nos terrenos da histórica Villa Erba, nas margens do Lago Como (Itália), transformada num espaço único e exclusivo, onde os presentes podem admirar os mais icónicos veículos de diferentes eras.

Agora com o alemão Grupo BMW como patrono, a edição de 2017 decorreu sob o conceito “Around the World in 80 Days – Voyage through an Era of Records”, ali reunindo 51 automóveis raros provenientes de 16 países, de 30 marcas, bem como 40 motos de diferentes décadas, acção que ainda envolveu um valioso leilão da responsabilidade da RM Sotheby.
Começando pelo Concorso di Motociclette, sagrou-se vencedora uma Puch 250 Indien-Reise (1933), que arrebatou o troféu de “Best of Show”, enquanto o público preferiu entregar o seu troféu à Ducati Café Racer, um estudo da reputada marca italiana, hoje propriedade da Audi.

Na avaliação principal, o júri atribuiu o cobiçado “Trofeo BMW Group/Best of Show” a um Alfa Romeo Giulietta SS Prototipo, Coupé, Bertone (1957). Já o galardão do público foi duplamente dividido, pois adultos e crianças (até aos 16 anos) puderam votar de modo independente nos seus preferidos. No grupo dos petizes, o eleito para receber o “Trofeo BMW Group Ragazzi” foi o Alfa Romeo 6C 1750 Gran Turismo, Cabriolet, Castagna (1932), enquanto o “Coppa d’Oro Villa D’Este” dos mais velhos foi para um Lurani Nibbio, Open Single-Seater, Riva (1935). Destaque ainda para os exercícios de estilo, aqui com o Renault Trezor Concept a arrebatar o cobiçado “Design Award”.

Imagens: BMW Group/Villa d'Este

Assista ao vídeo e aprecie a beleza das imagens, do espaço onde se realizou este sumptuoso evento, certificado pela UNESCO como "Património Mundial da Humanidade" .

… e no Chateau de Chantilly
Bem mais recente – tem apenas 4 anos mas já conta com um reconhecimento igualmente planetário – é o Chantilly Arts & Elegance - Richard Mille, que decorre num ambiente ainda mais principesco, no sumptuoso castelo da localidade que lhe dá nome.
Imagem: Mathieu Bonnevie/Chantilly Arts & Elegance

Apesar da tenra idade, o quórum ali reunido no início de Setembro é exemplificativo do sucesso que já ostenta: 16.300 espectadores (mais 20% do que em 2016) viram-se atraídos pelos 82 veículos históricos expostos (de Pré e Pós-Guerra),
Uma das suas particularidades é o desfile de viaturas que saíram dos ateliers de design de diferentes marcas – nesta edição foram 5 – exercícios de estilo que, à semelhança dos eventos anteriores, se viram acompanhados por criações de conceituados costureiros: o novíssimo DS 7 Crossback “Présidentiel” (uma versão especial concebida para a Presidência francesa) mostrou-se com uma criação de Eymeric François, enquanto Ann Demeulemeester e Haider Ackermann vestiram, respectivamente, as manequins que desfilaram ao lado do Aston Martin Vanquish Zagato Volante e do McLaren 720 S.
Mas os vencedores do galardão “Best of Show” do Concours d’Elégance seriam o Citroën CXperience Concept, com uma criação da estilista Yang Li, e o Renault Trezor Concept, com o conceituado Balmain a mostrar um exemplar da sua Maison. No Concours d’Etat, os vencedores foram o Bugatti 57 S Atlantic (1936) e o Ferrari TR 58 (1958), respectivamente nas categorias de Pré e Pós-Guerra.


Imagens: Julien Hergault/Chantilly Arts & Elegance

Este vídeo dá-lhe uma ideia do muito que havia para ver neste monumento histórico, também ele repleto de história, quanto mais não seja por, alegadamente, ter sido o berço de uma das mais célebres iguaria da doçaria francesa, pelas mãos de Fritz Carl Vatel, pensa-se que no ano de 1663. Um feito que a casa italiana dos Médicis, da região de Florença, tem outra opinião completamente diferente, pois chamam a si a criação, com quase um século de diferença, de algo a que chamaram neve di latte!
Depois disto tudo, seria caso para dizer que para o ano há mais, mas à sua dimensão há ainda muitos outros encontros agendados, dentro e fora de portas lusas, até final do ano. É só estarem atentos às diferentes agendas, seguindo as redes sociais dos muitos grupos ou especialistas de modelos clássicos

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Mazda MX-5: E o Natal chega mais cedo

E eis que se volta a ser criança! É assim, de repente e sem avisar, regressando aos tempos em que estamos rodeados de rocas, mordedores de borracha e peluches, carrinhos de fricção, garagens e coisas com peças que nos proíbem de por na boca. Agora só dispensamos as fraldas, pois nunca se chega a tanto, o biberon e a chucha, que só atrapalham! Ah sim, e também a árvore de Natal, pois não cabe. Nem uma bonsai quanto mais!!!

Hoje o meu brinquedo é o Mazda MX-5, algo que devia ser obrigatório para qualquer criança, logo que se nasce. Sim, primeiro do tipo peluche, depois nos livrinhos de pintar, a lápis, caneta de feltro ou aguarelas, seguindo-se os coleccionáveis às várias escalas, pósteres nas paredes – quais ídolos da musica, qual quê! – e, uma vez tirada a carta, um verdadeiro!
E se um é bom, aqui é caso para dizer que dois é fantástico! Isto porque o roadster mais vendido do mundo – há pouco mais de um ano ultrapassou o patamar de 1 milhão de unidades vendidas em todo o planeta, nas suas quatro gerações (“NA”“NB”“NC” e esta “ND”) – tem desde o ano passado dois derivativos complementares. Chamei, por isso, o meu alter-ego para fazer comigo este confronto entre o Mazda MX-5 soft-top, com uma capota manual em lona que se abre/dobra facilmente, e outro Mazda MX-5 RF, dotado de um tejadilho rígido e eléctrico, que a marca chamou de Retractable Fastback. Ufff… e que teste este, pois apesar de muito semelhantes em conteúdos, estes irmãos de sangue eram também algo diferentes, nomeadamente em termos mecânicos.

3… 2… 1… Liguem-se os motores!
Mais comedido, segundo o meu habitual low profile, escolhi o MX-5 de capota de lona, brinquedo com que me identifico muito mais: motor mais pequenino (um 1.500 de 130 cv) e uma caixa manual de 6 velocidades, de engrenagens rápidas e muito curtinhas, mais parecendo um kart de estrada. Delicioso, tal como o som quando se arranca, engrenando a 1ª e depois a 2ª e depois...! Querooooooooooooooooooooooooooo maaaaaaaaaaaaaaais!!!!!

Quanto ao meu eu fanfarrão, preferiu a variante mais recente do tipo fast & smooth para que, preguiçoso como é, lhe bastasse um botão na consola para ficar com a careca ao sol, assistindo comodamente ao arrumar da capota atrás dos bancos – em apenas 12 segundos – dando origem a um roadster do tipo targa (há quem faça a ponte com o famoso formato dos Porsche 911, num elogio significativo). Como se tal não bastasse, também a caixa de velocidades era de 6 relações mas aqui automática, podendo até pô-la em modo sequencial e, com isso, brincar com as patilhas no volante, associada a um motor de 2.0 litros, de maior potência (160 cv) e até um modo Sport que o torna um pouco mais spicy. Hummmm… hot!!!

Por falar em quente, falemos da cor, um referencial tom Soul Red que, em conjunto com as linhas de design KODO fazia virar várias cabeças, muitas mesmo, de dois MX-5 que eram, também, quase idênticos no equipamento, assentando no nível Excellence, o maior e mais recheado da gama, associado ao pack Navi (navegação).
De resto, lá dentro, naqueles exíguos cockpits e uma vez fechadas as capotas, os AC automáticos faziam as vezes do fresquinho ou do quentinho, ao mesmo tempo que tirávamos todo o partido do avançado sistema áudio da BOSE que os equipava, comodamente sentados nos bancos em pele (mais confortáveis no MX-5 RF) que integravam altifalantes nos encostos de cabeça, complementando a restante distribuição do som. O resto era minimalista, já que qualquer coisa que se levasse para o interior teria obrigatoriamente de ser guardado lá atrás, nas pequenas bagageiras. Não há espaços para guardar/prender nada, apenas uma pequenina consola debaixo do AC, para encaixar o telemóvel e a carteira, e um porta-luvas (com chave) entre os bancos, no painel traseiro. Papeis soltos nem pensar, pois o mais certo era voarem, tão depressa quanto subiam os níveis de adrenalina quando nos sentamos ao volante e pressionamos o botão de start!
Afinal, desde quando são precisas mordomias num kart? Aqui no Mazda MX-5 o conceito aproxima-se muito do rough & tough, se bem que nestes dois casos com algum conforto associado.

Conduzi-los é toda uma sensação levada aos extremos do prazer, de múltiplos prazeres, pois os excelentes chassis e mecânicas Mazda SKYACTIV associadas isso lhes garantem. Em absoluto! Ouvir ambos os motores, sentir as rotações a subir e a descer à medida que se engrenam as velocidades, nomeadamente na curtinha caixa manual – já disse o quão deliciosa ela é no 1.5 – pelo que explorá-la na versão 2.0 deve ser bem mais agradável do que nesta versão automática que o meu outro eu conduziu. Não que ele se tenha queixado, nomeadamente quando o punha no tal modo Sport e brincava com as patilhas no volante na vertente sequencial, aproveitando o extra de binário. Pois… são gostos e esses não se discutem, nomeadamente com o gajo que, invariavelmente, vemos no espelho a cada manhã.
Já no custo associado à plena exploração das capacidades destes dois brinquedos para gente crescida, mas que os mais novos também querem ter – a minha descendência que o diga!!! – há que contar com algumas idas extra à bomba. Se se andar com eles ao colo, algo que não é, decididamente, a sua essência, até se conseguem fazer médias simpáticas, agora, se o pé teimar em andar a explorar o pedal do acelerador, pois, o cartão do combustível vai ter algum uso extra, nomeadamente na variante mais potente com caixa automática. O puro prazer é só na condução e nas viagens de cabelos ao vento, ou carecas no nosso caso! Milagres fazem-se mas não é nesta secção.

Do "NA" ao "ND": um salto geracional
Estes Mazda MX-5 da 4ª geração (chamam-lhes “ND”) são uma clara e natural evolução face ao original conceito “NA” de 1989. Tanto que têm conquistado os mais diversos galardões internacionais, nomeadamente o de “Carro do Ano Mundial” e “Design do Ano Mundial”, ambos em 2016, o conceituado “Red Dot Award – Best of the Best” em 2015 e 2017, atribuído aos conceitos que mais se diferenciam dos produtos seus equivalentes nas diferentes indústrias e actividades, entre dezenas de outros prémios nacionais e internacionais.

Soluções transversais a todos os actuais modelos da marca japonesa, também estes MX-5 contam com ajudas à condução, inerentes ao salto tecnológico que se tem operado no sector e dentro da própria Mazda: abrem-se com um toque nos puxadores das portas e fecham-se sozinhos, quando nos afastamos e sem que tenhamos de procurar as chaves, põe-se a trabalhar com o botão de start & stop (este servia para quando os tínhamos de deixar descansar – eles e nós – por algum tempo…), tinham direcção assistida, controlo de tracção, aviso/ajuda à manutenção na faixa, aviso de ângulo morto, mais os controlos de estabilidade, sensores de estacionamento atrás, de pressão de pneus, da chuva e da luz (com faróis automáticos), juntando-se na variante mais potente os sistemas i-stop (no pára/arranca e nos semáforos) e i-ELOOP (regeneração da energia da travagem), bem como o diferencial auto-blocante e uma suspensão mais sporty! Ok… estes até os dou de barato, mas em (quase) tudo o resto o meu popó era igualzinho ao do meu rival!

Visualmente – sim, já o disse, mas não me canso – ambos eram autênticos ímanes de olhares, na estrada ou a quem se lhes apresentava sempre que parávamos num semáforo ou estacionamento. O inigualável vermelho pigmentado com milhares de flocos brilhantes ajuda, claro, mas a exploração do design KODO nestes Mazda MX-5 é algo do outro mundo. Seja com as capotas postas ou bem arrumadas lá atrás, as frentes mergulhantes de olhos rasgados e as deliciosas traseiras com farolins redondos integrados cativavam familiares e desconhecidos, dando origem a uma sucessão de perguntas & respostas.

Dois deliciosos brinquedos por…
“E andam?”, “E a travar?”, “E as capotas?”, “E isto?”, “E aquilo?”, “E…?” com as consequentes respostas seguidas de rasgados elogios e algo semelhante a um indisfarçável “Niceeeeeeeeeeee!!!!”, para logo depois virem os inevitáveis “E quanto custam?”.

Dadas as suas naturais limitações, inerentes ao conceito roadster de 2 lugares, estes MX-5 não são carros para o dia-a-dia, até muito mais do que não serem para todas as carteiras. Os preços de entrada na gama até são relativamente acessíveis (€ 25.100 para o soft-top e € 29.850 no caso do RF), mas as duas variantes aqui em análise, bem mais recheadas, surgem com valores um nadinha superiores: € 31.600 para o meu Mazda MX-5 (soft-top) 1.5 SKYACTIV-G (131 cv) MT Excellence Navi e € 44.425 para o Mazda MX-5 RF 2.0 SKYACTIV-G (160 cv) AT Excellence Navi do meu outro eu.
Pois… mesmo a este nível a exclusividade paga-se, pelo que se quiser analisar outras possibilidades clique nos respectivos configuradores, aqui e aqui

Quanto a nós, de repente vimo-nos num berreiro a plenos pulmões, pois acabou-se a brincadeira, chegando a hora de arrumar os popós, da obrigatória muda da fralda (afinal…), para depois se comer a papinha toda e vir o inevitável xi-xi/cama. Mesmo contrariado, continuo na minha: MX-5 é sempre com caixa manual… não quero cá saber de automáticos, de autónomos ou de algo que me retire o verdadeiro prazer de condução. Algo que os japoneses na Mazda chamam de Jinba Ittai… recorda-se?.
Termino com um agradecimento muito especial ao Luis Azevedo da LAZEVEDOPHOTO, cujo profissionalismo permitiu eternizar em imagens este autêntico sonho em duplicado!
Imagens: LAZEVEDOPHOTO.COM
Vou agora dormir um soninho bom, sonhando com esse dia em que, já mais crescido, possa ter um Mazda MX-5, quem sabe da geração “NE” ou “NF”, todinho para mim! É que o meu outro eu já me leva uns minutos de avanço e eu tenho de o apanhar… Vrummmmmmmmmmmmmmmmmmmmm!!!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Clássicos: Uma passerelle intemporal

As exposições e desfiles de automóveis clássicos, para além do deslumbre que provocam nos que assistem à sua passagem, levando-os de volta a um passado distante ou mostrando o que se fazia no tempo dos nossos avós – pelo menos dos meus – integram, invariavelmente uma vertente muito particular que são os “Concursos de Elegância”.
Tratam-se de desfiles em que, tal como numa passerelle de moda, os modelos são avaliados aos mais diversos níveis, nomeadamente em termos de preservação e interesse histórico, até se lhes associando um cunho verdadeiramente fashion, actual ou passado. Das muitas que decorreram este ano, um pouco por todo o planeta, o Trendy Wheels traz-lhe quatro referências, divididas por duas edições, mostrando-lhe um pouco do que por lá aconteceu.

Da centenária Vila de Cascais…
“O Futuro do Passado” foi o mote do “Cascais Classic Motorshow 2017”, evento que há dois fins-de-semana transportou no tempo aquela minha vila centenária. O ponto alto foi, naturalmente, a exposição e avaliação, no Hipódromo Manuel Possolo, de um conjunto de tesouros sobre rodas, num “Concours d’Élegance” que foi disputado por 65 exemplares, sendo atribuídos mais de 25 troféus.

O mais apetecido de “Best of Show” foi entregue ao Lancia Lambda Limousine (1928), enquanto o público presente no palco principal do evento escolheu o seu vencedor, atribuindo o “Troféu Horácio Gonzalez” a um Edfor (1937), roadster que é considerado como o mais belo automóvel de fabrico português de sempre! Sim, apesar da sua curtinha carreira, ostenta o selo de made in Portugal, sendo este considerado um exemplar raríssimo, pois só se produziram… 4 exemplares!
Esta 5ª edição do evento foi complementada por diversas outras actividades, nesse e noutros palcos, mais o desfile de Domingo de manhã pelas estradas do Concelho. Locais e turistas puderam ali observar mais de 1.000 viaturas, entre exemplares expostos e os que circularam em cortejo, conjunto avaliado em algo como 50 milhões de euros!


Imagens: Bernardo Lúcio/ACP

Veja algumas imagens do “Concours d’Élegance” aqui e aqui e um resumo do desfile aqui.
Não havendo página oficial deste evento organizado pelo do ACP, leia a extensa cobertura que foi feita pelo Jornal dos Clássicos, verdadeiros especialistas na matéria e que gentilmente cederam ao Trendy Wheels as imagens que ilustram esta parte do artigo.

… a Pebble Beach (EUA)
Do outro lado do Atlântico tem lugar o Pebble Beach Concours d'Elegance, muitas vezes referido como “o” evento neste domínio da elegância de veículos clássicos e sua avaliação. Organizado na Califórnia (EUA) desde 1950, a sua 67ª edição, em Agosto último, voltou a reunir os mais díspares veículos, de valiosos clássicos originais, alvo dos mais variados carinhos dos seus donos, a viaturas futuristas, muitas apenas concebidas para exposição em salões automóveis, para além de modelos de competição, alguns com estatuto de Campeões.

Entre os ilustres convidados contavam-se, entre outros, o comediante/apresentador Jay Leno, Arnold Schwarzenegger, actor e ex-Governador da Califórnia, o jogador Michael Strahan dos New York Giants, o actor Jerry Seinfeld e John Lasseter, CEO da Pixar, todos eles conhecidos pelos diferentes exemplares que têm nas suas recheadas garagens.
E o vencedor desta edição do evento foi um Mercedes-Benz S Barker Tourer (1929), impondo-se entre as 204 propostas a concurso, oriundas de 15 países e de 31 Estados norte-americanos. O restante pódio ficou para um Packard 906 Twin Six Dietrich Convertible Victoria (1932) e um Ferrari 315 S Scaglietti Spyder (1957).
Imagens: Kimball Studios/Pebble Beach Concours d'Elegance

Assista aqui a um resumo do evento e delicie-se com o riquíssimo património sobre rodas ali exposto.
Numa próxima edição irei trazer-lhe os ecos de dois outros eventos realizados em solo europeu e que, embora com espaços temporais completamente díspares - um é organizado desde 1929 e o outro há apenas 4 anos - já se equivalem no domínio do impacto e importância no sector.

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Ícones renascidos

“O carro é a coisa mais aproximada a um ser vivo que alguma vez iremos criar”. Quem o disse foi Sir William Lions – ou “Mr. Jaguar” – co-fundador da Swallow Sidecar Company, a meias com William Walmsley, empresa que mais tarde daria origem à Jaguar Cars Ltd. Foi algures no início do Século XX, num pensamento que ainda hoje perdura e que serviu de alicerce para que agora a Jaguar, a meias com a Land Rover, inaugure o seu centro “Classic Works”, infraestrutura para recuperação de viaturas clássicas.
Com uma área de implantação de 14.000 m2, este avançado centro reúne as operações de veículos clássicos das duas icónicas marcas britânicas, hoje parte do império da indiana Tata. Os trabalhos dividem-se por 54 oficinas individuais mais uma área de motores, podendo albergar perto de cinco centenas de viaturas.
Se é um apaixonado por estas marcas, um petrolhead ou um mero saudosista de alguns dos melhores automóveis alguma vez criados, não deve perder por nada este pequeno filme.

Ficou conquistado? Então, se puder, comece a planear uma viagem a Conventry (Inglaterra), devendo, nos entretantos, reservar também os seus bilhetes para ver esta fantástica colecção ao vivo! Sim, o Trendy Wheels não faz por menos e dá-lhe um empurrãozinho, bastando clicar aqui para o efeito. Depois, bem, depois terá de esperar pela chegada do dia desse longo mergulho de quase 3 horas na história de ambas as marcas, num tour pelas instalações onde irá ouvir vários especialistas na matéria e assistir à recuperação dos mais diversos ícones do mundo automóvel.
Já que por lá está, fique a par de outras experiências que ambas proporcionam ao público. Basta clicar em Jaguar Classic Experiences e em Land Rover Classic ExperiencesDigam lá se não damos ideias fixes!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Moda, Automóveis e Chantilly

Moda e automóveis são conceitos cada vez mais inseparáveis, não só porque é tão agradável olhar para aquele vestido de corte especial, imaginado por um costureiro de renome, como o é deixarmo-nos arrebatar por um design sobre rodas, com linhas que saíram do estirador de um excelente designer. Se a isto adicionarmos uma boa dose de Chantilly então o bolo fica completo!


Bom… aqui esse apetecível doce extra é outro pois refiro-me ao Domaine de Chantilly, herdade que integra uma das jóias do património - arquitectónico e de coleccionismo – francês. Este espaço foi, recentemente, palco de um muy selecto evento – Chantilly Arts & Elégance Richard Mille” – onde se associou criações de 6 costureiros de renome e 8 exercícios de estilo sobre rodas, integrantes de um “Concurso de Elegância”.

Junto a exemplares únicos do mundo das quatro rodas, as criações dos costureiros Balmain, Eymeric François, Giorgio Armani, Jean-Paul Gaultier, Jørgen Simonsen e Timothy Everest desfilaram naquela improvisada passerelle, deliciando os milhares de presentes, maioritariamente conhecedores de ambos estes mundos.





Entre os galardões atribuídos, o mais apetecido era o troféu “Best of Show”, que um exigente painel de jurados entregou ao concept DS E-TENSE da marca francesa DS Automobiles, viatura que desfilou lado a lado com uma criação do costureiro Eymeric François. Trata-se de um longo vestido de veludo de seda, entrelaçado por cerca de 80 metros de ligações em couro cosido à mão. É parte da Collection Couture «Femmes & Fatales» que ostenta os códigos de moda desta Maison francesa, emanando uma elegância inspirada pela cidade de Paris e pela idade de ouro de Hollywood, numa sensualidade de pele desnudada e curvas conscientemente definidas de modo a tornar lendária a mulher que o vista

Já o “Prix Public” ficou para o Mercedes-Maybach 6 Vision, automóvel que se viu acompanhado por uma modelo envergando um vestido assinado por Jean-Paul Gaultier (infelizmente não há foto oficial desta dupla), costureiro que veria ainda uma segunda criação sua igualmente premiada, junto do estudo 570GT By McLaren Special Operations, aqui com o troféu “The Most Beautiful Ensemble” (exemplares respectivamente à esq. e à dta. na foto abaixo).


Este algo controverso costureiro francês foi, aliás, quem mais exemplares fez desfilar, com um corte em tons de castanho e preto a acompanhar, também, o Aston Martin Vanquish Zagato Coupé (carro branco na foto abaixo). Já a casa Balmain mostrou-se junto ao BMW Mille Miglia Coupé Concept (viatura e vestido em tons cinza), enquanto Giorgio Armani vestiu de azul quem desfiou ao lado do Bugatti Chiron, da mesma cor. Jørgen Simonsen criou a peça que acompanhou o Lexus LC 500 (ambos vermelhos) e, finalmente, Timothy Everest associou a sua modelo ao Rolls Royce Wraith Black Badge, com o preto a dominar.


Refira-se ainda que também a italiana Alfa Romeo saiu vencedora de Chantilly, tendo garantido o troféu maior do “Concours d’Etat”, com o seu 8C 2900B Lungo Berlinetta de 1938. Passado e futuro – este último representado pelo 100% eléctrico e futurista DS E-TENSE – dividiram, assim, as honras da foto de encerramento!


A página de Youtube do evento apresenta diversos vídeos com o melhor desse fim-de-semana de moda e automóvel: o resumo que pode ser visto aqui; outro mais alargado aqui; e as imagens da consagração dos vencedores aqui.

Naquela que foi a sua terceira edição, este elegante dia no campo confirmou o seu crescente estatuto neste domínio tão selectivo. Mas atenção que, muito naturalmente, os cerca de 13.500 visitantes não puderam envergar um qualquer trapinho, já que elegância era a palavra-chave, se bem que se podia, ainda assim, associar alguma dose (bem medida) de extravagância! Assim, se no próximo ano quiser marcar presença, as peças de vestuário deverão obrigatoriamente integrar-se nos exemplos apresentados abaixo, crianças incluídas. Note-se que será negado o acesso ao Domaine a qualquer visitante que viole este muy restritivo dress code.
 
Imagens: Chantilly Arts & Elégance Richard Mille” e DS Automobiles (oficiais) 
Assim sendo, toca a correr para as máquinas de costura, ou então contactar um costureiro famoso, luso ou internacional, para lhe preparar a farpela para 2017. Há ainda tempo mas há também que atentar à linha, isto para não haver surpresas de última hora!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.