quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Matrículas milionárias

Registar um automóvel novo em Portugal, com o pagamento dos adicionais TLT – se não souber é o acrónimo para as despesas de Transporte, de Legalização e dos Tapetes… (há que não esquecer os indispensáveis tapetes, ou pensava que lhos dão de borla?!) – é algo que pode custar umas boas centenas de euros, valor a que tem de adicionar outras taxas e taxinhas, como o EcoValor da reciclagem dos pneus e o EcoLub para os líquidos, isto sem contar com os custos ambientais decorrentes dos níveis de emissões de CO2 dos diferentes modelos, aqui com os intragáveis ISV, o Imposto Sobre Veículos, já incluído no valor final do carrito, mais o IUC, o Imposto Único de Circulação que se paga todos os anos no mês da matricula!
 
Imagem: CNN Money
Mas se acha que paga muito, há quem não pense assim e se dê ao luxo de gastar uns quantos milhões numa matrícula personalizada, exclusiva ou rara. Tanto que esse extra de diferenciação pode atingir… valores quase estratosféricos! Como diz o outro, “peaners”!
Uma das mais recentes matrículas milionárias - uma placa com um “5” – pertence agora a um indiano, de seu nome Balwinder Sahni e dono de um negócio imobiliário no Dubai, tendo a mesma sido licitada num leilão dos Emirados Árabes Unidos por 33 milhões de dirhams (a moeda local e que equivale a cerca de 8,6 milhões de euros, a câmbios actuais) placa que o seu anterior dono colocou entretanto à disposição, depois de em 2008 ter pago uns meros 26 milhões de dirhams. Acrescente-se que Sahni está habituado a estas lides, depois de há uns anos ter pago o equivalente a 6,4 milhões de euros por outra placa com o algarismo “9”.
Mas o recorde absoluto - com honras de registo no Guinness Book of Records - pertence desde o início de 2008 a Hamdan Khouri, milionário que é o oposto do Tio Patinhas, tendo licitado a matrícula nº “1” por… 52,2 milhões de dirhams! Isso mesmo, é só fazer as contas e chegar-se a 13,4 milhões de euros, por cá o equivalente ao valor de um EuroMilhões sem jackpots associados! Veja aqui esse leilão, em que até um jovem de apenas 10 anos teve algo a dizer sobre a matéria:

Em Hong Kong, alguém comprou por 18,1 milhões de dólares locais (cerca de 2,2 milhões de euros) uma placa com a composição “28”, número que - segundo os especialistas - dito em cantonês se assemelha ao termo “próspero”, trazendo, por isso, muita sorte para o seu proprietário.
Também no Reino Unido é possível comprar placas diferentes das dos demais mortais, num top encabeçado pela “25 O”, que custou ao seu actual dono 518.000 libras (cerca 608.000 euros). Seguem-se as matrículas “F 1” e “S 1”, adquiridas por 516.000 e 474.000 euros, respectivamente. Já na Suíça, o cantão de St. Gallen cedeu aos bombeiros locais as matrículas “SG 1” a “SG 20” para serem leiloadas, beneficiando estes dos respectivos fundos. Claro que foi a “SG 1” a mais licitada, por 135.000 francos (125.000 euros ao dia de hoje), placa que entretanto valorizou para perto de 400.000 francos.
Mais países onde as matrículas personalizadas são uma realidade são a Alemanha, Áustria, Bélgica, Canadá (onde alguém comprou a sequência “Facebk” por 1,2 milhões de dólares locais), Dinamarca, Eslovénia, Finlândia, Islândia, Letónia, Luxemburgo, Polónia, Suécia, Turquia e, claro, os EUA. É no dito país de (quase) todas as liberdades que se segue a temática do “vale tudo”, tendo algumas dessas placas as mais absurdas composições de letras e números que se possam imaginar, sendo a temática preferida a de cariz mais sexual, havendo outras mais depreciativas, até para os próprios utilizadores do carro onde está colocada!

Se na maioria desses países as matrículas são atribuídas às pessoas que as adquirem e não ao veículo em si, podendo, assim, a dita transitar de carro para carro à medida que procedem à troca dos mesmos nas suas vidas, em terras lusitanas cada placa está exclusivamente ligada a um determinado veículo, Realidades diferentes, em termos de regras e, principalmente, no que se refere a dinheiro no bolso!
 
Imagens: AutoGespot





Imagens: Google Search
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Nas ondas de Eisbach

Hoje é o surf o tema forte do Trendy Wheels numa viagem na crista de ondas de um local pouco ou nada habitual: um braço de rio no centro de uma cidade. É em Eisbach (Alemanha), bem no centro de Munique, que se situa o spot escolhido por Mark Harris (Egor para os amigos), Marlon Lipke, Quirin Rohleder e Toby Haseloff, todos eles surfistas profissionais, para ali fazerem inesperadas demonstrações nas ondas criadas pela forte corrente de inverno do rio Isar, que o alimenta.

Apesar do seu profissionalismo, o processo não lhes foi nada fácil, mas permitiu a criação de um elo de ligação com muitos outros surfistas locais – dos 8 aos 80 anos – que, sem possibilidade de rumar a zonas mais adequadas à prática da modalidade, recorrem com regularidade a este incomum spot! Aliás, o sucesso é tal que obrigou a edilidade a legalizar a actividade, desde Abril de 2010.

Este vídeo integra-se num projecto denominado The Endless Winter II – Surfing Europe, a segunda temporada de uma acção que inicialmente se circunscreveu a terras britânicas, mas que fruto do sucesso alcançado extravasou fronteiras. A primeira temporada teve 6 episódios, nela se contando a história do surf no Reino Unido, com um imperdível 1º episódio com imagens de 1966. Pode vê-los aqui.
Dado o sucesso entre os seus pares, logo o espectro se alargou a outros pontos do planeta, numa nova temporada com cariz europeu e que até já passou por terras lusas. Pode ver aqui esse 3º episódio, sob o título The Seed of Portuguese Surfing.
Caso o tema lhe interesse, pode seguir esta saga no Facebook, acompanhando as aventuras de um vasto grupo de profissionais da modalidade pelos mais emblemáticos spots de surf da Europa, parte dela feita a bordo da mais recente geração da pick-up Ford Ranger Wildtrack, um dos apoiantes deste projecto.



Imagens: The Endless Winter (Facebook & Instagram)

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

“Que nunca por vencidos se conheçam!”

2016, mais um ano que chegou ao fim, com aspectos positivos e negativos, uns que nos são mais próximos, outros que, consoante o tema, seguimos à distância com variado nível de interesse. Aqui no Trendy Wheels cumpriu-se, a 26 de Dezembro último, o 1º aniversário, seguindo-se uma temática que – já tod@s sabem – versa o mundo das rodas, independentemente onde elas surjam, conteúdos que vão de cenas do dia-a-dia a matérias mais específicas.
Como esta, a propósito de um post que li recentemente no Facebook do Luis Costa, alguém que tem demonstrado uma enorme força de vencer, conseguindo-o nos mais variados domínios, pessoal, profissional e desportivo. Como referi no texto "O Sonho É Possível", trata-se de um dos atletas que defendeu as cores lusas nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, um sonho tornado realidade por alguém que só há apenas quatro épocas passou a olhar para do paraciclismo com outros olhos. 

Tal trouxe-lhe, neste ano findo e entre outros resultados de relevo, o título de Vice-Campeão da Taça do Mundo (incluindo quatro medalhas de prata), a vitória no Circuito Europeu de Handbike, o ceptro de Campeão Nacional de Estrada e de Contrarrelógio e ainda o 1º lugar na Taça de Portugal da modalidade. “Foi um ano em cheio e seguem-se mais quatro de muito trabalho, pois já estou integrado no ‘Programa de Preparação Paralímpica Tóquio 2020’, pelo que a partir de 2018 tenho que arregaçar as mangas para contribuir que Portugal garanta, novamente, vagas para os próximos Jogos e eu seja um dos escolhidos para representar o país”, refere Luis Costa com um indisfarçável orgulho.

Mas nele faz-se, também, um grito de alerta face ao aproveitamento que algumas entidades parecem fazer, em determinadas alturas, dos seus resultados, deixando a promessa de mundos e fundos, para logo a seguir darem o dito por não dito ou, pura e simplesmente, ignorarem as múltiplas tentativas de contacto. Nesse seu desabafo público, em que o multi-premiado atleta luso se mostra também desalentado com a perca de alguns dos apoios monetários que o ajudariam nesse seu processo de preparação, refere: “Aborrece-me que algumas empresas portuguesas me tenham contactado quando eu ainda me encontrava no Rio de Janeiro a representar Portugal, a dizerem que me queriam patrocinar, e quando voltei nem sequer responderam aos meus e-mails. Eu não vos pedi nada, foram vocês que me contactaram...”

É esta a triste realidade lusa? Por mais monetário-financeira que seja a realidade dos patrocínios, com o esperado fluxo investimento/retorno/aumento de exposição de imagem, não quero acreditar que alguém com um palmarés como o acima tenha que passar por isto, quando para outras modalidades – e até mesmo exceptuando o todo-poderoso futebol – haja quem se atropele para ficar com exclusivos de patrocínios! O que é que o paraciclismo não tem que os outros têm? Visibilidade? Então se não tem, dêem-lha! 

A começar pelos ditos jornais desportivos que - já sem considerar as capas - enchem a quase totalidade das suas edições com conteúdos de futebol - extensas coberturas, entrevistas, análises e histórias de vida - remetendo as restantes modalidades para as páginas finais, estas na grande maioria das vezes apenas alvo de mini-notícias, que pouco mais têm do que meia página, ou mesmo uma dúzia de linhas. Para que serve elevar bem alto o nome de Portugal, dos clubes que os apoiam e dos próprios atletas se, a seguir, pouco ou nada mais acontece? Os nossos restantes Campeões não merecem, decerto, este tratamento!
A pouco mais de três anos e meio do arranque dos Jogos Paralímpicos de Tóquio, em Agosto de 2020, o Luis está a preparar-se como nunca, dividindo-se entre os treinos com a sua “menina” – nome que dá à sua handbike inscrita na Classe H do paraciclismo – e os vários contactos com empresas e outras entidades oficiais. Uns estão ainda na fase de tentativa, outros já se encontram mais adiantados, tentando, assim, garantir as verbas que lhe permitirão sonhar ainda mais alto, evoluindo dos resultados alcançados num palmarés que tem mais páginas do que os de muitos outros atletas de renome. 

A suportá-lo conta, neste momento, com os apoios (no formato de bens e serviços) de empresas como a G-Ride Concept Bike Store, especialistas no material circulante e que o apoiam praticamente desde que se iniciou na competição, e a Lurbel Precision Garment, marca de vestuário desportivo. Para lhe tratar do corpo e da mente conta com os préstimos do Beto Fitness Club, espaço essencial para a sua preparação física, da Clinica Mediessencial, que lhe trata do sorriso, e da Hypno Coaching, como indispensável preparador mental, algo para que o Tattoo Studium também contribui, desenhando-lhe as suas já muitas tatuagens. A Alportil, Concessionário Skoda no Algarve, fornece-lhe outras rodas para as suas diferentes deslocações pelo país e o restaurante Sabores da Ria, em Cabanas de Tavira contribui para um estômago bem alimentado, fazendo deste atleta alguém bem mais feliz. Somam-se os apoios do Comité Paralímpico de Portugal e da Federação Portuguesa de Ciclismo. Ao mesmo tempo o atleta aguarda que o Sporting Clube de Portugal, clube de que tem envergado as cores, cumpra a promessa que lhe fez entretanto e dê continuidade ao contrato por mais quatro anos, mantendo-o integrado na estrutura da Sporting Paralympics.
Independentemente do que aconteça, por vezes contra ventos e marés, Luis Costa confirmou ao Trendy Wheels que vai continuar a rolar na sua handbike, seja em terras lusas como além-fronteiras, por um lado reforçando o seu palmarés, ganhando os créditos necessários para se ver integrado na delegação nacional que estará nos Jogos de Tóquio 2020, por outro demonstrando que não há quem o demova nos seus propósitos. Afinal, um dos seus lemas é “que nunca por vencidos se conheçam!”.
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.