quarta-feira, 9 de março de 2016

Uma Mensagem Única, Precisa-se!

Anteontem, abordei, com a ajuda da APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil, a temática da Segurança Infantil e da actual realidade das estatísticas, decorrentes das situações testemunhadas no âmbito das acções que esta associação realiza amiúde, in loco nas estradas ou em eventos dedicados aos profissionais ou abertas à população em geral. Ficaram, então, prometidas algumas respostas adicionais, nomeadamente no futuro que esta realidade pode ter em Portugal.

Infografia: APSI
Uma delas remete-se ao título da 2ª parte deste artigo, reforçando Sandra Nascimento, Presidente da APSI, que um dos aspectos que contribui, na perspectiva da APSI, para a má utilização dos SRCs é “a inexistência de uma mensagem coerente e homogénea entre as várias entidades que divulgam informação e aconselham ou influenciam as escolhas das famílias nesta área, desde as forças de autoridade, aos profissionais de saúde, vendedores de artigos de puericultura, formadores, passando pelos organismos do estado e pelas organizações que apoiam as famílias/consumidores”.

A falta de formação adequada destes profissionais “é, de uma maneira geral e também, um factor muito crítico,” acrescentando ainda que “as campanhas que são promovidas junto da população por vezes também não veiculam as mesmas mensagens ou as mensagens mais relevantes”.
Infografia: Dorel/Bebé Confort

Um passo importante em Inglaterra
Em Inglaterra houve, recentemente, um avanço significativo entre os principais construtores de dispositivos, num evento organizado pela Good Egg Safety, em que se abordou, naturalmente, a incorrecta fixação das cadeirinhas e uso de dispositivos não adequados, definindo-se um conjunto de acções a implementar a curto prazo, com destaque para as seguintes:
  • a necessidade de uma mesma terminologia em toda a indústria, para passagem de uma mensagem mais consistente;
  • a importância do treino e certificação do pessoal das diferentes entidades que trabalham neste campo;
  • a importância na informação que é passada aos futuros pais, antes mesmo do nascimento dos rebentos, e na posterior evolução do SCR ideal, à medida que a criança cresce;
  • potencial erradicação dos assentos elevatórios, que dão pouca protecção à cabeça, pescoço e quadris, nomeadamente nas colisões laterais.
  • simplificação da legislação i-Size, considerando-se que pode causar alguma confusão entre pais, educadores e profissionais de segurança das estradas.
Presentes neste encontro estiveram marcas como a Besafe, Britax, Cosatto, Cybex, Dorel, Halfords, John Lewis, Mamas & Papas, Mothercare e RoadSafe, para além de diversas e entidades do Reino Unido relacionadas com a temática da segurança nas estradas como sejam a EuroNCAP, esta com uma abrangência pan-europeia, ou entidades locais de segurança infantil.
Fotos: EuroNCAP

Mas, e por cá?
A responsável da APSI referiu que “seria muito interessante criar em Portugal uma rede ou plataforma de trabalho que permitisse, não só garantir uma maior coerência na informação disponibilizada pelos diferentes organismos e profissionais que intervêm nesta área, mas também, articular iniciativas, desenvolver campanhas conjuntas e gerar recursos financeiros para a execução de ações e atividades a desenvolver pelas organizações que, como a APSI, tem um conhecimento muito especializado e relevante neste domínio, mas escassos apoios financeiros.”

À semelhança do exemplo britânico, alcançar em Portugal algo de contornos semelhantes “parece-nos uma grande mais-valia”, envolvendo-se os fabricantes e vendedores de SRCs, organizações da sociedade civil, organismos do Estado, laboratórios, etc. Apesar de ainda não existir um Fórum desta natureza, existem no entanto, diversas iniciativas que têm sido/estão a ser desenvolvidas em conjunto por diversas entidades e que são de realçar, como por exemplo, o programa “ALTA SEGURA da APSI”, bem como o projecto “Bebés, Crianças e Jovens em Segurança do Ministério da Saúde”, uma parceria com diferentes interlocutores.” Acrescente-se que a mesmo envolve a Direcção Geral de Saúde, a Dorel/Bebé Confort, a Fundação MAPFRE e, naturalmente, a APSI.
Banner: APSI

“Adicionalmente, a APSI tem estado a desenvolver formação para profissionais e acções para famílias com o apoio/para algumas empresas fabricantes e/ou que vendem SRCs. Já há também um grupo de saúde privado a trabalhar com a APSI de forma regular esta área,” acrescentou Sandra Nascimento. Os próximos workshops direccionados às famílias, decorrem já nos dias 15 de Março (Lisboa) e 2 de Abril (Porto)! Saiba mais aqui.

Há agora que passar das intenções à prática. Por cá e como se comprova pelo acima exposto, a APSI faz os possíveis e, por vezes, os impossíveis no sentido de alertar recorrentemente todos os envolvidos para a importante questão da segurança e integridade dos mais novos a bordo dos automóveis. “Há muitas entidades a fazer ‘coisas’, mas nem sempre de uma forma integrada. Seria, por isso, interessante criar em Portugal essa plataforma com todos os interlocutores que disseminam informação para as famílias”. Fica lançado o repto!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

Sugestão adicional: agora que nos aproximamos dos períodos de entrega do IRS, caso assim o entenda, convido-o a incluir o NIPC 502 886 412 no Quadro 9 do Anexo H, ajudando, assim, a APSI a contar com um reforço financeiro ao seu orçamento. Poderá ainda, se assim o entender, ajudar esta entidade sem fins lucrativos com um donativo para o IBAN PT50 0036 0012 99100072219 84. Sem a sua ajuda fica mais complicado alcançar os objectivos bem definidos, visando a redução do número de acidentes, a sua gravidade e as consequências nas diferentes faixas etárias! Saiba mais no Portal da APSI e acompanhe as acções no seu Facebook. Obrigado!


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