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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Electricidade I: Uma longa gestação

Por variadas razões e apesar da sua presença nos mais variados domínios do nosso quotidiano, a electricidade tem demorado muito mais do que o suposto a solidificar-se nos veículos que conduzimos. Isto apesar das suas bases terem surgido nos anos 30 do Século XIX, sendo que só agora, em pleno Século XXI, as ofertas se começam a generalizar nos diferentes mercados de 2, 3 e 4 rodas!
Imagem: all free download

Voltemos um pouquinho atrás no tempo! Segundo os canhanhos da história, as coisas começaram a dar choque algures entre 1832 e 1839 com um heterogéneo grupo de supostos “pais da criança”, não havendo uma certeza absoluta de quem foi verdadeiramente o primeiro: o escocês Robert Anderson, o holandês Professor Sibrandus Stratingh e seu assistente Christopher Becker, ou o húngaro Ányos Jedlik  , todos criaram veículos movidos a electricidade. Seguiram-se vários outros, entre americanos, franceses e ingleses, e muitos passos foram dados nos primeiros 50 anos da aplicação de baterias eléctricas a carruagens e automóveis, até 1899, ano em que surge o "La Jamais Contente", um carro de corrida eléctrico concebido pelo belga Camille Jénatzy que até estabeleceu um novo recorde mundial de velocidade terrestre, com a estonteante velocidade de 68 km/h… imagine-se!
Outros avanços deram-se nos anos seguintes, surgindo em Nova Iorque uma frota de táxis eléctricos e as invenções da empresa norte-americana Frederik R. Wood & Sons, como o 1902 Wood Phaeton, uma carruagem eléctrica com uma autonomia de 29 km e velocidade máxima de 23 km/h, um ano depois de um tal de Ferdinand Porsche mostrar ao mundo uma proposta híbrida, com um motor de combustão interna e outro eléctrico, o Lohner-Porsche Mixte, ano em que Thomas Edison começou a trabalhar em baterias mais duradouras.


Hummmm…!!! Nesta altura poder-se-á perguntar: “Então isso não é o que tem surgido ultimamente? O que é que aconteceu neste interregno de tempo?” Pois… as respostas são relativamente simples, assentando, na sua génese, na descoberta de petróleo no Estado do Texas (EUA) e noutros buracos do planeta, processo depois associado ao poder dos lobbies, face aos chorudos lucros do ouro negro, para que a electricidade não vingasse. Junte-se o desenvolvimento das redes viárias, estradas de maior extensão que os eléctricos da altura não conseguiam percorrer com uma carga (tinham pouco mais do que autonomias urbanas), a invenção do motor de arranque por Charles Kettering (em 1912), acabando com o reinado da manivela, e o arranque da produção em massa de automóveis com motores de combustão, iniciada por Henry Ford (em 1913), tornando-os muito mais baratos para o comum cidadão – um destes custava menos de metade de um eléctrico – e os ingredientes eram mais do que suficientes para anestesiar a electricidade no automóvel, até praticamente os tornarem extintos, por volta de 1935.
Só no final do Século XX, com o crescendo das preocupações ambientais, nomeadamente para com os gases com efeito de estufa, oriundos dos diferentes veículos e das fábricas que os produziam – entre outras origens – e as baterias de electricidade viam-se despertadas desse sono profundo, regressando às mesas de discussão, em soluções de modo puro, híbrido ou plug-in, uma vez mais associados a um motor a gasolina (na maioria dos casos) ou diesel, dotados gradualmente de tecnologias mais avançadas para a redução dos gases poluentes.  
Imagens: Wikipedia Commons
Os exemplos entretanto surgidos são mais que muitos, entre os que apostaram directamente nesta solução, ou os que redireccionaram, em doses variáveis, as suas estratégias e planos de marketing, rumo a um futuro eléctrico. Este é, por isso, um mais um tema a necessitar de algum desenvolvimento extra, esmiuçando-se mais um pouco esta fantástica descoberta de Thales de Mileto filósofo, astrónomo e matemático grego que viveu na Grécia Antiga, entre os anos de 634 a 548 a.C. Foi ele quem testemunhou aquela que foi a primeira manifestação de electricidade estática da história, após esfregar um pedaço de âmbar numa pele de carneiro. Daí para cá passaram... dois milénios e meio!!! Surpreendente, não?!
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

EcoKart: Velocidade solidária

Realizou-se há dias, no Estoril, o “Greenfest 2017”, aquele que é um dos maiores eventos nacionais no domínio da sustentabilidade, palco onde empresas, autarquias, escolas e cidadãos se juntaram, com o objectivo de mostrar e sensibilizar para aquela que é uma questão cada vez mais incontornável da sociedade e das nossas vidas.
Imagem: Trendy Wheels/JP

Entre os que animaram a 10ª edição deste evento co-organizado pela Câmara Municipal de Cascais e com o alto patrocínio da Presidência da República, contribuindo para levar a bom porto do único planeta onde ainda podemos viver, esteve a EcoKart Portugal, plataforma que tem o objectivo comum de ajudar a encaminhar Portugal para uma mobilidade mais verde e desportos motorizados não poluentes.
Foi nos jardins do Casino Estoril que realizaram as já famosas "EcoVoltas Solidárias" a bordo do primeiro kart eléctrico de 2 lugares feito em Portugal. Conduzido por experimentados pilotos, novos e menos jovens sentiram algumas das emoções mais racing desta iniciativa, depois de depositada a moedinha num gigante mealheiro colocado no local, conjunto de donativos que seriam, depois, entregues às duas entidades apoiadas nesta acção: a Aldeias de Crianças SOS, que acompanha crianças e jovens em situação vulnerável, promovendo o seu pleno desenvolvimento e autonomia, e a Nuvem Vitória, projecto de voluntários que, à noite, nos hospitais, contam histórias a crianças internadas, de modo a garantir-lhes um soninho um pouco mais descansado.
Imagens: EcoKart Portugal

Noutro ponto, dentro do Centro de Congressos do Estoril, palco onde se realizaram muitos colóquios e palestras sobre o tema, a EcoKart Portugal distribuía prémios a todos os que respondiam correctamente a um pequeno quiz sobre mobilidade eléctrica. Fê-lo com o apoio da OK! Teleseguros, um dos seus mais recentes parceiros neste domínio, aquela que é a primeira seguradora nacional a apresentar um pacote de seguro específico - o OK! Auto Elétricos - para automóveis movidos a esta energia! Se já é dos que tem ou está a pensar comprar ter um veículo contacte-os e veja tudo o que têm para lhe propor.
Voltando ao inquérito, as respostas dadas, nomeadamente pelas camadas mais jovens, demonstram que muitos se mostram conscientes desta maratona em que todos nos encontramos e na qual todos temos responsabilidades, passadas, presentes e futuras, depois de todo o desnorte por que se pautou o último século e meio, e que levou ao estado assustador em que hoje se encontra o planeta Terra. Mas, se por um lado há muitos a querer tentar arranjá-lo, do outro os cifrões ainda falam demasiado alto, pois havendo dinheiro envolvido, as coisas tendem a seguir o seu cheiro, apesar de a lógica apontar para o contrário!


Acrescente-se que a EcoKart Portugal não tem olhado a esforços para esta dinamização massiva para com esta mobilidade eléctrica e também no domínio do altruísmo, tendo ao longo do ano levando as suas "EcoVoltas Solidárias" a várias localidades e eventos. São exemplos as acções realizadas no “Festival da Criança” no Estoril, na “Energy Week” do ISEL, na “Base Aberta de Monte Real - Base Aérea nº 5”, ou noutras integradas na “Semana Europeia de Mobilidade”, em Santo Amaro de Oeiras (integrada na iniciativa “Marginal Sem Carros”), Carnide, Gaia, Salvaterra de Magos e Marinhais, em todas elas recolhendo donativos que entrega, na íntegra, a instituições de missão social locais. 
Uma agenda que se renova a cada dia, estando a próxima iniciativa agendada já para amanhã (dia 12) na Universidade de Aveiro, dando-se início ao outro habitual périplo, por liceus e universidades nacionais, aqui se apoiando a Florinhas do Vouga, uma IPSS daquela cidade.

Um futuro em 2 rodas com motor
Também presentes no “Greenfest 2017” estiveram, entre outras, duas empresas da zona que se dedicam à promoção e comercialização de bicicletas eléctricas, garantindo aos presentes a experimentação – alguns deles em estreia absoluta – de alguns dos seus exemplares.

Nascida em Cascais em 2014 para contribuir para o movimento da mobilidade eléctrica no nosso país, a BeElectric surgiu neste evento de mãos dadas com a EcoKart, dinamizando as suas propostas entre os presentes. Não só propõe veículos específicos de várias marcas, como também kits portáteis que se aplicam numa bicicleta comum, transformando-a numa variante a electricidade.
Da mesma região é a bi green, que promove o exercício físico, democratizando a prática do ciclismo, de modo a tornar o mundo num lugar mais acessível, mais plano e sobretudo mais verde, ali dando a conhecer as marcas de bicicletas e scooters eléctricas que representa.
Imagem: Be Electric

Imagem: bi green


Muito mais há a dizer sobre esta temática inerente aos nossos veículos, algo que ficará para uma próxima edição, pois esta já vai algo longa, embora mas não tanto como a gestação da dita electricidade. Aposto que não sabe que o negócio dos carros eléctricos tem já... 100 anos! Ah pois é bebé!!!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Cicloturismo: Portugal aos seus pés

É fã de passeios em 2 rodas, pedalando pela natureza, deixando algures e por alguns dias os problemas do caótico quotidiano? Então esta edição Trendy Wheels é, definitivamente para si. Tudo porque a Rede Nacional de Cicloturismo lançou, muito recentemente, o seu “Road Book 2017”, um guia com mapas e rotas com identificação de vias com reduzido tráfego automóvel em Portugal.

Disponível exclusivamente em formato digital (PDF) por € 32,50, este alargado conjunto de mapas seleciona as melhores estradas e caminhos (vias públicas, ciclovias, ecopistas e estradões de macadame), desvendando os cenários e as paisagens mais surpreendentes de Portugal, para que possa usufruir da natureza e do passeio, a solo ou em companhia de familiares e amigos.
O projecto é coordenado por Paulo Guerra dos Santos, um engenheiro especialista em Vias de Comunicação e Transportes, ele próprio entusiasta de viagens em bicicleta no que apelida de modo slow travel, identificando gradualmente uma crescente rede nacional com as melhores rotas, para que todos possam efectivamente conhecer o nosso país, fazendo-o de um modo ambiental e saudável, sobre duas rodas sem motor.
Esta mais recente edição abrange um total de 2.693 km cicláveis, estando nos objectivos dos seus impulsionadores atingir os 7.000 km até ao ano 2025. São, para já, 57 as secções incluídas com mapas detalhados, informações e fotos, dados técnicos, alertas e informações de tráfego, trilhos GPS (em formatos KML e GPX) para todas as secções identificadas e, claro, as sempre indispensáveis dicas. Entre outras o “Road Book 2017” integra diversas 12 Ecovias, de percursos junto à costa ao interior profundo, por entre rios, quintas e florestas, montanhas rochosas, lezírias e planícies, rotas desenhadas de norte a sul do país.

Com a aquisição do mesmo – pode fazê-la aqui - para além do arquivo principal com 180 Mb de informação de elevada qualidade e hiperligações para mapas online, é-lhe dado acesso a um segundo ficheiro de 40 Mb, ideal para smartphones, tablets e computadores. Saiba mais na respectiva página de Facebook.
Posto isto, deixo os votos de bons passeios, agora que o tempo refrescou e não há grandes riscos de se deparar com incêndios e outras catástrofes que lhe estraguem essa imensa paz e comunhão com a natureza.
Imagens: Ecovias de Portugal

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

BTT: Para além dos limites geográficos

Andar de BTT pelos mais diferentes cenários é uma actividade lúdica, na qual podemos, por momentos, alhearmo-nos do mundo em redor e desfrutar da envolvente. Numa próxima edição irei falar-lhe do cicloturismo e do muito que há para explorar em Portugal, havendo apenas um pequenino senão relativo ao que, nessas actividades lúdicas, podemos levar connosco, fazendo-o maioritariamente às costas nessas deambulações. Ou seja, por exemplo, se a determinada altura chegarmos perto de um lago e quisermos aproveitar as águas só se formos dar um mergulho ou umas braçadas.
Errado! Há no mercado uma solução que, com umas quantas adaptações entretanto adiantadas em casa, permitem fazer com que a sua bicicleta se transforme quase de imediato num veículo anfíbio. Originário de Itália, o Shuttle-Bike Kit compõe-se de um conjunto de peças e pequenos insufláveis que permitem, sem grande esforço, transformar a sua tradicional BTT numa water-bike. Transportando-se às costas numa mochila, uma vez chegados ao destino é só montar o conjunto sem que precise de tirar as rodas do quadro! Veja como fazê-lo aqui:

Há ainda outras water-bikes no mercado, mas são mais parecidas com bicicletas estáticas, semelhantes às dos ginásios ou às que compramos lá para casa e que só nos primeiros dias parecem um fantástico investimento! Contribuindo, igualmente, para a definição de gémeos & glúteos enquanto se pedala nos lagos ou pela costa, são mais volumosas do que o SBK, pois contam com estruturas específicas e obrigam ao seu transporte em veículos. Ou seja, andar de bicicleta na água sim, mas não directamente de casa para a montanha/lago e vice-versa.
Clicando nos links, conheças as propostas da brasileira Chiliboats e das norte-americanas itBikes e Schiller. Dado que não têm rodas, deixo-as só como sugestão – quem sabe, se para as próximas férias – e fico-me por aqui.



Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Carsharing: Lisboa como tubo de ensaio

Atravessar as grandes urbes é, muitas vezes, um autêntico suplício, nomeadamente nas horas de ponta e nas zonas mais culturais ou mais in. Entrar e sair das ditas, dar voltas e mais voltas, em busca de um lugar de estacionamento o mais perto possível do destino, implica o gasto de algumas centenas de euros em combustível e nos parques/lugares, já para não falar do desgaste do veículo, dos seguros associados e, naturalmente, do substancial investimento inicial no dito automóvel, seja ele usado ou novo (dependendo do orçamento de cada um é sempre uma talhada importante).

Tendo como exemplo Lisboa – eu sei… é sempre a capital e parece que o resto do país é paisagem, mas não é, descansem @s leitores que isto tem uma razão de ser, que explico já já a seguir – estima-se que cerca de 400.000 carros ali circulem por dia, todos os dias, entre os que entram/saem e os que já lá estão, dos moradores. Na sua grande maioria têm um único ocupante que, com aquela rotina associada e rumando ao trabalho ou aos locais de lazer, concorre ao tal raríssimo lugarzinho vazio.
Para tentar minimizar essa invasão, há zonas de circulação restrita, outras reservadas a moradores – que, quando não tendo o dístico respectivo, passam as passinhas do Algarve para chegar a casa – ou segundo a antiguidade dos veículos em circulação, impedindo-se o acesso a determinados pontos aos mais poluentes. Tentam-se, assim e, na minha opinião, sem um sucesso assinalável, atenuar a escalada do acumular de trânsito e na inerente degradação da qualidade de vida e do ar das cidades.

“A beleza das cidades está diluída no tráfego, pelo que há que libertar a cidade dos carros,” alertou Sebastian Hofelich, CEO da DriveNow, a mais recente plataforma no domínio da mobilidade urbana para Lisboa – eis a tal razão – aquando do seu lançamento oficial na passada 3ªF (dia 12) no SUD Lisboa, junto ao Tejo, em Belém. O Trendy Wheels esteve lá e ouviu as promessas e expectativas dos responsáveis por esta nova divisão da Brisa, a quem esta joint-venture alemã atribuiu a exploração do franchise no nosso país.
“Há que contribuir para a criação de mais espaço, entre zonas verdes e espaços de lazer, libertando a cidade dos carros,” acrescentou aquele responsável, numa mensagem depois reforçada por João Oliveira, Director Geral da DriveNow Lisboa, ao afirmar que “se trata de um projecto com tecnologia alemã e alma portuguesa, que desde o seu anúncio, no início do Verão, já atraiu mais de 70.000 registos nacionais”.

Imagens: Trendy Wheels/JP

Assenta no conceito do veículo partilhado, em que o cliente chega à viatura onde esta estiver, usa-a conforme lhe dá jeito e devolve-a onde quiser (dentro de perímetros definidos na cidade), integrando seguro, combustível e estacionamento. Funciona através de uma app que, após registo, permite a reserva e posterior desbloqueio das viaturas, uma vez recebido o OK e recorrendo-se a um código para utilização das ditas.
Em termos de custos de utilização, o pacote da DriveNow inicia-se nos 29 cêntimos por minuto, valor de campanha a aplicar a toda a frota até ao dia 12 de Outubro (detalhe aqui). Depois disso os custos de utilização irão variar segundo o modelo escolhido (de 29 cent/min para um Mini Cooper de 3 portas, um Mini de 4 portas ou a carrinha Mini Clubman; 31 cent/min para o BMW Série 1; e 34 cent/min para o BMW i3, a coqueluche eléctrica da marca alemã). Nesta fase de lançamento também o custo do registo é grátis, cobrando-se € 10 a partir do dia 24 de Setembro, aqui incluindo um bónus de 30 minutos de utilização, numa oferta válida por 1 mês).
Como é dito acima, pretende-se, com isto, não só diminuir o volume de veículos em circulação, como melhorar a qualidade do ar da cidade, numa aposta no ambiente através de modelos de baixas emissões poluentes e variantes limpas, a electricidade, estas correspondendo a 5% da actual frota nacional do operador. Sim, à partida até pode parecer um contra-senso, pois numa fase inicial há ainda mais veículos a rolar e estacionados nas cidades, esperando-se que numa fase posterior, com a maior e gradual consciencialização e aceitação do conceito de partilha automóvel, comecem a entrar menos carros nas cidades. Isto assumindo que as pessoas não tragam os seus para dentro das ditas, por inerência das dificuldades dos transportes públicos, entre atrasos, disponibilidade e lotações, em especial nas horas de ponta!
Para os moradores da capital, que estacionam a sua viatura perto de casa, alguns deles em zonas onde encontrar um lugar é uma autêntica lotaria, esta pode ser uma solução simples e pouco dispendiosa de alternativa aos transportes públicos. Já para quem vem de fora, chegar à cidade de comboio ou autocarro é relativamente fácil, caindo-se dentro dos limites de actuação deste operador, mas já o uso do carro até aos limites da dita obriga, na maior parte dos casos, a deixá-lo em zonas tarifadas, sendo cada vez mais raras as opções não pagas, acabando-se por trazê-los lá para dentro, quando não é esse o objectivo. Quanto aos que, definitivamente, não abdicam dos seus carros… pois… há que esperar uma mudança na mentalidade.
Como diz o outro, há que experimentar para conhecer, quanto mais não seja para se ter uma ideia mais real do custo associado. Face ao Metro, a mais rápida ligação entre 2 pontos, o carsharing é definitivamente muito mais agradável, permitindo-se ver e viver a cidade por dentro, algo impossível de se fazer nos subterrâneos, mesmo com a beleza e detalhe de algumas das nossas estações e átrios. Face aos operadores tradicionais com condutor – tipo Táxi, Cabify, Über & afins – tem a vantagem adicional de sermos nós próprios a conduzir, ideal para quem goste de estar ao volante.
Como eu, se bem que para o bem e para o mal, pertença ao grupo de privilegiados que trabalha (quase) ao pé de casa e fora da capital, pelo que só me vejo nesses caldinhos aquando de reuniões ou momentos de lazer. E então eu que – como diz um amigo – “dou 20 voltas como o cão” em busca de “um lugar grande e alcatifado, de preferência arranjadinho”, pois detesto estacionar em qualquer buraco que me apareça! De qualquer modo, o Trendy Wheels irá testar o serviço em breve.

Quando o 13 não é número de azar
A DriveNow é uma joint-venture do BMW Group e da Sixt SE no domínio do carsharing, operando em Portugal em regime de franchise com a Brisa, que aproveita as plataformas e parcerias que tem, nomeadamente nos campos do estacionamento e do abastecimento de combustíveis.

Vasco de Mello, CEO do Grupo Brisa, explica que “A Brisa tem uma visão clara do futuro da mobilidade nas cidades, baseado em modelos colaborativos, multimodais e de partilha. O ecossistema Via Verde é a materialização deste novo posicionamento estratégico como operador premium de mobilidade. Por esta razão, escolhemos a DriveNow como parceiro para o desenvolvimento de uma solução premium de carsharing para Lisboa.”

Originalmente criado em 2011, o conceito conta já com mais de um milhão de clientes registados e 5.900 veículos em circulação (15% deles eléctricos) em Munique, Berlim, Hamburgo, Düsseldorf, Colónia, Viena, Bruxelas, Milão, Estocolmo, Helsínquia e Londres, para além de Copenhaga que recorre a uma frota 100% eléctrica. Lisboa é, por isso, a 13ª e mais recente cidade a aderir ao projecto, contando-se já em mais de 70.000 os utilizadores registados na app lusa, que poderão usar uma frota de 211 veículos, disponíveis para encontrar/usar/largar nos cerca de 48 km2 de área de actuação na capital. Isto para já, pois está em estudo o alargamento desse perímetro. 

Igualmente inquiridos sobre o potencial alargamento do projecto a outras cidades, a resposta do gabinete de comunicação referiu que “neste momento está tudo em aberto. Nenhuma outra cidade está descartada.” Aguardemos, com a expectativa em alta, que o negócio comece a dar frutos, pois a abrangência nacional da sua parceira Brisa decerto ajudará no processo!
Um rico filão por explorar
Tal como em tudo o que é novidade, o mercado da partilha de veículos é ainda um filão acabadinho de ser encontrado, em que o ouro ainda é suficientemente vasto para ser explorado por estes garimpeiros sobre rodas, tornando-se rentável assim se façam os trabalhos de casa em condições.

Não foi o caso da entretanto suspensa plataforma Mob Carsharing que, lançada em 2008, não conseguiu vingar… por falta de procura! Mas o potencial de negócio continuou a existir, tendo entretanto surgido novos operadores entre nós, como a Citydrive ou a 24/7City by Hertz, que têm sabido rentabilizar o negócio, a que agora se junta a DriveNow! No domínio do motosharing há, para já, um explorador, a eCooltra, que aposta na vertente ecológica através de 170 scooters 100% eléctricas, operando sobre uma plataforma tecnológica made in Portugal. Interessante!
É um boom que não acaba por aqui, pois até é crescente o interesse das próprias marcas de automóveis na diversificação do seu negócio, evoluindo da tradicional venda de veículos. Exemplos são vários para além da parceria acima ou a associação Daimler/Europcar com o Car2Go, pois a Skoda na senda do lançamento do seu novo Fabia, colocou algumas unidades a circular na frota da Citydrive, ou a Citroën que, em Berlim, tem os urbanos e eléctricos C-Zero disponíveis através do seu próprio operador, a Multicity. Não muito longe e fruto de parcerias com diversos operadores, de diferentes países (Portugal ainda não), os franceses do Grupo PSA – dona das marcas Citroën, Peugeot, DS e, mais recentemente, da Opel e da Vauxhall – lançaram a marca Free2Move, que já opera em Madrid…
Será que, finalmente, vamos começar realmente a usufruir das alternativas de mobilidade, deixando o nosso carrinho/moto em casa só para as deslocações onde estas soluções não existam? Ou, então, quando viajarmos para qualquer cidade europeia, numa interessante alternativa aos veículos de aluguer tradicional. Fica o desafio!
Imagens: DriveNow



Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
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1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Um dia no campo

No sector da mobilidade, o Trendy Wheels tem-lhe mostrado, em diferentes edições, vários exemplos de que neste domínio o futuro é eléctrico, mas hoje vamos passar um dia ao campo, demonstrando que também na agricultura se preparam novidades. A diferença está no patamar da evolução, aqui recorrendo-se a resíduos oriundos da natureza para a produção de um combustível específico, o metano resultante de produtos biológicos, com uma aplicação muito particular, no tractor New Holland Methane Powered Concept.

Acabado de ser tornada público, este estudo chega-nos da área de negócio New Holland Agriculture, parte integrante do portento grupo italiano CNH Industrial, que sublinha ser a tendência a seguir nas próximas décadas neste domínio, deixando-se para trás vários séculos em que combustíveis fósseis, como o carvão ou o petróleo, foram reis e senhores do mundo, nomeadamente desde a Revolução Industrial. Iniciada em Inglaterra no Século XVIII e rapidamente alastrada a todo o mundo, levou a enormes transformações económico-sociais e, naturalmente, a toda uma nova realidade ao nível industrial, transversal à grande maioria das actividades.
Este novo conceito de tractor funciona a biometano, gás de produção local, obtido a partir de resíduos de produtos naturais, de alimentos e plantas, aos próprios dejectos dos animais. Equipado com soluções tecnologicamente avançadas, podendo-se até emparelhar com um smartphone, ou operá-lo através de instruções vocais, obtendo-se dele uma produtividade de excelência.

Mundialmente reconhecidos pelos seus avanços tecnológicos, os tractores da New Holland traduzem-se, na sua grande maioria, por soluções muito à frente da indústria de maquinaria e ferramentas para o sector agrícola, mas nunca antes um passo tão gigantesco havia sido dado. Uma vez tornado realidade, tornar-se-á parte integrante – e importante – da Quinta Energeticamente Independente, uma quinta auto-suficiente que se insere no gigantesco e avançado complexo agrícola de La Bellota, nos arredores de Turim (Itália).

Ou seja, num futuro não muito longínquo, os produtos naturais que tiver à sua mesa podem resultar de um processo em que o metano biológico se substituiu ao petróleo, combustível a cada dia vez menos usado na agricultura.

Imagens: New Holland Agriculture

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
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1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Regresso às aulas ecológico

O Verão está a derreter a passos largos, significando que a temática do inevitável “Regresso à s Aulas” se vai tornando assunto do quotidiano, por mais que a pequenada o queira evitar. Aliás, as grandes superfícies e demais operadores já começam a fazer as suas campanhas, com ofertas, descontos e afins em livros e materiais. Já o mesmo parece não acontecer ao nível das propostas de transporte escolar, mantendo-se a habitual disponibilidade sem novidades de maior. 

Uma hipótese de novidade nacional até poderia ser a solução aplicada na cidade francesa de Louviers, onde a criançada de algumas escolas primárias vai para a dita e regressa a casa a pedalar. O que há de novo? O facto de não o fazerem em bicicletas tradicionais mas sobre um conceito chamado S’Cool Bus, criação de três jovens empreendedores locais, veículos a pedais com assistência eléctrica. Têm 4 velocidades e uma marcha-atrás, podem circular até aos 15 km/h e têm uma autonomia de cerca de 30 km, mais que suficiente para os trajectos diários, mesmo dentro de cidades de maior dimensão. Dotados de tejadilho amovível, luzes, piscas e retrovisores, naturalmente circulam, sempre que possível, em ciclovias e/ou algumas zonas pedestres, fugindo do trânsito automóvel.

Ecológico e estimulador da prática desportiva e do convívio entre a pequenada, o projecto seduz, também, pais e educadores. “Os S’Cool Bus são pequenos veículos com pedais independentes para cada criança e adaptados ao seu tamanho, permitindo o seu transporte para as escolas enquanto praticam uma divertida actividade”, referem os responsáveis pelo conceito. “Seguros e confortáveis, os S’Cool Bus também sensibilizam e educam os jovens a participar activamente no desenvolvimento sustentável. Deslocam-se respeitando o ambiente, divertem-se e, ao mesmo tempo garante-se-lhes uma actividade física diária mínima, com implicações na própria aprendizagem escolar.”

Para quando importar o conceito para o nosso Portugal? Afinal, estamos em época de Eleições Autárquicas e esta até poderia ser uma interessante ideia para determinadas regiões... ou mesmo para todas! Quem se atreve?
Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
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1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;

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segunda-feira, 24 de abril de 2017

O herói do piquenique

Actividade usualmente feita a dois, num elã mais romântico, ou em família ou grupo de amigos, num encontro de pura diversão, um piquenique é um escape ideal para limpar os efeitos, por vezes nefastos, de uma semana de trabalho. Hoje o Trendy Wheels apresenta-lhe uma proposta de três rodas, diferente de tudo o que já viu, ideal para essa escapadinha gastronómica.

Este exemplar da italiana Agnelli Milano Bici, produtora de veículos eléctricos de 2 e 3 rodas, é ideal para o efeito, se bem que apenas permita um utilizador, obrigando a que @(s) acompanhante(s) se tenham de deslocar noutros meios de transporte para o local desse encontro.
Sim, concordo que parece um tanto ou quanto estranho olhar para esta espécie de Citroën 2CV a quem cortaram uma parte, somando-se-lhe uma também semi-estrutura de bicicleta, assumindo-se como um curioso triciclo com um compartimento ideal para a indispensável toalha de piqueniques, mais o cesto recheado com os acepipes que conquistam qualquer formiga. Não há, assim, como negar que ele se adequa na perfeição para esta actividade gastronómica ao ar livre, na frescura de uma mata ou floresta, à beira mar ou num qualquer recanto mais natural deste nosso planeta.

Nasceu em 2015 esta marca que conta no seu catálogo com um conjunto de produtos de mobilidade eléctrica, alternativas mais elegantes às bicicletas tradicionais. A variada gama idealizada por Luca Agnelli inclui bicicletas, tandems e side-cars com um cunho marcadamente ambiental, entre propostas já em comercialização e outras ainda em estudo, como este 2CV Paris.

Imagens: Agnello Milano Bici

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
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1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
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segunda-feira, 17 de abril de 2017

To Moke or Nosmoke?

Fossemos nós conterrâneos de Sir William Shakespeare e o título de hoje daria para uma série de trocadilhos, todos eles com a mesma base. Isto porque – e de modo a não me alongar muito – os descendentes do icónico ex-modelo MOKE da ex-britânica/agora alemã Mini estão vivos e respiram saúde, espalhando o seu charme a céu aberto pelo planeta.

É uma família agora dividida, é certo, depois do corte de relações em 1990 com o seu outrora patriarca, que decidiu vender o nome a uma marca de motos, mas nem por isso em modo de esgotamento, mesmo apesar das tentativas de matar de vez tão estranho e arcaico bicho. O que é um facto é que o Moke lives on!
Originalmente criado em 1959 como um veículo para uso militar, o seu sucesso viria a dar-se noutros domínios, nomeadamente em países tropicais ou com vastas orlas costeiras e praias, tais como… Portugal! No nosso país foi, aliás, berço de pouco mais de 8.000 unidades, maioritariamente da geração “Californian”, produzidas nos anos 80 em Setúbal e Vendas Novas, para consumo interno e exportação para todo o mundo. Inglaterra, Austrália, Rodésia e África do Sul também os produziram.
Embora os destinos paradisíacos se mantenham, a sua nova descendência é originária de outro ponto do planeta, mais propriamente na China, sendo duas as novas famílias adoptivas

- por um lado a britânica Moke International que mantém o simples Moke, concebendo os seus filhotes com base em motores a gasolina; 
- por outro a francesa Nosmoke que aposta num conteúdo mais ambiental, sublinhando a nova geração Flower Power com propostas eléctricas e, por isso, amigas do ambiente, denominando-se Nosmoke.


Se quiser saber mais sobre estas novas gerações felizes que se alargam pelo planeta clique nos links acima. Note ainda que apenas o segundo é comercializado em Portugal pela algarvia Sunshine Cars. 
Entretanto delicie-se com algumas das imagens que tornaram esta estrutura de tubos interligados sobre uma base simplista – cujo nome deriva de um dialecto arcaico para “burro” – num dos mais curiosos modelos do mundo automóvel.

Imagens: Moke International (1,2, 4 e 5)


Imagens: Nosmoke/Duprat Distribuition (3, 6 e 7)

Imagens: BMC e Wikipedia/British Motor Museum

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.