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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Luis Costa: Lembranças da África do Sul

Dando continuidade a uma longa conversa com Luis Costahouve dois temas fortes inerentes à sua trajectória ascendente no paracliclismo internacional: a conquista de uma medalha numa das provas do Campeonato do Mundo, em 2017 e na África do Sul, e outra batalha que ele e outros atletas paralímpicos travam fora das suas realidades desportivas e que pretendem ver ganha: a do igual reconhecimento e apoio face aos seus pares olímpicos.

Começando pela primeira vertente, dá que pensar que se trata do evoluir de um bichinho que apenas acordou em 2013 quando Costa enfrentou, pela primeira vez, o seu ídolo de então, um tal de Alessandro Zanardi, ex-piloto de automobilismo que perdeu ambas as pernas num acidente, de onde, milagrosamente, saiu com vida e com uma enorme vontade de dar a volta de 180 º à sua aparentemente destroçada vida. É com o agora paraciclista italiano que tem uma história curiosa, uma de muitas destes seus quatro anos na modalidade.
“É um pequeno grande momento, bem recente, e que ainda só contei a algumas pessoas. Todos sabem que me inspirei no grande Alex Zanardi para começar a competir no paraciclismo, passando a lutar contra ele desde 2013, desde a minha primeira prova internacional. Mas só lho disse pessoalmente no final do Contra-Relógio dos Mundiais da África do Sul, quando estava a descontrair nos rolos e a sonhar de olhos abertos por ter alcançado aquela medalha de bronze. O Alex foi ter comigo e felicitou-me pelo 3º lugar e pela minha magnífica progressão. Disse-lhe ter sido ele a minha inspiração algo que, sempre muito humilde, agradeceu para depois me perguntar em tom divertido: ‘Deixa-me adivinhar… e agora que estás entre os melhores o teu objetivo é dares-me um pontapé no rabo, não é?’, ao que lhe respondi ‘Naturalmente Alex, tal como todos os outros aqui presentes’. Ele deu uma gargalhada e disse-me para eu não lhe levar a mal, mas que preferia que isso ficasse para outra prova e não naquele fim de semana! Um momento que jamais esquecerei, história que mais tarde vou gostar de contar aos meus netos.”

Ao mesmo tempo Luis Costa recordou a dupla sensação de ter terminado o Contra-Relógio com a conquista de uma medalha e depois, a Prova de Fundo, a milímetros de idêntico resultado, para mais quando os resultados mostram que, nesta última, terminou o trajecto com o mesmo tempo do vencedor.
“Foram duas situações de sentimentos opostos. No final do Contra-Relógio tive que esperar uns bons 15 a 20 minutos até ter a certeza que a medalha de bronze era minha e só então ‘explodi’! Saltei para o colo do Telmo Pinão [nota: o segundo atleta luso da comitiva que viajou para a África do Sul] e comecei a gritar de alegria. Já ganhei muitas medalhas de ouro, prata e bronze, mas nenhuma delas tem o valor de uma num Campeonato do Mundo.”
Quanto ao 4º lugar na Prova de Fundo “esse teve um sabor a frustração. Sentia-me muito forte, fui quem que mais trabalhou durante a prova, respondendo a todos os ataques, anulando uma fuga, estando maior parte do tempo na frente a impor o ritmo que fez com ficássemos só quatro atletas na disputa do sprint final… mas esqueci-me de me poupar um pouco nos últimos quilómetros para poder lutar pelo pódio e, com isso paguei por esse erro. Perder essa medalha de bronze por meia roda depois de tanto esforço, foi duro de engolir. Mas faz parte e aprendi mais uma lição.”


Ensinamentos que o nosso medalhado irá aproveitar nos próximos eventos, agora que o seu calendário desportivo está praticamente definido: “2018 e 2019 são os anos em que decorrem as qualificações para Tóquio, sendo que o objetivo passa por conquistar pontos suficientes para garantir a primeira vaga para Portugal. Como já o disse, irei tentar fazê-lo participando em todas as Taças do Mundo, no Campeonato do Mundo e mais algumas provas internacionais que façam parte do calendário oficial da UCI, com o objectivo de subir aos pódios dessas provas, especialmente no Mundial, onde acredito poder fazer de novo história para o paraciclismo português”.
“Quanto a 2019 os objetivos serão idênticos, mesmo que no final de 2018 já tenhamos uma vaga assegurada para Portugal para Tóquio 2020, pois os pontos dos dois anos acumulam e eu quero contribuir para que tenhamos pelo menos 2 vagas, semelhante ao que alcançámos no Rio de Janeiro, em 2016. Isto porque nada me garante que se só tivermos uma vaga, seja eu a ocupá-la, sendo esta uma decisão do Selecionador Nacional. Por isso, quantas mais vagas, melhor.”

“Os paralímpicos não são atletas de segunda”
Objectivos que partilha, interiormente, com outras duas lutas, uma pela igualdade de tratamento na imprensa e outra junto das entidades governamentais: “É um desejo que tenho há muito de, por um lado, podermos contar com a cobertura da imprensa nacional, nomeadamente a desportiva, que hoje ainda pouco ou nada liga ao paraciclismo, algo que até senti em particular depois da conquista da medalha de bronze nos Mundiais da África do Sul.”

“Infelizmente não posso mudar o que seria mais importante: a mentalidade futebolística deste país, mas se tivesse poder para tal, obrigava todos os jornais desportivos a publicar, em cada edição, pelo menos uma página sobre desporto adaptado. Acredito que isso mudaria muita coisa mesmo! É que as pessoas e as empresas não se podem interessar por algo que não conhecem…”
Outra luta de que Luis Costa não tem desistido é a de se alcançar a igualdade de verbas olímpicas, face aos atletas sem limitações físicas: “Incompreensivelmente os apoios continuam a ser diferentes para os atletas do projecto olímpico e os atletas do paralímpico, isto apesar das promessas deixadas após os Jogos do Rio, em 2016, em que se anunciou pretender-se acabar com essa discriminação, aproximando-nos de outros países como Espanha, adoptando-se um gradual equilíbrio das verbas atribuídas”.
“Só que apesar da aprovação pelo Governo da equivalência dos denominados ‘Prémios de Mérito Desportivo’ [nota: valor que é pago a atletas que obtêm medalhas em provas de Campeonatos da Europa, Mundiais e Jogos Olímpicos/Paralímpicos], indicando o que parecia ser um bom caminho para a uma equivalência das Bolsas de Preparação dos atletas integrados nos programas paralímpicos às dos atletas olímpicos, foi recentemente chumbada uma proposta de alteração de lei que iria permitir adoptar-se um processo progressivo que, tudo indicava, ficaria equilibrado após os Jogos de Tóquio.”
Apresentada pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, a proposta previa que em 2021 os montantes ficassem, finalmente, equiparados, após uma sequência de três anos de aumentos faseados, terminando com a diferença nos valores das bolsas praticados até à data. Votada a favor pelo BE, CDS-PP e PCP, a proposta não passaria por um lado devido à abstenção do PSD mas, principalmente, pelos votos contra do PS, partido que, inicialmente, até deixou promessas de mudanças na lei. Ou seja, “infelizmente a discriminação continuou, sendo ainda mais preocupante porque se segue às promessas feitas pelo partido que agora ignorou as pretensões dos atletas paralímpicos quando chegou a hora de alterar a lei”.
Note-se que, à data, a bolsa dos atletas paralímpicos corresponde sensivelmente a um terço do valor recebido pelos desportistas olímpicos: por exemplo, um atleta olímpico de Nível 1 recebe 1.375 euros, mas o equivalente paralímpico recebe 518 euros (ver quadro). No que se refere ao Plano de Preparação, o valor atribuído aos atletas olímpicos – neste momento num total de 49 nomes – ronda os € 30.000 anuais, verba que nos paralímpicos é de apenas € 8.750, a dividir por 38 atletas com algum tipo de deficiência, estando 20 deles em modalidades de atletismo adaptado.
Números que parecem indicar que um atleta sem qualquer deficiência física gasta mais na sua preparação do que um paralímpico! “Não será antes ao contrário?”, questiona o nosso entrevistado. “A título de exemplo, saberão quanto já gastei na minha handbike, que uso para representar este país e que foi paga por muitos dos que vão ler este texto? Vários largos milhares de euros…”

#PortugalComOsParalimpicos
Em face do descontentamento e burburinho criado no meio, entretanto parecem ter havido novos desenvolvimentos, “fruto de novas negociações entre o Governo e o Comité Paralímpico de Portugal, antevendo-se que sempre possa vir a existir alguma progressão nos valores de ano para ano até 2021, mas só o saberemos ao certo quando o contrato-programa para ‘Tóquio 2020’ for assinado, daqui por uns dias.

Enquanto tal não acontece, alerto para a causa que foi criada – através da hashtag dedicada #PortugalComOsParalimpicos – que sublinha a motivação e convicção na igualdade de oportunidades para ambos os atletas, através da qual se convidam os Portugueses a juntarem-se-lhe, de modo a acabar de vez com esta discriminação.
Curiosamente, olhando para os resultados de uns e outros a coisa até se apresenta numa estrutura completamente inversa, dado que nos últimos Jogos Paralímpicos do Rio, em 2016 os paralímpicos – vistos por muitos como atletas alegadamente diminuídos – subiram ao pódio por 4 vezes, quando os olímpicos conseguiram uma única medalha. Uma estatística que, somada à das restantes olimpíadas do presente milénio, se mostra ainda mais significativa: os atletas paralímpicos conquistaram 36 medalhas no conjunto dos últimos cinco Jogos, face às apenas 8 dos olímpicos, sendo que também o ouro está mais presente no pescoço dos aqui inconformados atletas, numa escala de 9 contra 1. Elucidativo!

Mas nada disto vai influenciar o foco principal do nosso atleta plurimedalhado nos objetivos que o atleta, paraciclista do Sporting/Tavira Paracycling, traçou para os próximos anos e que define como “Simples! Quero conquistar um lugar nos Jogos Paralímpicos Tóquio 2020, alcançando pelo caminho os melhores resultados possíveis, que dignifiquem o meu clube e o país que represento, ao mesmo tempo que retribuo o apoio de todos os que têm estado ao meu lado”.
Objectivos e prestações que Luis Costa e muitos outros, no domínio das rodas ou fora delas, pretendem atingir de modo a contribuir para o orgulhoso hastear da bandeira lusa ou para a contínua projecção do nome Portugal mais além. Veremos se, no novo ano e nos vindouros quem de direito lhes dará o devido crédito. São estes os votos do Trendy Wheels para o novo ano! 
Feliz 2018 para tod@s... e uma nova tattoo para Luis Costa em 2020!
Imagens: Luis Costa - Paraciclista

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Luis Costa: Objectivo Tóquio 2020

O novo ano está aí à porta, significado isso que faltarão 32 meses para que Luis Costa esteja de armas e bagagens por terras do Japão, para aí disputar os Jogos Paralímpicos “Tóquio 2020”. Até parece ainda muito mas, mesmo a esta distância temporal, o atleta paralímpico de raízes alentejanas está já em preparativos para esse objectivo, dividindo o seu tempo entre as mais diversas acções, tentando captar as atenções para uma modalidade ainda demasiado esquecida ou mesmo desconsiderada por quem teria o dever de a divulgar e promover.

Dando algum eco extra ao paraciclismo, o Trendy Wheels tem-no acompanhado nessa sua ambiciosa mas não impossível jornada, rumo à conquista de uma medalha – e a ser que seja a de ouro – já nos próximos Jogos Paralímpicos de Verão, a decorrer de 25 de Agosto a 6 de Setembro de 2020 no Japão. Com uma agenda repleta, este alentejano natural de Castro Verde divide-se “entre treinos dedicados, entrevistas de promoção da modalidade ou acções junto dos meus apoiantes”, ao mesmo tempo que defende “a igualdade entre todos os atletas olímpicos, com ou sem qualquer grau de deficiência, algo que, infelizmente e mesmo ao nível das autoridades governamentais, se ficou pelas palmadinhas nas costas e promessas feitas em 2016, aquando do nosso regresso dos Jogos do Rio”.
Tudo é conjugado num espaço temporal que estica ao limite do (quase) impossível, entre a vida pessoal e profissional, mantendo-se perfeitamente integrado numa exigente força de intervenção, como inspector da PJ, mesmo com a sua limitação física. Obtidos à força de uma enorme vontade de chegar mais longe, “esse conjunto de resultados e medalhas internacionais, obtidas desde que em 2013 me estreei na modalidade, são dedicados à minha família, em especial à minha companheira Inês e aos meus filhos”, juntando um agradecimento especial “ao Selecionador Nacional José Marques e ao Professor Gabriel Mendes, que gastam neurónios, perdem tempo, acreditam e fazem-me acreditar nas minhas capacidades e que conseguiram transformar um atleta desconhecido num dos melhores do mundo da sua classe!”

Noutro patamar destaca “as centenas de pessoas e empresas que me ajudaram a pagar a handbike de topo que tenho actualmente e às entidades que me têm apoiado, caso do Sporting Clube de Portugal, da Federação Portuguesa de Ciclismo e do Comité Paralímpico de Portugal, grupo que me tem permitido continuar a ter condições para me dedicar a este desporto.”

“Quero representar Portugal no Japão”
Se 2017 foi um ano repleto de sucessos pessoais e desportivos, com o ponto alto na medalha de bronze conquistada nos Mundiais da África do Sul – referi-o na série de textos que aqui se publicaram em Outubro – os anos de 2018 e 2019 antevêem doses adicionais de trabalho com vista essa renovada visita ao circuito paralímpico, quatro anos depois da sua promissora estreia no Brasil.

“Foi, de facto, um ano em cheio e seguem-se outros de muito mais trabalho. Encontro-me integrado no ‘Programa de Preparação Paralímpica Tóquio 2020’, pelo que tenho que arregaçar as mangas para contribuir que Portugal garanta, novamente, vagas para os próximos Jogos e eu seja um dos escolhidos para o representar”, refere Luis Costa com um indisfarçável orgulho. “Dependendo da altura do ano, por norma começo a treinar pelas 08h30, variando a duração entre uma hora e meia e quatro horas. A seguir vou trabalhar até às 19h00 e em certos dias, depois dessa hora, ainda faço mais um treino de ginásio e só depois vou para casa. Com sorte pelas 22h00 poderei descansar”.
Uma realidade que difere da que tem a maioria dos seus adversários internacionais, agora que “o Costa” – como é conhecido entre os seus pares – está de pleno direito no grupo dos candidatos às medalhas. “Sim, nesse particular sou um pouco prejudicado em comparação com a maioria, adversários se dedicam em exclusivo a este desporto. Eu tenho que adequar a minha vida profissional com a vertente desportiva, com a vantagem de aqui contar com uma chefia bastante compreensiva, facilitando-me determinadas situações.”
Não obstante essas diferenças, o atleta que elegeu Portimão como base de trabalho tem sabido tirar todo o partido da sua preparação e da sua handbike, alcançando os lugares de topo da Categoria H5 em que se insere, estando invariavelmente no grupo dos candidatos ao pódio nas competições internacionais em que participa. “Em eventos desse nível aprende-se sobretudo a lidar com a pressão criada pelas expectativas dos resultados. Sabemos que os portugueses, mesmo que não liguem ao que fazemos no resto do ano, nesse dia querem ver a bandeira nacional no mastro mais alto. Actualmente, não tenho problemas ao enfrentar os ditos ‘gigantes’ nas grandes competições, como o italiano Alex Zanardi, o holandês Tim de Vries ou o norte-americano Alfredo de los Santos, entre muitos outros excelentes nomes do paraciclismo, pois afinal já atingi esse patamar, tornando-me num deles, não é verdade? Existe sim um grande respeito pelo valor de todos, mais pelo que fazem em competição e não por terem melhores apoios - que os têm de facto - ou mesmo pelo melhor material, sendo que aqui estou no mesmo nível, graças à ajuda das centenas de pessoas e de algumas empresas que investiram em mim e na minha handbike, a quem não me canso de agradecer”.
O objectivo passa, assim por subir mais um patamar e de candidato às medalhas internacionais Costa quer passar a ser candidato às vitórias. “É um facto que estou no paraciclismo há menos tempo do que alguns dos meus adversários directos, mas se já demonstrei que consigo andar ao mesmo nível, porque não pensar mais alto e nas vitórias, batendo-os de um modo mais regular?” Será o somatório desses resultados que irão permitir que Luis Costa atinja os mínimos de qualificação paralímpica que o levarão até Tóquio.

Não surpreende que Luis Costa vá, assim, ter uma temporada de 2018 das mais exigentes de sempre, dividindo-se entre as taças e campeonatos internacionais da UCI que lhe garantem as tais pontuações que precisa para se qualificar para os Jogos Paralímpicos de Tóquio, juntando-lhe as participações nos eventos nacionais, onde “ao mesmo tempo que testo em ambiente competitivo, promovo a modalidade, nomeadamente junto dos mais novos e entre aqueles que têm limitações físicas de variada ordem”.
“Com um início de ano em que se equacionam duas outras potenciais provas em terras lusas, em Março, tudo irá começar em Espanha já em Janeiro, no ‘Motorland Invernal, evento realizado no circuito de F1 de Aragón. Depois, de Abril a Junho, o meu calendário de competições irá contemplar mais 8 eventos, quatro deles fora de Portugal”, refere, acrescentando que de Julho a Setembro “tenho 8 outras provas, com destaque para o Campeonato do Mundo de Paraciclismo, em Itália (Agosto), seguida de uma deslocação ao Canadá, fora três outros eventos internacionais!”

É, por isso, tempo de começar a fazer as malas e levar a sua “menina” aos cantos do mundo, parte dos temas desta longa entrevista com Luis Costa em que se abordaram outros temas quentes e também algumas saudáveis recordações. Novos conteúdos que terão de ficar para uma próxima edição, a publicar já nesta 6a Feira. 
Imagens: Luis Costa - Paraciclista

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Paraciclismo II: O sonho de bronze de Costa

Se a primeira metade de 2017 do paraciclista Luis Costa foi repleta de viagens e medalhas, o trimestre que se seguiu não foi menos vazio de histórias para contar, quase todas elas com final feliz, em especial a última, no âmbito dos Campeonatos do Mundo da África do Sul, onde alcançou o que considerou como um sonho. Mas vamos por partes...

Fim-de-semana de bronze ao peito!
Retomemos essa aventura onde parámos na anterior edição, com uma segunda metade de 2017 que começou com nada menos do que duas subidas ao pódio, num evento da Taça do Mundo em Emmen (Holanda), resultados que, apesar da sua dimensão, não o satisfizeram por completo!

A primeira medalha de bronze decorreu do 3º lugar obtido no Contra-Relógio, prova em que ficou a apenas 58 segundos do vencedor, o holandês Tim de Vries, seu eterno adversário! “Confesso, por isso, que me soube a pouco, embora ficasse satisfeito pela minha evolução em Contra-Relógios, já que fiz as duas voltas ao percurso sensivelmente iguais, a uma média final de 40 km/h.
Segundo o lema “Esforço, dedicação, devoção e glória” do seu Sporting Club de Portugal, “clube que orgulhosamente represento”, apostou em fazer melhor no dia seguinte, na Prova de Fundo, mas também aqui foi o resultado foi idêntico, numa jornada em “fiquei um pouco frustrado pela forma como deixei escapar a prata, pois trabalhei muito durante esta prova para tentar alcançar o Tim, que depois fugiu sem que o conseguisse alcançar. Percorri os últimos 100 metros com algum avanço sobre Alfredo de los Santos, mas infelizmente os braços não aguentaram o esforço final e ele passou-me mesmo em cima da linha de chegada”, concluindo com um desalentado mas real desabafo de que “só acaba no fim, é essa a realidade!”




Campeão Nacional, mas este ano sem certificado!
De regresso a Portugal, Luis Costa abraçou, depois, os Campeonatos Nacionais de Almeirim, alcançando duas vitórias – no Contra-Relógio e na Prova de Fundo – na sua classe. Dois resultados que, em condições normais, lhe valeriam o seu novo título de Campeão Nacional.

Só que, este ano, fruto das novas regras da modalidade, Luis Costa não pode ser declarado Campeão Nacional, já que é sendo o único atleta da sua classe, não tendo, por isso, direito a receber e usar na próxima época a camisola de Campeão Nacional. “É injusto? Talvez, mas regras são regras e não as vou contestar. Mas, a partir de agora, vou competir com o equipamento verde e branco do meu clube, algo que muito me orgulha de igual modo”.
A fechar o ano nacional de competições, disputou em Albergaria e Alcobaça as duas derradeiras provas da Taça de Portugal, vencendo em ambas a sua classe. “Sobretudo aproveitei para fazer novos testes à condição física, ficando muito satisfeito com a minha forma, fruto das muitas ‘tareias’ que levei nas semanas anteriores, numa altura em que já ansiava pelos Mundiais.”


O corolário de toda uma época
E eis que chega o ponto alto da temporada, o Campeonato do Mundo de Paraciclismo da Africa do Sul, em Pietermaritzburg, evento que começou com uma série de percalços mas que viria a tornar-se no seu maior orgulho, encerrando toda uma época de esforço e dedicação.

“Não começou, de facto, nada bem essa participação, primeiro com um problema mecânico na handbike durante os treinos oficiais para o Contra-Relógio. O desviador de velocidades ‘decidiu’ ser esse o momento ideal para deixar de funcionar em condições, o que me limitou as performances, não deixando engrenar alguns carretos mais altos, essenciais nas descidas de grande inclinação desse percurso”. Em resultado disso, o atleta luso viria a chocar violentamente com um adversário, “quando seguia a mais de 40 km/h. Ele não me viu e virou à direita no momento exacto em que eu o ultrapassava!” Como resultado Luis Costa, capotava e resvalava de costas no asfalto. “Apesar disso e milagrosamente, a handbike não sofreu nem um risco para além dos que já tinha”.

Vá que as redes sociais também servem para pedidos de ajuda e um proprietário de uma loja de bikes local lhe arranjou um desviador electrónico novo para que, no dia seguinte, ele pudesse fazer o reconhecimento ao percurso da Prova em Linha e depois, os eventos oficiais. “Foi só montar e testar, funcionando a 100%, sem necessidade de nova programação do sistema. Fiquei delirante, agradecendo aos anjos que lá em cima olham por mim, mesmo quando me deixam esfolar as costas todas no alcatrão”.
Depois de tantos problemas, Luis Costa apresentou-se à partida “decidido a provar que todo o investimento em tempo, compreensão, dinheiro e trabalho de todas as pessoas que de qualquer modo contribuíram para que aqui chegasse em grande forma, não fosse desperdiçado! O percurso era ao meu gosto, mesmo com subidas de ‘partir o coração’”, explicou. “Trabalhei muito para isto, num ano em que me preparei desde início para esta prova onde podia mostrar o meu valor, a mim próprio e ao mundo!”
“Desde a primeira das 3 voltas percebi que estava andar mesmo forte, ultrapassando vários dos atletas que partiram antes de mim, ao mesmo tempo que via que o Alex Zanardi e o Tim de Vries, dupla que partiu depois de mim e naturais candidatos à vitória, não me estavam a ganhar muito tempo. Também assisti aos saltos do meu treinador, José Marques, a cada passagem minha na meta, quase à beira de um ataque cardíaco, porque se apercebeu de que eu estava no rumo das medalhas, algo também me deu ainda mais força para dar tudo por tudo até ao fim e não deixar escapar a oportunidade”.

De facto ela não escapou, gerando “um turbilhão de emoções. Mais do que ganhar a medalha de bronze num Campeonato do Mundo, foi a forma como o consegui, ficando a apenas 47 segundos do Zanardi, algo que ainda se revestiu de maior importância para mim, pois não há muito tempo eu perdia 5 minutos pra ele neste tipo de prova! E dado que ambos temos apoios e materiais de diferente dimensão, acho que não é preciso dizer mais nada!”
“Estar ali naquele pódio, na competição mais importante do calendário mundial – a par dos Jogos Paralímpicos, claro! – ao lado do homem que todos consideram o maior atleta de sempre no paraciclismo e que foi a minha inspiração para me decidir a praticar este desporto, é surreal!”
Tão surreal que, no dia seguinte, na Prova em Linha com cerca de 60 km partiu de faca nos dentes em busca de novo pódio, “sempre a acreditar que tudo é possível.” Mas nova subida ao pódio fugiu-lhe por pouco, muito pouco, já que terminou com o mesmo chrono do vencedor. “Sim, fui 4º mas terminei no grupo dos melhores, deixando o 5º classificado a mais de 20 segundos!” É caso para dizer que já não falta tudo!

Tudo somado…
O difícil mas recheado ano de 2017 de Luis Costa terminou, assim, com 4 medalhas de prata em provas C1, mais 3 medalhas de bronze em eventos da Taça do Mundo, e a enorme medalha de bronze que trouxe do Campeonato do Mundo. 

“Acabei o ano no 3º lugar do ranking da minha classe na Taça do Mundo e em igual posição no da UCI, apenas atrás desses dois colossos Campeões do Mundo, o Tim de Vries (na Prova em Linha) e o Alex Zanardi (no Contra-Relógio), dois amigos e fantásticos adversários.”
“É uma honra,” sublinha o nosso atleta paralímpico que, pelo 4º ano consecutivo, integra o top 10 mundial da modalidade algo de muito significativo, depois da sua estreia em competições oficiais em 2013: “Dado que em 3 deles acabei nos lugares do pódio, só tenho motivos para estar orgulhoso da minha evolução e super-motivado para tentar fazer ainda melhor nos próximos anos”
Um vasto conjunto de resultados que deve ao seu total empenho e dedicação, mas também e significativamente, ao Professor Gabriel Mendes, técnico da Federação Portuguesa de Ciclismo, e ao seu incansável treinador José Marques, para além, claro, do apoio familiar encabeçado pela sua companheira Inês Neves. Outra peça importante é o conjunto de entidades que, à sua medida, o apoiam neste ambicioso projecto, da própria federação ao Comité Paralímpico de Portugal, passando pelo SCP e demais empresas que lhe prestam os mais variados serviços.
E o é que vem a seguir? Há que esperar pelas “cenas dos próximos capítulos”, aqui no Trendy Wheels. Isto porque “o Costa” – como é conhecido pelos amigos – ainda tem algo (muito mais) para dizer…
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Paraciclismo I: Luis Costa na elite mundial

O paraciclismo nacional está, uma vez mais, de parabéns! Modalidade que, entre nós, tem crescido em importância e em (alguns) novos representantes, apesar dos diminutos apoios que lhe são dados e à ainda ínfima cobertura que merece das televisões e da imprensa (dita) especializada em acontecimentos desportivos, há um nome que se destaca entre os demais: Luis Costa.

Temática que já aqui abordei no Trendy Wheels algumas vezes, de modo a dar um empurrãozinho à modalidade em termos de visibilidade, bem como ao próprio e às suas pretensões de se tornar Campeão do Mundo, Campeão Paralímpico… ou ambos! Coisa pouca, se pensarmos nos obstáculos bem maiores que, há anos, teve de ultrapassar no domínio pessoal, depois de um acontecimento que – no dia do seu 30º aniversário – o obrigou a repensar toda a sua vida. Mas como desistir não faz parte do seu modo de vida, dedicou-se de corpo e alma ao paraciclismo, definindo como um dos objectivos elevar cada vez mais alto a nossa bandeira nos mastros dos quatro cantos do mundo, expresso nos resultados obtidos além-fronteiras.
“Que nunca por vencidos se conheçam” é um dos lemas de vida deste atleta que, agora com 44 anos, está aí para as curvas e para as rectas, sempre à força de braços com a sua “menina”, numa dedicação sem igual a uma modalidade que já lhe ofereceu enormes alegrias, sempre vistas como mais significativas do que os desaires. A mais recente foi uma medalha de bronze nos Mundiais da África do Sul, em Setembro último, orgulhosamente ocupando um lugar seu por direito no pódio de uma das provas, na companhia de dois dos seus maiores ídolos – o holandês Tim de Vries, vencedor da maioria das provas, e Alex Zanardi, ex-piloto de monolugares (Fórmula 1, Indy, etc) – e também adversários ao longo da presente época.

Voltando ao nosso entrevistado, finda a azáfama de nove longos meses, Luis Costa está presentemente menos activo em termos de presença em provas oficiais, mantendo-se em modo de descompressão de uma época muito exigente mas também saborosa. Foi neste intervalo, entre uma sessão de treinos e as exigências da sua desgastante profissão, que deu uma longa entrevista ao Trendy Wheels.
Tão longa que a tenho de dividir por várias edições, começando, assim pelo balanço de 2017, época que o atleta luso considera ter sido “um grande ano. Estive nos lugares cimeiros em todas as competições internacionais em que participei, batendo-me com os melhores do mundo nas provas de categoria C1 da UCI, depois nos eventos da Taça do Mundo e, por último, no Campeonato do Mundo da África do Sul, em Pietermaritzburg,” resumiu-nos.
Ele que também acumula um palmarés invejável no paraciclismo nacional, colecionando muitas vitórias na sua categoria (H5/Handbikes) e os correspondentes títulos. Um conjunto de resultados “que valorizo igualmente, apesar de continuar a ser o único atleta da minha classe. Encho-me de orgulho pelo facto de, com eles, poder continuar a dinamizar a modalidade em Portugal.”

Quatro pratas a abrir a temporada
À semelhança dos anos anteriores, 2017 voltou a obrigá-lo a um exigente plano de treinos, cuidadosamente elaborado pelo Professor Gabriel Mendes, técnico da Federação Portuguesa de Ciclismo, e contando com os préstimos do seu treinador José Marques: “Diria que o José é o orientador no terreno e o Gabriel é o génio matemático que desenvolve as ‘fórmulas’ que dão origem a campeões”, refere. 

Tudo começou em Abril com uma tripla deslocação a Itália, para duas Taças da Classe 1 e uma mais valiosa Taça do Mundo. No Contra-Relógio da Verola Paracycling Cup houve “num misto de emoções: por um lado fiquei feliz pelo 2º lugar, a escassos 3 segundos do Tim de Vries, por outro com um sabor amargo pela diferença final”. Já a Prova de Fundo pregou-lhe um susto quando “sensivelmente a meio, a pulsação disparou de um ritmo ‘normal’ (em esforço) de 160 batidas por minuto para as 196 bpm, com uma ligeira dor no abdómen. Tendo em conta que o meu tecto máximo é de 173 bpm e mesmo para lá chegar preciso fazer um esforço extremo, prossegui em prova, em agonia mas sem desistir, alcançando nova prata, mas já a 3m29s do vencedor, uma eternidade em relação às expectativas, nomeadamente após a prestação da véspera.”
 “Uma semana depois corri a Brixia Paracycling Cup. Já recuperado, lancei-me estrada fora no Contra-Relógio, obtendo o 2º tempo da minha classe (e também da geral das handbikes) a apenas 35 segundos do Tim, resultado que me deixou muito motivado, significando uma grande evolução da minha parte em relação às épocas anteriores, onde perderia normalmente 1m30s ou mais neste tipo de exercício”. Depois, na Prova em Linha, veio a 4ª medalha de prata do ano, uma jornada“sem ataques frenéticos ou alterações cardíacas anormais. Fui 2º, a 20 segundos do Tim, com um ritmo elevado (média final acima de 35 km/h), controlando os meus restantes adversários, em especial o francês Loïc Vergnaud que deixei a 4 minutos! Foram duas prestações que me deixaram com óptimas expectativas para o que viria a seguir”.
Em meados de Maio viu-se, de novo, por terras italianas, em Maniago, para a primeira prova da Taça do Mundo, prova que o nosso entrevistado resume como “24,3 km de sofrimento, a dar tudo por tudo à procura de um lugar no top-5, algo muito difícil quando se defronta os melhores do mundo”, acrescentando, logo depois, uma nota de que “se fosse fácil não servia para mim”!
Contando com uma grande ajuda no capítulo técnico da Joker 8, roda que a PROTOTYPE Racing Parts, uma das entidades que o apoia, lhe cedeu no ano passado, Luis Costa alcançou esse objectivo… em dobro! Primeiro no Contra-Relógio, “prova que fiz com o coração na boca e a levar com os berros do Seleccionador Nacional que me seguia na viatura, e que me conseguiu ‘ressuscitar’ para terminar forte, apesar do 4º lugar ter fugido por poucos segundos”. Mas também acabou logo à frente do 6º e 7º, Alfredo de los Santos e Oscar Sanchez (dois paraciclistas do Team USA), o último dos quais foi medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio. “Acho que isso diz tudo do nível a que se andou nessa prova. E fazer 24 km com média final de 38 km/h, a ‘pedalar’ com os bracinhos… experimentem!” Na prova em linha, a chegada foi feita ao sprint, com novo 5º lugar e o mesmo tempo do vencedor, jornada em que na fase final “perdi uns metros preciosos que já não consegui recuperar. Faz parte. Sempre a aprender.”


Taças por lá e por cá…
Mas seria na Taça do Mundo de Ostende (Bélgica) que se deparou com o primeiro revés do ano: “Um dia teria que acontecer e foi nessa prova que tive uma avaria mecânica - um dos cabos elétricos do sistema quebrou - logo ao primeiro km do contra-relógio me fez ficar sem mudanças. Fiz os restantes 14 km com a mudança que ficou engrenada, obrigando-me a ‘pedalar’ a grande rotação, lutando contra o vento, sem que pudesse usar os carretos mais leves. Desgastou-me até ao limite das minhas forças e Fiquei de rastos física e psicologicamente, mas estes azares fazem parte da competição”, numa prova onde foi, de novo, o 5º melhor.

Com o contributo de mecânicos tugas improvisados e da equipa francesa Cofidis, que lhe dispensou um cabo eléctrico novo, o problema ficou resolvido e na prova em linha lutou até ao fim pela vitória, “em nova chegada ao sprint onde fui 3º, com o mesmo tempo do vencedor. Fiquei super feliz com essa medalha de bronze, a minha 5ª em Taças do Mundo [nota: obteve 4 de prata em 2016], pois foi conseguida defrontando quase todos os melhores do mundo”, só aqui faltando à chamada o seu ídolo Zanardi. “Percebemos como foi dura a batalha quando comemoramos uma medalha de bronze como se fosse a de ouro,” acrescentou.


Dias depois estava já em Portugal para disputar o 20º Prémio de Viana do Castelo, a sua primeira prova da época em território nacional. Venci a classe e fiquei satisfeito pelo 2º lugar da geral, numa chegada feita ao sprint com o vencedor, Johnny Marques, da classe D (surdos). Fizemos juntos a quase totalidade da corrida, isolados desde as primeiras voltas, mas as pernas dele foram mais fortes do que os meus braços”.
Seguiu-se a primeira prova da Taça de Portugal em Águeda, em meados de Junho, importante teste antes da ida até à Holanda para o evento final da Taça do Mundo. Numa altura em que Portugal ardia e provocou a tragédia conhecida de todos e que, infelizmente, ficará na história, “a corrida fez-se sob um calor intenso e com um céu encoberto pelo fumo dos incêndios, num percurso rápido mas pouco adequado às handbikes”. A tarde começou com um furo ainda antes das coisas aquecerem, para depois saltar a corrente em 18 das 20 voltas ao percurso, sendo salvo pelo “bendito sistema eléctrico que permite recuperar a corrente facilmente.”


Ficou, assim, concluída a primeira parte de um ano que viria a ter um desfecho impressionante, com todos os condimentos de um episódio de suspense, com sangue suor e (algumas) lágrimas. Aventuras já a desvendar já na próxima edição.
Imagens: Luis Costa, UCI/Andrew McFaden, Fotogliso, Planeta Ciclismo, Vito Cartafalsa, Loredana Colombari, Paratee-Psylos/Setefan Nies, GP ABimota; Quadros: UCI


Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
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