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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A lotaria da velocidade

Fizessem isso por cá e era ver o Estado a fazer contas de como rentabilizar o investimento feito nos novos radares SYNCRO, que regularmente nos aliviam a carteira de umas quantas notinhas e a carta de condução de uns equivalentes pontos, dependendo da gravidade da infracção. Falo de um projecto apresentado há uns bons anos pelo norte-americano Kevin Richardson, então vencedor de uma iniciativa de avaliação de ideias da Volkswagen, que decorreu sob o nome de “The Fun Theory”.
O conceito passa pela montagem, nos centros das cidades, nomeadamente em zonas mais delicadas, de radares de controlo de velocidade que penalizam os prevaricadores. Nada de novo até aqui, sendo a novidade o facto dos montantes inerentes a essas penalizações servirem para a constituição de um fundo que serviria de prémio a quem cumprisse os limites, numa espécie de Lotaria do Km"! Ou seja, assim como lhe apareceria em casa a carta da multinha, na infelicidade de ultrapassar os limites estabelecidos, outros poderiam receber um talão numerado que os candidatava à conquista do tão apetecido bolo acumulado desta “Speed Camera Lottery”!
A ideia até foi depois testada na Suécia, numa artéria de Estocolmo, contando o apoio da NTF (Autoridade Sueca do Transporte Rodoviário) local, provando ser um sucesso, pois a média de velocidades caiu dos 32 km/h registados antes da montagem da câmara para os 25 km/h após a sua entrada em funcionamento. Só que...

Este produtor de jogos do canal infantil Nickelodeon Kids conquistou, assim, o 1º lugar entre as 699 candidaturas, oriundas de 35 países, apresentadas no âmbito deste “The Fun Theory” da Volkswagen, projecto agenciado à DDB Stockholm… em 2010! Mas, apesar da aparente validade da ideia, a sua implementação a uma mais larga escala não se fez, sendo uma das razões apresentadas o facto dos montantes das multas ficarem normalmente para as autoridades nacionais, impedindo a constituição do tal fundo. Um caso a (re)pensar?
Imagens: Volkswagen


Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Zombies da tecnologia

É inegável o paralelismo entre os walking deads (vulgo zombies) e o comum dos mortais enquanto peões absorvedores de informação e tecnologias associadas. Nesta era de concentração em smartphones e afins, consultando as redes sociais ou a ver vídeos, ou mesmo de auscultadores postos, curtindo os últimos hits do momento, torna-se cada vez mais preocupante o facto de as pessoas usarem, cada vez mais aqueles dispositivos, mesmo quando atravessam ruas movimentadas.
Um recente inquérito*, feito a 10.000 pessoas de dez países europeus, concluiu que são os jovens entre os 18 e os 24 anos (86%) os mais propensos a utilizar as diferentes funcionalidades permitidas pelos diversos dispositivos, enquanto peões que andam nos passeios e – mais preocupante – que atravessam as diferentes ruas e avenidas, alheios ao trânsito que os envolve.
Nada que surpreenda pois são os mais jovens quem mais vivem absortos nas novas tecnologias. Cerca de 57% destes jovens entrevistados admitiram utilizar os seus dispositivos enquanto peões, até o fazendo fora das zonas ideais (passadeiras); quase metade (47%) afirma falar ao telefone nesta situação.
Enquanto zombies das estradas, o tal grupo dos 18 aos 24 anos fala ao telefone (68%), ouve música (62%), envia mensagens (34%), por vezes sofrendo um acidente ou estando perto disso (22%). Considerando o total de inquiridos, 32% admitiu ouvir música, 14% enviou mensagens, 9% navegava na internet, 7% usou as redes sociais e 3% jogou um qualquer jogo ou via vídeos ou televisão.
No mesmo inquérito, a maioria admitiu que este comportamento é perigoso! Vá lá… haja algum bom senso no meio disto tudo, embora depois na prática seja o que se vê no quotidiano.
Os exemplos europeus
Em face do acima e de outros estudos semelhantes, o município holandês de Bodegraven-Reeuwijk lançou um projecto-piloto de instalação de faixas de LED no limite dos passeios, junto às passadeira que os dividem, quais semáforos para quem vai com os olhos postos no chão.
Integradas no sistema +Lichtlijn da HIG Traffic Systems e sincronizadas com os respectivos semáforos, os LED são visíveis a quem anda na sua e se esquece de olhar para a estrada. Só que não há um consenso sobre a sua (real) validade. Por um lado já mereceu o aplauso de quem considera a medida adequada a uma inevitável, crescente e irreversível tendência, contribuindo positivamente para a diminuição do número de sinistros com peões, por outro mereceu a desaprovação de entidades oficiais de tráfego que consideram que a medida vai incentivar, ainda mais, a utilização dos aparelhos e aplicações associadas.
É caso para se dizer que nunca se agrada a todos, mas numa era em que andamos cada vez mais alheados do que nos rodeia, preferindo viver numa realidade virtual, cada um tire as suas conclusões!
Imagens: Ford (1), HIG Traffic Systems (2 e 3), Município de Bodegraven (4 e 5)
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
* Inquérito da Ford Europa conduzido entre 02/09/2015 e 13/09/2015. Amostra: 10.022 adultos utilizadores de smartphones ou dispositivos móveis, na Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Itália, Reino Unido, Roménia e Turquia.
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Uma tendência de esquerda

O tema de hoje não é nada político, tem a ver com ultrapassagens! É algo do nosso quotidiano nas estradas e que está na ordem do dia, quanto mais não seja porque as autoridades rodoviárias estão em força, nomeadamente a GNR com a Operação Via Livre, na qual se adverte os condutores que, nas auto-estradas e noutras vias de múltiplas vias, continuam a teimar em circular nas faixas centrais ou mais à esquerda, sem que exista tráfego nas vias mais à direita.

É uma realidade a que, em tempos, fiz referência no texto Neste meio não está a virtude publicado noutro blog, mantendo-se tão actual como então, pois pouco ou nada os portugueses evoluíram neste capítulo. O pessoal continua a adoooooooooooooooorar as faixas centrais! Há espaço livre à esquerda e também à direita, anda-se longe dos rails de protecção, pelo que quem vier atrás, mais depressa, e o quiser passar que se desenrasque! (nota: o termo que queria usar era outro, mas isto é um blog com alguma qualidade…).
Pois, mas a partir de agora a coisa vai passar a doer e muito mesmo, depois de quase um ano de alguma permissividade por parte das autoridades. Recordo que foi em Junho do ano passado que esta infracção passou a estatuto de “muito grave” quando, então, entraram em vigor as alterações ao Código da Estrada.
Segundo a GNR, “a prática da circulação de veículos pela via do meio ou da esquerda sem que exista tráfego nas vias mais à direita, para além de constituir infração ao Código da Estrada, causa constrangimentos à segurança rodoviária e à fluidez de tráfego e potencia o cometimento de outras infracções por parte dos condutores”.
Acrescente-se que, pela sua elevada gravidade é, por isso, punível por lei e, para além aliviar as carteiras em montantes que vão dos € 60 aos € 300, quem não circular na via disponível mais à direita pode também ficar inibido de conduzir por um período de 2 meses a 2 anos. Adicionalmente, perde nada menos do que 4 pontos na carta de condução, ou seja, um terço dos pontos iniciais de alguém que tenha o cadastro limpo. Como se pode ver, é obra!


Se até ao próximo Domingo (26 de Março) a GNR se limitará, no âmbito desta Operação, a acções de sensibilização, daí até ao Domingo seguinte (2 de Abril) os operacionais dessa força vão começar a apertar o cerco com fiscalizações mais sérias. A partir de então, a coisa vai passar mesmo a doer… e muito mesmo!
Ou seja, o lema é mesmo circular pela faixa mais à direita.

“Passa por cima, ó palhaço!”
Noutro contexto e para aligeirar um pouco a temática, mas também relacionado com ultrapassagens, quem é que nunca ouviu – ou disse – algo semelhante a “Passa por cima, ó palhaço!”? Mas parece que já há quem tenha tido uma ideia de como dar uma resposta à letra… mesmo!
Conheça o Hum Rider, uma viatura dotada de uma tecnologia elevatória que promete deixar muito boa gente de boca aberta.

Tendo sido realmente criada uma unidade, o objectivo não é massificar a sua produção, já que o conceito surgiu para dar visibilidade a algo completamente diferente: a conectividade automóvel, da norte-americana Hum by Verizon. Se quiser saber mais sobre esta potencial solução para passar por cima do trânsito leia este artigo da AdWeek. Caso possa, um dia, optar por algo de características semelhantes, garanto-lhe que não vai ganhar muitos amigos!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Qual minutinho, qual quê… haja respeito!!!

Quantas vezes não ouviu já as expressões “vou só ali já venho” ou “é só um minutinho”? Estas ou outras quaisquer, quando, por alguma razão, tentou sair de um estacionamento, aceder à sua garagem ou estacionar num local que até lhe está reservado, mas onde está lá um qualquer estorva que, para facilitar a própria vida, decidiu complicar a dos restantes mortais? Tal torna-se ainda mais preocupante com os abusos que influem directamente com pessoas, condutores ou peões, que por qualquer vicissitude da vida têm o seu modo de vida e de deslocação condicionado.

São inúmeros os exemplos nas nossas cidades, desde veículos parados ou estacionados em cima de passadeiras e passeios, em acessos de garagem e até em locais reservados a pessoas com algum grau de deficiência, por vezes perto de escolas e de centros de saúde e hospitais. Não é o banga-banga, mas estamos lá quase, tal o número de exemplos que todos os dias nos deparamos nas nossas deslocações!
Há dias tropecei num artigo - que tem mesmo de ler - de uma Mãe, de seu nome Ana Rebelo, que inconformada com uma situação recente que viveu com a sua filha Maria, dá uma autêntica chapada de luva branca a uma indivídua que em pleno Século XXI ainda acha que o mundo é só dela! Leia esta peça, sob o título “Estimada mãe que nos maltratou esta manhã, por estacionarmos no lugar para deficientes”.
Elucidativo não é? O estado a que chegámos, de total desrespeito pelo próximo, ao ponto de apenas olharmos para o nosso umbigo, achando-o mais importante do que o do vizinho, levando as nossas vidas normais sem olhar para o lado e vermos que há muito mais para além desse nosso ego! São inúmeros os exemplos de mobilidade condicionada por quem já originalmente a tem no seu dia-a-dia, tendo que lidar com um sem número de obstáculos que lhes barram ou limitam o caminho.
Recordo a campanha “Bati no seu carro” que há cerca de um ano a Associação Salvador levou a cabo em Lisboa, através da qual se pretendeu sensibilizar a população para a questão do estacionamento abusivo.

O sucesso desta espécie de apanhados foi imenso, o filme tornou-se viral com milhares de partilhas nas mais diversas plataformas e redes sociais, até merecendo cobertura na Comunicação Social, mesmo fora de Portugal, para além de lhes valerem reconhecimentos vários, nomeadamente com um Grand Prix dos “Prémios Lusos”, galardões em que se distingue a criatividade lusófona.
Aliás, já em 2013 esta mesma associação levara a cabo outra acção cívica de protesto – sob o título de “Ocupe o seu lugar” – realizada a meias com o Grupo Lisboa (In)acessível. Ocuparam todos os lugares de estacionamento que então existiam na Praça do Duque de Saldanha (Lisboa) com 50 cadeiras de rodas, tendo estas os mais variados dizeres, do estafado “volto já”, aos “só vou ali buscar uma coisa” ou “vou só beber um café rápido”, afinal as habituais justificações de quem, sem qualquer tipo de limitação física, complica a vida das pessoas com deficiência, estacionando o seu veículo em lugares que não lhes pertencem!
Imagens: Associação Salvador e Grupo Lisboa (In)acessível

Impressionante, de facto, este constante alerta às populações, mas o que mudou efectivamente na consciência das pessoas? Pelo exemplo dado pela mãe da Maria parece que infelizmente pouco, muito pouco...
É… o texto de hoje é algo pesado pelo que para descontrair um bocadinho convido-@ a ver uma situação levada ao exagero, num conjunto de apanhados do programa de TV “Just For Laughs Gags”, que retrata um grupo de seniores a atravessar uma passadeira, provocando o caos no trânsito, levando muitos condutores ao desespero.

Difícil, não é? Ver a nossa pacata vida condicionada por terceiros é obra! Agora imagine uma troca de papéis, vivendo-se, por momentos, a vida de alguém que tem uma deficiência motora, de alguém com um crescendo da degradação das suas capacidades e da qualidade de vida, etc! Ah pois é bebé!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O mistério do pára-arranca

Apesar do paralelismo que se possa fazer e por mais fã que seja das obras de suspense da britânica Agatha Christie, este não seria em absoluto um título que viesse a entrar numa lista das suas potenciais obras. Isto porque os argumentos escolhidos por uma das mais brilhantes autoras de romances policiais (entre outras obras) eram bem mais elaborados do que a simples pesquisa por parte dos míticos personagens que criou – destacando-se a simpática Miss Marple ou o peculiar Monsieur Hercule Poirot – sobre a razão desta realidade das nossas auto-estradas.



Decerto que nas suas deslocações em vias rápidas já se deparou com a (quase) insuportável situação do pára-arranca, em que as filas parecem andar bem num momento para, de repente e sem razão aparente, o obrigar a travar. Logo a seguir começa-se a andar outra vez até que, por vezes, quase voltamos a estar em cima do veículo da frente, obrigando a novo recurso do pedal do travão, operações consecutivas que, de acordo com a atenção de cada um, podem resultar em situações mais catastróficas. 
De quem é a culpa? A resposta é: sua, exclusivamente sua! Quem o afirma é a Auckland Transport, autora do vídeo SpreadTheJam, em que se explica, por A + B, as razões dessa situação de mola e o que os condutores devem fazer para minimizar o seu impacto. Trata-se de uma questão de simples consciencialização, ou de educação rodoviária, em que todos poderemos sair a ganhar!



Pense um pouco nisto e faça boas viagens!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Lusos satisfeitos ao volante

Conduzir é, para muitos, uma actividade diária, seja nos trajectos para o trabalho, para as escolas ou nas voltinhas das compras, vendo-se os utilizadores das estradas, por vezes, dentro de situações caóticas, derivadas da multitude de eventos que acontecem nas estradas. Mas se pensa muitas vezes que a coisa por cá é má é porque nunca conduziu noutros pontos do planeta. E nem é preciso ir muito longe, pois aqui na Europa há piores exemplos do que a realidade lusa!


Trata-se de uma conclusão do mais recente estudo de satisfação publicado pela Waze, entidade que lançou aquela aplicação a que me referi há algumas edições – pode (re)ler esse texto aqui - tão útil para que nos ajudemos mutuamente no meio do trânsito. Recorrendo às informações prestadas pelos seus utilizadores, este “Driver Satisfaction Index 2016”, apresenta Portugal como o 15º melhor país do mundo para se conduzir, integrado numa lista liderada pela Holanda, que faz o bis graças à enorme simpatia e empatia entre os condutores locais, que favorecem condições de trânsito, prova de uma população educada, e também pela sólida qualidade das ruas e das infraestruturas de apoio.

É uma conclusão um tanto ou quanto limitativa, pois a análise da realidade lusa apenas abrange a cidade de Lisboa, a única que, por cá, já conta com mais de 20.000 utilizadores da app, condição obrigatória para a análise, enquanto as médias de outros países resultam do conjunto de várias metrópoles com pelo menos esse número de wazers. Ainda assim, uma boa estreia já que o nosso país não fez parte do estudo anterior.


Foram tidos em conta seis atributos chave, quantitativos e qualitativos, atribuindo-se pontuações de 10 (excelente) a 1 (muito mau): “Trânsito” (densidade e severidade), “Qualidade” (das vias e infraestrutura), “Segurança nas Vias” (densidade de acidentes, obstáculos e condições climatéricas), “Serviços ao Condutor” (acesso a estações de serviço e estacionamento simples), “Socioeconómico” (acesso a carros e impacto do preço dos combustíveis) e ainda o factor “Wazeyness”, de satisfação e ajuda da comunidade Waze, sendo este medido pelos agradecimentos aos alertas de outros condutores e pelos estados de alma selecionados pelos utilizadores desta aplicação.


Feitas as contas, Portugal alcança uma média de 5,88 pontos, sendo o seu pior atributo “Serviços ao Condutor”, com uns meros 1,97 pontos em 10 possíveis, e o melhor “Qualidade”, com um óptimo 9,85. Ficámos entre a Austrália (5,99 de média) e o Canadá (5,77), batendo o Reino Unido (5,73). Lá à frente, a Holanda obteve 7,54 pontos, com uma vantagem de apenas 1 décima sobre a França e 0,32 pontos sobre os EUA. Do lado oposto, o top-3 final é composto pela Guatemala (3,36), Filipinas (3,13) e El Salvador (2,85), não sendo claramente referências a este nível.

Já no domínio das zonas metropolitanas, o resultado não nos é tão sorridente, pois Lisboa aparece num modesto 95º lugar, praticamente a meio de uma lista de 186 cidades de todo o mundo. Aqui regista-se uma clara liderança da França, que coloca nada menos do que 9 cidades no top-10, garantindo os três primeiros lugares com Valence (8,81 pontos), Tours (8,43) e Le Mans (8,39). No extremo oposto, Cebu (Filipinas) com uns míseros 1,15 pontos é, de acordo com os utilizadores da app, a pior cidade do mundo para se conduzir, seguida de Bogor (Indonésia) com 2,15 e San Salvador (El Salvador) com 2,85.
 
Imagens e Gráficos: Waze
Mas pior do que a capital alfacinha, que ainda assim obteve 5,88 pontos de média, estão outras metrópoles de referência, como Sidney (Austrália), Barcelona (Espanha), Vancouver e Toronto (Canadá), Marselha e Lyon (França), Moscovo (Rússia), Bruxelas (Bélgica) e, Londres, que com 5,13 pontos é a pior das capitais europeias, num longínquo... 126º lugar!

A título de curiosidade, Honolulu (EUA), localidade que na série de TV “Five-O” (ou “Hawai: Força Especial” cá pelo burgo) parece tão organizada, surge apenas no 152º lugar! Talvez seja porque hajam alguns Steve McGarrett reais por lá… não sei! Sei sim que a ficção está bem longe da realidade neste domínio!

Independentemente deste estudo e numa altura em que irá, decerto, para a estrada, a caminho de um qualquer lugar para festejar a chegada do Novo Ano e despedir-se do que aconteceu em 2016, seja responsável, por si e pelos seus, pois quero-@ desse lado em 2017! Votos de Boas Entradas... em Segurança!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O Mundo das Entreajudas

Conhece o Waze? Não? Ok… eu explico: é uma plataforma, em formato app ou portal de internet, que promove a entreajuda entre condutores em prol de um bem comum nas estradas. Ligando-nos uns aos outros, contribui para melhorar a qualidade das nossas deslocações diárias.


Ajuda a evitar que se fique preso no trânsito, alerta para a presença de autoridades em determinados pontos da estrada, para acidentes ou bloqueios por obras ou outra razão, etc, diminuindo o tempo usado nas deslocações, sejam elas de lazer ou de trabalho, por vezes apresentando alternativas rodoviárias talvez até ali desconhecidas!

O processo é fácil e funciona, naturalmente, através de uma app dedicada instalada num smartphone. Depois de inserido o endereço de destino, os utilizadores conduzem com a aplicação aberta nos seus dispositivos, podendo até emparelhá-la com os cada vez mais sofisticados sistemas de infotainment que contenham a função "Mirror Screening", ou seja, transpondo-se para o ecrã central da viatura todos os conteúdos de um telemóvel. A partir daqui os utilizadores operam em dois modos, podendo apenas aceder passivamente às informações de trânsito e outros dados fornecidos pelos seus parceiros de estrada, ou adoptando uma postura mais interventiva, partilhando o máximo de situações com que se deparem no trajecto, desde alertas de acidentes a câmaras de velocidade e/ou outras, sejam ou não de perigo.



Mas o Waze tem muitas outras funcionalidades para além do simples cálculo de rotas, quase funcionando como se de uma rede social se tratasse. Isto porque é possível adicionar amigos, enviar a um determinado contacto um ponto de encontro ou mesmo partilhar a hora prevista da sua chegada a um determinado compromisso, colegas de trabalho, familiares ou amigos, facilitando a vida a toda a gente, encontrar parques de estacionamento ou postos de combustível. Até se pode ganhar pontos, subindo-se na classificação da sua comunidade!
 
Imagens: Waze

Este aplicativo é muito semelhante à cada vez maior oferta que os construtores automóveis incluem nos seus modelos mais recentes. Mas dado que nem todos os meus leitores e leitoras terão, presentemente, disponibilidade financeira para adquirir um automóvel novo, ou mesmo um dotado destas novas tecnologias, aqui fica a dica.
 
Imagens: Citroën

Votos de boa viagem, sempre em segurança!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

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1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

De Bestial A Besta

Com os constantes desenvolvimentos tecnológicos nas mais variadas áreas, andar de autocarro será, decerto, algures no futuro, bem mais fácil, caso, por exemplo, fosse implementada esta solução que fez o seu primeiro teste - quase secreto mas amplamente difundido na internet - na cidade de Qinhuangdao, no nordeste da China, país que lida com vários milhões de viaturas por dia, acumulando engarrafamentos monstruosos! 

Chama-se Transit Elevated Bus (TEB) este projecto desvendado em Maio último na “CHITEC - Exposição Internacional de Tecnologia de Pequim”, então perspectivando-se como uma autêntica revolução no trânsito das urbes, já que este estranho e enorme autocarro - há quem se lhe refira como comboio ou eléctrico pois circularia em carris - ultrapassaria o trânsito acumulado… por cima. Conheça o projecto no Vídeo Trendy Wheels da Semana:


De propulsão 100% eléctrica e com uma capacidade de 300 pessoas por carruagem, dizem os seus responsáveis que um único TEB de 4 carruagens substituiria nada menos do que 40 autocarros convencionais, para uma redução prevista na ordem dos 35% do trânsito acumulado, bem como um bem mais rigoroso cumprimento dos horários.


Claro que haveria muito trabalho a fazer, pois as vias teriam de ter determinadas condições, haveriam importantes alterações na recolocação de sinais de trânsito (semáforos), o modo como o gigantesco TEB conseguiria fazer determinadas curvas, havendo um problema adicional com a altura do seu túnel inferior, que não permite a passagem por baixo de veículos acima dos 2,1 metros, algo que impossibilita que alguns veículos comerciais e outros pesados circulassem nas vias por ele usadas. Isto para além da distribuição do trânsito pelas diversas vias, sendo que os restantes condutores teriam de se habituar a lidar com estas autênticas pontes com rodas nos seus trajectos, nomeadamente a verem-se ultrapassados por cima

A sua aplicação apontaria para o médio/longo prazo, uma vez ultrapassadas essas ainda muitas condicionantes, mas já surgiram mais umas quantas, depois da realização do primeiro teste real. Foi num percurso de uns meros 300 metros, apenas em linha recta e sem trânsito a passar por baixo e que as autoridades municipais locais... desconheciam! 

Depressa o projecto tido como visionários parece ter descambado em pouco ou nada, com a própria imprensa local a começar a desconfiar das verdadeiras intenções dos seus autores, alegando que isto poderá não ser mais do que um esquema de angariação de investimentos para algo com centenas (milhares???) de pontos de interrogação em termos de viabilidade e que, por isso, não surgirá assim tão cedo (leia-se, não dará o esperado retorno aos seus investidores em tempo útil). Veja aqui um dos reports do About People's Daily Online.

Passou, assim e em três tempos, de bestial a besta a grande maravilha chinesa, um projecto que teria tudo para ser bem sucedido mas que, afinal, parece não ter rodas para andar. Mas a ficção ou a perspectiva de evolução num futuro mais ou menos longínquo é algo que fazemos desde pequenos, das viagens ao espaço aos outros desenvolvimentos, incluindo o do mundo das rodas. Por tudo o acima, o TEB (ou algo similar) parece não ser para já, nem mesmo para amanhã, mas pode ser que um dia... Sonhar não custa!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

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1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Morpho, O Nosso Novo "Inimigo"

Está preocupado com os novos 30 radares móveis de velocidade, do sistema SINCRO, que estão já a ser montados e que irão rodar por 50 locais considerados críticos das nossas estradas? Então prepare-se que, mais cedo ou mais tarde, conduzir a velocidades não recomendáveis vai tornar-se ainda (e substancialmente) mais complicado. Isto porque se tiver queda para quebrar algumas das regras de trânsito, mesmo aquelas a que normalmente se dá algum desconto, achando que “não faz mal”, num futuro não muito longínquo vai mesmo fazer mal… à sua carteira e aos pontos que terá - ou deixará de ter - na carta.
 
Foto: Mesta Fusion
Chama-se Morpho e pertence à Mesta Fusion este novo (futuro) radar multi-funções que detecta tudo, e mais um par de botas, com aplicações mais abrangentes, pois vigia estradas principais, ruas e avenidas das cidades, até auto-estradas de múltiplas vias. A sua avançada tecnologia e câmaras de ultra-elevada resolução permitem detectar a mais pequena infracção, independente do tipo de veículo abrangido - automóveis, motos e veículos pesados - e em simultâneo. 

Regista excessos de velocidade, ultrapassagens pela direita, distâncias irregulares entre veículos, uso de vias não autorizadas, faltas de paragens em sinais vermelhos ou num Stop, nada passando ao lado deste novo e tecnológico queixinhas! Depois de recolhida, a informação é transmitida às autoridades competentes e lá segue uma cartinha para a morada em que o veículo estiver registado. Conheça este caça-tudo neste Vídeo Trendy Wheels da Semana:

  
Como vê, o futuro antecipa-se ainda mais promissor neste domínio! O sistema já foi implementado em algumas vias do Dubai e está em testes no Kazaquistão e também em França. Por cá ainda não constou nada sobre este novo inimigo das nossas carteiras, mas acredito que seja uma questão de tempo… e de dinheiro! 

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

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1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

O Jogo da Estrada

Hoje vamos jogar um jogo. Cada jogador começa com 12 pontos e tem de demonstrar que é exímio a mantê-los e – quiçá – até a aumentá-los até um máximo de 15, mostrando, assim, que é um Ás neste um tanto ou quanto difícil jogo do nosso quotidiano. Se, por outro lado, tropeçar nas diversas das rasteiras em que cai, por falta de atenção ou por descuido, então pode mesmo perdê-los todos, dependendo das penalizações em que vier a incorrer. Se, ao longo do jogo, for bebendo uns tragos, então a coisa descamba bastante mais depressa, ficando o jogador impedido de regressar ao tabuleiro durante uns tempos!


Soa-lhe a familiar? Para facilitar um pouco mais a percepção deste tema, a imagem abaixo resume, na perfeição, a introdução deste texto e o que se poderá passar a partir do dia em que vai entrar em vigor a nova realidade.

Infografia: GNR - Guarda Nacional Republicana
Pois é! Quer se queira quer não, é tempo de mudança em termos de Código da Estrada, no que se refere à carta de condução que passará, a partir de 1 de Junho próximo, a fazer-se por pontos. Já muito se fala sobre esta inevitabilidade, podendo os detalhes ser consultados na página oficial da ANSR – Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária.

O objectivo deste novo método mais restritivo, aplicado em inúmeros países com resultados assinaláveis é, naturalmente, aumentar a percepção e responsabilização dos condutores, pretendendo-se também reduzir as infracções nas estradas e, por arrasto, os índices de sinistralidade (acidentes, feridos, mortos, etc). Por um lado premeia-se o bom comportamento em estrada, por outro penalizam-se os reincidentes, nomeadamente no domínio do álcool no sangue.

Mas atenção que o facto desta nova Carta Por Pontos começar por atribuir os tais 12 pontos a todos os actuais detentores de Carta de Condução, tal não limpa o cadastro das anteriores infracções do condutor e que estejam em processamento ou no seu cadastro ou das distracções/disparates adicionais que possa vir a incorrer até esse dia, sendo estas punidas de acordo com o regime em vigor até ao dia 31 de Maio. Os dois regimes vão vigorar em simultâneo durante algum tempo e, assim sendo, todo o cuidado é – ou, melhor dizendo, continua a ser – pouco!

Se quiser ver uma infografia ainda mais detalhada, consulte a que o portal AutoMonitor publicou há dias, num resumo bastante elucidativo.
 
Infografia: AutoMonitor

Posto isto, o Trendy Wheels deixa-lhe os votos de boas viagens, com atenção à estrada e, preferencialmente sem a companhia do álcool.

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

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1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;

2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Uma App Para "Queixinhas"

É daqueles/as que deixa o carro em qualquer sítio, aplicando máximas do tipo “Ah… são só 5 minutinhos, não estorva”, ou “Aqui não faz diferença” ou umas bem mais expressivas “Estou-me a ?#@+&%!!”, demonstrando o seu total desprezo para com o resto do mundo e nem notando que o local onde estacionou era… uma passadeira/passeio/acesso de deficientes? Então prepare-se! É que não perde pela demora pois há uma nova app a bombar, que permite identificá-lo na hora, expondo-o aos olhares do mundo… e das autoridades!




Chama-se TowIt (ou “Reboque-o” em tradução livre), nela permitindo-se identificar quem cometa uma infracção, fazendo-se “queixinhas” do prevaricador, com fotos e tudo a acompanhar! Usa a plataforma Google Maps e está disponível sem custos em PC, havendo as apps para telemóvel nas lojas GooglePlay e AppStore (para Windows Phone e Blackberry o processo está em desenvolvimento).

Embora originária do Canadá, é nos vizinhos EUA que se vêem registos em solo da América do Norte, mas atente-se que, à escala planetária é, curiosamente, Portugal quem tem maior número de “queixinhas”! Havíamos de ser os primeiros em alguma coisa, não? Por cá já se ultrapassaram os 2000 posts, numa altura em que vários outros países europeus ainda estão a acordar para a vida (outros ainda dormem), numa app que também tem muitos utilizadores nos EUA e na Austrália.

No nosso burgo há uma especial incidência – quase metade de posts – no Município de Oeiras, nos arredores de Lisboa, capital que também conta com algumas boas centenas de infracções ao Código da Estrada. Grande parte delas referentes a estacionamentos irregulares, em registos que também se alargam ao Grande Porto, Bragança, Viseu, Coimbra, Évora e Angra do Heroísmo, entre outras localidades.

Fotos: TowIt (oficiais)


Se quiser usar esta ferramenta, seja porque a sua vida se vê afectada com as indiferenças dos vizinhos ou porque simplesmente quer contribuir para esta causa comunitária, tudo o que tem a fazer é instalar a respectiva app. Depois carregue a foto do infractor, confirme a matrícula da viatura e envie. O sistema dá depois continuidade ao processo, através de geotagging, comparando a situação com a legislação local (quando disponível). Os relatórios validados são depois postados no portal e reenviados aos municípios e forças policiais que estejam registados no TowIt.

“Quem o avisa seu amigo é”, lá diz o ditado, pelo que se não quiser ser alvo de queixinhas por algum vizinho ou desconhecido a quem tenha atrapalhado a vida, pense bem onde deixa o seu veículo estacionado!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

Notas:  
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.