Alternativa
ao dito “as aparências iludem”, ambos
se podem aplicar na perfeição a alguém que, há anos, cria realidades que são
tudo menos verdadeiras, apesar de as imagens assim nos levarem a essa percepção.
O seu autor chama-se Michael Paul Smith
e ganha a vida a brincar com
miniaturas e uma máquina fotográfica.
É o exemplo perfeito de um artista apaixonado pelo que faz, num processo
que remonta a mais de duas décadas e meia, aproveitando ambientes reais,
conjugando-os depois com peças vintage à
escala, recorrendo a perspectivas que se eternizam através da fotografia. Para o efeito
criou, ele próprio, recorrendo a memórias e histórias, uma cidade americana com
visual das primeiras décadas do século passado, a que chamou de “Elgin Park”.
É
nesta urbe fictícia que nascem estas conjugações (ir)reais, ilustradas pelas
fotos que se apresentam neste texto Trendy
Wheels. Dado que as mesmas falam por si, tal como o próprio vídeo, uma interessante
reportagem do National Geopgraphic
sobre este criador de sonhos, não me vou alargar em grandes considerandos.
Quer
viajar de França para Inglaterra sem ser pelos meios convencionais? Esta edição
Trendy Wheels traz-lhe duas alternativas para se atravessar o Canal da Mancha.
Aliás, poder-se-ia mesmo fazer a viagem para lá num meio e o regresso noutro,
tudo, claro, sobre rodas... ou quase! Como?!?!
Imagens: Wikipedia
Comecemos
pelo “Pegasus”, um pequeno buggy associado a um parapentecom motor, que honra o equivalente cavalo alado da
mitologia grega. Coube ao piloto francês Bruno Vezzoli fazer, há dias, essa
travessia, viagem de 59 km que se iniciou em Ambleteuse, localidade
francesa nos arredores de Callais, e terminou em East Studdal, perto de Dover, Inglaterra. Necessitando de 100 metros para
levantar voo e 30 para aterrar, podendo atingir uma velocidade de 80
km/h, o “Pegasus” é umprojecto
de um ex-jornalista gaulês, de seu nome Jerome Dauffy, apaixonado pelo visionário Júlio
Verne e que sonha, um dia, construir ele próprio um máquina que permita realizar uma
Volta ao Mundo em 80 dias…!
Outra hipótese é fazer como Georges Monneret fez em 1952, ele
que atravessou o Canal da Mancha, ligando Calais a Dover, recorrendo a uma Vespa montada
sobre uma estrutura com dois flutuadores, do tipo mini-catamaran. O projecto deste então concessionário da marca italiana de motos foi
concebido no âmbito de uma corrida entre Paris e Londres, tendo tido, muito naturalmente,
uma imensa cobertura mediática.
Posto
isto e independentemente da sua escolha – uma destas ou outras soluções – deixo-lhe os votos de boas
viagens.
Imagens: FlyingMag e Reuters
Imagens: Artblart, Vespa/Giorgio Sarti, British
Pathé
Cumprimentos
distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas,
decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes; 2) Direitos reservados das entidades
respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.
A
olaria é uma das mais antigas indústrias do mundo, remontando ao Período Neolítico
o recurso ao barro para criação de peças para armazenamento e preparação dos
diferentes produtos da natureza. Mas, ainda hoje há quem o trabalhe de um modo
bem mais profissional e sofisticado, recorrendo a um conjunto de novas
tecnologias para levar até sua casa peças de design único.
Se
eu lhe disser que o mesmo aconteceu com o carro que tem parado à porta fica admirado?
De facto, muitos automóveis começam por ser uma massa disforme de barro, só
alguns meses mais tarde se transformando em estruturas de aço, chapa e vidro.
Remonta
a 1927 a primeira utilização deste material na indústria, quando Harley Earl, então
estilista da General Motors, definia o automóvel como uma obra de arte e não
apenas um monte de peças conjugadas de uma determinada forma. Aplaudido por uns
e criticado por outros, o americano levou a sua avante e demonstrou, por A+B,
junto de alguns clientes da marca – entre estrelas de cinema e milionários –
que ver uma proposta do seu futuro carro em molde era muito melhor do que
apenas por um desenho no papel.
Presentemente,
quase um século depois, quando os híper-ultra avançados computadores e respectivo
software permitem fazer quase tudo
num piscar de olhos – até mesmo propostas em realidade virtual – descobre-se
que o barro moldável continua a sujar as mãos dos profissionais, antes do
automóvel ganhar vida e sair para as ruas.
É
em (quase) tudo semelhante a uma criança que brinca com um lote de plasticina,
recriando o seu imaginário, ou ao oleiro que molda as mais diversas peças, recorrendo
a este produto reutilizável, que permite alterações imediatas, acertos às
primeiras, segundas e terceiras tentativas, podendo-se sempre colocar mais material
ou retirar excessos.
E do nada nasce a
obra!
Claro
que na indústria automóvel esta argila é diferente da que se encontra na
natureza, resultando de um mix de
ceras de diferente composição, com as marcas a registarem patentes dos seus
próprios materiais. Os modeladores começam a trabalhá-la a partir de um esboço
ou desenho virtual, feitos num estúdio de design, criando um primeiro modelo real, assente numa estrutura em madeira
e/ou metal, revestida a esferovite ou espuma, toscamente recortada de acordo
com o formato pretendido, de um pequeno citadino a um SUV da moda ou até mesmo
um superdesportivo.
Um
lote de argila aquecida – entre os 50 e os 60ºC – é depois colocada em cima
dessa forma, iniciando-se um apaixonado e preciso trabalho de centenas de horas,
que leva à transformação em realidade da visão do designer. Macia e flexível
ou, mais tarde, já algo solidificada, é trabalhada com várias ferramentas especializadas,
das usadas por um carpinteiro, às facas de um Chef de cozinha, bisturis de um cirurgião ou instrumentos de
precisão de um relojoeiro, numa curiosa coreografia de movimentos.
Imagens: Ford
Dependendo
da escala a que se faça o veículo a criar – podendo ir de 1:10 até tamanhos
reais – naturalmente que varia a quantidade de argila necessária. Segundo números
divulgados pela Ford, um modelo de pequena escala pode pesar 10 kg e demora, em
média, 2 semanas a completar, enquanto outro, à escala real, pode atingir as duas
toneladas, o peso de um elefante asiático médio. O tempo de execução de cada
uma varia de acordo com a dimensão e o detalhe. Num único ano a marca usou mais
de 186.000 kg de barro, o equivalente ao peso de um Boeing 747, reciclando mais
de 2.350 kg por ano de raspas resultantes
dos excessos retirados dos moldes. Acumulando-se em doses significativas, em 5
anos a marca já reciclou mais 9.000 kg deste material.
O
vídeo abaixo resume, na perfeição, o processo de criação de uma escultura rolante em barro, ou simplificando, um automóvel como o seu.
Cumprimentos
distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro
Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas,
decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades
respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.