segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Volvo em aventura eco-marítima

Nove meses, 5 continentes, 12 cidades, 3 oceanos, mais de 45.000 milhas náuticas e 7 equipas mistas, em género e país de origem, com 8 a 10 elementos, incluindo alguns velejadores portugueses, a bordo de 7 embarcações de características idênticas, uma delas com bandeira lusa, a meias com a das Nações Unidas. São estes alguns dos números em torno da Volvo Ocean Race, iniciativa náutica que teve, ao longo dos últimos 5 dias, um stopover na doca de Pedrouços (Lisboa), escala do final da 1ª de um total de 11 Etapas.

Patrocinadora deste evento de reconhecimento mundial, a Volvo Cars ali realizou uma série de acções de suporte, entre elas a apresentação do seu próprio navio-almirante, a V90 Cross Country Volvo Ocean Race, proposta não tanto para enfrentar os mares mas sim para explorar as estradas e, muito em especial, fazê-lo fora delas. 
Presente como convidado nesse evento, o Trendy Wheels ficou a conhecer ambos os lados desta sua multi-premiada proposta para o segmento das carrinhas premium, nomeadamente a versão especial que assinala o arranque da edição 2017/18 desta jornada através de 3 grandes mares do nosso planeta, e, muito em particular, o reforço de investimento de € 300.000 a ela inerente, em prol do programa “Volvo Ocean Race’s Science Programme”, iniciativa de inovação, exploração e descoberta científica, fruto da reserva de € 100 do PVP de cada uma das 3.000 unidades que a marca está segura de conseguir vender em todo o mundo e sem grande esforço, que compõem o lote de produção inicial.
Como tenho vindo a referir em edições recentes, se é grande a preocupação com o ar que respiramos, também o tem de ser – e muito – para com a saúde dos nossos mares e oceanos, que, entre outros elementos, vive cada vez mais impregnado de plásticos e derivados poluentes. Sob a égide do estudo “Turn the Tide on Plastic” da Mirpuri Foundation, as sete enormes e idênticas embarcações à vela Volvo Ocean 65 estão, todas elas, equipadas com uma multitude de sensores que, desde a sua saída de Alicante (Espanha), no passado dia 22 de Outubro, até chegarem a Haia (Holanda) a 30 de Junho de 2018, permitem uma vasta recolha de importantes dados ao longo do tão extenso percurso.


Acreditando-se que 99% dos materiais plásticos presentes nos oceanos é invisível ao olho humano, irá, assim, analisar-se a concentração de microplásticos, os níveis de salinidade, o dióxido de carbono dissolvido e o de clorofila nas algas, medições que irão ajudar a criar uma visão mais abrangente deste enorme foco de poluição e o seu já desmesurado impacto nos nossos oceanos. Adicionalmente, a análise de temperatura das águas e sua variação, pressões barométricas, correntes e velocidades do vento irão contribuir para tornar mais fidedignas as previsões meteorológicas e mais evoluídos os modelos climáticos usados pelos cientistas a nível global para tentar antecipar tudo o que a natureza proporciona, nomeadamente os fenómenos mais devastadores, cada vez mais comuns.
"Estamos muito orgulhosos em apoiar o 'Volvo Ocean Race’s Science Programme', através do qual será possível a melhorar a nossa compreensão da saúde dos oceanos, aquele que é o nosso maior recurso natural," comentou Stuart Templar, Director de Sustentabilidade da Volvo Cars. "Como empresa, trabalhamos para minimizar o nosso impacto no mundo em nosso redor, pelo que a abordagem inovadora deste projecto, no qual se lida com um enorme problema ambiental, proporcionou-nos um grande desafio, sublinhando a importância de que ao mesmo tempo rumamos a um futuro eléctrico.”


Imagens: Trendy Wheels/JP



CC + VOC = Optimizado para a aventura
Evolução de conceito da Volvo V90 que conduzi em Julho último – pode ler esse texto aqui – esta renovada carrinha acrescenta-lhe duas características: a filosofia “Cross Country” da marca, permitindo-se ampliar os horizontes pelas diferentes soluções mecânicas e de conteúdos aplicadas a diversos dos seus modelos, permitindo-se chegar a locais eventualmente impensáveis para uma viatura como a V90, com estas enormes mas elegantes dimensões, somada à vertente “Volvo Ocean Race”, numa combinação que gera um automóvel ímpar, que partilha a mesma natureza aventureira e espírito pioneiro da jornada náutica que, até ao passado dia 5, teve este stopover num local de onde, há uns bons séculos, saíram as caravelas com que Portugal deu novos mundos ao mundo! Okok… para os mais preciosistas, eu sei que foi um bocadinho mais ao lado!

Desenvolvida em Torslanda (Suécia) por um grupo dedicado de engenheiros, esta Volvo V90 Cross Country Volvo Ocean Race assenta a sua essência numa palavra – “versatilidade” – traduzindo-se numa carrinha para o quotidiano, inerente à tradicional equação “casa/trabalho/compras/escolas”, somada àquela escapadinha de final do dia, de fim-de-semana ou de férias, a solo ou em grupo. Adoptando a tracção integral, maior altura ao solo e chassis optimizado da V90 Cross Country que consta do seu catálogo tradicional, que já permite enfrentar praticamente todos os tipos de pisos e condições atmosféricas, conta aqui com mais uns quantos mimos e elementos diferenciadores, como a grelha exclusiva, as jantes de 20 polegadas e diversas protecções exteriores e detalhes interiores únicos.
Mas não se pense que por contar com este ar quase angelical, fruto do único tom exterior Branco Crystal, com pormenores contrastantes Cinza Kaolin Grey e Laranja Flare, esta V90 é para colocar numa redoma de vidro para não se sujar. Nada disso! Chova ou faça sol, ela reclama por constantes viagens e desafios, fruto das inúmeras soluções que apresenta aos seus proprietários, que se pretendem aventureiros por natureza, como nos foi explicado por Dan Olson, Vice-Presidente de Veículos Especiais e Acessórios, da Volvo Cars, um dos mentores por detrás deste projecto, a meias com Stephan Green e Cindy Wang. Entre outros, incluem-se uma lanterna ultra-resistente aos impactos e à água, feita em alumínio aeroespacial, piso da bagageira inspirado no soalho dos iates de luxo, com materiais duradouros e de fácil limpeza/lavagem (com recurso a uma máquina de limpeza portátil, que é parte do equipamento) e, por isso, resistentes a líquidos e sujidade, protecções para os bancos, para quando se chega enlameado e transpirado de uma corrida, molhado de um dia de pesca desportiva ou de uma qualquer actividade aquática, e ainda um saco impermeável dedicado, para guardar os mais diversos equipamentos, idealmente os mais sujos!, tudo conteúdos que nos foram mostrados in loco.

Imagens: Volvo Cars
Imagens: Trendy Wheels/JP


Isto porque os interiores em couro Charcoal ou Blond/Charcoal, com elementos contrastantes – detalhes em fibra de carbono ou as costuras no mesmo tom laranja do exterior – mantêm o pedigree e as soluções de conveniência habituais da marca sueca e, afinal, há que não estragar o conjunto, sublimado por pormenores de design único, como as fitas do cinto de segurança, também elas em Laranja Flare, fazendo um mix perfeito com um ambiente de condução que se pretende desportivo, elegante e luxuoso. Naturalmente que tudo isto com a assinatura “Volvo Ocean Race” bastante visível!



Para terminar, Aira de Mello, Directora de Relações Públicas e Marketing da Volvo Portugal anunciou que esta edição especial chegará a Portugal em Janeiro do próximo ano e terá dois motores diesel (D4 e D5) e outros tantos a gasolina (T5 e T6), com um preço estimado de entrada de € 71.500.

Imagens: Volvo Cars



Se quiser saber mais sobre a aventura Volvo Ocean Race 2017/18 clique no link, podendo ver aqui o percurso desta edição que as 7 equipas pretendem cumprir, e que ontem abalou de Lisboa rumo à Cidade do Cabo, na África do Sul, evoluindo dali até ao destino a atingir a meio do próximo ano. Convido-@ ainda a ver este vídeo de uma dessas formações, no qual se detalha muitas das particularidades desta aventura dos mares.
Imagens: Volvo Ocean Race

Imagens: Beau Outteridge/Turn the Tide on Plastic

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Electricidade III: Silêncio! A corrida verde vai começar...

Corridas de automóveis eléctricos, uma realidade que, não há muitos anos, só se presenciava nas pistas de Scalextric que a rapaziada montava na sala, nos carros telecomandados, nos jogos das múltiplas plataformas ou em filmes de cunho mais futurista. Só que, fruto da real evolução do conceito, a coisa foi ganhando, gradual e silenciosamente, bastante velocidade, com base no investimento dos construtores que apostam nas tais soluções eléctricas e/ou híbridas, tema a que me referi na passada edição do Trendy Wheels.
Imagem: Fórmula E

O conceito que temos hoje como mais tradicional das corridas, assente nos tradicionais cheiros dos diferentes combustíveis nas boxes dos circuitos, bem como os sonoros roncos dos motores, irá, assim dar lugar a soluções mais amigas do ambiente e a suaves silvos dos blocos de baterias de emissões zero, tudo porque a electricidade já se propaga – com bastante substância e tecnologia associada, diga-se! – ao desporto motorizado internacional, mexendo no há muito instituído. 
Em tempos vista como inatingível, quais deuses do Olimpo ou pináculo da tecnologia automóvela todo-poderosa Fórmula 1 tem-se visto, ao longo dos últimos três anos, seriamente ameaçada pela chegada – e gradual sucesso e visibilidade – do Campeonato FIA de Fórmula E que até faz disputar os seus ePrix - acrónimo para "electric Grand Prix" - bem no centro das grandes cidades. Algumas até já foram palcos de Grandes Prémios de F1 e aonde esta desejaria regressar, objectivo hoje de impossível concretização por razões ambientais, de poluição atmosférica e sonora, apenas se mantendo no activo o GP do Mónaco, desenhado nas ruas e avenidas da icónica capital deste Principado, por uma simples razão: dólares!
Com essa leva de pessoas aos ePrix desenhados nos centros das urbes do planeta - infelizmente ainda nenhuma delas por cá - tem sido gradual e sustentado o sucesso da Fórmula E, até porque também não se obriga os espectadores a deslocações até pistas mais fora de mão. Tanto que são cada vez mais as marcas presentes na série, abandonando anos de presença na F1 e noutras modalidades. Uma delas é a distinta Jaguar, marca de luxo de origem britânica que para esta nova temporada de 2017/18 fez um reforço significativo de investimento na série, onde participa com o seu próprio monolugar, mas este ano estreando o i-Pace eTROPHY, um novo troféu monomarca 100% eléctrico, com base no seu modelo i-Pace, como programa de apoio aos diferentes ePrix.
Imagens: Jaguar

Fórmula E, Temporada 4
Pergunta para queijinho: quem irá bater o, até agora, invencível Renault e.dams Formula E Team? É esta uma das questões à entrada da nova temporada da Fórmula E, pois foi esta associação francesa que conquistou os troféus de equipas das três anteriores edições, somando-se outro de pilotos em 2015/16, um domínio assinalável nesta nova realidade das corridas de monolugares... eléctricos!
Imagem: Renault

Campeonato que, ao contrário dos demais, se inicia num ano para terminar no seguinte, esta edição 2017/18 até já arrancou, pelo menos nos bastidores, com as habituais novidades em termos de movimentações de pilotos e de equipas. Teremos 20 carros em pista, dois por cada uma das 10 formações que partem ao assalto dos dois novos títulos (Pilotos e Equipas). Estes monolugares são 100% eléctricos e de chassis e pneus idênticos, sendo dois por piloto e por corrida, pois se na F1 as corridas envolvem trocas de pneus, na Fórmula E troca-se... de carro! A operação é feita sensivelmente a meio das corridas, altura em que as baterias terão esgotado a quase totalidade da sua carga útil, uma particularidade em que se está a trabalhar para que, a curto/médio prazo, deixe de acontecer, face à maior autonomia das futuras baterias, passando a permitir cumprir-se a totalidade de um ePrix. Uma coisa é certa: manter-se-á sempre como pedra-chave desta competição a correcta gestão da energia por cada piloto, de modo a não se ficar sem combustível... perdão, sem electricidade!
Vendo a Fórmula E como o veículo por excelência para promover as suas gamas eléctricas, híbridas e plug-in, regista-se, como adiantei acima, um crescente envolvimento directo das marcas automóveis, sendo que na temporada que está prestes a iniciar-se são 4 os construtores oficialmente inscritos – Audi, DS, Jaguar e Renault – mais a BMW a fazer uma época de transição como parceira da equipa norte-americana Andretti, para assumir em pleno as rédeas do projecto em 2018/19.
Somem-se as (ainda) quase desconhecidas marcas chinesas Faraday, NIO e Techeetah, a monegasca Venturi e a indiana Mahindra e teremos 20 monolugares verdes a rechear as grelhas de partida e a dar espectáculo em pista. Não acredita? Então veja o vídeo no final deste texto). 
Imagens: Fórmula E
Imagens: BMW, Mercedes-Benz




A febre do ambiente
A demonstrar que esta febre ambiental está a alastrar e a mostrar-se cada vez mais importante para as contas do sector automóvel, confirmou-se, entretanto, a chegada dentro de duas épocas (em 2019/20) das eternas rivais alemãs Mercedes-Benz Porschedesertando de outros campeonatos baseados em combustíveis fósseis, onde estiveram por largos anos e onde acumularam, em conjunto, centenas de troféus e títulos. Na anterior (2018/19) entrará em cena Nissan, tomando o lugar da meia-irmã Renault (que passará a dedicar-se em exclusivo à F1), algo visto como natural, dado o posicionamento diferenciado de ambas e também porque pelo facto de pertencerem ao mesmo grupo industrial, seria inviável e indesejável o seu confronto directo. Ou seja, a presente época apresenta-se como a hipótese de ouro para que os franceses alcancem um poker de títulos!
Outra sensação desta 4ª época da Fórmula E, que está prestes a iniciar-se, é o anunciado regresso da Suíça ao desporto automóvel internacional, país que há mais de 60 anos baniu as grandes competições dentro das suas fronteiras, curiosamente devido ao muito trágico acidente ocorrido na vizinha França, nas 24 Horas de Le Mans de 1955. Findo esse luto motorizado e fruto do conteúdo verde desta competição 100% eléctrica, será Zurique a cidade que irá ter ePrix no centro da cidade, a realizar a 10 de Junho próximo.
Mas os suíços não serão os únicos a testemunhar a modalidade pela primeira vez no seu país, pois também chilenos, brasileiros e italianos terão os seus primeiros ePrix verdes de sempre, respectivamente nas cidades de Santiago do Chile, S. Paulo e Roma. Arrancando a 2 de Dezembro em Hong Kong (China), logo com uma jornada dupla, nesta temporada de 2017/18 repetem-se, ainda, os circuitos citadinos de Marraquexe, Cidade do México, Paris, Berlim e Nova Iorque (duas corridas), num ciclo de 14 ePrix que terminará em Montreal, em Julho, igualmente num fim-de-semana com dois eventos.
Imagens: Fórmula E


Saiba tudo aqui sobre uma modalidade com que até pode interagir directamente, oferecendo bónus de energia ao(s) seu(s) piloto(s) favorito(s), processo feito através de uma plataforma própria, recorrendo ao hashtag #fanboost. Alerto que até há um português - António Félix da Costa (imagem acima) - neste campeonato, como piloto oficial da BMW, pelo que toca a puxar pelas cores lusas!
Entretanto, se quiser um cheirinho do que sucedeu nos primeiros 3 anos de vida deste Campeonato de Fórmula E, basta apreciar o seguinte conjunto de imagens:

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Electricidade II: O acordar da ‘Bela Adormecida’

Como referi na última edição, só no final do século passado e depois de um demasiado prolongado sono induzido, derivado dos interesses e desenvolvimentos entretanto instalados noutros domínios, as viaturas alimentadas a baterias eléctricas voltaram a mostrar-se. As preocupações ambientais tornaram-se parte das agendas de um planeta cada vez mais adoentado, a braços com os efeitos dos gases com efeito de estufa, oriundos não só dos veículos alimentados a combustíveis fósseis, como das próprias fábricas que os produziam, entre outras origens.
Imagem: smart

Em modo puro, híbrido ou plug-in, aqui associados a um motor a gasolina (na maioria dos casos) ou diesel mas com tecnologias mais avançadas no domínio da redução do CO2, óxidos de azoto e outros elementos poluentes, presentemente quase não há marca que não tenha - ou preveja ter - um modelo com algum conceito eléctrico associado na sua gama. Algumas há que querem migrar por completo para essa realidade, assim se definam as linhas mestras do mercado automóvel do futuro, enquanto outras ainda dizem que “nim”, injectando com maior ou menor velocidade opções eléctricas nas suas ofertas e outras (ainda) não vêem, ou não querem ver, essa inevitabilidade transposta para a sua imagem de marca.
Bastante avançadas no processo estão as japonesas Nissan e Toyota, tendo, respectivamente, no Leaf e no Prius verdadeiros best-sellers: o primeiro é o eléctrico mais vendido do mundo; o segundo tem o mesmo estatuto entre os híbridos. Isto numa altura em que surgem outras que já nasceram ligadas à corrente, caso da Tesla, gigante norte-americano que, aparentemente surgido do nada, abanou, qual terramoto de elevada escala, o mundo automóvel para esta inevitável realidade, obrigando a concorrência a mexer-se para não se perderem no comboio do desenvolvimento eléctrico. Um trio que reforça significativamente, a cada dia e de acordo com os planos traçados, a sua aposta eléctrica.
Imagens: Nissan, Toyota

Imagens: BMW, Renault, Opel, Tesla

Aquando desse acordar, também a Chevrolet apostava num modelo, o Volt, para a sua aventura eléctrica, gémeo do europeu Ampera da Opel, enquanto a BMW lançava com enorme sucesso o citadino i3 e o desportivo i8, altura em que a Renault se concentrava nos citadinos Zoe, Twizy e no comercial Kangoo. Um trio que ganhou estatuto de case studies neste cometimento para com a tal descoberta de Thales de Mileto, de há mais de 2.500 anos! 
E não se duvide em absoluto que já se esteve muito mais longe andarmos todos de eléctrico no curto/médio prazo pois, de repente, escancararam a porta (quase) todos os restantes protagonistas do mercado, como o demonstram os novos projectos desvendados nos Salões de Frankfurt (em Setembro) e Tóquio (decorre neste momento). 
Honda é quem parece ter, de repente, encontrado todos os interruptores da casa, electrificando ambas as suas gamas: nas 2 rodas tem a fantástica moto Riding Assist-e e as scooters PCX Electric e Hybrid; nas os brilhantes concepts Urban EV e Sports EV, expostos ao lado do não menos estonteante NeuV, veículo que dizem dotado de Inteligência Artificial, este mostrado ao mundo no início do presente ano. Outro exemplar eléctrico que deixou de boca aberta o mundo das 2 rodas foi a Yamaha Motoroid, um autêntico peso-leve da categoria, com pouco mais de 310 kg!
Imagem: Honda 

Imagens: Honda e Yamaha

Mas há muitos outros a querer reforçar esse feudo eléctrico, casos da smart com o Vison EQ Concept, da Suzuki e o seu e-Survivor e da Mitsubishi com o avançado e-Evolution, para além da família ID da Volkswagen ou do Concept EQa da Mercedes-Benz. Já a Volvo, entretanto, também desvendou a sua estratégia eléctrica, anunciando que a partir de 2019, todos os modelos da sua gama irão contar com um motor eléctrico a bordo, acabando com o reinado dos blocos puramente a gasolina ou gasóleo. 
Imagens: smart, Suzuki, Mitsubishi

Imagens: Volvo, Mercedes-Benz, Volkswagen

Entretanto, ao mercado está já a chegar a tripla Hyundai IONIQ, berlina que se apresenta já com as versões electric (100%) e hybrid (2 motores complementares, um eléctrico e outro a gasolina), ficando para mais tarde a variante plug-in, num outro patamar da electricidade aliada a um ainda mais avançado motor tradicional. Mais detalhes aqui.
Imagem: Hyundai 
Até entre os produtores de superdesportivos não há como fugir ao tema, como o espelham o Project One, da divisão de competição AMG, feito em resposta ao Concept Study Mission E da Porsche, demonstrando que a coisa não é só fazível nos modelos do dia-a-dia! Tanto que a electricidade propaga-se já, com bastante substância, ao próprio desporto automóvel, mexendo no há muito instituído como inatacável!
Imagens: AMG-Mercedes, Porsche


Planeta Terra… até quando?
O mundo – ou pelo menos já parte significativa dele – hoje fala, final e abertamente, de energias alternativas, nomeadamente de electricidade e combustíveis biológicos, como reais substitutos dos combustíveis fósseis derivados do carvão ou do petróleo, tendo sido dados enormes passos na sua aplicação aos mais diversos níveis e sectores, nomeadamente nos veículos em que circulamos no nosso quotidiano ou que operam nas diferentes indústrias.
Imagem: all free download



Pelo acima exposto, são inúmeras as soluções de variável componente eléctrica e/ou híbrida nos automóveis, motos e bicicletas do nosso quotidiano, tendência que também se alastra aos veículos pesados e maquinaria das diferentes indústrias, aqui se apostando no bioetanol e/ou no gás natural, palco onde também a electricidade ganha adeptos, como o Trendy Wheels já teve oportunidade de abordar em anteriores edições.
É este conceito de pegada verde que encima muitas das discussões do presente, alertando-se que não é só no produto final que ela tem que se mostrar, devendo manifestar-se também na totalidade dos processos de produção, de manutenção e de reciclagem dos cada vez mais sofisticados materiais e das hoje avançadíssimas baterias, mas ainda com bastante impacto no ambiente. Apesar dos avanços ainda estamos longe da solução definitiva que deixe o planeta Terra de sorriso no rosto, principalmente pelas decisões dos poderes instituídos e governações, sector onde os lobbies têm demasiado peso, fazendo-as andar ao sabor dos ventos... não necessariamente dos bons!
Imagem: Tesla

Tornam-se, por isso, por demais importantes iniciativas como o Greenfest, as acções da EcoKart, ou o "Salão do Automóvel Híbrido e Eléctrico e da Mobilidade Sustentável", cuja primeira edição decorreu em Outubro na Alfândega do Porto, bem como todas as demais em que, de algum modo, se tente estancar esta autêntica ferida aberta que está a sugar a vida neste nosso planeta. Todas pretendem desmistificar o conceito e utilização de veículos eléctricos e híbridos, ou outras soluções de serviços de cariz mais ambiental, semeando-se a mudança de atitudes através da partilha e da cidadania activa que promovam uma economia mais verde.
Veremos o que o futuro nos reserva entre os ainda muitos factores que o podem condicionar. Um deles começa por si, pois as suas acções, por mais pequenas que sejam, também contam, para que possamos partilhar um mundo melhor com as gerações que estamos a preparar, incutindo-lhes uma maior consciencialização
Imagem: Greenfest 2017

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.