segunda-feira, 7 de março de 2016

Já Olhou Bem Para a Cadeirinha?

Esta é uma pergunta que se impõe sempre que se transportam crianças no interior de viaturas. Diferentes associações e autoridades não se cansam de chamar a atenção para esta recorrente preocupação das nossas estradas, através da apresentação de estudos ou acções direccionadas.

Imagens: APSI

Foi em 1995 que se tornou obrigatório o uso de Sistemas de Retenção de Crianças (SRC, ou vulgo “cadeirinhas”) nos automóveis para crianças até aos 3 anos, alargando-se o leque a miúd@s até aos 12 anos em 2005. Em qualquer dos casos, depois de anos em que se permitiram as mais diversas e absurdas situações no seu interior, de miúdos soltos no banco de trás – e às vezes no da frente – ou nas bagageiras das carrinhas, e milhentas vezes ao colo de adultos sem que qualquer sistema os segurasse na eventualidade de um acidente, algo que todos sabemos como acabava se tal acontecesse! Passados 20 anos os números de sinistrados (crianças passageiras) desceu significativamente – mal seria se assim não fosse!!! – não só pela obrigatoriedade desse dispositivo, como pelo exponencial crescimento da segurança das viaturas, mas… ainda há muito disparate por aí.

Há cadeirinhas e cadeirinhas
A começar pela cadeirinha usada! Há ainda muita gente a não olhar com a devida atenção para as referências das ditas, bastando-lhe o popular “E” para ficarem pseudo-descansadas, podendo até cair no logro de comprar SRCs com homologações que já não são válidas, descobrindo, tarde demais, que as mesmas não devem mais ser usadas. Não podem mais ser fabricadas e vendidas, algo que acontecerá se o fizer em locais menos recomendáveis, em alguns portais de compras online ou ainda na eventualidade de uma herança – bem-intencionada mas muitas vezes indesejável – de um primo ou amigo, por vezes nem se conhecendo o seu histórico ou estado de conservação! 



Outra situação tem a ver com o modo como a cadeira é colocada na viatura, ao lado do condutor ou atrás, no modo como é fixa aos bancos, na adequação da mesma à idade e estatura da criança e como está é colocada e fixa ao SRC, com os cintos, da própria ou do carro, muitas vezes mal colocados em seu redor.

“De facto é preocupante o número de famílias que ainda não transporta corretamente as suas crianças no automóvel. Não é, no entanto, um problema exclusivamente português e não é um problema novo. quer por cá, quer na Europa”, disse ao blog Trendy Wheels, Sandra Nascimento, Presidente da Direcção da APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil, uma das entidades que mais luta por esta causa, integrada nas suas valências aos mais diversos níveis da segurança infantil (em casa, nas escolas, parques infantis ou no automóvel).

Imagens: Britax, Römer, Dorel, Fundación Mapfre

A acrescer a tudo o acima, há ainda a dificuldade em saber ler as etiquetas dos SRCs, quanto mais saber quais as várias normas presentemente em vigor! Presentemente valem as normas ECE-R44/04 (desde Junho de 2005), baseada no “PESO” da criança, nas variantes com e sem sistema ISOFIX, e a evolução UN R129 ou i-Size (desde Julho de 2013), em que a “ALTURA” passou a ser o factor primordial. Estima-se que em 2018 – ou seja, dentro de dois anos – apenas deva valer esta última, nas evoluções que entretanto vier a ter. Sandra Nascimento acrescenta que "ainda é possível as famílias usarem cadeiras R44703, embora estas sejam, necessariamente, cadeiras muito antigas e, por essa razão, não aconselhadas!"

As vivências da APSI
Realizando muitas acções de sensibilização pública, teóricas ou práticas, envolvendo os principais fornecedores de SRCs, ou workshops e formações a profissionais do transporte colectivo de crianças, a APSI tem assistido a experiências por vezes aterradoras, sendo “os erros mais graves os de crianças muito pequenas transportadas viradas para a frente, cintos internos das cadeiras muito largos e cintos de segurança do automóvel (no caso das mais velhas) debaixo do braço ou atrás das costas,” acrescentou aquela responsável. “Aproximadamente em metade dos casos analisados, as crianças não são transportadas correctamente,” uma tendência que infelizmente se mantém, como se conclui dos estudos de observação que a APSI realiza anualmente, nomeadamente nos últimos três.

Gráfico: APSI

Os estudos demonstram, de facto, uma evolução significativa no uso desses dispositivos nos carros, evoluindo de uns assustadores menos de 20% em 1996, a uns bem mais expressivos 85% em 2013, de crianças entre os 0 e os 12 anos seguras por um sistema de retenção! Naturalmente que desceu o respectivo índice de mortalidade, naquilo que é uma das conquistas mais significativas, mas naturalmente que não chega, pois ainda há:
  • 15% de crianças sem SRC, soltos no carro, presos só com os cintos ou transportadas ao colo de adultos; 
  • 85% que efectivamente estavam nas suas cadeirinhas, só que metade delas eram transportadas incorrectamente, pois:
    • alguns SRCs analisados não eram os indicados para a idade/peso/estatura;
    • ou porque não estavam bem montados no carro;
    • ou porque os cintos do SRC têm folgas indevidas;
    • ou porque os cintos dos carros passam debaixo dos braços ou até mesmo atrás das crianças;
    • ou porque o prazo de utilização já há algum tempo se esgotara, pois a sucessiva herança de umas crianças para as outras é algo que às vezes se paga caro, já que até os materiais empregues nas ditas e nos forros têm a sua duração e, em caso de um acidente, esses SRCs não desempenham mais o seu papel protector!

São ainda demasiados “ous”, sublinhando que apenas uma cadeira bem instalada protege adequadamente uma criança em caso de acidente,” acrescenta. Um problema que está há muito diagnosticado pela APSI e para o qual têm alertado nos últimos anos. Isto apesar de todas as recomendações e chamadas de atenção das entidades competentes, nomeadamente das autoridades de tráfego, para com o uso de um sistema SRC adequado (cadeira completa ou banco elevatório). Só a Polícia de Segurança Pública autua centenas de condutores que transportam crianças sem recurso ao dito equipamento, variando a multa dos 120 e os 600 euros (artigo 55º do Código da Estrada).

Então e o que fazer? Que futuro se pode antecipar no domínio da Segurança Infantil e dos Sistemas de Retenção de Crianças? Será que se consegue falar uma mesma linguagem, de modo a diminuir, verdadeira e significativamente as estatísticas a um muito desejável “Zero Mortes”? Estas e outras respostas estão na próxima edição do Trendy Wheels, a publicar já depois de amanhã!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

sexta-feira, 4 de março de 2016

O Poder da Escrita e da Ilustração

Cada um é para o que nasce, segundo o dito popular, e enquanto uns são ases no desporto, outros singram no canto ou na representação, em actividades de lazer ou ensino, entre um sem número de outros domínios. Quando se conjugam duas ou mais capacidades, surge um renovado potencial. O Trendy Wheels apresenta-lhe os novos escribas e ilustradores, nascidos da iniciativa “Jovens Autores de Histórias Ilustradas”.


O conceito é da Nissan Portugal e pretende sensibilizar os jovens para a importância do seu papel na construção de um futuro sustentável, identificando-se, em simultâneo, novos autores de contos e ilustrações. Nesta que foi a 3ª edição, criaram-se 10 novas histórias, da autoria de 19 jovens, entre escribas e ilustradores, entretanto agrupadas num único livro.

Destaca-se o título “Sempre a Mesma Coisa”, com escrita e ilustrações de Jasmim Cotrim e Inês Baptista (ES Cacilhas-Tejo), que conquistou o júri e acumulou os dois prémios principais desta edição 2014/15, para a “Melhor História” e para a “Melhor Ilustração”. Atribuiu-se, ainda, um terceiro galardão a “Cega a Tua Vida, Antes que Ela te Cegue a Ti”, da autoria de Miguel Marques e Sofia Rosário (EBS S. Martinho do Porto), numa eleição do público no Facebook da marca japonesa.


“Quando um novo livro chega às livrarias conclui-se a jornada criativa dos seus autores e inicia-se a descoberta dos leitores. Mas quando esse livro reúne e conta as histórias de uma nova geração de autores, é com redobrado entusiasmo que o descobrimos,” refere António Pereira Joaquim, Director de Comunicação e Relações Públicas da Nissan Portugal. Surge, assim, “um único livro que reúne traços, cores, palavras, frases, ideias e sonhos de 17 alunos do Ensino Secundário, obras de um conjunto de novos talentos da escrita e da ilustração nacional”.

Ao longo de vários meses, muitos os alunos e professores do Ensino Secundário trabalharam nas ideias, redacções e ilustrações de dezenas de trabalhos sobre “Condução Autónoma”, o tema forte desta edição, tecnologia de futuro em que a marca japonesa é pioneira. Projectos que foram, depois, enviados para a Nissan, obrigando a uma difícil selecção final pelo júri, este ano composto pela jornalista Bárbara Wong, a escritora Ana Maria Magalhães, o ilustrador Paulo Galindro, o escritor António Torrado (Sociedade Portuguesa de Autores), o pintor Eurico Gonçalves (Sociedade Nacional de Belas Artes), Fernando Pinto do Amaral (Plano Nacional de Leitura), Vitor Silva Mota (Editora Leya) e Guillaume Masurel (Nissan Portugal).

“Desafiando adolescentes de todo o país a libertarem-se de preconceitos e darem asas ao seu talento, construindo novas histórias, criando personagens com vidas e rumos diferentes, mas sempre com um objetivo em comum: a concepção de um novo futuro, com menos emissões e menos fatalidades em acidentes, numa contribuição efectiva para uma sociedade mais sustentável,” justificou aquele responsável.

Conheça aqui o making of desta 3ª edição que, entre outras acções, levou os finalistas até Barcelona, numa viagem inesquecível e repleta de boa disposição:


Uma edição também em braille
Em complemento ao livro em formato tradicional, destaque-se a produção de uma edição em braille, com o apoio da "Área de Leitura para Deficientes Visuais" da Biblioteca Nacional de Portugal, para um público-alvo com deficiências visuais que poderá, de acordo com Censos 2011 do INE, atingir 160.000 pessoas.


Pretendeu-se “tornar o concurso mais inclusivo, procurando consciencializar alunos invisuais ou com deficiências visuais, mas aptos para a escrita e para a ilustração, inseridos em escolas regulares, para a participação no JAHI. Simultaneamente damos o nosso contributo para o prazer dos livros e da literatura a crianças, adolescentes e adultos com deficiência visual. Através da leitura promovemos a cidadania, proporcionando um olhar crítico que possibilita formar cidadãos conscientes e contributivos para um futuro mais sustentável”, sublinha Guillaume Masurel, Director-Geral da Nissan Portugal.

De um “Sonho Lúcido” a uma realidade física
Foi também publicado do livro “Sonho Lúcido”, da autoria de Mariana Fonseca e Ana Sofia Matos, as vencedoras dos prémios “Melhor História” e “Melhor Ilustração” na anterior edição, título que fez parte do livro conjunto do “JAHI 2013-2014”, em que o tema era “Um Futuro de Zero Emissões”. Nele conta-se uma história vivida entre duas metrópoles – uma real Barcelona e uma fantástica Novaselik – em que a realidade e o imaginário se misturam numa narrativa livre.


É com grande apreço que vimos o nosso primeiro livro ser publicado. É o culminar de uma longa etapa que representa uma oportunidade que dificilmente surgiria tão cedo noutro contexto. Será, com certeza, um momento que ficará na nossa memória”, referem as autoras, à altura alunas da Escola da Maia, mas agora ambas estudantes da Universidade do Porto.

Viagem ao passado na “Revolução Futurista”
Um ano antes, no culminar da primeira edição dos JAHI, então sob o tema da “Mobilidade Sustentável”, os vencedores foram Maria João Amaral (texto) e Fábio Araújo (ilustrações), com a sua "Revolução Futurista”. Conta-se a história da Maria, de seis anos, e do seu amigo Jerónimo, passada em Londres, de onde partem para uma viagem ao passado, até ao início da Revolução Industrial, na procura de um recurso energético que permitisse a preservação do ambiente.

Fotos: Nissan/CL Sta. Maria de Lamas (à esq, em baixo)


Na altura, a autora da história, entretanto também passada a livro, referiu ter sido “uma sensação completamente diferente, muito recompensadora. Uma grande alegria, mas também uma grande responsabilidade, pois sabia que esperavam o máximo de mim. Não imaginava que com esta idade iria fazer algo com tanto impacto”. Já para o ilustrador tratou-se de “uma oportunidade extraordinária que a Nissan me proporcionou, quero seguir ilustração e este livro é uma porta que se abre. É uma sensação fantástica ver o nosso trabalho publicado pela primeira vez

A iniciativa em resumo
O projecto “Jovens Autores de Histórias Ilustradas” insere-se na política de Cidadania Azul” da Nissan,  um compromisso para com a sustentabilidade e a mobilidade, investindo nas comunidades em que se insere. Iniciativa única na Europa, inspira-se no “Children’s Storybook” e “Picture Book” que a Nissan Motor organiza há mais de três décadas no Japão. Em Portugal tem como entidades parceiras o Plano Nacional de Leitura e a Editora Leya.


Para concluir, refiro que o programa vai agora entrar em pausa para reformulação, preparando-se “um regresso ainda mais inovador e entusiasmante para alunos, professores e escolas”, promete a marca. Será um ano de intenso trabalho, pelo que fica um “até já” para uma potencial edição 2016-2017.
 
Fotos: Nissan (oficiais)

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!
José Pinheiro

Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Por Cá e Por Lá Também

Na senda dos principais prémios da indústria cinematográfica, da música e da TV, que nos últimos tempos têm dado a conhecer os melhores nas respectivas áreas, o sector automóvel também tem tido os seus premiados, com um vencedor a destacar-se entre os demais.

É ele o Opel Astra, anunciado anteontem em Genebra como o "Carro do Ano 2016" na Europa, algo que também já havia sucedido em solo luso, quando há duas semanas lhe viu ser atribuído o "Troféu Volante de Cristal 2016", designação que por cá se dá ao "Carro do Ano. Uma vitória incontestada, pois também garantiu, entre nós, o "Prémio do Público", que ao longo de vários meses pôde escolher o modelo da sua preferência, de entre 24 modelos dos mais diversos tamanhos e feitios. 

É-lhe, por essa razão, dedicado o Vídeo Trendy Wheels da Semana, onde se destaca uma das várias tecnologias que lhe contribuíram para os feitos acima descritos:


Mas outros modelos há que têm conquistado os mais diversos galardões à escala continental, em diversos países individualmente e ainda no domínio das publicações especializadas. Um tema a que o blog Trendy Wheels voltará, numa próxima edição.

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

Notas:
1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes;
2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e/ou imagens utilizados neste texto, conforme expresso.