quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Se fumar, não conduza!

São bem mais comuns as campanhas rodoviárias em redor do álcool, mas é também sabido que as denominadas substâncias psicotrópicas também influem nas nossas capacidades de reacção ao volante. Como por exemplo a canábis (ou marijuana), droga leve que mereceu a devida atenção por parte da Asociacion de Estudios del Cannabis del Uruguay através de uma campanha dedicada! 

A iniciativa compõe-se de um conjunto de 3 pósteres, com outras tantas mensagens de alerta, cujas cópias foram estrategicamente colocadas na região de Montevideo, capital deste país sul-americano  que, em 2013, legalizou a sua produção e comercialização. Integrados em muppies, têm a particularidade de serem feitos… da própria erva! Isso mesmo! Com 1,70 m de altura por 90 cm de largura, cada painel idealizado pela agência The Electric Factory é composto por folhas da dita erva que foram desfiadas, prensadas e secas, num trabalho 100% artesanal. O texto foi depois impresso através de um processo semelhante ao usado na produção de serigrafias.
Abordando uma temática com importante impacto social, as mensagens inerentes pretenderam servir de alerta para a responsabilidade de cada um enquanto condutor, nomeadamente para a diminuição das suas capacidades depois de fumar a dita cuja. 
Imagens: AECU
Por falar em fumar, aos eventuais larápios que pudessem ter ideias de roubar estes potsters – trocadilho entre as palavras “pot” (designação em inglês para “erva”) e “poster” –, feitos com recurso a uma quantidade não desvendada de folhas, deixou-se o reparo de que não valeria de nada o esforço, pois no processo de produção foram retiradas as substâncias psicoactivas, ou seja, se usadas seria como estar-se a fumar papel!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Qual minutinho, qual quê… haja respeito!!!

Quantas vezes não ouviu já as expressões “vou só ali já venho” ou “é só um minutinho”? Estas ou outras quaisquer, quando, por alguma razão, tentou sair de um estacionamento, aceder à sua garagem ou estacionar num local que até lhe está reservado, mas onde está lá um qualquer estorva que, para facilitar a própria vida, decidiu complicar a dos restantes mortais? Tal torna-se ainda mais preocupante com os abusos que influem directamente com pessoas, condutores ou peões, que por qualquer vicissitude da vida têm o seu modo de vida e de deslocação condicionado.

São inúmeros os exemplos nas nossas cidades, desde veículos parados ou estacionados em cima de passadeiras e passeios, em acessos de garagem e até em locais reservados a pessoas com algum grau de deficiência, por vezes perto de escolas e de centros de saúde e hospitais. Não é o banga-banga, mas estamos lá quase, tal o número de exemplos que todos os dias nos deparamos nas nossas deslocações!
Há dias tropecei num artigo - que tem mesmo de ler - de uma Mãe, de seu nome Ana Rebelo, que inconformada com uma situação recente que viveu com a sua filha Maria, dá uma autêntica chapada de luva branca a uma indivídua que em pleno Século XXI ainda acha que o mundo é só dela! Leia esta peça, sob o título “Estimada mãe que nos maltratou esta manhã, por estacionarmos no lugar para deficientes”.
Elucidativo não é? O estado a que chegámos, de total desrespeito pelo próximo, ao ponto de apenas olharmos para o nosso umbigo, achando-o mais importante do que o do vizinho, levando as nossas vidas normais sem olhar para o lado e vermos que há muito mais para além desse nosso ego! São inúmeros os exemplos de mobilidade condicionada por quem já originalmente a tem no seu dia-a-dia, tendo que lidar com um sem número de obstáculos que lhes barram ou limitam o caminho.
Recordo a campanha “Bati no seu carro” que há cerca de um ano a Associação Salvador levou a cabo em Lisboa, através da qual se pretendeu sensibilizar a população para a questão do estacionamento abusivo.

O sucesso desta espécie de apanhados foi imenso, o filme tornou-se viral com milhares de partilhas nas mais diversas plataformas e redes sociais, até merecendo cobertura na Comunicação Social, mesmo fora de Portugal, para além de lhes valerem reconhecimentos vários, nomeadamente com um Grand Prix dos “Prémios Lusos”, galardões em que se distingue a criatividade lusófona.
Aliás, já em 2013 esta mesma associação levara a cabo outra acção cívica de protesto – sob o título de “Ocupe o seu lugar” – realizada a meias com o Grupo Lisboa (In)acessível. Ocuparam todos os lugares de estacionamento que então existiam na Praça do Duque de Saldanha (Lisboa) com 50 cadeiras de rodas, tendo estas os mais variados dizeres, do estafado “volto já”, aos “só vou ali buscar uma coisa” ou “vou só beber um café rápido”, afinal as habituais justificações de quem, sem qualquer tipo de limitação física, complica a vida das pessoas com deficiência, estacionando o seu veículo em lugares que não lhes pertencem!
Imagens: Associação Salvador e Grupo Lisboa (In)acessível

Impressionante, de facto, este constante alerta às populações, mas o que mudou efectivamente na consciência das pessoas? Pelo exemplo dado pela mãe da Maria parece que infelizmente pouco, muito pouco...
É… o texto de hoje é algo pesado pelo que para descontrair um bocadinho convido-@ a ver uma situação levada ao exagero, num conjunto de apanhados do programa de TV “Just For Laughs Gags”, que retrata um grupo de seniores a atravessar uma passadeira, provocando o caos no trânsito, levando muitos condutores ao desespero.

Difícil, não é? Ver a nossa pacata vida condicionada por terceiros é obra! Agora imagine uma troca de papéis, vivendo-se, por momentos, a vida de alguém que tem uma deficiência motora, de alguém com um crescendo da degradação das suas capacidades e da qualidade de vida, etc! Ah pois é bebé!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

É uma Tasca portuguesa com certeza...

… é com certeza uma Tasca portuguesa! Não há melhor exemplar de food truck em Portugal onde se pode aplicar, na perfeição, a letra de Reinaldo Ferreira e Vasco Matos Sequeira do sucesso “Uma Casa Portuguesa” celebrizado mundialmente por Amália Rodrigues. Tal como no popular fado luso, na Tasca Itinerante não falta pão e vinho sobre a mesa, o caldo verde a fumegar na tigela e o bem receber de quem se senta à mesa com a gente, em dois braços à nossa espera! E o próprio do fado, claro!

Apresento-lhe um dos primeiros conceitos de street food que surgiu em Portugal encimando o boom que, de repente, o nosso país viveu com esta indústria do comer na rua, em pé e, de preferência, em boa companhia. A enorme visibilidade deu-se logo no 1º Festival Europeu de Street Food, realizado no Estoril em Abril de 2015, curiosamente o palco onde o Fernando Sousa e a sua VW 'Pão de Forma', transformada a preceito, deram os primeiros passos, rumo a um sucesso que é hoje sublinhado noutros palcos. São eles os convidados desta edição Trendy Wheels.
Foi logo de arromba e nós sem qualquer experiência! Não estás bem a ver… aconteceu de tudo e até a extensão eléctrica derreteu num dos primeiros dias em plena hora de jantar!!!”, partilhou o responsável entre risos. “Tive de ir ao AKI a Alcabideche comprar cabo e fichas e fazer uma extensão, enquanto a Marta [nota: a sua mulher] ficou a segurar as pontas com as nossas filhas nos jardins do Casino. Foi surreal! Foi, por isso, um evento marcante em tudo!!!”

A validade deste projecto vai ainda mais longe pelo facto de ter obrigado o seu mentor a dar a volta por cima a uma vicissitude da vida que muitos têm conhecido nos últimos anos: ficar sem emprego depois de vários anos de dedicação, 17 neste caso! Tem sido uma aventura daquelas que ficam gravadas a fogo… Fiquei desempregado em 2012, no pico da crise, no que foi para mim um verdadeiro tsunami na altura. No início de 2013 dei por mim a pensar em criar o meu negócio, numa autêntica epopeia, tendo de definir o que fazer e o que poderia iniciar numa época de tanta crise”.
O click deu-se quando viu na TV uma reportagem sobre a invasão de turistas em Lisboa! “Esse foi o despertar… turistas! Mas tinha de ser algo diferente e de que eu também gostasse. Pensei em vinho, petiscos e depois o fado, por inerência a Lisboa e tudo isto num espaço móvel/adaptável… Street food!”

Bingo! Nasce assim a ideia que deu origem à Tasca Itinerante, um veículo que inicialmente era para ser um Citroën HY mas, por razões diversas, acabou por ser uma carrinha da VW. “Curiosamente sempre tinha pensado numa ‘Pão de Forma’, por ser uma viatura icónica, com grande impacto, mas esteve quase para ser esse outro modelo. Só que, por razões diversas [nota: que ficam para uma próxima edição] acabei mesmo por me decidir por esta lindinha, uma 'pão de forma' diferente, uma T2B de 1965, com formato pick-up e que não necessitaria de ser ‘trinchada’.”
Estava dado o mote, pelo que foi altura de colocar mãos à obra e investir no projecto alguns milhares de euros, “empréstimo que está quase saldado”, num trabalho realizado pela Kiosque Street Food, empresa do grupo Verso Move, especializada na transformação de veículos para esta actividade. Isto ao mesmo tempo que se tentavam obter as necessárias licenças para se operar no mercado da alimentação e com ocupação de espaços públicos. “Isso foi uma autêntica maratona que deu muitas dores de cabeça. Afinal estávamos em ‘terra de ninguém’ e nenhuma entidade sabia bem o que fazer e da validade deste tipo de projecto, adiando eternamente as decisões, ou colocando o nosso pedido no monte! Mas hoje, olhando para o que tenho tido e vivido e apesar das várias condicionantes e dificuldades, digo que valeu a pena, pois são mais os prós do que os contras! Aliás, a Tasca é a minha cara!”, diz-nos com esse sorriso rasgado, algo que também é a sua imagem de marca, pois está sempre de sorriso no rosto.


Fado, vinho e petiscos
E então o que há nesta tasca sobre rodas? “Muita coisa, como numa tasca portuguesa, com certeza: dos tradicionais pastéis de bacalhau e torresmos, aos conjuntos de salgados, pão no forno e às nossas típicas sandascas, feitas com um bom queijo da serra e presunto, bons enchidos, tudo isto bem regado com vinhos brancos e tintos ou mesmo a nossa deliciosa sangria. Temos também exemplares de doçaria – tortas de Azeitão e pastéis de nata – e a ginjinha a copo!”, mostrando-nos orgulhosamente o vasto menu. Digam lá se não dá vontade de lá ir!

Ao contrário de muitos exemplares que andam ao sabor dos eventos que se realizam aqui e ali pelo país, alguns em que também tem dito presente, a Tasca Itinerante tem normalmente um poiso próprio. É no Marquês de Pombal (Lisboa), mais propriamente ao fundo do Parque Eduardo VII, que diariamente se consegue saborear um ou mais dos petiscos acima. Embora os portugueses sejam “sempre e naturalmente bem-vindos, o nosso maior grupo de clientes é composto pelos turistas que visitam Lisboa, nomeadamente os que chegam nos navios de cruzeiro e os que descem dos autocarros turísticos que estacionam mesmo em frente à nossa Tasca. Curiosos e outros já conhecedores de alguns dos nossos pratos típicos, vão-nos visitando e levando com eles algumas novas experiências gastronómicas que ali lhes proporcionamos.”
Também eu, por experiência própria, fiquei logo conquistado no Estoril, mesmo tendo dado barraca, quando pus o Fernando e a Marta a sorrir com o facto de andar aflito à procura do telemóvel, quando estava a falar com alguém com o mesmo! Bom… adiante! Escolhido o que queria comer – uma Sandasca Serrana e uma sangria – servida entre sorrisos e imediatas conquistas, prometi-lhes que, em troca, haveria de falar da Tasca no Trendy Wheels.
Custou mas foi! Aqui está ela, em grande destaque nesta edição, cruzando este conceito de street food com o melhor da mais popular gastronomia portuguesa, sublinhando três valores principais: os sabores e a música portuguesa e bons produtos, de elevada qualidade! Um conceito sobre o qual há muito mais para contar… em breve!
Se, entretanto, quiser experimentar algumas das iguarias acima, neste Domingo (dia 22) a Tasca Itinerante vai estar presente na acção A Rua É Sua, da Câmara Municipal de Lisboa, uma espécie de reinauguração das entretanto renovadas Praça Duque de Saldanha, Av. Fontes Pereira de Melo e envolventes, agora que as obras parecem ter chegaram, finalmente, ao fim. Nesse dia, das 10h00 às 17h00, essas áreas vão ser apenas para passeio público a pé, nelas integrando-se animações de rua, concertos, eventos desportivos, mostras de artesanato, aulas de tai chi, de zumba e de fitness, integrando várias food trucks de comida de rua. A nossa Tasca Itinerante vai estar em frente ao edifício da Portugal Telecom. Com as imagens acima não há que enganar, sendo fácil encontrá-la. Passe por lá e vai ver que não se arrepende. Irá ser recebido de braços abertos e com um sorriso nesta que é uma tasca portuguesa, com certeza!
Imagens: Tasca Itinerante

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.