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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

WWCOTY: A visão feminina das necessidades

“Se não os podes integrar, junta-te a elas!” ou “Aqui homem não entra!”. Poderia ser um dos dois lemas do painel de juradas do “Women’sWorld Car of the Year 2017”, iniciativa que nos últimos anos se tem demarcado do sexo oposto, num sector ainda vincadamente masculino, passando a avaliar, por si próprias e com outra visão das necessidades, as melhores propostas do mercado. Afinal, também se diz que “a última palavra na escolha de um automóvel novo é das mulheres”!

Basta atentar nas listas de jurados dos principais galardões internacionais do sector auto e verificar-se que os eles ultrapassam, em muito, as elas: são apenas 4 as representantes femininas nos “World Car Awards”, num painel que compreende nada menos do que 82 jurados, são também 4 as juradas do “Car of the Year” europeu, onde votam 60 especialistas, e apenas 1 no “International Van of the Year”, num painel de 24 jurados. Em semelhante iniciativa na América do Norte são 57 os jurados, dos quais apenas 7 são senhoras. Elucidativo!
Em face desta indesmentível realidade, são elas quem fecha o ano com a atribuição do derradeiro grande galardão automóvel de 2017, àqueles que consideraram como sendo os melhores da actualidade. Uma particularidade nesta 8ª edição é o facto de haver, pela primeira vez na história da iniciativa, uma jurada lusa entre as 25 votantes, que representam 20 países dos quatro cantos do planeta. Chama-se Carla Ribeiro e, por cá, espelha as suas opiniões em publicações diversas, do jornal diário ‘Público’ às revistas especializadas ‘Carros & Motores’ e ‘Todo Terreno’, para além de conteúdos para o portal de cotação automóvel ‘Kelly Blue Book’. Também integra o júri do “Carro do Ano” nacional, processo de avaliações em que está, neste momento, envolvida. Ah sim, é a única representante feminina no dito!

“Um prémio para os melhores automóveis escolhidos exclusivamente por e para mulheres pode, à primeira vista, parecer estranho ou até mesmo sexista. Mas, note-se que vivemos num mundo em que ainda é vedado a alguém o direito de conduzir por simplesmente ser mulher. E quando se começa a pensar nisso, percebemos a utilidade de um galardão deste género”, começa por dizer ao Trendy Wheels.
Apaixonada por automóveis e tudo o que os envolve desde que se recorda, Carla Ribeiro reforça que, “para além do mais, os estudos mostram, claramente, que homens e mulheres têm uma diferente visão do automóvel, quer enquanto objecto utilitário, quer de prazer. A partir daí e tendo em conta a baixa representatividade feminina nos prémios do sector a nível global, assim como o facto de a venda de 3 em cada 4 automóveis ser feita ou por uma mulher ou a partir da decisão desta – dou como exemplo os carros de família – a criação de um prémio destes fazer faz ainda mais sentido. E, se em determinados países a presença de mulheres no jornalismo automóvel é o mais banal possível, noutros permanece uma área tabu, uma espécie de ‘Clube do Bolinha’ em que menina não entra.”

Profissional que não só avalia as novidades de produto que são lançadas no nosso país (e não só), como também cobre diferentes eventos motorizados, Carla Ribeiro considera o facto de fazer parte desta iniciativa “enriquecedor a nível pessoal mas, também, em termos profissionais pois traz consigo um acréscimo de responsabilidade no sentido de manter o espírito crítico pautado pelo rigor. Isto para além dos conhecimentos que integrar um painel do género nos traz — algumas de nós fomos em Junho a Inglaterra, para entregar o prémio de 2016 à Jaguar, sendo um privilégio poder ter contacto com os quatro cantos do mundo e perceber realidades tão distintas quanto as da Índia ou da África do Sul — pelo que a inclusão de Portugal nesta avaliação mundial não deixa de ser representativa do potencial do nosso pequeno mercado”.

... e elas preferem o Hyundai IONIQ
Bom… e, assim sendo, eis que são anunciados os últimos vencedores do presente ano, neste processo dos destaques entre os melhores, em que o Hyundai IONIQ surge à cabeça desta apreciação feminina, nomeado como o “Vencedor Supremo” - uma denominação um quanto ou tanto peculiar - nesta contagem: “Seguro, confiável, amigo do ambiente e extremamente feminino. Foi, este ano, um claro vencedor, considerando-se todas as suas três variantes – EV, Hybrid e PHEV Plug-in Hybrid – como um único modelo em termos de votações”, refere a organização, pela voz da neozelandesa Sandy Myhre, Presidente do Júri e, também ela jurada, enaltecendo-se o facto de, adicionalmente, ter ganho a categoria de “Green Car“.

Os vencedores dos restantes grupos deste “WWCOTY 2017” foram o Mazda CX-5 nos “Familiares”, modelo que foi ainda vice à geral e também no cada vez mais popular segmento dos “SUV/Crossovers”, categoria aqui ganha pelo Peugeot 3008, ele que é o actual detentor dos ceptros de “Carro do Ano 2017” nacional e europeu, em termos absolutos. Adicionalmente, se o Ford Fiesta conquistou o troféu “Budget Car”, reservado aos modelos mais acessíveis à bolsa, em contraponto, o BMW Série 5 venceu o segmento “Luxo”. Entre os “Desportivos” destacou-se o Honda Civic Type R.
Adicionalmente é pedido às juradas que atribuam um prémio ao seu “Dream Car”, galardão que se destina ao modelo que gostariam de ter parado à porta de casa. A escolha recaiu, este ano, no McLaren 720S, um ano depois de terem eleito o… McLaren 570S. É caso para dizer que não são nada pobrezinhas nas escolhas!


Imagens: Women's World Car of the Year

Acrescente-se que esta avaliação interplanetária contemplou uma lista inicial de nada menos do que 420 viaturas, umas abrangentes da maioria os mercados, outras específicas de regiões mais restritas. O grupo foi, depois, alvo de uma triagem, vendo-se reduzido a 60 modelos, 10 por cada uma das 6 categorias a concurso, para após esta avaliação final, auditada por uma empresa independente, se gerarem os resultados acima.

Portugal em crescendo nos galardões internacionais
Fechada que está a contagem de 2017, não há tempo para descanso, pois para a semana serão dados a conhecer os nomes dos primeiros vencedores com o selo “2018”.

A abrir a sequência teremos, já na próxima 4ªF (dia 22 de Novembro) em Lyon, o anúncio do futuro detentor do ceptro de “International Van of the Year” (IVOTY), aqui contando-se com a votação nacional de Fausto Monteiro Grilo, responsável pelo portal ‘Comunicauto’. No mesmo dia e evento serão, também, conhecidos os nomes do “International Truck of the Year” (ITOY) e do “International Pick-up Award 2018” (IPUA), aqui sem qualquer contribuição lusa.
A 15 de Dezembro saber-se-á que modelos vencem os galardões europeus “AutoBest”, quer o prémio maior, quer os das diferentes categorias, numa iniciativa cujo painel integra José Caetano, director da revista ‘AutoFoco’.

2018 inicia-se sem qualquer influência portuguesa, com o anúncio dos vencedores dos “North American Car & Truck/Utility of the Year Awards”, tendo depois de se esperar pelo dia 5 de Março para se conhecer o “Car of the Year” (COTY) europeu, resultado do processo de votação que decorre neste momento. Quer para a definição da shortlist, grupo de 7 finalistas que será conhecida já na próxima 2ª Feira (dia 20), como para a escolha do candidato eleito, há que contar com as pontuações de Francisco Mota, jornalista que até há bem pouco tempo representou a entretanto extinta revista ‘AutoHoje’, e de Joaquim Oliveira, como correspondente, freelancer que, entre outras, colabora com a revista ‘AutoFoco’, e outras publicações internacionais. Acrescente-se que este último também é jurado dos galardões “Engine of the Year”, anunciados há uma semana e que premiaram os melhores motores do mercado.
Fruto de uma diferente calendarização, haverá depois um interregno até Junho, altura em que se atribui outro dos grandes troféus internacionais, também aqui com um jurado nacional: Guilherme Costa, um dos co-responsáveis pelo portal ‘Razão Automóvel’, dá a sua opinião nos “World Car Awards” (WCA), avaliação intercontinental que tem, assim e também, um cunho lusitano. Na mesma altura serão anunciados os “Bus & Coach of the Year”, estes dois sem nenhum nome português no painel.

Esta sequência anual irá, depois, fechar-se, uma vez mais, com o “Women’s World Car of the Year 2018”, naturalmente a realizar dentro de 12 meses, integrando renovada avaliação da Carla Ribeiro aos modelos que irão ser lançados ao longo do próximo ano.
Por cá serão, entretanto, também conhecidos o vencedor do “Essilor Carro do Ano Trofeu Volante de Cristal 2018” e os das categorias de suporte, algures entre Fevereiro e Março próximos, para além de se anunciarem os conquistadores dos múltiplos troféus atribuídos pelas diferentes editoras e revistas da especialidade, nacionais e internacionais, ou pelos próprios mercados individualmente. Ou seja, troféus não irão faltar para rechear as vitrinas das marcas!
Logótipos: Oficiais
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Electricidade II: O acordar da ‘Bela Adormecida’

Como referi na última edição, só no final do século passado e depois de um demasiado prolongado sono induzido, derivado dos interesses e desenvolvimentos entretanto instalados noutros domínios, as viaturas alimentadas a baterias eléctricas voltaram a mostrar-se. As preocupações ambientais tornaram-se parte das agendas de um planeta cada vez mais adoentado, a braços com os efeitos dos gases com efeito de estufa, oriundos não só dos veículos alimentados a combustíveis fósseis, como das próprias fábricas que os produziam, entre outras origens.
Imagem: smart

Em modo puro, híbrido ou plug-in, aqui associados a um motor a gasolina (na maioria dos casos) ou diesel mas com tecnologias mais avançadas no domínio da redução do CO2, óxidos de azoto e outros elementos poluentes, presentemente quase não há marca que não tenha - ou preveja ter - um modelo com algum conceito eléctrico associado na sua gama. Algumas há que querem migrar por completo para essa realidade, assim se definam as linhas mestras do mercado automóvel do futuro, enquanto outras ainda dizem que “nim”, injectando com maior ou menor velocidade opções eléctricas nas suas ofertas e outras (ainda) não vêem, ou não querem ver, essa inevitabilidade transposta para a sua imagem de marca.
Bastante avançadas no processo estão as japonesas Nissan e Toyota, tendo, respectivamente, no Leaf e no Prius verdadeiros best-sellers: o primeiro é o eléctrico mais vendido do mundo; o segundo tem o mesmo estatuto entre os híbridos. Isto numa altura em que surgem outras que já nasceram ligadas à corrente, caso da Tesla, gigante norte-americano que, aparentemente surgido do nada, abanou, qual terramoto de elevada escala, o mundo automóvel para esta inevitável realidade, obrigando a concorrência a mexer-se para não se perderem no comboio do desenvolvimento eléctrico. Um trio que reforça significativamente, a cada dia e de acordo com os planos traçados, a sua aposta eléctrica.
Imagens: Nissan, Toyota

Imagens: BMW, Renault, Opel, Tesla

Aquando desse acordar, também a Chevrolet apostava num modelo, o Volt, para a sua aventura eléctrica, gémeo do europeu Ampera da Opel, enquanto a BMW lançava com enorme sucesso o citadino i3 e o desportivo i8, altura em que a Renault se concentrava nos citadinos Zoe, Twizy e no comercial Kangoo. Um trio que ganhou estatuto de case studies neste cometimento para com a tal descoberta de Thales de Mileto, de há mais de 2.500 anos! 
E não se duvide em absoluto que já se esteve muito mais longe andarmos todos de eléctrico no curto/médio prazo pois, de repente, escancararam a porta (quase) todos os restantes protagonistas do mercado, como o demonstram os novos projectos desvendados nos Salões de Frankfurt (em Setembro) e Tóquio (decorre neste momento). 
A Honda é quem parece ter, de repente, encontrado todos os interruptores da casa, electrificando ambas as suas gamas: nas 2 rodas tem a fantástica moto Riding Assist-e e as scooters PCX Electric e Hybrid; nas 4 os brilhantes concepts Urban EV e Sports EV, expostos ao lado do não menos estonteante NeuV, veículo que dizem dotado de Inteligência Artificial, este mostrado ao mundo no início do presente ano. Outro exemplar eléctrico que deixou de boca aberta o mundo das 2 rodas foi a Yamaha Motoroid, um autêntico peso-leve da categoria, com pouco mais de 310 kg!
Imagem: Honda 

Imagens: Honda e Yamaha

Mas há muitos outros a querer reforçar esse feudo eléctrico, casos da smart com o Vison EQ Concept, da Suzuki e o seu e-Survivor e da Mitsubishi com o avançado e-Evolution, para além da família ID da Volkswagen ou do Concept EQa da Mercedes-Benz. Já a Volvo, entretanto, também desvendou a sua estratégia eléctrica, anunciando que a partir de 2019, todos os modelos da sua gama irão contar com um motor eléctrico a bordo, acabando com o reinado dos blocos puramente a gasolina ou gasóleo. 
Imagens: smart, Suzuki, Mitsubishi

Imagens: Volvo, Mercedes-Benz, Volkswagen

Entretanto, ao mercado está já a chegar a tripla Hyundai IONIQ, berlina que se apresenta já com as versões electric (100%) e hybrid (2 motores complementares, um eléctrico e outro a gasolina), ficando para mais tarde a variante plug-in, num outro patamar da electricidade aliada a um ainda mais avançado motor tradicional. Mais detalhes aqui.
Imagem: Hyundai 
Até entre os produtores de superdesportivos não há como fugir ao tema, como o espelham o Project One, da divisão de competição AMG, feito em resposta ao Concept Study Mission E da Porsche, demonstrando que a coisa não é só fazível nos modelos do dia-a-dia! Tanto que a electricidade propaga-se já, com bastante substância, ao próprio desporto automóvel, mexendo no há muito instituído como inatacável!
Imagens: AMG-Mercedes, Porsche


Planeta Terra… até quando?
O mundo – ou pelo menos já parte significativa dele – hoje fala, final e abertamente, de energias alternativas, nomeadamente de electricidade e combustíveis biológicos, como reais substitutos dos combustíveis fósseis derivados do carvão ou do petróleo, tendo sido dados enormes passos na sua aplicação aos mais diversos níveis e sectores, nomeadamente nos veículos em que circulamos no nosso quotidiano ou que operam nas diferentes indústrias.
Imagem: all free download



Pelo acima exposto, são inúmeras as soluções de variável componente eléctrica e/ou híbrida nos automóveis, motos e bicicletas do nosso quotidiano, tendência que também se alastra aos veículos pesados e maquinaria das diferentes indústrias, aqui se apostando no bioetanol e/ou no gás natural, palco onde também a electricidade ganha adeptos, como o Trendy Wheels já teve oportunidade de abordar em anteriores edições.
É este conceito de pegada verde que encima muitas das discussões do presente, alertando-se que não é só no produto final que ela tem que se mostrar, devendo manifestar-se também na totalidade dos processos de produção, de manutenção e de reciclagem dos cada vez mais sofisticados materiais e das hoje avançadíssimas baterias, mas ainda com bastante impacto no ambiente. Apesar dos avanços ainda estamos longe da solução definitiva que deixe o planeta Terra de sorriso no rosto, principalmente pelas decisões dos poderes instituídos e governações, sector onde os lobbies têm demasiado peso, fazendo-as andar ao sabor dos ventos... não necessariamente dos bons!
Imagem: Tesla

Tornam-se, por isso, por demais importantes iniciativas como o Greenfest, as acções da EcoKart, ou o "Salão do Automóvel Híbrido e Eléctrico e da Mobilidade Sustentável", cuja primeira edição decorreu em Outubro na Alfândega do Porto, bem como todas as demais em que, de algum modo, se tente estancar esta autêntica ferida aberta que está a sugar a vida neste nosso planeta. Todas pretendem desmistificar o conceito e utilização de veículos eléctricos e híbridos, ou outras soluções de serviços de cariz mais ambiental, semeando-se a mudança de atitudes através da partilha e da cidadania activa que promovam uma economia mais verde.
Veremos o que o futuro nos reserva entre os ainda muitos factores que o podem condicionar. Um deles começa por si, pois as suas acções, por mais pequenas que sejam, também contam, para que possamos partilhar um mundo melhor com as gerações que estamos a preparar, incutindo-lhes uma maior consciencialização
Imagem: Greenfest 2017

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Bibliomóvel: Livros que andam

A centenária Vila de Cascais está, desde o passado dia 7 de Outubro, bastante mais rica em termos de património. Não que tenha sido inaugurado qualquer novo espaço decorrente das recentes Eleições Autárquicas, mas porque nesse dia foi apresentada ao público a nova Biblioteca Móvel de Cascais, herdeira de um passado que remonta a 1953.
Imagens: Trendy Wheels/JP

Foi na Praia da Poça (Estoril) e o Trendy Wheels esteve lá, testemunhando a abertura deste espaço itinerante que até no decalque aplicado na viatura retrata o semelhante veículo que, há mais de meio século, transportava livros de conteúdo diverso para educação da população local, levando letras e imagens aos que, por uma qualquer razão, não podiam deslocar-se a bibliotecas ou desafogo financeiro para os adquirir.
Data de 18 de Março de 1911 o primeiro Decreto-Lei sobre o tema, tendo os os bibliomóveis evoluído a muito baixa velocidade, nomeadamente através dos chamados “carros ou barracas sobre rodas”. Só em 1953 surgiria em Cascais o primeiro o carro-biblioteca, numa ideia impulsionada por António Branquinho da Fonseca, escritor e conservador/bibliotecário do Museu e Biblioteca Conde Castro de Guimarães. Circulando pelas escolas do Concelho e lugares mais centrais da vila, o sucesso do projecto foi tal que, cinco anos depois, a gigante Fundação Calouste Gulbenkian – através de Azeredo Perdigão – deu início a um serviço de bibliotecas móveis de âmbito nacional, primeiro com recurso a 15 Citroën Type-H, número que cresceria até às 47 unidades, levando cultura e sorrisos às zonas mais recônditas do nosso país.
Imagens: Câmara Municipal de Cascais e Fundação Calouste Gulbenkian

É em homenagem àquele grande impulsionador que nasce, sob a égide do conceito “Livros que andam”, um novo e recheado bibliomóvel, agora pelas mãos da Fundação D. Luís I, num projecto colaborativo com o Município local. “Manusear um livro é um acto salutar, faz bem à saúde, apesar de hoje dispormos de várias formas de ler um livro”, referiu, na altura, Salvato Teles de Meneses, Presidente daquela Fundação, salientando o tal elemento de tradição, numa procura por “homenagear o escritor e, ao mesmo tempo, voltar a conquistar as pessoas para a leitura. Para tal, procurámos nas bibliotecas de Cascais o apoio necessário para se poder desencadear esta homenagem e pôr à disposição dos residentes do Concelho um acervo de livros e outros recursos de informação, nos mais diversos suportes”.
Já João Miguel Henriques, responsável pelo Arquivo Municipal de Cascais, acrescentou tratar-se de um “instrumento de futuro, havendo, neste momento, uma rede de bibliotecas municipais que todos os dias procuram promover o gosto pelo livro e pela leitura. Por isso esta iniciativa parece-nos tão relevante, numa altura em que, mais do que nunca, as bibliotecas têm registado um crescimento substancial do seu número de utilizadores, continuando a ambicionar chegar a mais pessoas por todo o Concelho”.
Desta vez tendo como base uma mais moderna van Hyundai H350, devidamente transformada para o efeito e dotada de equipamentos complementares, a nova Biblioteca Móvel de Cascais vai permitir o acesso ao livro e a outros suportes, inerentes à presente realidade, e à leitura em locais de grande concentração do Concelho, nomeadamente, em articulação com Associações Populares de Cultura e Recreio, centros de dia, lares de idosos e o Estabelecimento Prisional de Tires, entre outros. A saída oficial para esse périplo concelhio acontecerá no já amanhã (dia 14), podendo os locais de paragem ser consultados no portal do Cascais Cultura.


A multiplicação da espécie
Se segue o Facebook da Nave Voadora, Bibliotecas Itinerantes em Portugal decerto não é, para si, novidade saber que o leque de bibliomóveis é algo que se tem multiplicado, com os mais recentes exemplares a surgirem em locais tão díspares do nosso país, como Penacova, Proença-a-Nova, Vila Real, Terra Chã, Gondomar e Alcanena, entre muitos outros, orgulhoso e crescente grupo a que Cascais volta agora a pertencer.
Imagens: Bibliotecas Municipais de Penacova, Vila Nova de Famalicão, Alcanena e Oliveira de Azeméis

O crescimento desta rede de mobilidade das letras levou a que também se tenham tornado regulares encontros nacionais, com enorme adesão e sucesso, sendo exemplos a “Maratona de Leitura”, que em Julho último levou à Sertã vários destes exemplares, ou o “Encontro de Bibliotecas Itinerantes” do Município da Chamusca, cuja 2ª edição decorrerá nos dias 27 e 28 de Outubro, ali reunindo muitas das mais novas e antigas bibliotecas sobre rodas do país. Decorrerá sob o tema “Heterónimos de Nós” e as inscrições ainda estão abertas, pelo que se estiver interessado consulte as informações aqui.
Imagem: Município da Chamusca

Imagem: Sertã/Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes

Há muitas expressões relacionadas, sendo comum ouvir-se que “a leitura é o alimento da alma”, ou que “ler é sonhar pela mão de outrem”. Por essa razão deixo o repto: leiam, muito de preferência e, se possível, à boleia dos novos bibliomóveis!



Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Volksküche: A minha cozinha Volkswagen

Cada vez mais fã do MasterChef Austrália e afins, por vezes penso em ter uma casa – sonhar não custa! – equipada com uma cozinha equivalente ao nível dos pratos que quero (re)criar. Mas como, efectivamente o orçamento não estica e o Trendy Wheels ainda não tem aquela projecção que gostaria (mais o EuroMilhões que teima em não pingar para estes lados), mantenho-me na minha, fazendo o que posso com os electrodomésticos e utensílios que tenho. Como, por exemplo, o frigorífico ou a torradeira, que lá em casa são de marcas mais tradicionais, situação que noutros locais não é bem assim, pois até há quem consiga ter, de uma mesma marca, um automóvel parado à porta e a maquinaria lá de casa.

Como por exemplo, da Volkswagen! Pois, não é sabido que o portento industrial alemão tenha uma divisão caseira, mas mediante a cedência de direitos de imagem e consequentes avultados ganhos, encontram-se no mercado propostas que compõem as letras “V” e “W” equilibradas e circunscritas a um perfeito círculo, propondo-se exemplares que ficam bem – muito bem mesmo, diria! – em qualquer cozinha.

Estacione o seu frigorífico
É este o convite da Gorenje, uma das marcas mais in do momento em termos de equipamentos para cozinhas, propondo no seu catálogo o “Retro Special Edition Fridge”, frigorífico desenvolvido com base na icónica VW “Pão de Forma”, combinando o design dos anos ’60 com a tecnologia do presente. Tem 260 litros de capacidade e classificação A+++, estando disponível em duas cores: Baby Blue e Burgundy.
Imagens: Gorenje

Não estando (ainda) disponível via o portal da Gorenje Portugal, adquiri-lo só é possível pela via internacional, custando lá por fora algo na ordem dos € 1.300 a € 1.400, ou seja um pouco longe do conceito Volksküche, ou “Cozinha do Povo”, tal como hoje em dia a maioria dos modelos Volkswagen, há muito tendo deixado de ser os “Carros do Povo”. Adiante... uma vez recebida a encomenda, é só delinear um espaço e estacioná-lo lá por casa,  assim. Fácil!

Christmas is coming!
Passando dos frios para os quentes, que tal uma torradinha em pão caseiro e bem barrada de manteiga? Há que convir que, numa altura em que Outubro já começou, volta a parecer muito bem incluir a torradeira no ritual matinal, junto com uma boa chávena de café ou de chá.
Imagens: VW Japão

Mas não uma torradeira qualquer, nada disso! Tem que ser uma que, uma vez usada a manteiga ou o doce – ou qualquer outro elemento cremoso – tirado do frigorífico acima, elas se derretam numa fatia de pão com… o logo da VW! Segundo parece, a representante japonesa da marca terá criado uma edição limitada de 5.000 torradeiras “Volkswagen Minibus Toaster” – em verde, vermelho ou azul & branco – peças que têm a particularidade de ter uma grelha que queima o centro da fatia com o logo da marca!
Já a Fizz Creations propõe outros exemplares menos excêntricos mas igualmente funcionais em termos visuais – e que farão um match perfeito com o frigorífico acima: não só uma torradeira, em duas composições de cor, como ainda uma chaleira de 1,8 litros, uma caixa para o pão, e ainda um mini-frigorífico com capacidade para 6 latas de 33 cl!
Imagens: Fizz Creations

Se umas estão à venda nos circuitos oficiais, outras há em portais como o eBay ou a Amazon. Por inerência da aproximação das festas, será fácil adaptar aquela expressão cada vez mais popular do “winter is coming” para algo como “Xtmas is coming” e encontrar-se aquela prenda interessante, especial e diferente! Até porque o facto de todas se inspirarem num ícone do surf e da praia, poderão fazer-nos companhia até à chegada do Verão de 2018... daqui a 6 longos meses!
Outra conceito de tripla para a cozinha foi desenvolvida por um grupo de estudantes da PDF Haus, instituição coreana de educação em design industrial. Também baseados na imagem da marca alemã, têm aqui um design mais contemporâneo, mas nem por isso menos interessante.
Imagem: PDF Haus

Dos carros para nossas casas
Outros poderão dizer “Então e a Mitsubishi?”, referindo-se à marca que mais depressa nos poderá vir à memória neste particular. A divisão Mitsubishi Electric do grupo japonês produz e comercializa diferentes produtos para o lar, pelo que a “marca dos 3 losangos”, também referida como “3 diamantes” pode, por isso, equivaler-se ao veículo que se conduz no quotidiano.
O mesmo é válido para a Hyundai, colosso industrial coreano que para além de automóveis, superpetroleiros e maquinaria pesada, entre outros – é impressionante a abrangência deste conglomerado – conta, também, com uma divisão própria dedicada aos equipamentos para o lar, a Hyundai Home Appliances.
Imagens: Hyundai Home Appliances e Mitsubishi Electric

Em resumo, seja pela crescente aposta das marcas no denominado lifestyle branding, seja pela vertente dedicada de diferentes marcas de veículos, será uma questão de tempo até se poder fazer, caso assim se deseje, o paralelismo automóvel/casa, afinal, as duas áreas que mais influem nos nossos orçamentos familiares!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Escolha o nome do próximo SEAT

Não há muito tempo – foi em Maio – abordei aqui no Trendy Wheels a temática da escolha dos nomes para automóveis, técnica que está dependente de uma série de factores, nomeadamente a sua sonoridade ou a (preferencial) adequação aos diferentes mercados a que um determinado modelo se destina, de modo a não obrigar a alterações de última hora ou a que um mesmo veículo tenha duas designações diferentes em pontos diferentes do planeta, obrigando a reforços de investimento.

A mais recente acção neste domínio pertence à espanhola SEAT que está prestes a lançar um novo modelo – um SUV, claro está! – para o qual e pela primeira vez na sua história, pediu ajuda a clientes e fãs da marca na escolha do nome final deste seu novo produto, possivelmente nascido à imagem do estudo “20v20”. E não o faz por menos pois tratar-se-á do SUV que, a partir do seu lançamento em 2018, se posicionará como topo de gama neste cada vez mais importante segmento europeu, o 3º do seu catálogo que acaba de ver chegar o novo crossover compacto Arona e que já integrava o SUV médio Ateca.
Conhecida por adoptar, na grande maioria dos casos e fruto das suas raízes que remontam a 1950, nomes de cidades e/ou localidades espanholas, a SEAT prepara-se para juntar mais uma cidade a essa extensa lista. São exemplos, da gama actual, os modelos Ibiza (uma das Ilhas Baleares), Toledo e Leon (de províncias com o mesmo nome), Arona (em Santa Cruz de Tenerife), Ateca (Saragoça) e Alhambra (Granada), bem como outros do seu passado, recente e mais longínquo, como o Altea (Alicante), Arosa (Galicia), Cordoba, (Cordoba), Malaga, Marbella e Ronda (todas em Malaga), etc.
Aberta a iniciativa a 1 de Junho com o hashtag #SEATbuscaNombre (disponível em várias línguas), 133.000 internautas de 106 países propuseram, em conjunto, 10.130 nomes de terras/regiões/monumentos espanhóis para este futuro SUV, lista que a marca reduziu depois a 9, apenas escolhendo os que melhor poderiam transmitir a personalidade do veículo e depois de ultrapassadas as questões de linguística e legais. Seguiu-se nova auscultação junto dos seus clientes para o grupo se ver reduzido a 4 nomes finalistas.
São eles: Alboran, uma ilhota do Mediterrâneo, a meio caminho entre a Península Ibérica e o Norte de África (parte do município de Almeria), Aranda e Avila, ambas parte da região de Castilla y León, respectivamente nas províncias de Burgos e Ávila, e ainda Tarraco, cidade romana hoje “Património da Humanidade da UNESCO” e que deu origem à actual Tarragona, sita na província homónima.
“Agora Escolha” parece ser o mote, disponibilizando na internet um portal dedicado para o efeito – se quiser contribuir faça-o aqui - mas despache-se e faça-o durante este fim-de-semana, pois a votação só está online até 2ª Feira (25 Setembro), numa eleição que se tornará histórica em Outubro, quando nascer esse novo SEAT, com um nome eleito, quem sabe, por si!



Todos querem um SUV
Ainda sobre o mercado e ao segmento SUV – acrónimo para Sport Utility Vehicle – em particular, os analistas da JATO prevêem que em 2020, ou seja, já daqui a 2 anos e só na Europa, ele possa representar um volume de vendas na ordem dos 5,7 milhões de carros, para uma quota de mercado de 34% (+8% do que em 2015 e também +8% do que a evolução registada entre 2007 e 2015)! Impressionante pois não há muito tempo eram os Citadinos e os Pequenos Familiares a registar essas percentagens e a deter esse estatuto. Só que o mundo está a mudar e os gostos/necessidades dos consumidores também e o que está a dar é ter um SUV ou um crossover, outra designação por que também são conhecidos estes modelos de versatilidade ímpar.
A título de informação, por cá, num país que anda nas bocas do mundo porque a AutoEuropa entretanto iniciou a produção de um novo SUV, o VW T-Roc, o top-3 nacional neste segmento é o seguinte: 1º Renault Captur; 2º Nissan Qashqai; 3º Peugeot 3008. Na Europa o escalonamento é outro, com o Qashqai como líder, à frente do VW Tiguan e do Captur.

Nomes fixes e outros que... enfim!
O acima descrito é diferente de tudo o que habitualmente se faz no sector automóvel. De acordo com fonte da SEAT, assim que em Março último foi anunciado o lançamento, para 2018, de um novo SUV de 7 lugares, imediatamente e sem que o tenha solicitado, a marca recebeu dos seus fãs e clientes mais de 500 sugestões de nomes, pelo que os seus responsáveis decidiram-se por avançar para esta acção pública, abdicando do tradicional processo.
Imagens: SEAT

De acordo com os especialistas as opções habituais passam pela análise de uma lista com centenas de referências, envolvendo equipas de marketing, design e comunicação, ou comprando-se esse serviço a empresas especialistas na matéria, que apresentam listas já eliminadas, sempre que possível, de conjugações de difícil compreensão linguística em alguns mercados, de nomes já registados ou protegidos por questões legais, ou ainda outros que se possam, de algum modo, tornar-se ofensivos ou mesmo abusivos, fruto de avançadas ferramentas de análise.
Depois, como disse no texto “Diz-me o que conduzes…” de Maio último, há uma sequência lógica de nomes em determinadas marcas, seja pela conjugação aparentemente aleatória entre letras e números (o segmento conjugado com a cilindrada do modelo, por exemplo, num grupo alfanumérico que marcas como a BMW, Mercedes e Audi são pródigas), ou porque o habitual é ter numa marca ou gama nomes de ventos, deuses, animais, astrologia, astronomia ou mitologia, ou mesmo com heranças familiares. Outros há ainda de inspiração desconhecida, não se referindo a nada em particular, mas resultando ou soando muito bem nos mercados onde o mesmo vai ser vendido. Isto mesmo que, por vezes, venham a colidir com outras questões noutros países ou regiões!
Imagens: Hyundai

Só que às vezes o TPC parece não ter sido feito na totalidade ou então decidiu-se avançar mesmo assim, gerindo-se as questões caso a caso, quando e se surgirem! Um exemplo recente é o Hyundai Kauai, um SUV que noutros mercados se chama… Kona! Pois… dada a sua sonoridade na língua de Camões, por cá alterou-se a denominação por razões óbvias, não se ferindo, assim, susceptibilidades ou dando azo a gozos. Já agora, Kona (ou Kailia-Kona) é um distrito da Maior Ilha do arquipélago do Havai, mas os coreanos optaram por lançar o carro em Portugal como Kauai (lê-se Kaua'i), a 4ª maior e também a mais antiga ilha do Havai.
Não está sozinho neste peculiar grupo pois outros houve com nomes tão díspares como LaPuta, Ascona, Qazana, Bronco, Besta ou Moco (macaco do nariz em espanhol), ou mesmo Vito e Fitta que em alguns países nórdicos e em japonês são referências ao órgão sexual feminino, enquanto Pinto em brasileiro é calão, mais ou menos suave, para o pénis, mais o Pajero que em espanhol envolve brincadeiras individuais com a genitália, tal como a expressão LaCross em França, ou ainda o Zika, que lançado na altura da praga de mosquitos com o mesmo nome, obrigou a marca a optar por outra solução. Elucidativo!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
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